Notas iniciais
Eu, Carolina, estou aqui de novo! Minha primeira One-shoot. Espero que gostem.

O vento me atingiu em cheio, assim que abri a porta do prédio, seco e gélido. Os carros passavam na avenida a uma velocidade média de 420 km/h. Eu nasci em uma época ruim, mas ainda me recordava desta cidade se orgulhar de ser uma das últimas que ainda tinham umas míseras árvores. Mas agora era só concreto por todo lado, arranha-céus, o mundo todo ‘evoluiu’ – eles dizem – eu prefiro dizer que o mundo retrocedeu.

Minha avó costumava dizer que quando ela era nova a água era abundante, havia natureza por quase todos os lados, e cidades pacatas ainda tinham paz. Com o tempo, o homem foi estragando tudo. Conforme ela crescia, tudo mudava. Ela contou que as pessoas percebiam para onde aquilo estava caminhando, algumas tentavam avisar, mas de nada adiantava. E agora o mundo ficou deste jeito, praticamente inóspito. A população mundial que era de quase sete bilhões em 2010 agora em 2070 já foi reduzida para menos de seis bilhões. Pessoas estão morrendo por desastres naturais consecutivos, de fome e principalmente de sede já que a água está praticamente escassa.

Olhei no relógio, Henrique estava demorando demais. Uns garotos atravessaram a rua vindo em minha direção. Isto me deixou apavorada. Todos sabiam que não era seguro sair na rua, a população se trancava em casa com medo destes perversos adolescentes. Um carro parou bruscamente na minha frente. Fiquei petrificada.

- Entra logo – Henrique abriu a porta para mim. Senti-me segura no mesmo instante. Eu tive realmente muita sorte de ter encontrado um homem como ele. Um ‘das antigas’, isso era uma raridade hoje em dia.

- O que você tem?

- Nada.

- Ei, eu te conheço. – sorriu docemente e apertou minhas bochechas. – Você está preocupada.

- Eu estava pensando na conversa que tivemos ontem.

Ele olhou para mim abrindo um sorriso radiante. – E decidiu o quê?

- Que talvez estejamos preparados. Mas, não fique tão empolgadinho assim. Eu ainda tenho muitos medos.

- Quais? – terminou de programar as coordenadas no GPS, ligou o piloto automático e se virou para mim, dando-me total atenção.

- De que os filhos que venhamos a ter sintam falta das coisas aqui de fora. E de que lá dentro não seja suficientemente bom.

- Não existe lugar mais seguro do que nossa casa. Você sabe disso, você mesma projetou. Um abrigo subterrâneo que resiste até mesmo a armas nucleares. Os suprimentos também estão garantidos, você gastou quase toda a fortuna herdada da sua família com água e mantimentos. Eu me formei em medicina justamente para isso, para poder cuidar da saúde de vocês. Nós temos todas as condições para viver lá embaixo por anos a fio. Nós lutamos muito e conseguimos criar um mundo especial para os nossos futuros filhos.

- Eu sei, mas, eu fico temerosa de eles se cansarem de nós dois.

- Não se preocupe, eles vão ter muitos irmãos para brincarem, não é mesmo? – me olhou com um sorriso malicioso, mexendo com o seu piercing. Devolvi um sorriso de grande volúpia.

- Ok, eu desisto!

- Eu venci, como sempre. Então vá se preparando, por que no dia em que você engravidar nosso confinamento começa. Não quero que você corra risco nenhum neste planeta infernal.

Chegamos ao nosso destino e descemos do carro. – Eu... Já estou grávida. – falei sorrindo largamente. Henrique me abraçou com força. Beijamos-nos ternamente. Ele pegou forte na minha mão e disse: — Pronta para deixar este mundo para trás?

Confirmei com a cabeça e antes de adentrar ao nosso refúgio dei uma ultima olhada a minha volta. Um mundo feio, seco, cinza; havia sinais de violência por toda a parte. Desejei mais do que nunca ter vivido no planeta lindo e cheio de vida que meus avós me falaram. Mas agora ficar pensando nisso tudo só iria piorar as coisas. A partir de hoje meu mundo iria ser ali dentro, com a minha família. E toda a segurança que eu necessitava foi passada a mim pelo olhar de Henrique. Os olhos dele me davam a certeza de que iríamos ser felizes, mesmo que o mundo lá fora desabasse.

Notas finais
Isto é fruto da minha fixação por Admirável Mundo Novo e Laranja Mecânica. Mas não é plágio. É só inspiração. Quando você gosta muito de uma coisa, tudo acaba sendo sobre ela. Gostaram? Acham que eu tenho chances?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!