Último Primeiro Beijo
1 Capítulo 1 - Jack Harper
Notas iniciais
Soldado Jack Harper. Pelotão 15. Nascimento: 22 de Junho de 1914. Nacionalidade: Norte-Americano. Sobreviveu à guerra. Família: Hellen Harper (Mãe).
Essa é a ficha de Jack no exército. Mas não é o foco de agora. O foco é em 1924, quando ele tinha 10 anos.
Em 1924 foi quando tudo mudou em sua vida. Seu pai, Adam, abandonou ele e sua mãe. Foi de repente. Hellen e Adam não haviam brigado recentemente, Adam não se envolvia seriamente com álcool, e nem tinha mais alguém fora sua esposa. Ele simplesmente foi embora.
Hellen passou a ir à igreja com mais frequência, esperando que orações fizessem seu marido voltar, ou pelo menos entrar em contato. Hellen era fortemente religiosa, tinha um crucifixo em cada cômodo da casa, e depois do desaparecimento do marido, não faltou a igreja um dia sequer.
Enquanto sua mãe se ocupava com religião, Jack continuava o mesmo. Suas notas na escola começaram a cair, mas ele tentava deixar em C+ pois sabia que se fosse menor, ele sofreria com as consequências. Se mantinha bem (na escola e pessoalmente) por ajuda de seu melhor amigo, John Smith.
Ambos eram rapazotes bonitos. John aparentava ser um pouco mais velho (o diretor da escola achava que ele tinha 12 anos), tinha olhos um tanto esbugalhados e castanhos, o cabelo também castanho. Sua pele era muito branca e com algumas sardas. John não era americano, era escocês, portanto tinha um forte sotaque. Jack era parecido com John. Tinha cabelos castanhos, os olhos também. Sua pele tinha um pouco mais de cor, chegava a ter bochechas levemente rosadas. Tinham a mesma altura e eram igualmente magros.
Eles se conheceram aos seis anos, quando John, com seu pai, se mudaram para a América. Desde então estudaram nas mesmas escolas, e sempre iam na casa um do outro.
“John! John! Meu pai. Ele... ele.” – Jack estava aflito naquele dia.
“O que foi, Jack?”
“Ele foi embora! Sumiu. Quando acordei mamãe estava chorando. Tudo que ela disse foi ‘seu pai’, então fui procurá-lo pela casa, mas... mas.”
Eram 7h quando Jack foi falar com John. Um menino de dez anos, em seus pijamas, correndo na rua indo para a casa da frente, entrando sem bater na porta, e em direção do quarto do amigo, que ainda dormia. John pouco se importara. Acordou e acalmou o amigo; eles conversaram até às 8h30min, quando começou a aula.
Desse dia em diante, se tornaram mais inseparáveis do que nunca. Principalmente em 1927, quando Jack, pela primeira vez, gostou de alguém.
“Quem é, Jack? Fala!”
“Hm... é, tá. É... Promete que ainda será meu amigo?”
“Claro! Não vou deixar de ser seu amigo porque está gostando de alguma menina.”
“Esse é o problema. Não é uma menina.”
E foi quando John se segurou para não gritar “O quê?!” bem alto. A notícia chocara John. Mas do mesmo jeito ele abraçara o amigo e dissera:
“Desde que você não me troque pelo Ian... não ligo se você gosta de meninos. Você não deixa de ser meu melhor amigo por causa disso.”
Para a época em que estavam – Século XX – John reagiu muito bem. E Jack parou de se sentir mal por sua sexualidade, até sua mãe descobrir. Quando Hellen ouviu Jack conversando sobre Ian com John, ela chorou, levou Jack para a igreja todos os dias, na esperança de que pudesse “curar” o menino daquilo que ela dizia ser uma doença dada pelo Satanás si próprio. E todos os dias ela rezava, agora acrescentando o pedido de que seu filho deixasse de ser homossexual.
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