Últimas palavras
1 Capítulo único
Últimas palavras
Aquela noite foi assustadora. Destruição total. Carnificina total. Apesar de ter acontecido essa catástrofe por causa de uma única pessoa, eu me sinto uma das pessoas culpadas por toda essa tragédia na cidade.
Não me saía da cabeça o incidente do vestiário. Todas as garotas faziam gozação com ela, jogando absorventes, só por ela pensar que estava morrendo, quando, na verdade, ela estava tendo a sua primeira menstruação aos dezesseis anos.
Não posso falar mal das outras, porque naquele momento eu também estava ali no meio, participando de tudo aquilo. Mal sabia que aquilo seria o começo do fim de tanta gente.
Todos nós a zoávamos, só porque ela era taxada de “estranha”. Soava até engraçado, desde o primário: “Carrie, a estranha”. Todos sempre derrubavam os livros dela, a faziam tropeçar para depois vê-la cair de cara no chão, tiravam sarro de suas roupas esquisitas e tudo mais que lhes dessem na telha.
Mas, depois do incidente do vestiário, vi o quanto nós éramos monstros. Até mesmo eu, Susan Snell, estava incluída nisso. Estava no meio dos perseguidores de Carrie White.
Só que consegui perceber que havia agido errado. Tentei consertar o que eu havia feito. Mas, Chris Hargensen e o bando de amigos vadios do namorado vagabundo dela estragaram tudo. Eles despertaram a fúria da Carrie e de seus poderes telecinéticos.
E pagaram muito caro por isso, quando planejaram acabar com o baile da vida dela.
A fúria de Carrie praticamente destruiu a cidade. Nem mesmo a mãe – uma fanática religiosa que a obrigava a ser estranha daquele jeito – escapou de sua ira.
Depois de deixar um impressionante rastro de destruição, nós duas nos encontramos. A loirinha tímida, de olhar distante, e reclusa, se tornara uma personificação pura do ódio que ela acumulava desde que nascera. Aquilo tudo havia se acumulado durante anos e anos, até que acabou explodindo de uma vez.
Eu já sabia de tudo, porque ela acabou me mostrando com seu poder telecinético.
Aquela visão era assustadora pra mim. Carrie estava toda desgrenhada, seu vestido totalmente em farrapos e estava coberta de sangue – sangue de porco e seu próprio sangue. Isso, sem contar com uma faca enorme cravada em suas costas.
Aquilo era medonho. Eu já estava esperando o meu fim, achava que era o próximo alvo dela. Pelo jeito, ela poderia achar que eu só a ajudei por pena.
E depois de tudo, ali estava ela, prestes a morrer. E, como não podia deixar de ser, com muito sofrimento. Senti uma pontada no coração por causa dela.
- Carrie... – eu disse. – Por favor, me perdoa... Me perdoa por tudo que eu te fiz... Eu só queria te ajudar...!
- Eu sei, Sue... – ela respondeu com um fio de voz. – Você foi a única que teve coragem de se aproximar de mim... Tentou ser minha amiga... Obrigada... Eu é que tenho que pedir desculpas pra você... Estraguei o seu plano... Sou mesmo uma idiota...
Uma lágrima brotou de seus olhos e deslizou pelo rosto lambuzado de sangue.
- Não, você não é, Carrie. – eu disse, limpando aquela lágrima do rosto dela. – Você só não é compreendida. Os outros têm medo do que é diferente.
- Os outros só me odeiam... – ela disse entre soluços. – Eles me odeiam... Agora sou um monstro, que vai morrer sozinho... Todos me odeiam...!
Eu a abracei.
- Eu não te odeio, Carrie. Apenas quero ser sua amiga. – tentei tranquilizá-la.
Ela agarrou o peito com muita força e fez expressão de muita dor. A respiração ficou cada vez mais difícil e Carrie buscava ar desesperadamente, enquanto as lágrimas escorriam abundantemente por seu rosto.
- Não dá... – ela disse. – Não vou aguentar...!! O meu coração dói demais...! Eu vou morrer...! Eu vou morrer...!
- Não, Carrie! Resista!
- Não dá, Sue! Não dá!!!
Eu não podia fazer nada, ela estava morrendo bem na minha frente. Ela estava ficando sem ar e cada vez mais pálida. Mas, antes de morrer, me disse algo que jamais esqueceria. Eram as suas últimas palavras:
- Obrigada, Sue... – sua voz estava quase inaudível. – Obrigada por ser minha amiga... Minha... Única... Amiga...
- CARRIE! – tentei reanimá-la. – CARRIE!
Não adiantou. Ela já não respirava mais e não tinha mais pulsação. Tinha acabado de morrer. Mas no rosto dela havia um leve sorriso. Um raro e leve sorriso, que me fez lembrar as suas últimas palavras.
“Obrigada, Sue... Obrigada por ser minha amiga... Minha... Única... Amiga...”
Aquela cena nunca mais saiu da minha cabeça. Muito menos aquelas palavras da Carrie.
As suas últimas palavras.
Notas finais
Bom, a fic saiu bem curtinha, mas espero que tenham gostado. Fiquem à vontade para mandar reviews!
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