Última Transmissão

4 Capítulo III. Morte e Ressurreição


Notas iniciais
Andei atualizando a capa e a sinopse da fic, espero que tenha ficado legal. Desculpem de coração pela demora dos capítulos, estou gripado. ♥

Não era surpresa que de imediato Dovie saltou para fora do banheiro, enrolada apenas em uma toalha. Já eu, me apressei para as escadas, descendo no mínimo três degraus de uma vez, até alcançar a imensa porta de entrada. Pus meu corpo para fora, a tempo de sentir minha irmã topar contra mim, praticamente me atropelando.

Minha primeira visão foi trágica, Carl, o ex-presidiário, descia as escadas na direção da garotinha, mas já era tarde de mais. Um dos zombies, havia aplicado uma enorme mordida em sua nuca, expondo uma quantidade absurda de sangue e músculos. Assim que ele a alcançou, derrubou a criatura com um chute frontal bem aplicado e pisoteou seu rosto, espalhando sua carne podre pelo tablado de asfalto; mas era tarde. A essa altura, Katlyn, a garotinha, já ressurgia com os olhos marcados por profundas olheiras escuras, e, então, avançou contra o próprio pai, tentando mordê-lo na altura dos ombros.

Dovie, se limitou a soltar um grito estridente que fez meus ouvidos doerem, mas eu? Avancei o mais rápido que pude para ajudar Carl, no mais profundo âmago do meu corpo eu sabia, ele não ia conseguir matá-la. Chegando lá, puxei Carl pelo colarinho de sua blusa regata, deixando os dentes da garotinha friccionarem no ar; puxei de minha cintura o canivete, que imediatamente retraiu uma lâmina prateada, e, enfim, afundei-a no rosto da pobrezinha, ceifando sua vida por completo. Com as manchas de sangue no rosto, titubeei para trás, atordoado com a quantidade vasta de informações recentes.

Carl roubou minha atenção com um grito rígido, empurrando-me pelos ombros.

—COMO OUSA?! — choramingou ele, acoplando o revolver na mão direita — Minha garotinha... MINHA GAROTINHA!

—Calma, Carl. Eu só quis te salvar, — tentei persuadi-lo, resvalando o canivete de volta para a bainha — não era mais a Katlyn.

—E QUEM É VOCÊ PRA DETERMINAR QUEM VIVE OU MORRE?! —Retrucou ele, ignorando a arma e avançando com as duas mãos no meu pescoço.

De imediato, minha reação foi bem mais lenta que a esperada, então apenas fui jogado no chão junto a ele. Assim que minha consciência se re-estabeleceu, fui atingido em cheio por um soco no rosto, que estralou em meu maxilar. A essa altura, Dovie não fazia mais nada se não gritar, completamente em choque.

Afastei a cabeça pro lado assim que ele aplicou outro soco, deixando-o atingir o chão em cheio; e, pelo visto, a estratégia funcionou, já que ele rugiu e afastou o braço, expondo a mão manchada por sangue. Por minha vez, investi com o corpo para frente, substituindo nossas posições no chão, e, enfim, afundei meu joelho sob seu tórax, tentando mantê-lo preso sob o chão.

—Você está fora de si, Carl! — implorei — Me escuta!

Ao invés de ser recompensado com outras palavras, Carl me atingiu diretamente no rosto com outro soco, que me fez gemer, mas não desestabilizou minha posição acima dele. Em seguida, afundei a mão diretamente no seu nariz, devolvendo o soco com a potencia multiplicada, e pelo impacto, quebrando-o. Já não me via reagir por conta própria, a ira tomou conta da minha cabeça, tudo que eu pensava era em desfigurar aquele rosto ruivo, então continuei descendo as mãos com violência no seu rosto, raivoso.

Carl, aparentemente possuía uma certa perícia com lutas, já que armou sua guarda e bloqueou todos os meus socos provenientes. Ele rolou para o lado e furtou meu equilíbrio, me estirando novamente no chão. Ele tentou montar por cima de mim, mas o afastei com um chute no peito, que também o derrubou no chão. Icei o corpo para cima e corri, pretendendo atingir seu rosto atordoado com um chute. Mas, por sorte, fui interrompido por Dovie, que se colocou no vão entre nós, agarrando meus braços.

—PAREM COM ISSO, VOCÊS VÃO SE MATAR! — Suplicou Dovie com lágrimas nos olhos.

—Ele me deu um soco, na cara! —Tentei avançar mesmo sob os empecilhos de minha irmã, ainda sendo contido.

—Po-por favor, Pierr. — Fungou ela, choramingando pelos cantos dos olhos.

Seu charme imediatamente me afetou, não consegui resistir aos seus olhos pidões, seus cabelos ébanos e seus olhos profundos, decididamente, eu estava lentamente me apaixonando por ela. Do canto dos olhos, vi Carl se reerguer, afagando o próprio queixo com a mão direita. Ele continuava choramingando feito um bebê, debruçado nas proximidades no corpo de Katlyn.

—Érr, Carl... — Fui interrompido por Dovie.

—Não o incomode, não é de se admirar que ele esteja abalado.

—E-eu só queria pedir desculpas. — Me vi novamente encurralado pelos olhos profundos de Dovie, além da culpa que agora me açoitava como nunca antes. Eu havia espancado alguém em luto, deixado sangue em seu rosto.

—Me desculpe, Katlyn. — murmurei baixinho, sem esperar ser ouvido — Fui fraco.

Dovie não disse mais nada, apenas se sentou ao lado de Carl, observando com pena seu sofrimento. Já eu, tratei de desembainhar novamente o canivete, assim que observei mais zombies se aproximando da esquina. Os gritos, os gritos de Carl haviam os atraído, e agora, ele se juntavam em grupos de quatro, tampando cada esquina do bairro de luxo.

—Dovie, Carl... — tentei chamar atenção de ambos — Tem mais deles por ali.

Carl não esperou que Dovie respondesse, postou-se de pé e correu até o gramado de sua casa, selecionando um pé de cabra. Ele avançou contra o primeiro grupo de criaturas com fúria nos olhos, e, de primeira, arrancou a cabeça de uma com uma marretada de sua arma. Eu me encarreguei de levar minha irmã para dentro de nossa casa e bati a porta na sua cara, avançando novamente pelas ruas, munido pelo canivete.

Abati o primeiro zombie que se aproximou, uma facada certeira entre o vão de seus olhos, desabando seu corpo morto no chão. Um segundo individuo se aproximava ao seu lado, mas, dessa vez, não precisei reagir, já que Carl esmagou seu crânio por mim. Encarando-o nos olhos, percebi sua expressão doentia, ele clamava por ódio, vingança, e descontava tudo isso nas criaturas que levaram sua tão doce menina, esmagando uma por uma abaixo de seus pés.

Quando me dei por si, não havia mais sequer um zombie vivo. Todos, sem exceção, estavam com o crânio partido ao meio, e, agora, as botas de Carl estavam tingidas de vermelho, sangue. Me afastei entre os titubeios, com medo de ser a próxima vítima do maníaco que havia nascido. Ao invés de avançar, ele retorceu sua expressão e forçou um sorriso por debaixo das lágrimas e sangue.

—Obrigado, Pierr. Você fez com que ela morresse como a mesma pessoa. — Retrucou ele, repousando sua mão direita em meus ombros — Isso foi nobre garoto, muito nobre.

—D-De nada. Só que-queria poupá-lo de sujar as mãos. —Gaguejei de volta, amedrontado.

—Não precisa temer, garoto, — ele enxugou uma lágrima sob o próprio rosto — somos agentes da mesma causa. Não esqueça o verdadeiro inimigo.

Novamente, me encontrei sem resposta, desconfortável com a aproximação radical de Carl. Mas ele leu minha expressão e deu de costas, poupando-me do trabalho de respondê-lo. Novamente, fixei os pés no chão e caminhei até a porta da nova mansão minha e de minha irmã, abrindo sua porta com os dedos trêmulos. Mesmo que sem querer, atingi Dovie ao abrir a porta, já que ela espiava pelo olho magico, e, por isso, fui recepcionado com um longo gemido.

—Ai! Seu brutamontes, olha por onde anda! — Exclamou Dovie, esfregando o próprio rosto.

Decidi por ignorá-la e subi as escadas, apressado, me debruçando sob a nova cama confortável que compunha a casa. O champagne e as outras mordomias estavam acabados, eu estava em completo estado de choque, além de sujo por sangue da cabeça aos pés. Dovie se adiantou na minha frente a abriu a porta do banheiro, e assim o fiz, entrando de imediato no lugar indicado. Retirei minhas roupas com o dedo ainda trêmulo, depositando-as em um canto qualquer enquanto avançava até o chuveiro, perdido nos pensamentos profundos sobre Carl, que acabara de perder sua filha. Algum dia Dovie seria o próximo alvo? Ou quem sabe ele mesmo? Milhares de perguntas que nunca poderiam ser respondidas rondavam pela sua cabeça, mas uma coisa era certa, Deus já não zelava pela humanidade.

Notas finais
Tentei introduzir mais ação, gostaram? Respondam com seus reviews, ou alguns zombies furiosos vão bater na sua porta essa noite. Beijos e abraços (só pra quem comentar), Diego ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.