Ômega

2 Parte II


Notas iniciais
Oi, oi! Desculpa a demora pra quem está acompanhando a fic, mas tanto a tradução quanto a betagem levaram um tempão para serem completadas, já que esse capítulo tem - novamente - mais de 10.800 palavras. Obrigada à Esthellar, minha beta paciente que tinha que aturar os meus: 'tá pronto? tá pronto?'. Te amo, minha gata ♥

Um "MUITO OBRIGADA" do tamanho do mundo para a Sol, que recomendou a fic: não esperava, e ilumina meus dias quando vejo!

E claro, muito obrigada a todos que comentaram, favoritaram ou somente leram!
Espero que tenham uma boa leitura!

II

Durante a primeira semana do novo ‘arranjo’ entre Gray e Juvia, ambos se viram todas as noites, e a verdade seja dita: poucas palavras foram trocadas. Eles queriam saber mais sobre suas anatomias, do que suas mentes, e estava funcionando muito bem para ambos. Em uma das noites, entretanto, Gray começou a contar à azulada sobre a origem dos Magos.

“Você não sabe de onde os Magos vêm?” ele perguntou, franzindo o cenho. Estavam nus debaixo do fino lençol que cobria seus corpos. Juvia tinha sua cabeça descansando sobre o ombro do homem, e usava um dedo para acariciar o peitoral de Gray, criando símbolos sem sentido. Gray, por outro lado, tinha um braço atrás de sua própria cabeça, enquanto uma mão descansava nos quadris da menina.

“Nós não tivemos muitas lições de história enquanto crescíamos.” a azulada respondeu. “Só sabíamos que éramos diferentes e depois de deixar Phantom para trás, precisávamos achar empregos mais do que procurar sobre a história dos Magos.”

“Ok. Bom, eu aprendi dessa forma: Magos vêm de mágica, logicamente. É dito que, antes, Magos podiam se transformar em lobos.” Gray contou, e Juvia sentou na cama, surpresa.

“Como os... Lobisomens?”

“Sim. Ninguém sabe o porquê, mas a melhor teoria é que uma pequena vila foi amaldiçoada por uma deusa. Eles não podiam controlar a mudança, que acontecia a cada lua cheia,” os olhos de Juvia estavam arregalados por aprender sobre o assunto “e foi assim por anos. Depois de várias gerações, uma mulher chamada Mavis foi ao templo da deusa que amaldiçoou a vila, e ofereceu sua própria vida para que a maldição fosse retirada. Mas, não poderia, não inteiramente. A deusa, cujo nome foi há muito esquecido, disse que poderia esconder a besta, mas que as pessoas ainda teriam alguns trejeitos dos lobos: o olfato apurado, a boa audição, mais força e ainda existiria o Nó. Com esse novo pacto, a besta não teria mais controle sobre o homem; o homem teria controle sobre a besta. Mas, em retorno, os Magos não poderiam escolher seus companheiros, a deusa o faria, e ninguém mais teria o que falar sobre isso. Depois de um período de tempo, uma marca igual apareceria no casal, e ambos não poderiam ficar muito tempo longe um do outro se fossem mesmo companheiros. Se não fossem, depois de alguns meses, iriam, simplesmente, se distanciar um do outro. Melhor do que se tornar um lobo sem noção do que está fazendo, durante a lua cheia, não é?” Juvia assentiu, tentando absorver tudo que havia aprendido. “O arranjo dos pares seria o que a deusa ganharia da barganha. Dizem que é o que a deixa poderosa.”

“Juvia não consegue imaginar uma pessoa se tornando em um lobo, mesmo assim.” a azulada falou.

“Eu posso.” Gray riu levemente. “Eu já vi.”

O quê?” Juvia perguntou surpresa.

“Laxus. Os Dreyar são quase totalmente puros, enquanto outros acham seus companheiros em humanos algumas vezes, a família dele não o fez. Eu vi uma vez; ele realmente consegue se transformar em um lobo.” o Alfa deu de ombros.

“Você está brincando.” Juvia o olhou com cautela.

“Não, eu juro.” Gray assegurou. “Ele precisa ficar realmente irritado, mas pode fazer. E acredite em mim: é aterrorizante.”

“Isso é tão legal!” Juvia estava animada e Gray riu novamente. “Imagine se pudéssemos realmente nos tornar lobos?”

O homem rolou os olhos, mas escutou enquanto a professora de natação falava sobre ser um Lobisomem, e até ofereceu opiniões de vez em quanto. Juvia tinha certeza de que ele mesmo havia pensado sobre como seria se tornar um lobisomem de verdade.

Ω

Um mês e meio depois do começo do relacionamento meio maluco dos dois, que consistia em ter sexo várias vezes no apartamento de Juvia, Gray não aguentava mais.

“Como você pode viver nesse lugar?” o homem perguntou, saindo do banheiro.

“Hm?” Juvia fez um som de que o estava escutando, enquanto comia sorvete de morango, deitada na cama.

“Você mora em um quarto pequeno, com uma cozinha que tem um metro quadrado, eu não caibo no seu banheiro, você tem uma cama de solteiro, e sim, a cama me incomoda por que eu gosto de espaço: eu sou um ser normal. Quando estou aqui, sinto como se estivesse dentro de uma casa de boneca.” Gray segurava a toalha que estava ao redor de seu quadril, e Juvia somente o encarou, continuando a comer seu sorvete.

“Não é tão ruim.” ela encolheu os ombros.

“Sim, é.” Gray falou para a mulher. “Juvia, se eu me mexo, alguma coisa quebra. Você tinha seis copos; agora, só tem três.”

“Juvia não pode, simplesmente, se mudar para um lugar maior, apenas porque você pensa que esse é pequeno, Gray-sama.” a azulada rolou os olhos.

“Mas é pequeno. Que tal nós passarmos alguns dias no meu apartamento, então?” Gray sugeriu, enquanto pegava a toalha de Juvia, para secar o cabelo. “Onde as coisas têm tamanhos normais, o banheiro é grande o suficiente para que eu me vire sem que algum creme de beleza caia no chão, uma pia que não esteja cheia de produtos femininos, uma cozinha de verdade, e a melhor parte: uma cama de casal.”

“A cama de Juvia é muito boa.” a mulher suspirou.

“É pequena.”

“Nós nos abraçamos durante a noite justamente por ela ser pequena.” Juvia disse, pondo as mãos nas bochechas, fingindo vergonha.

“Eu não gosto de abraços.” Gray falou, e ignorou quando Juvia disse ‘Sim, você gosta’, continuando como se não tivesse sido interrompido. “Mas nós podemos nos abraçar do mesmo jeito, em uma cama grande,” o homem de cabelos escuros cruzou os braços sobre o peitoral nu, encarando a mulher deitada na mesma cama da qual estava falando mal. “e eu tenho uma sala de estar com uma TV que não parece que é uma miniatura.”

“Você gosta de assistir filmes com Juvia, Gray-sama.” A Ômega apontou.

“Por favor.” ele riu, virando-se para procurar por sua mochila e, então, tentar achar sua cueca. “Nunca foi sobre os filmes, o motivo sempre foi pelo que acontece quando o filme acaba: você fica mais do que feliz de ficar comigo depois de ver algum filme bobo de romance. Metade do tempo eu nem escuto o que os atores falam, na realidade.”

“Gray-sama!” Juvia exclamou em choque. Ela não tinha ideia de que ele não gostasse dos filmes, sempre era tão amoroso depois do... Oh. “Oh.” Juvia fez um bico. “Você sabe como manipular Juvia, Gray-sama.”

“Não é minha culpa.” ele riu quando o ‘bico’ ficou ainda maior. “Agora, amanhã nós podemos, por favor, ficar no meu apartamento?”

“Claro.” Juvia deu de ombros. “Juvia pensou que você preferisse ficar aqui, para que pudesse ir embora quando quisesse.” Gray rolou os olhos.

“Bom, eu estou te pedindo para ficar na minha casa por alguns dias, não para se mudar. Não se preocupe, se eu pensar que você está me incomodando, te digo, ok?”

A azulada assentiu, com um grande sorriso.

Ω

Depois de dois meses e meio de ‘relacionamento’, Gray e Juvia intercalavam onde iam passar suas noites juntos, as quais eram mais que frequentes. Mesmo que o apartamento do Alfa fosse realmente maior, eles ainda ficavam algumas vezes no de Juvia, para balancear as coisas.

Em um final de semana, Juvia estava ‘hospedada’ no apartamento de Gray, e tentava achar um DVD para que ambos assistissem, quando encontrou sua coleção de vídeo games. Ele possuía vários, a mulher pôde notar. Um, em particular, estava no topo, e como o disco não se encontrava dentro da capa, ela assumiu que estivesse no seu PS3.

“Hm... Que jogo é esse?” Juvia mostrou a capa do dito jogo para ele. Gray olhou por um momento.

“Battlefield 3. É um jogo de tiro.”

“Oh, parece ser legal! Vamos jogar!” a menina disse, levantando-se; estava usando uma das blusas de Gray e nada mais, enquanto o homem só usava sua roupa de baixo, sentado no sofá.

“Juvia...” sentindo seu desespero, ela sorriu docemente. Qual era o problema de garotos jogarem vídeo games com meninas?

“Ah, vamos lá! Você mesmo disse que assistia a filmes com Juvia por causa da recompensa. Juvia quer fazer a mesma coisa.” a Ômega estava animada. “Somente desta vez.”

“Eu não acho que você vá gostar.” Gray estava tentando se desviar da situação, mas Juvia não ia deixar. Ela queria tentar gostar do que ele gostava, para, talvez, ambos terem alguma coisa que os unisse ainda mais.

“Sério, só uma vez.” ela implorou, fazendo com que seus olhos ficassem brilhantes e grandes, para que o homem não pudesse resistir e, depois de alguns segundos, ele desistiu.

“Você precisa escolher um nickname pra jogar.” Gray falou, grunhindo enquanto ela pulava de felicidade, ia ligar o Playstation, e se sentava ao lado do Alfa.

“Qual o seu?” a Ômega perguntou.

“Booster.”

“Então, Juvia será JuBooster. As pessoas precisam saber que Juvia está com você, Gray-sama.” o homem fez um som de dor e aborrecimento. “Agora: explique pra Juvia o que cada botão faz, as coisas mais gerais.”

Gray começou a explicar a ela, com calma, o que fazer durante o jogo e quais botões apertar, e a menina de cabelos azuis escutou com concentração, aprendendo o máximo que podia. Depois de alguns minutos de instrução, Gray, hesitantemente, entregou o console, o fone e o microfone, para a mulher.

“Nós vamos jogar com meu Clã, ok?” o Alfa perguntou e Juvia assentiu, animada para começar o jogo. Gray explicou que muitos dos homens que jogavam, eram, na realidade, adultos que trabalhavam e gostavam de jogar para aliviar o stress e frustrações, e que, alguns eram garotos de treze anos, então, era bem misturado.

Uma vez que estavam online, Gray colocou Juvia em seu Clã, vozes logo sendo escutadas, através de seus fones.

“E aí, Booster!”

“Pronto pra jogar, cara?”

“Quem diabos é JuBooster e por que ele está aqui?”

“Ah, esse é o nick de Juvia. Oi, garotos!” Juvia falou, feliz.

“Isso foi uma garota?”

“Uma garota?”

“Ela está perdida?”

“Eu aposto que é um traveco ou alguma coisa assim. Lembra da Sienna?”

“Você quer dizer o Sean?”

“Não, Juvia é realmente uma garota. Do que eles estão falando, Gray-sama?” a mulher estava confusa.

“Espera um momento.”

“Booster, essa é sua namorada?”

“Você trouxe sua namorada?”

“Caaaaaaaara!”

“Calem a boca! Ela pediu pra jogar e eu prometi que seria uma vez só.” Juvia pôde ver que Gray estava corando, e teve que esconder um sorriso.

“Ela é gostosa?”

“Aposto que ela é; ele não ia se dar ao trabalho de trazê-la aqui, se ela não fosse.”

“Hei, JuBooster, você é gostosa?”

“Sou.” Juvia assentiu e, então, encolheu os ombros. “Pelo menos Gray-sama parece gostar bastante.”

“Juvia!” o homem ao lado dela exclamou com o rosto completamente vermelho.

“O quê?” a Ômega franziu o cenho com o pequeno ataque dele.

“Somente... Vamos só jogar. Ninguém diz mais nada sobre ela. Vamos arranjar um inimigo para que ela veja que não é o que ela gosta, e todos seguirem seus caminhos depois disso, para nunca mais mencionar este acontecimento.”

Quando os primeiros tiros foram disparados, Juvia deixou escapar um som de surpresa, mas, depois, ela seguiu Gray e começou a fazer o que ele a havia ensinado: atirar. Em apenas alguns minutos, Juvia estava detonando. Literalmente, porque ela estava mesmo detonando os inimigos com uma facilidade incrível.

“Por que eles são tão fracos?” Juvia perguntou, sem tirar os olhos da grande TV.

“Eles não são tão fracos. Você é boa!” Gray falou, excitado. O Clã de ambos estava exterminando os pré-adolescentes estúpidos que faziam piadinhas sobre ter um grupo de velhos jogando. “Continue, eu te cubro. Caras, cubram a JuBooster.”

Quando o jogo acabou, com o Clã do casal como o vencedor, Gray segurou o rosto de Juvia e deu um beijo bem demorado na menina.

“Booster?”

“Hm?”

“Traga a JuBooster da próxima vez.”

“Cala a boca.” Gray rolou os olhos e ficou off-line. Juvia pôde sentir os olhos dele sobre ela, enquanto removia o fone e colocava o console na mesa de centro. “Você foi muito bem para sua primeira vez. Tipo... Você foi muitoboa.”

“Obrigada.” Juvia adorou o elogio, então, levantou-se do sofá e parou na frente de Gray, inclinando-se para beijar os lábios do homem, rapidamente. “Mas você estava certo, Gray-sama.” Juvia suspirou, passando sua mão no cabelo do Alfa. “Foi divertido, mas Juvia não gostou tanto assim.”

O quê?” Gray a encarou, surpreso. “Mas você foi boa!”

“Então, chame Juvia para ser a sua arma-secreta, Gray-sama.” ela riu, e começou a andar em direção à cozinha. “Você está com fome? Juvia pode fazer um omelete.”

“Aham, claro.” o homem olhou para baixo e suspirou. Depois de alguns momentos, chamou por ela. “Juvia?”

“Sim?” a mulher respondeu da cozinha.

“Semana que vem, eu vou jogar contra um Clã meio filho da puta. Você poderia...?”

“Ajudar a quebrá-los e mandá-los de volta para suas casas com os rabos entre as pernas? Claro.” ela riu levemente, feliz. No fim das contas, eles haviam se conectado mais.

Ω

Três meses e meio desde que haviam começado a dormir juntos, estava claro que todos da Fairy Tail sabiam sobre os dois. Era muito difícil não notar quão próximos os dois estavam, ou que Gray, frequentemente, cheirava ao mesmo sabonete que Juvia usava, e que a mulher, algumas vezes, tinha o perfume do sabonete dele, mas ninguém falava nada sobre o assunto.

Isso era uma coisa boa, pois eles sabiam o quão frágil tudo aquilo era; Gray não era exatamente um homem que gostava de demonstrar sentimentos, e Juvia ainda era meio arisca em relação a ficar na Fairy Tail, já que nem ela nem Gajeel haviam se afiliado à Guilda, ainda, frustrando Levy.

Assim como Juvia, Gajeel não revelara toda a verdade sobre sua vida ou sobre a da Ômega, nem para a pequena bibliotecária e nem para Gray. Juvia podia ver que seu amigo queria, mas já tinha muita coisa acontecendo em sua vida, como o fato de ter uma Companheira que necessitava dele.

E Juvia... Ela não sabia que tipo de relacionamento tinha com Gray. Eles eram amigos com benefícios, a azulada supunha. Amigos, pelo menos. Mas seu coração queria mais; a parte triste era que ela não sabia se o homem seria capaz de lhe dar mais do que já tinha dado.

E não haviam se marcado até o momento. A maioria dos casais eram marcados mais ou menos no terceiro mês, depois de ter um encontro sexual pela primeira vez, mas com Gray e Juvia ainda estava para acontecer; isso, se acontecesse.

Gray tinha avisado, desde quando começaram a dormir juntos; não queria uma Companheira, e Juvia pensou que, enquanto não estivesse marcada, ela poderia ficar com ele. Ter um Companheiro que não queria ser marcado, era frustrante, havia escutado. Mesmo que tivessem encontrado suas almas-gêmeas, preferiam ficar solteiros.

Durante aquele dia em particular, Makarov anunciou a convenção anual que estava para acontecer nas próximas semanas. Então, Juvia perguntou o que exatamente consistia em ter uma ‘convenção’, para Cana, Gajeel estando a alguns passos atrás de ambas, esperando que Levy voltasse do banheiro.

“Nós encontramos nossas Guildas-Irmãs em uma cidade diferente a cada ano, e confraternizamos, conhecemos novos membros, conversamos, e coisas assim.” Juvia ficou pálida e deu dois passos para trás, para longe da mulher de cabelos castanhos, que a encarou com preocupação. “Juvia? Juvia, o que foi?”

“Vocês... confraternizam?” Juvia encarou Gajeel e viu o homem empalidecer também. Memórias de fraternizações as quais ela era obrigada a comparecer, os homens com quem havia sido forçada a ter relações várias vezes, e a dor que sofria quando desobedecia.

A azulada se sentiu doente.

Ela pensara que a Fairy Tail era diferente, pensara que eram boas pessoas, mas... Eles tinham muitas garotas sem o Elo, e os mais novos... Oh, deuses.

Juvia quase não escutou Gajeel gritando por Levy, dizendo que eles estavam indo embora, mal percebeu a atenção que estava atraindo para si, nem mesmo notou que suas costas haviam batido contra uma parede.

Gray estava ao seu lado, quando a mulher começou a hiperventilar, e perguntou para Cana o que estava acontecendo. Ele tentou tocá-la, mas Juvia o empurrou, usando não sua força controlada, para ser parecida com a de uma humana, mas sua força de Maga e, já que não estava esperando, Gray quase foi jogado para o outro lado do lugar.

Sua visão estava começando a ficar cada vez mais embaçada com a falta de oxigênio, quando ela sentiu Gray segurá-la por trás, por não tê-lo visto se aproximar. Ela lutou, mas o Alfa não a deixou ir. Então, escutou-o sussurrar:

“Respire. Juvia, por favor, respire.” o homem disse baixo, no ouvido da Ômega. “Para dentro e para fora. Vamos lá, você pode fazer isso. Copie o que eu faço.” Gray respirou profundamente e, subconscientemente, Juvia o copiou. “Agora para fora.”

Depois de alguns minutos, ela estava respirando normalmente, mas seu corpo parecia que não tinha ossos, enquanto Gray a segurava; de alguma forma ambos estavam sentados no chão quando Juvia voltou a si.

Por instinto, ela lutou para sair dos braços de Gray; os mesmos que a seguraram apenas algumas noites antes protetoramente, naquele momento, significavam perigo. “Juvia...”

Confraternizações?” a azulada perguntou. “Vocês... Vocês têm crianças aqui!”

“O quê?” Gray perguntou, confuso. “Isso é sobre as fraterniza...?” Compreensão finalmente passou sobre o rosto do homem, quando ele finalmente entendeu o porquê daquela reação. “Oh. Oh. Juvia, não. Não.” ele levantou um braço para tocá-la e, dessa vez, a menina deixou. Gray colocou suas mãos nas bochechas dela e fez com que ambos olhassem nos olhos um do outro. “Isso tudo é somente algumas Guildas se juntando para os membros conversarem e serem amigos. Há sexo algumas vezes, não posso falar que não tem, mas é sempre consensual. Os que são menores de 18 anos estão em seus quartos às 22h, e sempre com um adulto responsável.” ele explicou. “Não vai acontecer nada das coisas pelas quais você passou.”

“Então... não existem presentes para outros Mestres?” Juvia perguntou com uma voz quase inaudível. “Nenhuma... nenhuma rifa?”

“Merda, o que fizeram com você?” Gray deixou sua testa tocar a dela. “Não, Juvia, nada desse tipo. É normal e ninguém machuca ninguém, eu te prometo. Ok?” ela olhou em seus olhos e viu nada além de verdades, então, a Ômega assentiu.

Gray a ajudou a se levantar do chão, e a menina de cabelos azuis percebeu que boa parte da Guilda estava olhando para ela, fazendo-a corar profundamente.

“Juvia...?” Cana a chamou, e a ela se sentiu envergonhada por seu pequeno escândalo.

“Oh, Juvia está tão envergonhada.” a Ômega escondeu seu rosto no peitoral de Gray. Agora todos saberiam sobre seus encontros com aqueles homens e iriam odiá-la por aquilo. Quando ela finalmente pensou que havia construído uma vida, tinha conseguido destruir tudo, apenas sendo uma boba.

“Querida, venha aqui.” Mirajane abriu os braços para Juvia, com lágrimas fazendo com que seus olhos acinzentados brilhassem. Juvia franziu o cenho em confusão, olhou para Gray — que assentiu —, e foi na direção da linda mulher de cabelos brancos. Mira, então, envolveu Juvia em um abraço de urso. “Nós não sabíamos, senão teríamos encontrado uma forma diferente de te contar sobre a reunião.”

No começo, Juvia congelou com o abraço, mas relaxou, e devolveu o gesto. “Está tudo bem. Foi uma reação exagerada.”

“Não, não foi.” Mira assegurou à azulada, conduzindo-a para o banheiro feminino. “Venha conosco; vamos limpar essas lágrimas para que, nós, garotas, possamos conversar.”

A Ômega tocou seu próprio rosto e, somente naquele momento, percebeu que estava chorando. Ah, mas que bagunça, que boba. “Err...”

“Você não precisa nos falar nada.” Lucy disse, aparecendo ao lado de Juvia. “Mas ajuda se você partilhar sua experiência.”

As garotas se juntaram e a menina lhes contou parte de seu passado, a parte mais sombria. Sua vergonha, sua fraqueza. Nenhuma parecia estar enojada dela; ao invés disso, pareciam tristes e com raiva, enquanto Juvia falava do que havia acontecido com ela por cinco anos. Cana disse que queria chutar uns Phantom’s, Erza comprimia, completamente, a latinha de refrigerante que segurava. Lucy estava chorando silenciosamente e segurando a mão de Juvia. Levy perguntou sobre Gajeel, e Juvia lhe disse que ele não havia participado, mas que ela deveria lhe pedir por toda a história. Mirajane abraçou a Ômega.

Depois disso, Juvia se sentiu muito mais leve. Elas sabiam e não a tinham tratado mal por causa do acontecido.

Quando as garotas finalmente a libertaram — depois de muitos abraços e demonstrações de carinho —, Gray esperava por ela; a Guilda estava quase vazia, enquanto o homem digitava alguma coisa no seu celular, mas olhou na direção na qual Juvia estava, uma vez que sentiu seu cheiro. Andou rapidamente, e estava ao lado dela em um segundo.

“Hey. Você está bem?” Gray provavelmente viu as linhas das lágrimas em seu rosto, mas para mudar um pouco as coisas, aquelas foram lágrimas de alívio.

“Sim.” Juvia envolveu a cintura de Gray com seus braços, enterrando seu rosto entre o ombro e o pescoço do homem à sua frente, e respirando sua essência. “Vamos pra casa.”

Naquela noite, ele a abraçou.

Ω

Com quatro meses de relacionamento, chegou a época do encontro das Guildas, e os membros da Fairy Tail foram para uma cidade próxima, chamada Hyster. Era pequena, mas muito bonita; a praia tinha uma areia branca, a água era de um azul claro brilhante, e os nativos eram muito corteses. O hotel no qual Fairy Tail, Blue Pegasus e Lamia Scale escolheram para ter a fraternização, era grande e, aparentemente, quatro estrelas. O dono conhecia o Mestre Bob, e deu-lhes um desconto.

Juvia decidiu que queria ir, mesmo que Gray tivesse dito que ambos poderiam ficar em Magnolia, que ele não se importaria de ficar, caso ela não se sentisse confortável. A menina afirmou que ainda estava um pouco assustada, mas que queria enfrentar seu medo de que todos os Magos eram monstros. Então, depois de duas horas na estrada, chegaram à Hyster.

“Vamos fazer o check-in.” Gray falou com um sorriso, quando viu os olhos de Juvia brilharem enquanto olhava para o céu, para as árvores, para o mar, para tudo que podia.

“É tudo tão lindo!” ela disse excitadamente. “Juvia quer ir à praia.”

“Nós vamos. Agora, vamos entrar.” o Alfa apontou para o hotel e pegou as duas malas. “Não vai demorar muito. E você ainda tem que colocar sua roupa de banho.” Juvia concordou, e ambos entraram no hotel.

Depois de fazer o check-in, foi mostrado o quarto que o casal iria ficar. Gray disse para Juvia que seria mais barato se eles somente reservassem um quarto, e os dois sabiam que somente um cômodo seria realmente usado. Juvia concordou imediatamente, enquanto, por dentro, fazia uma dança da vitória totalmente ridícula.

“Esse quarto é maior que o apartamento de Juvia inteiro!” exclamou a menina, assim que entraram no quarto do hotel. “Olha só para o banheiro, Gray-sama!”

“Vamos ser honestos: a maioria dos quartos do mundo são maiores que o seu apartamento.” Gray disse, abraçando Juvia por trás. “Não deveria ser uma surpresa que um hotel tão bom quanto esse também tivesse quartos grandes.”

“Não fale assim do nosso ninho de amor.”

“Nosso o quê?” Gray estava lívido, e a soltou para que ela fosse mexer em sua mala e pegar o biquíni.

“Você gosta.” Juvia riu.

“Não gosto.” ele rolou os olhos. “Você quer ir ou não à praia? Nós temos cinco horas até que a festa comece, lá embaixo.”

“Juvia vai se trocar.” a Ômega deu um beijo na bochecha de Gray e foi para o banheiro, com seu biquíni lilás.

Muitos de seus companheiros de guilda já estavam em Hyster e aproveitando a praia: jogando vôlei, fazendo castelos de areia e se bronzeando.

Juvia suspirou em alívio quando não sentiu nenhum tipo de tensão vinda deles, diferentemente das fraternizações que era forçada a ir. Ali, todos estavam felizes.

“Juvia-sensei!” Asuka correu na direção da professora, com sua roupa de banho completamente adorável: cheia de desenhos de golfinhos.

“Olá, Asuka-chan.” Juvia pegou a garota do chão e beijou a bochecha da pequena. “Você está pronta pra mostrar se realmente aprendeu a nadar?”

“Sim!” a garota deu um gritinho agudo de excitação e, então, olhou para Gray, que estava ao lado de Juvia. “Oi, Gray.”

“Hey.” ele sorriu. “Quero ver se a Juvia te ensinou certinho, viu?”

“Viu!” Juvia a colocou no chão. “Mamãe disse que eu posso mostrar mais tarde pra vocês, agora eu tenho que ir construir castelos de areia com Wendy e Romeo.”

“Vá, então, querida.” Juvia disse, e a garota foi correndo na direção do jovem casal, que já estava começando a construir o dito castelo.

“Gray, Juvia!” Lucy apareceu do lado de ambos. “Vocês demoraram.”

“Ela queria arrumar o cabelo antes de descer.” Gray rolou os olhos em irritação.

“Juvia queria ficar bonita, Gray-sama.” a Ômega disse.

“Bom, ótimo trabalho, então. Seu cabelo está lindo.” Lucy falou, e Juvia tocou suas maria-chiquinhas, com um sorriso enorme.

“Obrigada, Lucy-san.” a azulada olhou ao redor. “Onde está Natsu-san?”

“Eu o mandei de volta ao nosso quarto para pegar uma revista de noivas que eu queria olhar, enquanto me bronzeava.” a loira respondeu. “Eu iria relaxar nesse final de semana, mas estou muito animada com o casamento.”

Juvia riu levemente com a animação evidente que a mulher à sua frente estava mostrando. Somente dois meses antes, ela e Natsu haviam anunciado que iriam se casar. Para um casal de Magos, casar-se era meio redundante, já que suas marcas significavam muito mais, mas alguns ainda o faziam, e já que Lucy fora humana pela maior parte de sua vida, queria se casar. Então, em algumas semanas, o casal iria fazer exatamente aquilo.

“Se houver alguma coisa na qual Juvia possa ajudar, por favor, me diga.” Juvia estava animada também: uma garota a menos para querer seu Gray-sama.

“Claro.” Lucy assentiu. “Mas a pior parte do planejamento já acabou. Claro que explicar para meu pai humano que ser marcada era mais forte e profundo que um casamento, e fazê-lo aceitar que eu não sou mais totalmente humana, e que eu conheço Natsu por dezoito meses e já tenho certeza que ele é o único homem pra mim, não foi um trabalho fácil, posso te garantir isso.” Lucy rolou seus olhos castanhos. “A verdade é que, no fundo, eles se gostam, mas agem como se não se gostassem. É até engraçado de ver.”

“Aqui, Lu.” Natsu apareceu ao lado deles, oferecendo à sua noiva a revista.

“Obrigada, Natsu.” ela sorriu, e o homem de cabelos rosáceos começou a conversar com Gray sobre algo que Juvia não pôde identificar. Ele estava usando somente um short vermelho, com seu cachecol enrolado ao redor de sua cabeça. “Juvia, se você quiser se bronzear, tem uma cadeira vaga ao lado da minha.”

“Claro. Mas antes...” Juvia viu que Gray estava para sair com Natsu, e o chamou. “Gray-sama, você precisa colocar protetor solar.” disse, e Lucy chamou Natsu, falando o mesmo para o noivo.

“Ah, cara.” Gray reclamou, mas virou e foi para perto da Ômega, enquanto a menina abria sua bolsa para pegar o protetor. “Não vejo motivo para pôr isso.”

Juvia abriu o recipiente e colocou um pouco em sua mão. “Você precisa, para que mais tarde, durante a noite, não fique gemendo de dor.” ela começou a aplicar o produto no peitoral firme do homem. Agradou-a quando o Alfa sibilou aos sentir as mãos dela o tocarem. “Bom, não em dor.”

Juvia!” Gray corou, e ela sorriu.

“O quê? Você pensou o mesmo.”

“Mas tive a decência de não falar.” ele rolou os olhos com a brincadeira infantil da mulher.

“Puna Juvia depois.” o convite em suas palavras estava claro.

Pare com isso.” Gray sussurrou para ela, e Juvia teve que engolir a risada que estava para sair.

“Com o quê?” ela perguntou, com toda a inocência que pôde juntar; mas sabia que ele não estava acreditando.

“Com as insinuações enquanto você está me tocando.” disse, virando-se para que Juvia colocasse o protetor solar em suas costas, e a mulher suspirou em satisfação quando tocou seus músculos. O Alfa, com certeza, tinha uns ombros maravilhosos. E indo mais pra baixo... oh, como ela amava aquelas covinhas que ele tinha logo acima das nádegas — e que também eram merecedoras de um prêmio.

“Juvia só está colocando protetor em você, Gray-sama.” ela disse.

“Claro.” ambos ficaram em silêncio, até que a mulher terminasse e, então, repetisse o processo com o rosto do homem à sua frente.

“Prontinho, Gray-sama.” Juvia sorriu. “Agora vá e se divirta.”

“Obrigado, Juvia.” ele se inclinou e a beijou nos lábios, parando no lugar, praticamente congelado, quando percebeu o que havia feito na frente de seus amigos. Gray retraiu-se quase imediatamente. “Desculpa, foi reflexo.”

“Juvia não se importa.” a garota disse, com as bochechas rosadas. Além daquele primeiro dia no qual eles haviam ficados juntos e Gray a tinha agarrado em frente à Guilda inteira, e de algumas semanas antes, quando Juvia teve o ataque de pânico ao saber da fraternização, Gray não mostrara nenhum tipo de afeição para com a Ômega. Mas ele sempre a observava de longe. Ainda bem que a maioria das garotas estava colocando protetor solar nelas mesmas, ou colocando nos seus amigos e namorados, para notar o pequeno deslize.

Gray estava corado quando se virou e gritou por Natsu, desafiando-o para uma corrida até a água. Juvia suspirou e foi se sentar ao lado de Lucy, para curtir a luz do sol.

Mais tarde, naquela noite, depois de passar o dia se bronzeando e, então, um tempo na água com Asuka e Gray, Juvia terminava de se aprontar para encontrar com os membros das outras Guildas.

“Gray-sama, este vestido está bom?” Juvia perguntou ao homem que estava deitado na cama, assistindo TV, enquanto a Ômega se arrumava. Ele estava usando um smoking, já que a reunião parecia ser chique, mesmo que Juvia soubesse que, no final, todos estariam fazendo festa como sempre.

O Alfa desviou seu olhar da televisão para vê-la em pé, longe de onde estava. O vestido que a mulher usava chegava até alguns centímetros acima dos joelhos (mostrando suas pernas maravilhosas) e era azul-escuro com as alças grossas; o decote era grande, e o vestido se moldava à Juvia como uma luva. O coque baixo que havia feito, fazia com que o alvo pescoço dela ficasse um pouco mais longo. Ela usava sandálias de salto alto prateadas, combinando com os brincos e o bracelete em seu braço. Havia optado por uma maquiagem mais escura, mas com somente gloss nos lábios.

“Isso...” Gray pigarreou. “Você está bem.”

“Sério?” ela perguntou, nervosa.

“Sim.” ele se levantou da cama e desligou a TV. “Agora, vamos logo. Tem um jogo em algumas horas que eu quero muito ver.” Juvia pegou sua bolsa de mão e ambos foram para a festa, lado a lado.

No fim das contas, Juvia estava gostando da confraternização. As pessoas que havia conhecido pareciam ser boas o suficiente e, uma vez, seus olhos cruzaram com os de Gajeel, ao que ambos tiveram que concordar: aquele lugar era inofensivo. Ele perguntou com os lábios, sem emitir sons, ‘Você está bem?’, e ela assentiu. Juvia, então, viu a atenção de seu amigo voltar à Levy.

A azulada estava conversando com Lucy, já que Gray havia dito que iria procurar por alguém que conhecia. Depois de alguns minutos, ela viu um homem vir em sua direção e, logo em seguida, Gray, seguindo-o.

Esse novo homem tinha cabelos prateados, olhos pequenos e, praticamente, a mesma estatura física de Gray. Juvia pensou que ele era bonito, mas não tanto quanto seu Gray-sama, claro. Ele estava falando, enquanto andava na direção dela e de Lucy.

“Quem é essa linda criatura que tem um magnífico cheiro?” ele perguntou, e parou de andar para ficar no meio das duas mulheres.

“Essa é Lucy. Você conhece Lucy.” Gray disse, aparecendo do lado do desconhecido. Mas estava claro para todos que o homem de cabelos brancos não estava falando sobre Lucy, já que era Juvia a quem ele encarava.

“Sim, olá, Lucy.” o homem nem tirou os olhos de Juvia, que estava começando a se sentir desconfortável. “Eu estava, na realidade, falando sobre ela.” e lambeu os lábios, olhando-a de cima à baixo. “Prazer em conhecê-la, eu sou Lyon Vastia.” o homem, Lyon, ofereceu sua mão, e Juvia a pegou.

“Err, Juvia Lockser.” ela respondeu, e olhou para Gray, que tinha uma expressão de irritação, enquanto Lyon beijava a mão da Ômega.

“Oh. Juvia. Um nome muito bonito.” ele sorriu, ainda segurando a mão da professora de natação.

“Lyon, solte-a. Ela não é para você.” Gray agarrou as mãos de Juvia e Lyon, separando-as, e se colocando no meio do casal.

“Você é marcada, Juvia?” Lyon perguntou, e quando Juvia corou e balançou a cabeça indicando que não, não era marcada ainda, o sorriso do homem aumentou. “Bom, ela pode ser pra mim, no fim das contas.”

“Foda-se, Lyon.” Gray disse. “Você sempre faz isso, desde que éramos crianças: sempre querendo atenção. Vá crescer.”

“Bom, eu teria tido toda atenção se alguém não tivesse aparecido.”

“Vocês se conhecem há muito tempo?” Juvia perguntou calmamente e ambos mudaram suas atenções para ela, depois, olharam um para o outro, e voltaram a fitar a azulada.

“Nós fomos... criados juntos.” falou Gray, escolhendo bem suas palavras.

“Como irmãos?” ela perguntou inocentemente.

“Oh, isso vai ser divertido.” Juvia escutou Lucy rir baixinho, enquanto via os dois homens argumentarem.

“Conhecidos.” Lyon falou rapidamente.

“Mal o conheço, na realidade.” Gray concordou.

“Ah, entendo.” não entendia. “Vocês dois brigam muito?”

“Somente quando nos vemos.” Lyon explicou. “O que, graças aos céus não é tão frequente. Mas agora que eu sei que a Fairy Tail tem te escondido, eu posso passar por lá mais vezes.” ele lhe ofereceu um sorriso, e Juvia corou com o flerte aberto e sem vergonha.

“E nós estamos indo embora.” Gray agarrou Lyon pelos ombros e o empurrou pela multidão.

“Te acharei mais tarde, Juvia-chan!” o homem de cabelos brancos gritou, e Juvia corou ainda mais.

“Parece que alguém tem efeito sobre os Garotos da Ur.” Lucy estava sorrindo abertamente. Juvia sabia quem era Ur, Gray a havia mencionado algumas vezes; tinha sido sua mãe adotiva. Ele havia comentado que fora criado com outro garoto, mas ela não fazia ideia de que iria encontrá-lo ali.

Mais tarde, naquela noite, Gray informou à Juvia que ele e os outros garotos iriam assistir as melhores partes do jogo no lobby do hotel, mas que estaria de volta, ao quarto, em pouco tempo. Juvia assentiu e o viu se retirar. Ela estava contente que o moreno havia ficado ao seu lado pela maior parte da noite, depois que colocara Lyon para correr; ele odiava aquelas festas chiques demais.

Juvia viu Lucy subir para seu próprio quarto e decidiu que também o faria; apenas iria ao bar, por um momento, antes de se retirar. O que poderia dar errado?

Ω

A Ômega entrou no quarto que dividia com Gray, quarenta e cindo minutos depois, respirando com dificuldade e com coração acelerado. Oh, aquilo não deveria ter acontecido. Ela se apoiou na porta por longos minutos, antes de andar pelo quarto, tirando os brincos.

Gray não precisava saber do que havia acontecido, porque não havia acontecido nada, Juvia pensou, enquanto removia o bracelete e o colocava ao lado da televisão. Quando estava soltando os cabelos do coque, escutou a porta abrir.

“Juvia?” Gray chamou, quase sem ar, e a mulher se virou para encará-lo. “Ah, que bom que você está aqui.”

“O que foi?” a azulada franziu o cenho; parecia que seu Gray-sama havia corrido até o quarto.

“Notei que Lyon não estava mais vendo o jogo, e eu simplesmente tive a impressão de que tinha que te encontrar.” disse, vendo a Ômega rir desajeitadamente e lhe dar as costas. “Espera só um instante...” o homem cheirou o ar e deu dois passos para perto de Juvia.

O Alfa segurou Juvia pelo braço e a virou para poder encará-la, enquanto a mulher não podia olhar diretamente nos olhos do moreno, não depois do que havia acontecido.

“Você cheira ao Lyon.” Gray disse, raiva pouco contida em sua voz. “Por que você cheira ao Lyon?”

“Lyon-sama estava com Juvia até alguns minutos atrás.” a menina encolheu os ombros e olhou para baixo. “Ele es-escoltou Juvia até a porta.”

“Isso não faria o fedor dele ficar em você.” Gray a encarou, analisando-a, e a mulher mordeu seu lábio inferior. “O. Quê. Vocês. Fizeram?”

Juvia hesitou por um momento antes de murmurar: “Ele... beijou Juvia.” A mulher escutou Gray grunhir em raiva, soltá-la, e começar a andar ao redor do quarto, de um lado para outro, como um tigre engaiolado. Alfas não gostavam de dividir e todos os magos do mundo sabiam disso; então, quando viu a raiva pura estampada em sua expressão, a azulada tentou acalmá-lo. “M-M-Mas Juvia o empurrou, Gray-sama. Ele foi embora depois disso.”

“Ele te beijou, Juvia.” Gray disse, parando por um momento, antes de voltar a andar novamente. “Eu disse pra ele que você estava fora de alcance. Eu disse pra ele. Eu o avisei.” o homem parou mais uma vez, e a encarou. “E você. O que você estava fazendo com ele? E usando esse vestido?”

A Ômega olhou para seu vestido azul. “O que tem de errado com o vestido de Juvia? Você gostou, mais cedo.”

“Mais cedo eu não sabia que Lyon iria atrás de você! Esse vestido mal cobre...” Gray começou, mas deixou pra lá. “Não importa. O que você estava fazendo com ele, pra começo de conversa?”

“Juvia foi beber alguma coisa, enquanto você foi assistir ao jogo com os garotos, Gray-sama.” ela franziu o cenho. “Lyon-sama encontrou Juvia e começamos a conversar.”

“Sobre o quê?” ele perguntou, ainda andando pelo quarto.

“A vida. Coisas no geral. Você.” a mulher encolheu os ombros. “Juvia ficou cansada depois de um tempo, e decidiu que queria subir. Lyon-sama se ofereceu para escoltar Juvia. Quando nós chegamos... ele a beijou.” a Ômega viu o rosto de Gray ficar cada vez mais vermelho. “Mas foi rápido.”

“Ele demorou no beijo.” Gray estreitou os olhos na direção de Juvia. “Se não, o cheiro dele não ficaria em você, assim. Está no seu vestido? Ele te tocou, Juvia?”

“O quê? Não!” Juvia respondeu.

“Por que se ele o fez...” Gray deixou a ameaça no ar.

“Não.” ela reafirmou. “Somente um beijo e nada mais. Juvia disse para ele que não, que ela tinha você. Ele entendeu e foi embora.”

Gray riu sem vontade. “Ele não entendeu, acredite. Eu conheço Lyon, cresci com ele. Aquele imbecil não vai desistir de você, não com o cheiro que você exala.” Juvia franziu o cenho, e o Alfa rolou seus olhos negros. “Lyon ficou hipnotizado com o seu cheiro, assim como eu quando—“

“Você ficou?”

“Claro que fiquei. Não mostrei na época, mas você cheira muito bem.” Gray a ignorou, a vermelhidão de seu rosto ficando mais visível, e Juvia desejou que fosse por ele estar embaraçado. “De qualquer forma, se você cheira, pra ele, metade do que cheira pra mim — e eu sei que sim, porque vi o rosto dele —, Lyon não vai desistir. Ele foi embora hoje porque, por mais idiota que ele seja, não pegaria uma mulher à força. O imbecil tem seu lado ruim, mas tem sua honra. Mas ele vai vir atrás de você novamente.”

“Juvia vai explicar que...” a mulher parou por um momento, quando Gray chegou mais perto dela, mas não a tocou, como fazia sempre que estavam sozinhos. Ao invés disso, encarou-a intensamente, tanto, que a estava fazendo se sentir desconfortável, e isso era raro: ela amava quando o Alfa a mirava com luxúria no olhar, mas dessa vez... Era muito mais intenso que antes. “que Juvia tem Gray-sama e...”

“Não.” Gray disse, sua voz baixa e rouca, mandando arrepios por todo corpo da mulher.

“N-Não?” ela perguntou, sem saber inteiramente o porquê de o homem não querer que ela falasse que o tinha. “’Não’ o quê?”

“Você não vai precisar falar nada pra Lyon.” ele falou, e Juvia olhou para cima, encontrando seus olhos. “Porque ele saberá.”

“C-Como?” a azulada perguntou com um murmúrio.

Gray, então, deu mais um passo em sua direção, e moveu uma mão até a parte de trás do vestido dela, começando a puxar o zíper para baixo, e conseguindo fazê-lo sem sequer tocar sua pele macia. Juvia pôde sentir a respiração do homem em seu pescoço, já que ele teve que inclinar-se para desfazer o que segurava o vestido.

“Você não vai precisar dizer nada porque, hoje à noite, eu vou te ter tantas vezes, eu vou fazer com que você cheire tanto a mim, que os Magos que moram a três cidades vão saber que você é minha.” Gray deixou que seus lábios quase encontrassem a juntura do pescoço e ombro da mulher. Juvia arfou com a sensação, sua voz e suas palavras; todo o conjunto. O homem não a havia tocado propriamente e ela já estava com seu coração batendo loucamente. “Mas eu não farei isso com o cheiro dele em você. Então,” Gray moveu sua mão para empurrar uma das alças do vestido, com uma calma que Juvia sabia que o Alfa não tinha, naquele momento. “você vai entrar no banheiro comigo, para que eu possa limpar todo o seu corpo.” ela gemeu quietamente com a simples imagem em sua mente. “Então, eu vou te fazer cheirar a mim.”

Era isso; seus joelhos iam se desfazer. Ele continuou a despi-la lentamente, empurrando a outra alça do vestido, fazendo com que a roupa caísse no chão e, desde que não havia usado um sutiã naquele dia, a Ômega ficasse na frente do homem com nada além de sua calcinha de renda preta e seu salto alto.

“Tire tudo.” Gray a comandou.

Juvia assentiu e, sem tirar os olhos dos dele, começou a retirar a calcinha enquanto Gray a assistia. A mulher, então, inclinou-se para que pudesse tirar suas sandálias de salto alto. Mesmo que não parecesse afetado pela nudez da Ômega, era difícil não notar a saliência nas calças sociais do homem, que agora estavam no mesmo nível que os olhos azulados dela.

O frio não a incomodava, seu corpo estava muito quente para sentir qualquer coisa além de excitação. Juvia viu Gray começar a desfazer os botões de sua própria camisa, enquanto retirava as sandálias. Os olhos negros do Alfa não desviaram dos dela, e eram muito intensos para a mulher sequer comparar com qualquer outra coisa que havia visto na vida.

Uma vez que tinha retirado tudo, Juvia retornou à sua posição inicial, centímetros mais baixa que antes. Encarando-o, esperou pela próxima ordem de seu Alfa, quente e excitada. Ela gostava daquela versão de Gray; o homem primitivo que queria mostrar às pessoas a quem ela pertencia: ele.

“Vá para o chuveiro. Estarei com você em um instante.” Gray apontou na direção do banheiro do Hotel, com seu queixo.

Juvia assentiu e obedeceu imediatamente, deixando a porta aberta; nenhum uso em se esconder. Não que ela quisesse de qualquer forma, oh não. Gray estava finalmente se soltando, estava a reivindicando como sua, para outro macho, e aquilo eram todos os seus sonhos se tornando realidade. Significava que ambos eram mais que somente amigos com benefícios. Talvez aquela noite levasse para algo mais.

Ela ligou o chuveiro e entrou no box, deixando a água quente relaxar seus músculos um pouco, mas ainda excitada com a noite que teria com Gray. Eles estavam ‘juntos’ por quase quatro meses, e mesmo que todos soubessem, nem ele nem Juvia haviam falado qualquer coisa publicamente.

As coisas estariam prestes a mudar?

A azulada o escutou entrar no banheiro, e logo depois, no box, com ela. Juvia tinha suas costas viradas para ele, e estava prestes a se virar, quando o homem a parou, colocando suas mãos nos quadris largos dela.

“O cheiro se dissipou um pouco.” ele murmurou, inclinando-se e quase encostando seus lábios no pescoço da azulada, trazendo seu corpo para mais perto do dele. Juvia arfou com o contato. “Mas você ainda precisa cheirar melhor.”

“C-Claro.” Juvia falou, enquanto sentia as mãos do Alfa deixarem seus quadris.

Olhando por cima dos ombros, a mulher pôde ver quando Gray pegou o sabonete em líquido, que ela havia trazido de casa, e colocou um pouco em uma mão, depois, na outra.

Juvia parou de respirar quando o homem colocou uma de suas mãos em sua barriga lisa, e começou a esfregar com o líquido. Suas mãos estavam tão maravilhosas no corpo dela; ele massageava o corpo da Ômega com carinho, e não somente isso: parecia que ele estava indo para o ‘norte’, ela notou.

Primeiro, massageou o seio direito, ganhando um gemido da mulher e, então, o esquerdo.

“G-Gray-sama.” Juvia sussurrou. Aquele homem maravilhoso era tão hábil, o desejo da azulada aumentava a cada carícia, cada aperto, cada puxão e beliscão. Três meses dormindo juntos havia o deixado com uma imensa experiência sobre o que a faria esquecer seu próprio nome, e ele iria usar aquele conhecimento. Quando Gray torceu um dos mamilos da mulher, fazendo o mesmo com o outro, um momento depois, Juvia recostou-se ainda mais sobre seu firme corpo.

A água caindo sobre sua pele já sensível, só aumentava as sensações, enquanto Gray, o homem territorial que estava sendo, permitiu que uma de suas mãos descesse pelo corpo da mulher e, com a ajuda de seus joelhos, a fez abrir as pernas. Quando ele tocou seu sexo, Juvia deixou escapar um gritinho.

“G-G-Gra...” ela tentou falar, mas tudo que podia fazer era sentir o quão maravilhosamente excitante tudo aquilo era.

“Hm?” o Alfa murmurou, e continuou com a tortura; uma mão em um seio, e outra, no sexo da mulher, beijando e mordendo o pescoço dela. Um de seus dedos facilmente a penetrou, enquanto seu dedão encontrou o conjunto de nervos, fazendo-o mover de uma forma que a estava fazendo ficar louca, já que nenhum pensamento lhe era coerente, e quando mais um dedo foi adicionado, Juvia estendeu as mãos para Gray, ambas entrelaçando-se nos cabelos negros do Alfa.

“Gray-s...” a mulher arfou e quase caiu no chão, quando ele beliscou tanto um mamilo quanto o clitóris, ao mesmo tempo.

Juvia pôde sentir o sexo do homem no meio de suas nádegas, pôde sentir o jeito no qual seu quadril se movia ritmicamente com seus dedos dentro dela, e mesmo que o homem tivesse mãos maravilhosas, ela preferia que ele estivesse dentro dela de outra forma.

“P-Por favor.” a azulada implorou, quando começou a sentir a parte interna de seu sexo se contrair ao redor dos dedos do homem, e um fogo familiar começou a se fazer presente, enquanto os dedos se moviam mais e mais rápido. “Oh...”

Ela viu estrelas quando seu corpo arqueou e prazer passou por todo ele, por suas veias. Juvia sentiu a respiração errática de Gray em sua pele, as gotas de água, mas só pôde realmente focar no sentimento de puro êxtase.

Depois de alguns momentos, Juvia ganhou novamente controle de suas pernas e notou que somente não havia caído no chão, porque Gray a havia segurado bem perto de si. Ainda sentindo suas pernas fracas, Juvia virou-se e o beijou nos lábios.

A Ômega sentiu a ereção do Alfa pressionada contra sua barriga. “V-Você não...” Juvia olhou para baixo, onde podia ver que o membro do homem estava pedindo por atenção. Ela tentou alcançá-lo, mas Gray segurou a mão da azulada, antes que ela pudesse. A mulher o encarou, confusa; queria fazê-lo se sentir tão bem quanto ele a havia feito. “Juvia quer...”

“Depois.” o Alfa grunhiu e, então, desligou a água. “Nós ainda não acabamos.”

“Hm?” Juvia perguntou e o sentiu segurar sua mão, para então saírem do box. Gray achou uma toalha e a secou sem muita atenção, enquanto ela o encarava em confusão. A Ômega o observou, enquanto ele secava a si mesmo com o mesmo nível de desatenção, viu-o jogar a toalha em um lugar qualquer, e pegar novamente sua mão, mas, dessa vez, levando-os de volta ao quarto.

Uma vez que estavam no grande cômodo, Gray não perdeu tempo em jogar Juvia na cama e cobri-la com seu corpo, capturando os lábios da azulada com os dele.

A mente de Juvia estava tornando-se gelatina com o que estava acontecendo durante aquela noite. Gray, então, começou a beijar um caminho que descia até a mandíbula da mulher, pescoço — parando ali por um momento para dar à Ômega uma marca —, mandíbula, seios, barriga e finalmente a parte interna de sua coxa.

“Gray-sama... O que...?” Juvia perguntou. Ela pensou que eles fariam sexo: depois de fazê-la ter um orgasmo, o Alfa estava sempre ansioso para estar dentro da Ômega, ela havia notado.

“Sem conversa.” Gray mordeu a parte interna de sua coxa, e Juvia arfou em surpresa.

“Mas...” nem a própria sabia a que ia se opor.

“Sem. Conversa.” ele disse, e colocou sua boca no sexo da mulher, dando uma lambida lenta, fazendo-a se remexer em prazer. Logo, não havia nada de lento no jeito que Gray a provava.

Sem perder muito tempo, ela estava mais uma vez próxima ao abismo; naquele momento, por causa de sua boca e dedos, mas ele não pararia ainda. Juvia perdera a conta de quantas vezes ele a fizera gozar. Gray continuava com suas ações, enquanto a mulher ainda estava descendendo de outro orgasmo, mandando-a para a beira de gozar novamente e novamente, fazendo com que os dedos do pé de Juvia se curvassem, seu corpo arqueasse e suas mãos agarrassem os lençóis, enquanto Gray a deixava sem um pensamento lógico.

Depois de praticamente gritar até sua garganta doer, com o último orgasmo, a velocidade da respiração de Juvia estava tão rápida que seus pulmões doíam um pouco. Ela tinha certeza que nunca mais em sua vida sentiria qualquer outra coisa além de prazer, depois do que Gray a havia lhe proporcionado àquela noite.

Ela sentiu o Alfa beijar o caminho até seus lábios, passando um pouco mais de tempo nos seios fartos da mulher, enquanto uma Juvia satisfeita e se sentindo sem nenhum osso em seu corpo, passava a mão nos cabelos negros do homem, quando percebeu que ele se acomodava em cima dela. Seu quadril se encaixou com o da menina, e Juvia pôde sentir a ereção pressionando a parte interna de sua coxa. Ah, era mesmo: ele ainda não havia chegado ao orgasmo ainda. A azulada queria retribuir, mas não sabia se tinha forças para fazê-lo.

“Eu... Eu não posso, Gray-sama.” Juvia murmurou quando sentiu que os beijos do Alfa haviam mudado para o seu pescoço e, contra a vontade de sua mente, os braços da mulher envolveram os ombros do homem em cima dela.

“Você pode.” ele a beijou, e Juvia pôde sentir o gosto de si mesma na língua dele, e aquele pensamento só fez com que ela o quisesse mais, mesmo que estivesse muito cansada.

Gray moveu seu quadril um pouco e seu sexo encostou a entrada de Juvia e, por instinto, a azulada levantou seu próprio quadril, ao que ambos gemeram com a sensação. O Alfa, então, penetrou-a em um único movimento, fazendo Juvia arquear seu corpo e se segurar ainda mais ao homem.

Mesmo que deixasse escapar um grunhido de aprovação por estar dentro do quente e liso centro da mulher, Gray não parou para deixar que ela se acostumasse com o fato; começou o movimento de entrar e sair da Ômega, criando um ritmo impiedoso, e Juvia o acompanhava com seu próprio quadril, gerando uma fricção maravilhosa entre eles.

“Oh, Gray-sama.” Juvia gemeu, acariciando as costas do moreno. Ela adorava as costas dele; os músculos definidos se contraindo e relaxando embaixo de seus dedos, deixava-a maluca. Como havia conseguido um homem daqueles? Tão bonito, e tão quente, mesmo quando parecia ser frio? Um homem que era doce, mesmo quando tentava não ser?

Ela o amava. Não era o cheiro dele, mesmo que fosse uma adição muito boa. Era ele.

“Você...” Gray disse em seu ouvido, e Juvia teve que lutar para escutar, tanto quanto ele teve que lutar para falar. “Eu.”

Juvia teria dito ‘sim’ para qualquer coisa naquele ponto, as sensações que ele a estava proporcionando eram tão boas, tão brilhantes. “Sim.” a Ômega gemeu. “Sim, você.”

Antes que pudesse registrar o que estava acontecendo, Juvia sentiu Gray levantá-la do colchão e, com seu peso, Gray os rolou para que ela estivesse por cima. A mulher olhou para baixo, para Gray, prestes a perguntá-lo o porquê de ele ter feito aquilo, quando viu como o moreno parecia.

Ele parecia com o pecado.

O homem era o pecado encarnado, com seu cabelo grudado na testa, suas bochechas coradas, olhos negros e brilhando, olhando-a em cima dele, o lado de seu pescoço com uma marca que ela havia lhe dado, suas mãos nos quadris de Juvia, enquanto ela ficou parada por um instante. A azulada sabia que ainda era o show dele, mesmo que estivesse no topo, e estava mais que feliz por ser uma participante.

Juvia começou a mover seus quadris, o casal nunca quebrando o contato visual, enquanto ela se levantava, somente para abaixar novamente, tentando retomar a fricção que ambos estavam produzindo momentos antes.

Enquanto gemia o nome do homem, a Ômega o escutou soltar um som de aprovação. Juvia aumentou a velocidade e inclinou-se, colocando uma mão no peitoral do homem e, então, usando suas unhas para arranhá-lo levemente, recebendo um som de surpresa do Alfa.

“Porra.” Gray grunhiu, seus quadris sendo empurrados para cima em uma medida desesperada. “Porra, Juvia.” O homem colocou uma mão na nuca de Juvia e a trouxe mais para perto, beijando-a.

Beijar daquela forma deveria ser um crime, a azulada pensou. Como ele podia beijá-la com tanta urgência, com tanta experiência, com tanta paixão? Talvez, Gray tivesse aquele efeito nela e somente nela, mas a mulher achava que o Alfa tivesse sido feito para ela, e somente ela, e que ninguém mais a faria sentir daquela forma, novamente.

Explorando a boca da Ômega, ele estava tentando deixá-la louca, Juvia sabia. E a missão estava sendo um sucesso. Gray começou a levantar seu corpo até que estava sentado, Juvia ainda movendo-se pra cima e para baixo no colo do homem, seus seios tocando o peitoral dele, enquanto ambos se moviam, e com as mãos ainda nos ombros dele.

Logo o fogo estava novamente bombeando por suas veias, a parte baixa de sua barriga voltando a esquentar uma vez mais e, por um momento, Juvia pensou que não poderia mais aguentar. Ele a havia feito sentir tanto em um espaço tão pequeno de tempo, durante aquela noite.

“Gray-s... Oh, oh, oh, isso é mu-muito.” Juvia disse, suas unhas enterrando na pele dos ombros do Alfa, seus quadris ainda se movendo em um ritmo desesperado para finalmente se libertar.

“Você é minha.” Gray a segurou pelas nádegas tão forte quanto podia, e a puxou ao encontro de sua pélvis, com mais luxúria que antes.

“Sim.” Juvia gemeu, sem ar.

“Minha.” Gray soltou uma de suas nádegas e colocou uma mão onde os seus corpos se encontravam, mandando prazer por todo o corpo da mulher.

“Sua.” Juvia sussurrou e, então, sentiu; nunca havia sentido nada daquela forma antes. Era estranho e a fez segurá-lo ainda mais perto de si, a fez querer mordê-lo o mais forte que pudesse. Era alguma coisa que estava escondida dentro de Juvia, e Gray havia descoberto.

Era a loba adormecida dentro dela, e que queria que seu macho a marcasse como dele.

Ela pôde sentir algo acontecer com seus dentes, mas não prestou muita atenção. Tudo que queria era mordê-lo, e Gray a beijou novamente, só que desesperado, dessa vez; ele estava perto também. Quando seus lábios se separaram, ele sussurrou. “Me deixe te morder. Eu preciso de... Oh, porra. Eu preciso te morder, Juvia.”

“Faça.” O cheiro dele a estava enlouquecendo, feromônios a deixando bêbada, mas não que ela ligasse. Tudo que Juvia ligava era que o moreno iria mordê-la, e que ela o morderia de volta.

Gray, mais uma vez, os virou, mudando-os de posição, deixando as costas de Juvia encontrarem com o colchão, de novo. Pôs uma mão embaixo de um dos joelhos da azulada e o colocou sobre seu ombro, enquanto se movia como um louco dentro dela.

Os gemidos da Ômega começaram a se tornar mais finos, as paredes internas do sexo de Juvia começaram a se contrair, e pela forma na qual Gray ficou dessincronizado, Juvia sabia que ele estava prestes a perder o controle.

De repente, o desejo de mordê-lo era muito e, de alguma forma, ela sabia que para chegar lá, dessa vez, era o que precisava fazer; então, puxou-o para baixo e abriu sua boca, enterrando seus dentes no lado do pescoço de Gray, ao mesmo tempo que sentia uma dor aguda no lado de seu próprio pescoço. A dor logo foi esquecida quando puro prazer passou por ela, e sua mente ficou totalmente branca.

Oh, esse foi um daqueles orgasmos’, Juvia pensou, enquanto descia de sua nuvem de felicidade. Ela podia sentir o peso de Gray em cima dela e sorriu, acariciando as costas do Alfa, sentindo-o ainda dentro de si e respirando rapidamente. O Nó demoraria alguns minutos para desaparecer, mas ela não se importava mais. Na realidade, era prazeroso para a mulher também, já que seu sexo tinha que contrair-se para que a ejaculação de Gray fosse ainda mais para dentro dela. Juvia sentiu o Nó profundamente dentro de seu corpo, e depois de quatro meses dormindo com Gray, ela mais que desejava aquilo; trazia prazer para ambos. Pôde sentir Gray gozando, e a loba dentro dela — que, aparentemente, estava acordada agora —, uivou em prazer com a oportunidade de dar filhotes ao Alfa, mesmo que Juvia soubesse que era uma pequena possibilidade, já que estava tomando a pílula.

Gray retirou seu peso sobre Juvia e, sem sair de dentro dela, fez com que ambos deitassem de lado; corpos ainda se tocando o máximo possível. Ele a cheirou e, então, beijou a testa da Ômega.

“Você está cheirando a mim.” Gray falou com orgulho, e Juvia riu levemente, sonolenta.

“Difícil não cheirar.” a azulada disse, e o Alfa riu. Juvia, então, notou a marca da mordida no pescoço do seu amante e franziu o cenho quando tocou no próprio pescoço. “O que foi aquilo, Gray-sama? Juvia nunca sentiu vontade de morder alguém.”

Gray percebeu sobre o que a mulher estava falando, e tocou a marca no seu próprio pescoço. “Já ouvi falar. É um Elo Temporário, acho. Por alguns dias nós vamos dividir sentimentos, se não estou enganado.” Então, foi a vez dele de franzir a testa. “Por que nós...?”

“Foi mais forte que Juvia.” a Ômega disse e Gray assentiu, mas ambos se esqueceram do assunto quando o sexo de Juvia começou a se contrair novamente, desencadeando um mini-orgasmo; ambos sem palavras decidiram deixar para conversar quando o Nó estivesse solto em alguns minutos.

Quando estava acabado, Gray se retirou de Juvia e foi para o banheiro, enquanto Juvia sentou na cama, ainda com o brilho pós-sexo, sorrindo abertamente, tocando o local no seu pescoço onde Gray a havia mordido.

“Esse foi um bom primeiro round.”

“Como é?”

“Você não pensou realmente que era isso, certo?”

“Mas...”

“Eu te disse: cada Mago saberá a quem você pertence. Só me dê alguns minutos.” Gray disse, enquanto pegava uma garrafinha de água do pequeno refrigerador, e dava outra para Juvia. “Beba; você vai precisar.”

Juvia pegou a garrafa, ainda surpresa com as ações do homem. Ela era quem iniciava a maioria dos contatos íntimos e estava quase sempre procurando por mais e, mesmo assim, era uma boa mudança que ele fosse o insaciável.

Ω

O sol estava começando a aparecer quando Gray acabou mais um Nó com Juvia. Dessa vez, as costas da mulher estavam juntas do peitoral do homem enquanto ocorria o Nó. Ele beijou o pescoço da Ômega e acariciou sua coxa, enquanto ela suspirava, feliz. Com certeza ele não iria querer ir mais uma vez; o Alfa a havia deixado acordada a noite inteira, beijando, mordendo, lambendo e agarrando. Ambos precisavam de um pouco de descanso.

Ela estava fechando os olhos quando sentiu um beijo no ombro e seus olhos se abriram num instante: foi exatamente assim que round três começou.

“Juvia...” a voz de Gray era música para os ouvidos da mulher, mas era impossível para Juvia fazer amor com ele novamente. Era impossível.

“Gray-sama.” Juvia se virou e colocou ambas as mãos nas bochechas do Alfa, esmagando-as. “Por favor, por favor, por favor, vamos dormir. Por favor. Eu te amo, mas não posso mais.” ela suspirou, e tinha os melhores olhos pidões que podia fazer. “Juvia está muito cansada.” e não perdeu a ironia de que era ela quem estava pedindo para que ele parasse.

“Eu sei, também estou.” Gray sorriu o máximo que pôde com as mãos da mulher em suas bochechas. “Eu ia pedir para que você fosse um pouco para a esquerda, para que eu pudesse cobrir nós dois.”

“Oh.” ela o liberou e foi um pouco para a esquerda, corando enquanto ele ria. Felizmente o Alfa pareceu não ter prestado muita atenção na parte do ‘Eu te amo’ que simplesmente havia escapado. Aquela não era a forma na qual a azulada queria dividir seus sentimentos.

Gray colocou a coberta sobre os dois e, então, a trouxe para perto de si. Juvia colocou a cabeça no peito do homem, um dos braços dele circundando-a e, sem demora, ambos estavam dormindo, felizes de estar um nos braços do outro.

Ω

Quando finalmente deixaram o quarto, no outro dia, já era quase hora do almoço. Juvia teve que colocar maquiagem para esconder a marca de mordida no seu pescoço, mais uma camiseta que cobrisse o seu decote para esconder as marcas que Gray havia deixado.

Quando chegaram ao lobby do hotel, uma das primeiras pessoas que viram foi, claro, Lyon, que olhava diretamente para Juvia.

“Boa tarde, Juvia.”

“É, somente me ignore, por que não?” Gray disse.

“E sou eu quem quer atenção?” Lyon deu um sorriso de lado e o moreno grunhiu. Lyon, então, encarou Juvia por um momento e franziu o cenho, cheirando o ar levemente. Realização da situação finalmente passou por seu rosto, enquanto Gray — que parecia ter acabado de ganhar na loteria — fitava Juvia — que estava tão vermelha, que podia ser facilmente confundida com um tomate —. “Entendo.” ele riu. “Eu pensei que era algum tipo de relação platônica, mas acho que estava errado. Mas vocês ainda não se marcaram, então, ainda tenho uma chance.” Gray fez um som que parecia com um rosnado. Lyon levantou as mãos em rendição. “Muito bem, então. Mim não tocar. Você não precisa parecer tão pretencioso, seu bastardo.” sorrindo, virou-se pra encarar Juvia. “Mas quando os seis meses acabarem e você quiser ficar com um homem de verdade, Juvia-chan, venha me encontrar.”

“Vá à merda, estúpido.” Gray segurou a mão de Juvia e ambos foram na direção do restaurante, enquanto o moreno xingava Lyon, falando baixo. “Imbecil. Não sabe quando desistir. Vou matar...”

“Gray-sama?” Juvia chamou a atenção do homem, quando ambos pararam na frente do restaurante.

“Bom, tem uma coisa boa nisso tudo: você está cheirando a mim, e a não ser que aquele imbecil tenha algum fetiche muito estranho, ele não vai te beijar.” Gray deu de ombros e soltou a mão da Ômega. “Agora vamos comer alguma coisa, estou morto de fome.” Juvia assentiu, e quando estavam prestes a entrar no restaurante, Gray a parou. “Oh, por falar nisso, você se importaria de ficar mais um dia aqui?”

“Claro que não. Por quê?” a azulada perguntou, confusa.

“Você gostaria de ficar? Você não trabalha nas segundas-feiras, e eu disse para meu chefe que isso duraria até a terça. Nós poderíamos ficar mais um dia.” Gray a informou.

“Sério?” Juvia estava claramente muito feliz e mal conseguia se conter.

“Claro.” o Alfa deu de ombros novamente.

“Sim!” Juvia o envolveu em um abraço e começou a beijá-lo em todas as partes do rosto do homem. “Oh, Gray-sama, obrigada!”

“Sim, sim.” ele rolou os olhos. “Pessoalmente, eu acho que isso é trabalho do Elo Temporário.”

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“Não interessa!” a Ômega o beijou nos lábios. “Nós vamos ficar mais um dia! Juvia quer ir à piscina!”

“Agora me diz: como você vai usar um biquíni com aquela marca de mordida que eu deixei na sua coxa?” Gray sussurrou e Juvia corou. A mulher havia se esquecido daquela marca e, na realidade, aquela não era a única marca que ele havia deixado nela.

E Juvia adorava saber que era dele, pelo menos por enquanto.

Notas finais
Então, obrigada por chegar até o final do capítulo! Espero que tenham gostado. :3