Éden
1 Éden
Nos etéreos jardins mentais do Éden,
Em meio aos efêmeros zéfiros primaveris,
Reside a majestosa ilusão coletiva,
Fruto de nossos prolíficos desejos incorpóreos.
É ela que, em teus irrisórios sonhos ama-te, jovem amargo;
Beija-lhe, sente seus deliciosos e torneados lábios escarlate, tolo,
És pateticamente indeciso como Hamlet,
E arruinastes toda tua vida propositalmente.
Bebes da fonte lasciva de sua pele macia,
Ergue-lhe altares infindáveis, mementos eternos.
Porém, vejam que tristeza!
É ela tudo que precisa e tudo que almeja,
Mas inexiste, e beijas somente o pálido espelho d’água cristalino,
Narcisista solitário e inefável!
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