É só uma coisa implícita

32 Capítulo 32 – Nossa Gamora


Notas iniciais
Talvez alguns de vocês percebam que há uma lembrança nesse capítulo que faz referência a uma fanart, que foi publicada no Deviantart por "spacerocketbunny".

Capítulo 32 – Nossa Gamora

Como pedido, logo todos os Guardiões estavam diante de Peter na sala de estar da nave.

— O que aconteceu tão de repente? – Drax perguntou – Onde está a criança?

— Ouvindo o zune no meu quarto. Até tirou as botas pra se deitar enquanto escuta. Me prometeu que vai ficar quieta e esperar.

— Qual é a emergência? – Nebulosa perguntou.

— Você não tem ideia do que ela me disse quando você saiu do quarto. E ela conhece a letra das canções do zune, e não qualquer canção, as canções que eu trouxe da Terra, que Yondu colocou no zune pra mim, não são comuns na galáxia.

— Ela pode ter super inteligência – Nebulosa sugeriu – Há pessoas que só precisam ouvir uma vez.

— Se fosse só isso... Ela reconheceu a God Slayer, e sabe que é uma espada retrátil, disse que a mãe dela tem uma idêntica. Eu disse pra ela que só existe uma, e que anos atrás havia outra, mas se perdeu e ninguém achou. Então ela jurou que não é parecida, é idêntica. E isso não é o mais chocante. O nome dela é Meredith. E... Eu acho que estou ficando louco, mas eu acho que por mais que tentemos negar, todos nós sabemos onde já vimos o sorriso e o olhar dela.

Todos ficaram chocados e trocaram olhares.

— Eu sou Groot?

— Você e Pete eram os mais loucos por ela, podem estar confusos sobre isso – Rocket respondeu ao filho.

— E se ela for um fantasma? – Drax falou como se fosse a coisa mais possível e mais natural do mundo.

Todos o olharam incrédulos, e ririam se a situação não fosse tão séria.

— Um fantasma... – Peter repetiu ironicamente.

— Você mesmo falou de histórias assombradas da Terra em que pessoas morrem e não aceitam, então seus espíritos voltam para perto da família.

— Não é porque eu contei isso que acontece assim. Nem todas as pessoas acreditam nisso. E por que quatro anos depois? E se ela fosse mesmo um fantasma, por que tomar a forma de uma criança?

— Eu vi todo tipo de coisa desde que Thanos me forçou a segui-lo. Mas fantasmas nunca foi uma delas. E acredite, já estive em mais lugares dessa galáxia do que qualquer um de nós pode contar – Nebulosa lhes disse.

— Então está sugerindo que Gamora está viva em algum lugar? – Rocket perguntou.

— Por mais impossível que pareça e que não tenhamos nada em que nos basear pra acreditar nisso, parece ser a opção mais viável pra explicar a situação.

— Não faça isso comigo... – Peter falou com tristeza.

— Se você diz isso com tanta convicção... Deve ter algo mais em mente – Mantis falou.

Nebulosa ficou em silêncio por um instante.

— Quando nós estávamos por cinco anos na Terra e finalmente encontramos uma chance de trazer todos de volta, os Vingadores conseguiram uma forma de viajarmos no tempo, e estivemos em várias épocas diferentes pra pegar as joias. Antes de partirmos falamos com eles sobre o que aconteceu, e Banner nos disse que tentou trazer Natasha de volta com o estalo dele, mas não conseguiu. Você deve se lembrar disso.

— Sim, eu lembro – Rocket falou.

— E se ele tiver conseguido? E Nat estiver presa em algum lugar do passado? E o mesmo aconteceu a Gamora, e ela ficou presa em 2018? Pode ter conseguido alguma forma de retornar a nossa época.

— Se isso fosse possível, por que ela não viria até nós? Não somos tão difíceis de achar. Ela poderia pedir ajuda à Tropa Nova – Drax falou.

— Isso eu não sei. Se tiver acontecido assim, não temos a menor ideia de onde ela pode ter estado todo esse tempo, e porque não apareceu.

— Eu sou Groot?

Todos olharam para Peter, que parecia prestes a entrar em colapso. Mantis tocou o ombro do irmão e não o fez se sentir feliz, sabia que Peter não gostava de sentir falsas alegrias, apenas o ajudou a estabilizar sua respiração e o fez se sentar. Ele ficou mudo por vários segundos, e os outros esperaram um posicionamento de seu líder.

— Gamora... Gamora pode estar viva... – ele falou em choque.

— É o que parece – Mantis respondeu.

— Por que ela não voltou? Essa menina deve ter quatro ou cinco anos. Se estiverem pensando o mesmo que eu...

— Eu sei que é doloroso pra você, mas temos que encarar isso. Sim, parece que Gamora teve uma filha. Com quem não sabemos dizer. E porque ela não voltou, ou se nossas teorias estão corretas, não temos a menor ideia. Mas se a criança está com medo de alguma coisa, nada garante que algo ruim não tenha acontecido a Gamora, ou que ela não esteja em perigo onde quer que esteja agora – Nebulosa falou.

— Espera... Temos que ter certeza antes de fazer uma suposição tão forte – Rocket disse – Pete, ela te disse quantos anos tem? Qual o nome da mãe dela?

— Ela está falando aos poucos. Apesar de saber quem somos, está com medo de contar a verdade. Certamente tem alguém mau atrás dela.

— Precisa fazê-la falar. Ela confia um pouco mais em você por algum motivo. Volta lá e descobre qual é.

— Eu sou Groot.

— Fotos? – Peter repetiu.

— Eu sou Groot.

— Se ela vir as fotos dela e disser mamãe eu vou ter um infarto.

— Quill, vá buscá-la. Vamos mostrar fotos e tentar deixá-la confortável. Ela vai acabar falando – Drax lhe disse.

— Você acha?

— Eu sei que crianças adoram olhar fotos antigas e ouvir histórias, por mais simples que sejam. Ainda me lembro da última vez – respondeu com um leve sorriso.

— Tenho até medo de imaginar quais fotos você mostrava a sua filha – Nebulosa comentou, vendo os outros Guardiões concordarem com um aceno de cabeça.

Peter assentiu e se levantou, tomando um segundo para respirar e indo buscar a caixa onde mantinham todas as fotos que tiravam como recordações. Quando voltou à sala de reuniões com Meredith, os outros Guardiões já estavam sentados no chão com várias fotos espalhadas e conversando sobre algumas delas.

— Você gosta de fotos? – Peter perguntou com um sorriso.

— Sim! – Ela exclamou radiante.

O terráqueo sentou-se no chão com ela no colo e deixou que Meredith pegasse uma das fotos. Era Groot bebê brincando com o antigo walkman de Peter.

— Ele era fofo – ela sorriu.

— Você também é – Mantis falou, e Meredith sorriu para ela.

— Mamãe também tem um desses – a menina falou olhando para a foto.

— Sua mãe tem um Groot? – Peter perguntou – Mas Groot é o único que existe.

— Não. Isso – ela apontou o walkman – O walk... – parou não sabendo dizer o restante da palavra.

— Walkman – Peter completou, torcendo para que ela não percebesse o quanto ele estava abalado.

— É do Groot?

— Não. Era meu. Mas um homem mau o destruiu numa batalha. Por isso meu pai me deu o zune. Groot sempre gostou de ouvir música e dançar, desde que nasceu.

Os Guardiões trocaram olhares enquanto Meredith olhava outras fotos.

— Quando a minha garotinha tinha sua idade, nós passávamos horas olhando fotos e contando histórias – Drax falou.

— Mas você não sabe quantos anos eu tenho.

— É verdade. Se nos contar eu te conto algumas histórias do meu planeta – Drax respondeu.

Todos o olharam com espanto e negaram com a cabeça.

— O que? – Ele perguntou como se não tivesse ideia do porque da reação dos amigos – Conheço histórias inocentes e bonitas também.

— Quantos anos ela tinha?

— Da última vez que fizemos isso ela tinha sete.

— Eu tenho quatro.

Não conseguiam evitar se entreolharem a cada informação que Meredith revelava. Os olhos de Peter bateram em uma de suas fotos favoritas. Rocket tinha tirado sem que percebessem, e ganhou um tapa de Gamora por isso. Mas mantiveram a foto. Foi num planeta frio enquanto aguardavam o combustível da nave ser reabastecido. Ele e Gamora sentaram-se em um banco e ela se aconchegou a ele. Peter a abraçou e beijou sua testa quando ela deitou em seu ombro. Foi nesse momento que Rocket tirou a foto. Distraidamente pegou a imagem para vê-la de perto, sentindo a sensação de paz misturada com dor que tinha se tornado tão familiar nos últimos anos.

— Eu sou Groot?

— Não. Foi o Senhor das Estrelas – Meredith respondeu, trazendo Peter de volta à realidade – Mamãe disse que o Senhor das Estrelas dela trançava o cabelo dela também.

Nesse instante todos ficaram mudos e Peter tinha certeza de que podia ouvir seu próprio coração de tão acelerado. Respirou fundo mais uma de muitas vezes.

— Quem é o Senhor das Estrelas da sua mamãe? – Ele perguntou.

— Não sei. Eu nunca vi – a menina falou simplesmente e olhou para a foto que Peter segurava – Mamãe!

Todos os Guardiões precisaram respirar fundo nesse momento e se entreolharam mais uma vez, agora com espanto.

— Por que não disse que conhecem minha mãe?

— Onde sua mãe está agora? – Nebulosa perguntou.

— Não sei. Ela se perdeu na feira.

— Onde você estava antes de te acharmos? Ela estava lá? Se nos disser podemos encontrá-la.

Os olhos de Meredith se encheram de medo, e ela não falou mais nada. Escondeu o rosto com as duas mãos e eles temeram que ela chorasse. Ela ficou de pé e abraçou Peter, escondendo o rosto no pescoço dele. O Senhor das Estrelas soltou a foto no chão para abraçar a pequena e acariciar seus cabelos quando ela começou a tremer, e seus próprios olhos se encheram de lágrimas. Nenhum dos outros o julgou quando ele mesmo chorou e encarou Nebulosa e cada um dos Guardiões, compartilhando com eles a certeza silenciosa do que Meredith havia revelado. Não sabiam como, porque, onde, o que estava acontecendo, ou o que houve com a Gamora que fugiu da Terra após a derrota de Thanos, e não sabiam se isso era bom ou ruim, mas ela estava viva. A Gamora deles estava viva! E Peter estava agora mesmo segurando uma parte dela em seus braços.

******

Após se acalmar o suficiente para que Meredith não percebesse seu estado, Peter secou os olhos e a confortou até que ela parasse de chorar e decidiram não lhe perguntar mais nada por hora. Ele a levou para o quarto e dançou lentamente com ela no colo enquanto ouviam o zune até que ela dormisse. Peter a acomodou na cama e a cobriu, e ele, Mantis e Nebulosa saíram do quarto quando tiveram certeza que ela não acordaria tão cedo. Quanto a ele, seu sono desaparecera após os últimos acontecimentos, e Meredith estava dormindo literalmente no quarto de sua mãe, era o melhor para ela. Peter encarou os demais quando fechou a porta, e ficaram bastante tempo em silêncio.

— Vamos pra cozinha. Ela pode acordar.

Eles o seguiram e se sentaram.

— Ela teve uma filha... – Peter falou apenas isso, sem ideia do que dizer a respeito – Mas com quem? E por que?

Porque não é uma pergunta muito produtiva – Nebulosa falou – Com quem parece tão óbvio quanto improvável. Eu conheço bem minha irmã apesar de todas as desavenças que tivemos. Ela jamais aceitou uma pessoa tão perto dela quanto você. E mesmo assim você trabalhou por meses pra que se tornasse possível, e por anos pra ajudá-la a deixar tudo que viveu pra trás. Ela nunca deixaria outra pessoa ir tão longe com ela. E faz exatamente quatro anos que derrotamos Thanos.

— Você tá sugerindo o que eu tô pensando? – Rocket questionou em choque.

Nebulosa confirmou com um olhar.

— Sobre a teoria, talvez – ela disse – Sobre o absurdo que acabei de sugerir, eu mesma não sei. Mas é a explicação mais provável. Até hoje eu não sei exatamente como o que Thanos fez funciona, ou como as pessoas vão e voltam disso, mas ele foi bem claro. Metade da vida, simplesmente vida, não especificando em que forma essa vida estaria.

— Aonde você quer chegar? – Mantis perguntou.

Nebulosa olhou para Peter.

— Não me diga que só nós percebemos as semelhanças. Não é possível que faça tanto tempo desde que você se olhou no espelho pela última vez.

Peter a olhou chocado.

— Ela nitidamente nasceu depois que Thanos foi derrotado.

— Eu sei. Eu pensei que ela poderia ser filha da Gamora que trouxemos de 2014, mas Meredith deixou claro que a mãe dela sabe quem você é, embora ela mesma não tenha ligado os pontos ainda. Eu não tenho a menor ideia de como, mas a nossa Gamora está viva, e em perigo em algum lugar lá fora. Ou algo aconteceu com ela e a criança fugiu.

— Faz sentido – Mantis disse – Ela tem sua cor de pele e de cabelo, e adora o zune.

— Eu sou Groot.

— Se me chamar assim de novo eu quebro aquele seu joguinho besta!

— Mas se a espada da nossa Gamora está aqui, como a mãe dela poderia ter a outra? – Drax questionou.

— Algo aconteceu com a Gamora de 2014, e a espada passou pra de 2018. Elas podem ter se encontrado. Se conseguirmos fazer Meredith falar de onde ela veio, tudo vai ficar bem mais fácil – Nebulosa falou – Podemos pedir à Tropa Nova que analise o DNA dela. Saberemos se ela for sua.

— Se isso for verdade... Ela teve uma filha... Nossa. E nunca voltou pra nós – Peter murmurou.

Todos notaram seu choque e sua dificuldade para processar todas as informações que tinham recebido, e nem mesmo Rocket ousou fazer qualquer brincadeira sobre isso.

— É isso aí... Parabéns, papai – o guaxinim falou, meio irônico, meio feliz.

— Não temos certeza ainda – Nebulosa falou.

— Não importa. Se algo aconteceu a Gamora, nós vamos cuidar dela – Peter respondeu, pela primeira vez pensando com clareza desde que tinha chorado abraçado à Meredith – Mesmo se ela não for minha, é uma parte dela.

— Se ela for, vai contar pra ela? – Mantis perguntou.

— Eu não sei. Ela vai ter que saber um dia, mas não sei se contar imediatamente seria bom. Não sei como ela vai reagir.

— Ela já gosta bastante de você. E é uma criança inteligente pra idade. Não acho que será um problema – Drax falou.

— Em quanto tempo chegamos a Xandar? – Peter perguntou.

— Algumas horas – Rocket lhe disse.

— Eu sou Groot.

— Seria bom alguém ficar cuidando dela – Rocket sugeriu.

— Eu cuido dela. Não vou conseguir dormir depois de tudo isso. Preciso pensar – Peter pediu.

******

Mantis, Drax, Rocket e Groot foram descansar, trocariam com Peter e Nebulosa depois. Ele deixou Meredith por um instante para ir ao convés olhar as estrelas quando Nebulosa apareceu.

— Ela ainda está dormindo?

Peter assentiu.

— Você está bem?

— Ela me falou disso uma vez – Nebulosa disse – Sua mania de se importar primeiro sempre com os outros, não importando quão mal você esteja.

Os dois trocaram um leve sorriso.

— Ela está em algum lugar lá fora – Peter falou.

Nenhum dos dois disse mais nada, deixando que por enquanto o silêncio preenchesse todos os vazios do que estavam vivendo. Isso durou alguns minutos até algo não muito comum ocorrer. O comunicador não costumava tocar de madrugada. Os dois se entreolharam.

— Tropa Nova...?

Nebulosa deu de ombros.

— Talvez – ela sugeriu, já apertando o botão para aceitar a chamada, e estranhando quando ninguém apareceu no vídeo – Uma chamada só em áudio? Será de algum planeta com recursos precários?

Peter estreitou os olhos, achando a situação esquisita, e vendo as indicações de chamada de áudio surgindo no visor, e essa era toda a informação que tinham, pois o local e distância não estavam indicados nas informações.

— Devemos responder? Será uma falha ou tentativa de espionagem? – Nebulosa sussurrou.

— Com toda a programação anti-hackeamento que Rocket fez aqui, acho que até a Tropa Nova teria dificuldades de tomar o controle da nossa nave – Peter sussurrou de volta enquanto verificava alguns sistemas no painel – Não parece haver nada de errado. Talvez a comunicação do lugar seja ruim.

— Tem alguém ouvindo? – Nebulosa se arriscou a perguntar, e como resposta ouviram apenas um barulho baixo que não conseguiram identificar – Se precisa de ajuda, encontre um terminal melhor pra nos contatar, não conseguimos ver e nem ouvir você. Ou tente falar com a Tropa Nova e eles entrarão em contato conosco.

Os dizeres e símbolos na tela indicavam que a chamada ainda estava ativa, mas continuaram sem imagens, sem sons, e sem respostas, até que poucos minutos depois a chamada foi desligada. Peter e Nebulosa se encararam confusos. O Senhor das Estrelas sentou-se e tentou rastrear a ligação, mas sem sucesso, depois enviando uma mensagem de notificação à Tropa Nova contando o ocorrido, e deixando-os em alerta para um possível chamado de ajuda.

— É o melhor que podemos fazer agora.

— O dia de hoje está muito estranho.

— Bastante – Peter concordou – Você acha que...?

Nebulosa o olhou como se lesse seus pensamentos.

— Agora que todos sabemos que eu não fiquei louco devido a meu estado emocional... Acho que é válido sugerir que...

A amiga assentiu.

— Estamos com a filha dela. Talvez ela tenha meios de saber disso, ou quer ajuda pra acha-la. Ou pra fugir, seja lá de onde for.

Peter respirou fundo, sentindo-se angustiado ao pensar em sua amada zehoberi presa ou em condições de perigo em qualquer lugar desconhecido da galáxia.

— Não temos como ter certeza. Pode ter sido só uma comunicação falha, ou uma chamada cruzada acidental.

— Talvez... Mas acho que você devia informar nossas teorias sobre isso também. A Dey e Nova Prime – Nebulosa sugeriu.

Peter pareceu perdido por um momento, e assentiu, em seguida começando a escrever uma nova mensagem.

— Tenho me perguntado tantas coisas nas últimas horas – ele falou após enviar – Por que ela não voltou? Porque não nos procurou? O que aconteceu? Se a encontrarmos, ela vai ficar...?

Nebulosa repousou a mão no ombro do amigo, ficando em silêncio, e deixando claro que tinha tantas respostas quanto ele.

— Vamos voltar. Ela já ficou muito tempo sozinha. E você precisa descansar antes que surte e entre em colapso.

Peter concordou, levantando-se para segui-la para fora do convés, e encontrando Meredith em pé na frente do quarto quando voltaram. Os pezinhos estavam calçados apenas com meias, e seu olhar sonolento indicando que acabara de acordar.

— Quero ir ao banheiro.

— Eu vou com você – Nebulosa sorriu e estendeu a mão para a menina, que aceitou e andou junto com a android na direção do local.

Nebulosa olhou brevemente para trás, trocando um olhar e um sorriso com Peter, que sorriu genuinamente, depois de muito tempo sem conseguir fazer isso.

******

Primeiro Gamora ficou um bom tempo segurando o comunicador que acabara de desligar enquanto tentava chorar em silêncio e escondia o rosto com a mão livre. Ouvir a voz de Peter e Nebulosa a afetara muito mais do que ela esperava, e isso tanto cortou seu coração quanto o fez explodir em gratidão e esperança. Ela chorou o mais silenciosamente que podia por alguns minutos até se acalmar, e secou os olhos, olhando discretamente por baixo do capuz para verificar se era observada. Era noite no planeta em que havia parado com a nave que roubou do membro da Ordem Negra após acabar com ele e fugir do planeta, não ficando para esperar Adam, Alia ou qualquer visita indesejada. Se estavam atrás dela, precisava leva-los para longe de sua filha. Parte de sua alma gritava em agonia por estar longe de Meredith, e rezava para que não tivesse cometido o maior erro de sua vida ao confiar em Adam.

Ela estava no planeta Hes, um lugar inteiramente dedicado ao descanso de viajantes ocasionais, cansados, ou que precisavam de socorro emergencial. Por todo lugar havia pousadas, hotéis, comunicadores de diversos tipos, locais para lazer, relaxamento, centros de saúde, e venda de comida e souvenirs, palavra terráquea que ela aprendera com Peter.

A zehoberi escolheu um dos comunicadores mais antigos, na tentativa de se manter oculta. Ela apenas queria ouvir a voz deles, de qualquer um deles, mas especialmente a de Peter, ter a pura certeza de que estavam vivos e seguros em algum lugar, provavelmente em Xandar pelo que Peter dissera. Ayesha não era mulher para não se levar a sério, embora parecesse mais assustadora do que Gamora julgava realmente ser. Meredith sabia das ameaças da soberana e a temia, apesar de toda a proteção e conversas que Gamora lhe fornecera a respeito disso. Sua filha estava com Adam ou com a Tropa Nova agora, torcia para que sim! E não conhecendo todos os meios soberanos de encontrar alguém, Gamora não arriscaria levar os dourados até ela ou sua família, mas havia algo mais a ser feito antes de deixar Hes, e não podia demorar. Utilizando mais alguns créditos, também roubados do ex funcionário da Ordem Negra, ela caminhou pelo polo de comunicações do lugar, felizmente vazio a essa hora, a não ser pelos atendentes distraídos no balcão, e buscou um terminal de transmissão que conseguisse conectar com a mini câmera que Adam lhe dera quatro anos atrás.