É, eu voltaria para você

1 Se eu pudesse fazer tudo outra vez


Notas iniciais
A história se passa durante a temporada All Stars, após a fusão dos times, que ainda não aconteceu. Os eventos não necessariamente são iguais aos da série (mas poderiam ser).

Você poderia partir meu coração em dois, mas quando ele se curasse, continuaria batendo por você. Sei que é atrevido, mas é verdade. Não vou mentir, eu voltaria para você.

[Back To You – Selena Gomez]

— Alguma sugestão?

— Esquartejar Ellie e dar seus restos mortais aos ursos! — Apesar de tudo, Tom soltou uma gargalhada.

— Isso seria ótimo, mas primeiro precisamos sair daqui.

Cruzo os braços, frustrado e incrivelmente puto. Já perdi as contas de quantas vezes aquela ruiva decadente nos passou a perna nos desafios, e então sinto raiva de mim mesmo por ainda cair nas armadilhas de Ellie. Eu deveria ser mais esperto.

Essa é a primeira prova desde a fusão dos grupos, e minha primeira oportunidade de conquistar a imunidade individual no reality show. Foi difícil para nós, o Time Magenta chegarmos aqui: Ashley, Ally e eu sobrevivemos aos trancos e barrancos, depois de perder James e Hunter, nossos melhores jogadores.

Bem, não é como se eu tivesse alguma moral para falar disso, tendo em vista que James foi eliminado por minha causa, graças ao meu ciúme. Aiden e eu finalmente nos acertamos, ele aceitou melhor do que eu pensei, e isso me faz sentir um grande babaca. Não acredito que o tratei mal por pura criancice.

Não só ele, como Ally também. E, principalmente, ao cara que está preso aqui comigo.

— Você ainda tem sua lanterna, Jake? — Faço que sim, mas a lanterna não vai nos tirar de um buraco de pelo menos quatro metros de altura. — Certo, eu tenho uma corda.

— De onde você tirou uma corda?

— Da minha bolsa.

— Você tinha uma corda no seu kit de prova e nem pensou em usar antes de cairmos aqui?!

Tom engoliu em seco.

— Como eu ia saber que a Ellie ia nos emboscar?!

— Ah, sim, realmente. Nada que ela não tenha feito em duas temporadas do programa.

— Jake, a gente pode deixar essa discussão para depois?

Respiro fundo, ele tem razão. Não posso arrastar Tom para o meu drama, não outra vez.

Nessa prova, temos que percorrer um labirinto dentro de uma caverna, parecido com a prova que Miriam e eu fizemos na primeira temporada, quando fui eliminado. Kristal havia dito que haveria armadilhas, o que é óbvio, já que tudo nesse lugar parece ter sido feito para nos matar.

Ashley, Ally, Tess e eu nos separamos, o objetivo é pegar várias partes de um dispositivo, uni-las e acionar a plataforma que leva à saída. Apenas uma pessoa ganha a imunidade, então será um banho de sangue quando alcançarem a plataforma, mas não há como uma pessoa só recuperar e juntar as peças.

Aposto que foi ideia daquele sádico do Derek.

— O que mais você tem na mochila, Jake?

— Pilhas extras e um alicate. E você?

— Um martelo.

— Tom, dá para amarrar a corda no martelo e usá-lo para enganchar em alguma pedra lá em cima?

— É o que estou fazendo.

Viro para ele, que de fato está mexendo nas ferramentas. Eu queria ter sido mais útil, mas só tenho essa lanterna e o alicate estúpido. Quem precisa de um alicate no meio de uma caverna?

— Certo, me deixe lançar o martelo com a corda. A minha pontaria é melhor que a sua.

Tom me ergue uma sobrancelha.

— Desde quando?

— Desde que Miriam me ensinou a atirar com arco e flecha.

— Miriam sabe atirar com arco e flecha?!

— Pois é, eu também me surpreendi! Acredita que ela me ensinou a atirar naquela prova em que…

Minha voz morre, e Tom fica confuso, até que um lampejo aparece em seus olhos azuis e ele estreita as sobrancelhas.

— Ah, aquela prova…

Desvio o olhar e pego o martelo, preparando-me para lançar. Tenho que me distrair, já que tais lembranças são amargas para nós dois. Afinal, foi depois daquela prova que eu caí na mentira de Ellie, e isso fez Tom ser eliminado.

Pego o martelo, solto a corda para pegar impulso, giro-o e lanço. Não chega nem perto da borda.

— Tem certeza de que você tem boa pontaria?

— Quer fazer melhor, espertinho?

Ele ri e pega o martelo, e então vejo que Tom não está bravo ou debochando de mim. Está apenas tentando deixar as coisas mais leves, como ele sempre faz.

Contudo, isso não é suficiente para alcançar a margem.

— Você foi pior do que eu, canastrão! Agora é minha vez.

— Não precisa ser uma disputa, Jake. Posso continuar até nos tirar daqui.

— Estamos juntos, Tom. Nós dois podemos nos salvar.

Será? Ainda há salvação para nós dois? Suspiro, tomara que não seja tarde demais.

Depois de um tempo tentando, o martelo enfim atravessa a margem e se prende em alguma coisa. Dou uma puxada firme, vendo que está bem enganchado. Estamos livres!

— Bom trabalho, Jake! Você primeiro, eu te espero subir.

Mesmo nas piores adversidades, Tom é um cavalheiro.

Aproximo-me do paredão e ele me ajuda a subir. Começo a escalada, e está mais fácil do que imaginei. Talvez não vamos perder muito tempo, ainda temos chance de sair daqui e vencer a prova! Tudo vai se resolver, as coisas vão voltar ao normal, poderemos até mesmo concorrer a imunidade e unirmos forças para enfim eliminar Ellie…

E então a corda se solta.

Merda!

É tudo tão rápido que, quando me dou conta, estou no chão. Com um par de braços fortes agarrando meu tronco e um corpo musculoso embaixo de mim.

— Pelo amor de Deus, Jake, você está bem?!

— Você está?!

— Acho que sim.

Giro para o lado, percebendo que estou praticamente sem arranhões. Tom me segurou no alto, mas a altura era o bastante para jogar nós dois no chão, e eu estendo a mão para ajudá-lo a se levantar. Porém, quando o puxo, ele faz uma careta de dor e encolhe o ombro.

— Droga, acho que dei mal jeito!

— Desculpa, eu não devia ter caído em cima de você…

— Jake, você realmente acha que eu ia te deixar despencar daquela altura?!

— Eu… vou tentar de novo e te puxar de lá de cima.

— Sou pesado demais para isso.

— Ah, qual é! Não vamos desistir tão fácil assim!

Puxo a corda para trazer o martelo de volta, e, para minha surpresa, está mais leve do que antes. Não preciso de muitos neurônios para notar que o martelo ficou lá em cima, e agora estamos apenas com uma corda, um alicate e um fracasso total.

— Estamos ferrados. — Mostro a corda vazia para ele, que bate em sua própria testa.

— É, estamos ferrados.

Suspiro, acabaram de vez as nossas chances. Tom encosta no paredão e eu me sento ao seu lado, dando mais uma revirada na mochila que recebi no começo da prova. Gostaria que algum objeto se materializasse magicamente ali dentro, algo que possa nos tirar dessa enrascada, mas o maldito alicate parece rir da minha cara.

Minha única opção é acender a lanterna e mantê-la apontada para cima. Talvez alguém passe por aqui e nos ajude, por sorte algum dos nossos amigos, ao invés de Alec, Yul e Riya, que definitivamente achariam uma forma de fechar o buraco e nos soterrar aqui dentro.

— Como está o seu ombro?

— Nada demais… ficarei bem com um pouco de descanso.

Assinto, e logo mergulhamos no mais profundo silêncio. Tenho a certeza do quão ferrados estamos ao notar que não há som algum ao nosso redor, ninguém para nos tirar daqui. Torço para que a produção sinta nossa falta e mande reforços, mas acho que os patrocinadores não vão gostar se nós morrermos de desnutrição.

Encosto a cabeça na parede, buscando uma posição mais confortável. Como se fosse possível, já que estamos presos aqui embaixo, e é Tom quem divide esse infortúnio comigo. Se fosse há dois anos, as coisas seriam diferentes, eu nem me importaria tanto de perder a prova ao lado dele. Mas hoje não é a mesma coisa: o homem que eu gosto e que estava comigo em nossa temporada é só um estranho. Alguém que eu amo, mas hoje só posso admirar de longe. E preciso fingir para mim mesmo que não o quero de volta, já que ele está com outro cara agora.

Olho discretamente para o lado, seu ombro tocando no meu, e sinto vontade de perguntar sobre o namorado dele, mas seria apenas masoquismo. Eu poderia ser o namorado de Tom se não tivesse estragado tudo dois anos atrás, e no vazio dessa caverna, reviver tais lembranças é tão amargo quanto um shot de whisky.

Rio sem muito ânimo, é Miriam quem gosta dessa bebida, assim como café sem açúcar. Fico me perguntando do que Tom gosta, e não é algo que eu saberia, pois ele detesta falar sobre si mesmo. E nunca mais tive a possibilidade de perguntar, nem fazer um esforço para arrancar qualquer informação irrelevante desse ex-espião.

Os minutos duram uma eternidade, minha mente vageia em lembranças e devaneios, uma realidade em que Tom e eu nunca tivéssemos nos separado, e ainda estivéssemos felizes. Ele está ao meu lado, tão perto e tão distante, e o silêncio me trazendo de volta a esse momento interminável, de novo e de novo. Eu pensei que esses dois anos afastados me fariam esquecê-lo, mas sempre me recusei a desistir dele, ainda que o som de discagem fosse a única coisa que ouvi de Tom. No entanto, estamos aqui mais uma vez, e a cada instante minha mente volta àquela época em que ainda éramos felizes, mas eu estraguei tudo.

E eu afundo em minha própria miséria, de novo e de novo. Fecho os olhos, sentindo um turbilhão me sacudindo em frenesi contra as pedras. E quando os abro de volta, aquele par de írises azuis está me encarando em desespero.

— Jake! Você está bem?!

Pisco duas vezes para processar Tom me encarando como se eu tivesse acabado de me levantar do caixão.

— Sim?!

— Você me assustou, Jake! Ficou tanto tempo em silêncio que achei que tivesse desmaiado!

Pisco mais duas vezes e ergo a sobrancelha.

— Você está dizendo que eu não calo a boca um minuto e isso te deixou preocupado?

— Oh, eu… eu não… é… — Seu rosto fica vermelho, e tão logo ele desvia o olhar. — Você acha que essas pilhas vão durar muito tempo?

— Bom, o orçamento dessa temporada aumentou, então é provável que ainda tenhamos uns quinze minutos. Quer tentar fazer uma fogueira com o meu alicate?

Ele riu por mais tempo do que eu imaginei, e isso me fez rir também. E então, mais uma vez mergulhados no silêncio vazio, atormentados pela nossa derrota, pela ausência de pessoas que ainda se lembrem da nossa existência e de condições mínimas de sobrevivência nesse reality show estúpido.

São longos e longos minutos contemplando o nada, o vazio, o mais puro fracasso das minhas relações amorosas, a minha falta de inteligência emocional, capaz de manter uma conversa amigável e saudável com o homem que eu amo, mas que hoje está com outra pessoa porque eu pus tudo a perder com minha imaturidade e burrice, e…

Ah, quem eu quero enganar, além de mim mesmo? Essa é a segunda vez que Tom e eu temos um momento juntos, e quero mais do que nunca puxar um assunto qualquer e fingir que está tudo bem entre a gente.

— Aiden te passou o…

— … aqueles peixes?

Nós nos encaramos por alguns segundos, um sem entender nada do que o outro disse por que falamos ao mesmo tempo. Pelo visto eu não sou o único que quer conversar, isso é bom. Ele ri de forma meio desengonçada, deixando as cicatrizes em seu queixo mais evidentes, e fica muito mais lindo a meu ver.

— Você primeiro, Jake. O que Aiden ia me…?

— Isqueiro. Nós ganhamos um isqueiro a mais na última prova dos times… achei que seria útil para vocês.

— Oh, foi você que deu o isqueiro. Isso… foi muito gentil da sua parte. Estava cansado de fazer fogo com pedras. Muito obrigado.

— Não foi nada… e você estava dizendo sobre… peixes? A Ally trouxe uma cesta hoje cedo.

— Eu pesquei para ela. Sei que você não gosta muito, mas, é… bem, é o que tinha.

— É… melhor do que nada. — Ele ainda se lembra do que eu gostava e reclamava em nossa temporada? — Mas estamos comendo mais frutas do que pescando.

— Vocês não ganharam um kit de pesca num dos desafios?

— Sim, nós usamos algumas vezes, é só que… — digo com pesar. — Depois que metade do time Magenta foi eliminada, tivemos dificuldade em gerenciar todas as atividades em três.

— Imagino, Jake. Aliás, preciso me desculpar por Ellie na prova da ladeira. Não tinha percebido que ela me empurrou em cima do Aiden de propósito… foi ele quem me alertou disso.

— É ela quem deveria se retratar, Tom, não vocês dois.

Apesar da minha raiva, admito que a maior culpa disso é minha. Eu quem deveria ter mantido a calma e prestado atenção no jogo em vez de ficar pensando em Tom e Aiden, mas se ele soubesse o quão difícil é me concentrar toda vez que o vejo…

Da mesma forma que está sendo doloroso permanecer aqui ao lado dele, tentando manter uma conversa amigável. Minha mente corre a mil por hora, tanta coisa se passa aqui dentro da minha cabeça, e eu me pergunto qual é a coisa certa a se dizer.

E eu odeio me sentir assim.

— Você quer tentar subir nos meus ombros, Jake? Talvez eu consiga te ajudar a alcançar a borda.

— E como eu te tiraria daqui? Sem contar o seu machucado.

— Não se preocupe comigo.

— Mas eu me preocupo, Tom, e não vou te deixar outra vez.

Ele parece chocado, e eu automaticamente me arrependo do que disse. No entanto, aquele tímido sussurro em minha mente me incentiva a continuar e encerrar de vez esse impasse.

— Espero que um dia possa me perdoar por tudo o que fiz.

— Jake… não estou mais com raiva daquilo. Ellie e Fiore enganaram a nós dois.

— Se eu não tivesse duvidado de você, nós ainda estaríamos juntos, Tom. Mas eu não quero ser egoísta e ser um problema entre você e o seu namorado… quero ser ao menos seu amigo, se você não se incomodar… e Miriam também sente a sua falta.

— Jake…

— Eu sei que não tenho esse direito, mas não posso fingir que não me importo, ou que estou disposto a te perder. Não vou te forçar a nada, posso te deixar em paz se é isso que você quer, mas nunca vou me perdoar se não me esforçar para consertar as coisas contigo.

— Jake, me esc…

— Prometo que vou respeitar sua decisão, Tom. Mesmo que você decida seguir outro caminho, mas se puder me aceitar ao menos como amigo, eu juro que…

E então, de súbito, ele me agarra pelos ombros.

— Pelo amor de Deus, Jake! Eu não tenho um namorado!

Todas as palavras que até então estavam apenas desaguando do meu cerne, agora estão estagnadas. O rosto dele é sério, um tanto preocupado, e quando Tom desvia seus olhos dos meus, uma sombra transpassa as feições dele. Há tanta coisa que eu gostaria de dizer, tantas informações passam pelos meus olhos, mas não encontro as palavras certas para traduzir o quanto meu coração bate em descompasso.

O melhor que consigo fazer é:

— O… quê?

— Eu menti, ok? Quando você veio conversar comigo e me disse todas aquelas coisas… eu entrei em pânico e inventei que estava namorando para não continuar a conversa. Eu não… não estava pronto.

— Por que você mentiu? É por isso que não atendeu minhas ligações nos últimos dois anos?

— Porque tenho medo de voltarmos e ser pior do que antes, Jake! É isso… é diferente de antes. Quando eu estava infiltrado e tinha o luxo de fantasiar um futuro contigo. Não posso perder tudo outra vez, não quando realmente quero ganhar o prêmio.

Ele apertou os olhos com força, mas as lágrimas escaparam mesmo assim. Nunca o tinha visto chorar, e saber que eu era a causa do seu tormento… isso me quebrou mais do que já estava destroçado.

Não sei o que fazer nesse momento. Será que posso abraçar Tom? Devo dizer que sinto muito? Secar suas lágrimas? Jurar que, dessa vez, as coisas serão diferentes? Me afastar de vez?

Eu o faço tão mal assim?

— Você merecia alguém melhor, Tom. Eu… sinto muito.

Respiro fundo e faço menção de me levantar, a melhor coisa que eu posso fazer agora é dar espaço a ele. Mas, contrariando todas as minhas expectativas, Tom me segura ainda mais forte.

— Jake, nós dois erramos. Eu estava com tanto medo de me envolver de novo que nem pensei o quão difícil foi para você… Eu deveria ter sido sincero contigo, já que prometi a você que conversaríamos depois do programa.

— Mas a culpa de tudo foi minha…

— Não, Jake! Nós dois podíamos ter sido melhores um para o outro! — ele se exaspera, e em seguida respira fundo. — Eu também quero pedir desculpas, devia ter atendido suas ligações há muito tempo.

Engulo em seco, esforçando-me para manter meu coração sob controle.

— Tom, eu… eu sinto tanto a sua falta.

— Eu também.

— Você me perdoa?

— Só se você me perdoar primeiro.

Um clichê que sempre detestei nos livros é a ideia de não perceber quando está chorando, algo que me parecia superficial demais. Eu sempre soube quando estava prestes a desabar em lágrimas: na primeira vez que meus pais gritaram comigo; no dia em que contei a eles que eu sou gay; a primeira briga com meu ex; todas as vezes que ele dizia que eu jamais seria bom o bastante para que outra pessoa me amasse; quando minha vó foi internada; e quando recebi a notícia que ela faleceu. Em todas as vezes, a sensação de uma nuvem caindo sobre mim me acomete, uma onda massiva de tristeza que parece não ter fim, e logo adiante as lágrimas começam a rolar.

E nunca chorei tanto quanto na noite em que Tom saiu do programa, graças ao erro que eu cometi. Porém, dessa vez só me dei conta do que estava acontecendo quando Tom soltou o aperto em meu ombro e levou sua mão até o meu rosto, secando as minhas lágrimas e me fazendo aceitar que minhas emoções não precisam mais serem represadas.

Dessa vez é real, Tom e eu estamos mesmo bem.

— Vem cá.

Como se lesse os meus pensamentos, ele me puxou para um abraço, o gesto mais reconfortante que tive nos últimos dois anos. Deus, como eu senti falta desse abraço, da sua colônia de água marinha e de sua respiração morna em minha testa. Meu refúgio e depois meu exílio, e agora o lugar para o qual posso retornar. Enfim, em casa.

Ele afaga meu cabelo enquanto permaneço em seus braços, e nada mais parece existir.

— Ah, finalmente! Aqui estão vocês!

Olhamos para cima ao mesmo tempo, vendo Oliver aliviado por nos encontrar.

— Vocês me deram um susto, rapazes, quase não aparecem nas câmeras. Estou trazendo equipamento para tirar vocês dois daí, eu só preciso de um…

— Alicate?

— Sim! Perdi o meu em algum lugar… você tem um alicate aí, Jake?

Começo a rir enquanto abro a mochila e jogo o alicate para Oliver. Impressionante como essa porcaria finalmente foi útil. Enquanto ele passa instruções para a equipe no rádio, Tom me puxa para levantarmos e ficamos frente a frente, mais perto do que jamais estivemos nos últimos tempos.

O sorriso dele é tímido e seus olhos azuis estreitados, como se analisasse a situação com cautela.

— Tudo bem para você se nós conversarmos sobre a gente depois da final? Eu realmente quero me concentrar no jogo.

— Eu entendo. Só… não some por mais outros anos, tá?

— Você ainda quer voltar comigo, quando tudo isso acabar?

Em resposta, dou um beijo na bochecha dele.

— É, eu voltaria para você.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!