É Tão Difícil Dar Certo...
15 Revelações amargas
Notas iniciais
É tão difícil dar certo...
Penúltimo capítulo
Capítulo 15: Revelações amargas
“Quando você é um vampiro seus sentimentos são ampliados. A raiva torna-se fúria, a tristeza torna-se desespero e o amor torna-se obsessão.”
Klaus
– Amor, eu nunca vou te deixar. Nem que você me peça, eu nunca vou te deixar. – Apertei-a mais ainda entre os meus braços, e eu me senti extremamente seguro com tais palavras; estávamos felizes, e ficaríamos juntos para sempre.
Ela passou a perna por entre as minhas, e foi quando topou com algo rijo e duro pelo caminho, arregalando seus olhos e olhando para mim, mais impressionada do que realmente excitada.
– Como você já está assim de novo? Depois de tudo que acabamos de fazer, como você já está ereto novamente?
Eu lhe sorria como uma criança que acabara de ganhar o seu primeiro presente, porque esse era o sorriso mais doce e inocente que eu já tinha mostrado na vida, e com certeza devia ser bem surpreendente ver isso vindo justo de Niklaus Mikaelson, vulgo: o vilão.
– É você que faz isso comigo, só você Caroline para me deixar assim.
– Klaus, me desculpa, mas eu não aguento fazer mais nada, eu não tenho mais forças, preciso dormir...
– Caroline. – Cortei-a calmamente, enquanto brincava com os cachos do seu cabelo. – Apenas descanse, eu não vou te obrigar a fazer nada, sei que está no limite de suas forças, e não se preocupe, não vou abusar de você enquanto dorme. – Falei sorrindo abertamente, e foi inevitável ela sorrir também.
– Eu sei que você não faria isso.
– Durma meu anjo, amanhã de manhã quando você acordar sóbria, teremos muito que conversar, e nem pense em usar a desculpa: “só aconteceu porque eu estava bêbada” para poder escapar, porque agora você me pertence.
Mal terminei de falar e Caroline já dormia em meus braços, tão serena e inocente quanto uma criança. Era tão doce vê-la dessa forma, completamente a minha mercê, por vontade própria e sem medo algum.
Sonhos realmente se realizam.
Desvencilhei-me lentamente de seu corpo, tomando extremo cuidado para não acorda-la enquanto eu saia da cama, não me perdoaria se eu estragasse os doces sonhos da minha Caroline.
Sorrateiramente, e sem fazer barulho algum, vasculhei pelo quarto, procurando por algo há muito tempo perdido na bagunça que era a minha vida. Não tenho ideia do porque guardei isso por longos e cansativos mil anos... Sentimentalismo talvez, ele pertencia a minha avó materna, e eu o tirei dela antes que ela fosse cremada por ser atingida pela peste.
A principio acho que guardei para me recordar dela. Depois, continuei com ele, utilizando da desculpa de que ia o entregar a Rebekah, quando ela o merecesse, mas ela nunca o mereceu.
Então porque o mantive comigo todos esses anos?
Olhando para a mulher nua deitada em minha cama, eu obtive a minha resposta, eu o guardei para ela. Todos esses anos eu esperei o dia em que eu conheceria Caroline, a única mulher capaz de roubar o meu coração.
Em minhas mãos, estava o objeto que iria mudar a minha vida e a de Caroline para sempre: uma linda e grossa aliança de ouro branco, com uma nada modesta pedra de diamante em formato de coração. A mesma aliança que me avô usou para pedir minha avó em casamento, a mesma aliança que eu usarei para pedir a Caroline que seja minha pela eternidade.
Mas não são só os sonhos que se realizam... Os pesadelos também tem esse dom... E podem se tornar a mais amarga realidade.
Percebi um vulto passando depressa pelo corredor; olhei novamente para Caroline, para me garantir de que ela estava bem, e ela ainda dormia calmamente. Sai do quarto para procurar o mais novo finado de Mystic Falls, mas nada encontrei. Seja quem for que tenha tido coragem suficiente para invadir a minha casa, já foi embora e sem levar nada.
Quando volto para o quarto, encontro um envelope jogado no chão com o seguinte dizer: “Klaus, me leia”. Novamente, verifico se Caroline está bem, e me certifico de que o invasor não está escondido no meu quarto, mas ele já foi embora. Abro o envelope, e retiro uma carta de dentro, e a cada linha que eu leio, meu mundo se desmorona na minha frente, me deixando cada vez mais próximo do meu inferno particular.
Olá, Niklaus.
Venho em missão de paz.
Como eu sei que você é um hibrido que gosta de negociar, trago-lhe uma informação importante e surpreendente ao ponto de te deixar muito P-U-T-O de raiva. Em troca desse enorme favor que eu estou te fazendo, a única coisa que quero é que pare de me perseguir! Não me leve a mal, foram cinco séculos divertidos, mas eu já gastei muito salto alto fugindo de você.
Estamos de acordo? Que ótimo!
Está preparado para mais uma traição na sua extensa lista? Espero que não, e que essa traição faça o seu coração sangrar, enquanto eu me divertido pelo mundo sem ter que me preocupar com o dia em que você vai me achar.
Enfim, sabe o que a adorável Caroline está fazendo em sua cama? Te distraindo enquanto os amiguinhos dela estão na floresta de Mystic Falls, fazendo um feitiço poderoso para te matar. Você acreditou mesmo que a Barbie ia se apaixonar por você? Justo por você! Ela apenas usou os talentos dela para enganar mais um trouxa. Sabe por quem ela fez isso? Pelo Tyler, o único e verdadeiro amor da vida dela. Eles só não estão juntos porque você os separou, e ela te odeia por isso, te odeia ao ponto de aceitar passar uma noite com você, apenas para te iludir e machucar ainda mais quando ela te levasse para a morte eminente.
Cruel, não?
Ela te acha um monstro. Todos te acham um monstro. Mas afinal, você é um monstro, não é mesmo Niklaus? Quem seria capaz de te amar se nem seus pais conseguiram tal façanha? Você pode até ficar com raiva, mas não pode julga-los por terem tentado te matar, afinal de contas, eles têm motivos de sobra para desejarem isso; todos te querem morto e com razão.
Porque com Caroline isso seria diferente?
Esqueça os seus planos de amor eterno ao lado da vampira Barbie, porque igualmente a mim, o que ela realmente deseja, é sambar em cima da sua carcaça apodrecida enquanto assisti os seus restos mortais serem devorados pelos abutres.
Está com o coração partido por mais uma apunhalada que a vida lhe da? Que magnifico!
Prefere se iludir? Não quer acreditar em mim? Então faça o seguinte, deixe a sua bela – traidora – adormecida na cama, e vá para a floresta procurar pelos amiguinhos dela. Assim, você terá a chance de ver com os seus próprios olhos, que como sempre eu estou certa, e que o seu destino é vagar sozinho e rejeitado pela eternidade.
Se aceita uma última dica de uma velha amiga que não pretende te ver nunca mais: não demore demais para agir, ou eles vão realmente conseguir te matar, e não queremos ver a sua morte antes de uma bela e revigorante vingança, não é mesmo?
Beijos com amor e ódio,
Katherine Pierce.
Terminei de ler a carta em lágrimas silenciosas, mais uma vez eu fora traído justo por quem amo! Mais uma vez o destino ri de mim, e tenho certeza que seja lá onde Mikael esteja ele deve estar dando gargalhadas enquanto assisti a minha queda emocional.
Eu deveria ter desconfiado das atitudes de Caroline, tão carente... Tão entregue... Tão minha... Mas a vontade de acreditar nela e viver esse amor, foi maior que o meu lado racional, que tentava me dizer que tinha alguma coisa muito errada acontecendo, desde que eu a vi sentada no Mystic Grill.
Então eu não tenho direito a ver os meus sonhos serem realizados? Esse é o preço a pagar pela minha eternidade? Pelo meu poder? Sei que passo longe de ser a melhor pessoa do mundo, e nem almejo esse titulo, mas será possível que nessa existência infeliz eu nunca vou ter direito há emoções como amor e felicidade?
Eu não mereço isso? Aparentemente, não.
Ah... Mas eu sei uma coisa que eu mereço... Vingança! Todos vão pagar, todos que riram as minhas custas vão pagar, todos que fizerem parte desse plano para me destruir vão pagar da pior maneira possível... Principalmente a que mais me machucou... Com ela eu serei ainda pior... Não existirá perdão para nenhum deles, não existirá principalmente para ela.
A primeira coisa que me veio á mente foi ligar para Sophie, a bruxa mais poderosa que eu já conheci, depois da minha mãe. Ainda bem que ela estava por perto. Sophie aceitou me ajudar sem hesitar, afinal ela me devia por eu salvar a vida da família dela. Pedi a ela que viesse até a minha casa e já começasse com os preparativos, enquanto eu ia até a floresta resolver problemas menores, mas não menos divertidos.
Antes de sair, olhei para Caroline deitada em minha cama, dormindo tranquilamente como se não estivesse tentando me assassinar. Como ela pode ser tão falsa e manipuladora a esse ponto? Eu podia esperar isso de qualquer um... Menos dela.
Dela não.
Louco de raiva caminhei até a cama, e quebrei o pescoço dela. Não podia me dar ao luxo de correr o risco de ser traído novamente por ela. Até que Sophie chegasse, ela podia acordar e avisar aos amiguinhos dela, que eu já não estava mais em casa, e que provavelmente já tinha descoberto o plano deles.
O meu ataque será uma surpresa devastadora, e eu não deixarei ninguém estragar isso. Liguei para os meus híbridos, e mandei que eles me encontrassem nas imediações da floresta. A festa ia começar, e ela seria um estouro.
Quando cheguei o caos já estava instalado. As minhas futuras vitimas, no atual momento, eram vitimas de outras criaturas, e isso eu não podia aceitar, o prazer de torturar e matar todos eles seria meu, só meu!
Ordenei aos meus híbridos que salvassem os inúteis amigos de Caroline, enquanto eu descontava uma porcentagem da minha ira, arrebentando toda e qualquer criatura que surgisse na minha frente. Confesso que isso demorou um pouco mais do que eu esperava, o número de criaturas para matar era alto, mas isso alegrou a minha noite.
Quando eles me trouxeram a bruxa Bennett, ela estava morrendo com um rombo do tamanho de um braço bem abaixo do seu peito, tão perto do coração... Mas de maneira alguma eu a deixaria morrer sem que ela participasse da minha vingança.
Dei meu sangue para ela beber, em seguida quebrando seu pescoço. Quando ela acordou, fiz com que ela bebesse do sangue do zagueiro. Não tinha mais volta, ela era a mais nova vampira da nada pacata Mystic Falls, e em breve todos eles seriam os mais novos finados, mas eu me divertiria muito com eles, antes de dar um fim à existência miserável de cada um deles.
Os levei para casa como meus prisioneiros, pois era lá que a atração principal me esperava. Sophie fez um feitiço de limitação para que nenhum ser sobrenatural, além de mim, pudesse entrar ou sair da casa. Eles estavam tão exaustos que não tinha sequer força para se defender; os acorrentei e os deixei sangrando para esvaziar toda a verbena do sangue de todos eles. Subi para o meu quarto, onde Sophie me aguardava com Caroline, que ainda estava com o pescoço quebrado.
– Tem certeza que quer fazer isso, Klaus?
– Isso está me cheirando em hesitação, Sophie. Pretende voltar atrás na sua decisão de me ajudar? – Era só o que me faltava, mais uma traidora! Se ela se recusasse em me ajudar, estaria assinando não só a sua sentença de morte, como também a de toda a sua família.
Eu não estou com animo para traições.
– Sou uma mulher de palavra. Aceitei te ajudar e é isso que eu vou fazer...
– Sábia decisão.
– Klaus... Ela pode enlouquecer, sabe se lá, quantos outros danos esse feitiço pode causar isso é magia negra...
– Não importa, amor. Ela não se importou nenhum um pouco em quebrar o meu coração e me entregar de bandeja para a morte certa. Então, porque eu me importaria com ela? – Eu já não falava, apenas gritava em puro ódio.
– Porque você a ama.
As malditas palavras de Sophie mexeram comigo mais do que eu gostaria de admitir. Sim, eu amava essa vadia traidora, manipuladora, cruel e sem coração. Mas no momento, todo esse amor estava se revertendo no mais puro e frio ódio. O que ela fez não tem perdão, pelo menos não para mim.
– Continue com o feitiço, Sophie. – Lhe falei calmamente, como se estivesse pedindo para ela ir até a padaria comprar pão, e não, dar inicio a um pesado ritual de magia negra.
– Muito bem, vou precisar do seu sangue para dar continuidade...
– E porque diabos você vai precisar do meu sangue mulher?
– Como eu ia dizendo, você quer participar do feitiço, não é mesmo? Quer ter controle total sobre os sonhos dela enquanto ela estiver em coma. Quer ser o “senhor” do mundo imaginário de Caroline, só para poder torturá-la com seus piores medos enquanto ela banca a Bela adormecida.
– Sim, é exatamente isso. Mas não sou tão monstruoso quanto você pensa, vou dar a eles a chance que eles não me deram. Vou aproveitar essa situação não só para torturá-la para ela pagar pelo que me fez... Como também vou usar disso para conhecer os verdadeiros sentimentos de Caroline... Se é que existe algum. E caso tenha alguma verdade em relação a mim... Deixarei ela e os amigos livre, e irei embora para sempre dessa terra que só me trouxe desgosto.
– E o que vai fazer com os outros, enquanto não descobre a verdade sobre Caroline? – Sorri irônico para Sophie, até parece que ela não me conhecia muito bem.
– Não é obvio, amor? Vou torturá-los!
– Klaus, quero morrer sua amiga.
– Claro, amor. Agora chega de conversa fiada. Pegue meu sangue, e que comece esse ritual.
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