Mas eu queria te ter, queria te possuir, te dominar e te deixar implorando por mim. Mas não deu, realmente não deu. Eu sempre fui frágil, sempre tive sentimentos mais avançados do que o raciocínio. Meu coração sabe driblar meu cérebro direitinho, consegue fazer-me amar alguém com tanta intensidade que eu fico assim, dopada de tanto amor pela pessoa.

Tudo bem, eu já sabia que isso tinha que acontecer. Que a ficha ia cair um dia sob minhas costas, todos já sabiam. Ele a queria, ela queria ele; e o pior nem é que eu estava em um triângulo amoroso que só eu me machucava com as três pontas dolorosas, o pior é que eu persistia em continuar mesmo sabendo que de todas as formas, iríamos acabar separados.

— Se você terminasse com ela e vivesse junto à mim? – questionei movendo os pés para me movimentar naquele longo balanço.

— Eu e a Candance estamos realmente num relacionamento estável, sem brigas e discussões. Eu ainda amo ela... – ele disse meio cabisbaixo, mas sua voz não falhou sequer um pouco.

Fiquei encarando meus pés e os dele, tentando não chorar. Claro que era um dos piores momentos da minha vida, mas se eu chorasse naquela hora, ele me abraçaria, beijaria e me faria bem, bem demais, cara.

E acho que esse é o problema dele: fazer o bem pra mim; dar-me carinho quando eu preciso. Se não fosse isso, eu já teria chutado o pau da barraca e feito um escândalo daqueles inesquecíveis.

— Se ela terminasse contigo, teria jeito? – perguntei quebrando o silêncio.

— Não, eu iria querer um tempo para pensar. Iria realmente ficar muito deprimido com isso, sabe? O fato de ser largado por ela me assusta. – ele disse enquanto acariciava minha mão unida junto a sua.

Solto minha mão da dele e o encaro. Seus lábios traçados delicadamente estavam um pouco abertos para sair sua respiração pesada coberta de angustia; seus olhos sempre brilhantes davam lugar a olhos vermelhos e opacos.

Engulo seco, buscando palavras que não sejam duras e frias.

— Por que não me falou antes que não tinha jeito? Eu sou uma trouxa. – falo baixo, agora olhando pra cima para todas as lágrimas não caírem.

— Eu não tinha pensado nisso. – ele suspirou tenso, provavelmente me encarando.

— Faria tudo que ela pedisse, não é? – mordi meus lábios.

— Se ela pedisse, eu te bloquearia das minhas redes sociais, sem pestanejar. – ele falou firme. – Me desculpa.

Levantei da cadeira do balanço, ignorando tudo em minha volta.

Gostaria de dizer que os gritos dele foram presente naquele vasto gramado verde, mas infelizmente, nada fez ele além de ficar parado assistindo minha saída. Nenhuma palavra, nenhum gesto, nenhum ato.

Era isso, eu estava indo e ele nem um murmuro soltou.

Notas finais
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