Os fantasmas assombravam o menino toda noite ao fechar os olhos. Toda a exclusão e perturbação se resumiam a aquele período de descanso involuntário que tinha após todas as conturbações que sofria e se mutilava pelo momento de ser diferente tão diferente ao ponto de ser igual não por própria vontade e sim por vontade de ser igual a todos e não passar por todo a caos que borbulhava entre as entranhas de seu corpo e emaranhavam na saudade e ódio que tinha de tudo que tinha perdido e ganhado durante a longa e dura estádia pelo mundo.

Estava agora sentado numa cadeira de palha que rangia a cada movimento, mesmo os que não eram bruscos. Durante muito tempo tentou não lembrar tudo que estava acontecendo mas o cheiro de repugno e ovo podre era facilmente reconhecido por suas células olfativas que automaticamente enviavam a mensagem a todo corpo. Encolheu-se e gritou forte para tentar espalhar, mas as sombras e clarões eram inevitáveis ao momento que nada era tão satisfatório quanto a vingança. Um dia esse dia chegaria tinha certeza, toda a humilhação e xingamentos seriam escarrados e cuspidos direto para o corpo dos infelizes que há pouco eram felizes e nem tanto sabiam o que se passa numa cabeça contundida.

Todo o passado de Fred era remendado por histórias tristes e humilhantes. No momento em que esse breve histórico se passa a jovem havia acabado de completar seus premiados quatorze anos.

- Você não vai conseguir se ver livre do nós MENININHA! – Ameaças brotavam das bocas nojentas e estupefatas de brutamontes que ali como Fred estudava, ou melhor, dizendo tentava estudar. – Corra para o colo da mamãe ou então escuto One Gayrection. Não é assim o nome da GirlBand ?

Coisas piores certamente eram possível de se escutar durante a caminhada até o corredor de entrada para a sala de aula que parecia ser feito propositalmente para mais ameaças, pois o piso de revestimento era metalizado e o garoto podia identificar todas as faces amedrontadoras que o seguiam fazendo barulho e exaltações. O motivo da cacofonia era simples: ele mesmo. Depois de todo aquele tempo já era de praxe escutar aquilo tudo, mas o corpo não era de ferro e estava se cansando de tudo e de todos. Sentou no chão e chorou.

- A ‘Directionerzinha’ Vai chorar vai? – Sua cabeça zumbia e começava a rodar. – ‘Bua Bua Bua’ – Imitaram uma criança esgoelando.

Ele perdeu a consciência e quando acordou estava no meio de um gramado não propriamente cheio de grama, algumas partes sim, eram recobertas por um capim verde o mais verde que já tinha visto. Porém outras eram cheias de lama e era em uma poça de mistura barrenta com excremento animal que ele se encontrava. Deveria provavelmente ser um sonho ou alguma alucinação de sua mente.

Quando os supostos ‘colegas’ de classe saíram de trás dos barrancos ele percebeu que estava em uma armadilha, eles estavam com ovos na mão e uma dor fisgou seu fígado. Olhou para o tórax e viu a mancha amarela cheirando a carne que urubu rodeia. Podre.

Mais manchas amarelas se faziam em sua roupa que de um uniforme branco se transformou supostamente em uma gemada de ovo podre. Quando a ultima fisgada veio pensou que finalmente tinham acabado de fazer a grande omelete. O sol batia diretamente em meus olhos e não consegui distinguir quem era, mas uma pessoa alta e forte pousou em cima de mim, abriu minha boca e quebrou o ultimo ovo ali mesmo, o ovo escorreu por minha garganta e senti o gosto de bílis voltando do meu estomago com o resto de vomito. A excreção estomacal atingiu em cheio o rosto do brutamonte e ele raivoso chutou meu rim direito, uma dor lancinante percorreu meu corpo e eu fiquei outra vez tonto, só que dessa vez não desmaiei, mas fiquei pensando em tudo que não deveria ter acontecido naquele dia, deveriam ter lhe poupado de tudo aquilo pelo menos um dia, hoje. O meu aniversário.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.