É Isso que Me Importa
1 E agora somo só nós dois
Notas iniciais
Já era bem tarde quando eu olhei para o relógio. Eu não estava conseguindo dormir, no dia seguinte teríamos um live em Kanagawa e eu estava ansioso. O vento gelado que provinha da janela meio aberta não me afetava tanto por conta da manta que cobria meus ombros. Mas esse não era o principal fator. E sim o corpo moreno que quedava junto ao meu na cama. O seu rosto parecia sereno, suas mãos em minhas pernas e os pés juntos aos meus.
Ele era a melhor coisa que havia me acontecido.
Eu relutei tanto quando ele se declarou para mim, ajoelhado na minha porta com o rosto banhado em lágrimas. Falava que me amava, que jamais poderia viver sem mim. E eu apenas fechei a porta na cara dele, chocado o suficiente para não perceber que os seus sentimentos eram verdadeiros, chocado para não me importar.
E na semana que se seguiu ele faltou a todos os ensaios.
No primeiro dia eu até achei normal, decerto ele não queria me encarar. E isso doía. Muito. Depois eu comecei a estranhar. Ele não ligava, não justificou por que faltou aos ensaios. Eu fui a sua casa.
Bati a porta no mínimo quatro vezes e nada. Achei melhor entrar e vi tudo empacotado, caixas empilhadas e coisas velhas jogadas pelo chão. Acredito que meus olhos mostravam desespero naquela hora.
— Aoi? — comecei a procurar por todos os cômodos. — Onde você...
O que você está fazendo aqui, Kouyou?
— AH — Dei um pequeno pulo para trás, ouvindo a voz rouca saindo de uma porta que eu reconheci ser o banheiro. Tinha apenas uma toalha meio caindo pelo quadril — Você quase me matou do coração!
— Queria fazer isso de outro modo
Os seus olhos ficaram meio tristes e ele virou para a porta de seu quarto. Nesse momento eu me agarrei ao seu braço e o virei para beijá-lo.
- Eu sinto muito Aoi. Mesmo.
Daquele dia em diante ficamos juntos o tempo todo. Sim, eu aprendi a amá-lo. Ele era perfeito para mim e eu derretia toda vez que ele me tocava, nem que fosse apenas o meu cabelo, ou pequenos fanservices nos shows. Nunca faltava química entre nós. E na cama era... bem, era MUITO quente.
— Koi? — Ouvi sua voz rouca um pouco cansada me chamar, se agarrando na minha cintura — Nós temos que dormir para amanhã.
— Eu sei. Mas eu não consigo parar de pensar em nós dois... sabe, na nossa história, naquela semana que você sumiu...
— Você é um fofo, sabe? — Ele se sentou para ficar na mesma altura que eu e me agarrou, dando um beijo quente nos meus lábios. A língua macia dele me acariciando. Eu não podia ser mais sortudo.
— E eu te amo, sabe?
— Sim. E eu também.
Voltamos a nos beijar, mas dessa vez de forma mais calma. Nós éramos um casal simples, na nossa vida não tinham muitas surpresas, jantávamos com nossos pais duas vezes por semana e ficávamos sozinhas nos outros dias. E esses detalhes me faziam feliz. Faziam o meu coração completo. E mesmo que ninguém de fora saiba desse relacionamento e fique realmente tentando nos agarrar, eu não ligava. Yuu era meu e eu era dele.
Era apenas isso que me importava.
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