Ânsia

26 Expurgo


Desisto e estaciono no acostamento da rodovia. Ligo para o 190, gritando por uma ambulância, mal consigo dizer minha localização.

A ânsia transmuta para algo primitivo. Meu corpo tenta expurgar algo, não pela boca, como das últimas vezes.

Meu corpo se arqueia em ondas excruciantes que vêm de baixo. Será esse o meu limite? O exórdio da minha morte? A última cartada dessa maldição?

Um líquido quente escorre pelas minhas pernas, molhando o banco e deixando um cheiro metálico. Ergo o vestido, retiro a calcinha e, num último espasmo, meu corpo se rasga. O alívio chega com um baque úmido.