Notas iniciais
Espero que gostem :)

8 Anos Atrás

Abro os olhos, sentindo a claridade entrar pela janela do meu quarto, eu devo ter esquecido de fechá-la ontem.

— Dean, o café já está pronto! — A minha mãe grita do andar de baixo. Mais um dia lindo e ensolarado, uma manhã linda e ensolarada que eu poderia brincar do lado de fora.

Nós moramos em um bairro em uma zona rural, com poucos vizinhos, “ O centro urbano fica bem longe daqui filha, não tem como irmos para lá”, é o que a minha mãe costuma dizer. Eu sempre quis conhecer esse tal centro urbano que ela tanto dizia que tinha o sonho de ir. Poxa trabalhar tão duro no campo, para nem poder conhecer novos lugares.

Pelo visto, esse seria um dos poucos dias que eu teria a oportunidade de comer um pedaço de pão e um pouco de café. Especialmente hoje, estava muito animada para brincar lá fora com as minhas vizinhas, então nem me despedi da minha mãe quando acabei de comer e fui em disparada a porta.

— Ei docinho, volta aqui! — Essa altura eu já estava com metade do meu corpo do lado de fora então nem dei ouvidos. Eu odiava quando ela me chamava assim, sei que a sua justificativa era pelo meu jeito doce e meigo de ser, mas eu não queria que pensassem que eu era somente uma criança, eu já tinha oito anos!

Subitamente um tremor muito forte me faz perder o equilíbrio, eu já estava há vários metros da minha casa, então tive uma boa visão de quando um objeto voador pousou a poucos metros de mim. Eu não sabia o que fazer, nunca vira nada parecido.

Um pensamento passa rapidamente pela minha mente, e quanto a minha mãe? Será que ela também via esse troço? A minha cabeça estava cheia de perguntas, tudo aqui sempre foi tão igual todos os dias que quando algo novo acontece, eu acabo ficando sem reação.

Algumas vozes falando uma língua que eu não conheço me despertam a atenção. Alguns homens, vestindo roupas brancas saem daquela coisa que havia aterrissado poucos segundos atrás aqui. Será que temos visitantes?Talvez eu devesse ir lá para me voluntariar a mostrar a cidade a eles.

Minha mãe uma vez me disse para não falar com estranhos, mas acho que isso era só medo de eu achar alguém legal e me esquecer dela. Ignoro o seu alerta e vou de encontro a um deles. Esperava receber ao menos um olá, ou algo do tipo, porém o cara me puxa com agressividade até se encontrar com os outros. Eles discutem naquele idioma que não entendo e me empurram para dentro daquele negócio voador sem nem ao menos olhar para o meu rosto.

A última coisa que eu lembro foi de ter ouvido um barulho alto e uma pancada forte na minha cabeça antes de tudo ficar preto.



6 Anos Depois

Seis anos haviam se passado dentro dessa podridão, mais conhecida como prisão, já que eu vivia trancada em uma cela, cercada por guardas em uma parte mais afastada dos outros prisioneiros. Lembro como se fosse do dia que cheguei aqui, assustada e com medo, que só piorou ao longo dos anos.

Por um momento eu desejei ter ouvido minha mãe seis anos atrás. Quem sabe eu não estaria ainda na minha humilde casa? Apesar de tudo, eu ainda me alimentaria decentemente e seria tratada muito melhor.

Muito pouco coisa mudou nesses oito anos. Tudo que me faziam aqui se resumia a torturas, de todas as maneiras possíveis, desde simples surras até várias tentativas de me afogar, o motivo para isso? Eu não tinha a menor ideia.

Com o passar do tempo, eu passei a encontrar um padrão entre os guardas, todos com pele bem clara, cabelos loiros, e olhos azuis. Então será que o motivo para eu estar aqui é somente a minha aparência diferente? Isso parece ridículo demais para ser verdade.

Na minha cabeça isso não explica nada, então a minha única saída foi tentar entender o que eles falavam entre si por meio dos gestos, expressões. Acabo por chegar na minha mesma conclusão, todos apresentavam uma postura superior quando estavam perto de mim, então será que toda essa punição era por causa dos meus cabelos e olhos escuros? O que os fazia ter essa superioridade em relação ao resto das pessoas aqui? Não havia nenhuma explicação plausível para tais torturas.

Foi nesse dia que eu comecei a me revoltar. Mesmo que eu só pudesse tirar conclusões a partir das minhas especulações.

Eu não entendia de onde vinha todo esse ódio. Nunca entenderia.

Ninguém conseguia me explicar nada do que estava acontecendo quando eu tentava começar um diálogo, todos sempre me ignoravam, talvez por não falarem o meu idioma.

Não demorou muito para que o meu ódio se transformar em raiva e eu começar a atacar os guardas. Apesar de nas primeiras vezes eu apanhar bastante, aquilo se tornou uma espécie de treinamento para quando

completasse um dos meus planos de fuga. Entretanto, nenhuma dessas minhas ideias acabou se concretizando.

Alguns dias depois, eu comecei a perceber um comportamento diferente dos guardas, como se eles me observassem mais que o normal, estranhei, mas achei melhor não falar ou fazer nada, não queria ser punida por mais uma atitude minha.

Para minha surpresa, eu comecei a receber mais comida semanas depois de toda essa observação patética, bem como recebia aulas de uma mulher para aprender a falar um idioma novo. Tentei várias vezes questionar as atitudes deles, já que ninguém havia me dado uma explicação lógica do que estava acontecendo, e o porquê do meu tratamento especial, porém nunca recebi uma resposta direta. O único motivo para eu não me rebelar novamente, era a minha apreciação a essa língua nova que estava aprendendo, bem facilmente por sinal.

~*~

Quando um dos guardas apareceu aqui, parecia ser mais um típico dia de treinamento ou talvez aperfeiçoamento do Haugri, o idioma novo que eu tenho aprendido durante esses três anos. Mas nós acabamos seguindo por corredores que eu nem sabia da existência, mesmo tendo passado praticamente a minha vida toda aqui.

No caminho, cruzamos uma sala espelhada, onde pude ver de relance meu reflexo. Era a primeira vez que não me deparava com a minha aparência acabada através de uma poça de água lamacenta. Mal reconheci as minhas pernas torneadas os meus cabelos compridos.

Passado o meu choque, perguntei a um dos guardas onde estamos indo, recebendo como resposta que vamos ver a capitã, apesar de a princípio não entender o que isso significa, decidi seguir o grupo sem hesitação

Uma porta grande, feita de madeira maciça toma forma no final do corredor, onde se pode ler "Confidencial" escrito com letras prateadas.

—- Nosso caminho termina aqui, agora só basta você abrir a porta. -- Um dos guardas diz, parando a poucos centímetros dessa, não dirigindo o olhar a mim.

A sala foi cuidadosamente pintada de branco só que diferentemente das celas, realmente parecia bem pintada. Mas as surpresas não acabaram por aí, no centro do pequeno cômodo, se encontra uma pequena mesa, onde quatro garotos com aparência asiática, me olhavam com o mesmo semblante confuso que o meu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.