Á Leste
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu tinha 12 anos e faltava uma semana pro meu aniversário de 13 quando a minha madrasta decidiu pegar no meu pé pra valer! Sempre disse a mim que eu deveria trazer algum "lucro" para a casa ou então que eu só trazia prejuízo. Ela era uma mulher ruim, uma ex-dançarina e estava casada com meu pai à mais ou menos uns 5 anos. Na frente dele, ela conseguia ser a melhor pessoa do mundo, porém, quando ele virava as costas ela descontava as frustrações da vida pobre dela naquela vila em mim. Por conta própria ela decidiu me empregar numa casa, disse que o dinheiro que eu receberia seria bom e ajudaria em casa, meu pai se recusava incansavelmente, sempre dizia:
– Ela é jovem demais para ir trabalhar como empregada nessas casas de gente rica e mesquinha! E eu posso sustentar a casa.
Nada a convencia de que não era necessário mais uma renda pra nossa casa... Num dia em especial, meu pai saiu para trabalhar. Ele era comerciante e vendia algumas frutas e ervas que cultivava por lá, ganhava pouco mas era o suficiente.
– Josué, tenha um bom dia!– Susana dizia.
–Obrigada querida! Cassandra quer me acompanhar? Hoje aparecerão alguns saltimbancos por lá, você adora eles.– meu pai disse.
– Tá bem, vou só me arrumar e já vou.
Nesse instante, Susana puxou meu braço com força e disse, baixinho:
– Você não vai a lugar algum, querida.
Odiava aquilo, quem é que ela pensava que era? Senti uma imensa vontade de socar aquela cara feia dela.
– Me solta sua maluca, você tá me machucando.– eu disse.
– Josué, Cassandra decidiu passar o dia comigo e me ajudar nos afazeres de casa e não se preocupe, estará em boas mãos.
Eu tentei me soltar, mas ela prendia meu braço com muita força.
– Tudo bem então, volto logo, até queridas.– meu pai disse e se foi.
Susana me puxou até a janela e começou a acenar para meu pai, que retribuiu. Logo ele e seu grande cavalo negro viraram a estrada e nada mais se viu deles. Então ela disse:
– Vamos.
Ela foi me puxando, até uma casa grande que havia bem perto da nossa. Eu não saia muito, não conhecia muita gente, então pra mim era apenas uma casa de algum desconhecido. Ela parou bem na frente do portão e gritou:
– Vera Lúcia!
Uma mulher meio cheinha, que aparentava ter uns 30 anos saiu pela porta da frente. Seu cabelo era muito grande e negro, o que era muito comum por ali. Ela tinha uma expressão hostil no rosto, mas seus olhos eram gentis. Ela olhava com aquela expressão de hostilidade no rosto não para mim e sim para a minha madrasta. Vera disse:
– Essa é a garota?
– Sim, vou deixa-lá e ela pode começar hoje. Volto lá pelas 19hrs.
Ela acenou com a cabeça para dentro da casa, segui a mulher e me deparei com uma das casas mais bonitas que já vi na minha vida. Os móveis eram luxuosos, o que ficava totalmente fora dos padrões da nossa vila, onde até as casas mais ricas aparentavam ser pobres perto daquela. Ela disse:
– Olá, já deve saber que me chamo Vera Lúcia, sua madrasta a ofereceu como uma criada. Saiba que eu não sou uma maluca exploradora, só quero que lave e passe algumas roupas e ganhará 50 moedas de prata para isso. Só precisa aparecer aqui uma vez por semana.
– 50 moedas de prata? Isso tudo?– eu disse, boquiaberta.
Ela me olhou e sorriu.
– É, temos uma boa situação e dinheiro não é problema.
Atrás dela, havia um garoto de no máximo 15 anos, com cabelos negros despenteados, muito bonito. Ele era silencioso, nem tinha percebido a sua presença.
– E eu começo por onde?
Vera apontou uma pilha média de roupas sujas e eu me encaminhei para o serviço.
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