Notas iniciais
O nosso protagonista revela seu quase romance com Estrela uma menina virtual.
Eu estava mais uma vez em meu quarto, deitado em minha cama, olhando para o teto e tentando compreender o que havia de errado comigo e o porquê de não ter me apaixonado ainda, o porquê de não ter vivido um romance como via nos filmes e em meus livros. Será que nunca serei amado por ninguém? Será que minha vida viverá em minha mente para sempre? Será que minhas aventuras serão para sempre imaginarias, frutos criados pela minha própria mente para tentar ocultar o fato de eu ser um completo fracassado patético? Acho que se eu for por esse pensamento chegarei a uma real e triste conclusão, que minha vida foi e continuara sendo uma fantasia, um simples e sozinho pensamento vazio, executado por alguém mais sozinho e vazio ainda. Certa vez, enquanto mexia em meu computador, achei uma menina que morava em uma cidade distante daqui. Seu nome era desconhecido, eu a chamava de Estrela, por causa de sua foto de um céu estrelado. Ela nunca mostrou seu rosto para mim. Nós só conversamos por mensagens, nunca consegui ouvir sua voz ou sentir seu cheiro. Embora sendo virtual, foi a única pessoa com quem tive um quase relacionamento amoroso, uma quase historia de amor, uma quase vida. Ela tinha um verdadeiro dom para escrita, fazia poesias para mim quase todos os dias. Sua poesia era romântica e emocionante, varias vezes me peguei chorando ou ao menos lacrimejando lendo seus poemas, eles retratavam a essência de sua alma, ela os escrevia para tapar feridas em seu coração frágil, podia sentir sua dor só de ler algumas frases, seus sentimentos eram transmitidos em poucos versos, dava para notar que realmente havia uma alma muito sofrida escrevendo aquilo uma alma pedindo com todas suas forças ajuda.
Lembro que logo após lhe desejar boa noite e ir dormir, eu reservava alguns minutos antes de pegar no sono para imaginar nossas vidas, como seria nosso primeiro encontro, ela deveria ser linda, cabelos escuros e curtos passando um pouquinho de seus ombros. Usaria um brinco na orelha esquerda de uma caveira com uma pedra prateada e reluzente combinando com sua blusa cinza de ombro caído, estampada com uma silueta de uma coruja preta criando um enorme contraste com o cinza, uma calça jeans preta e apertada; não a ponto de ficar vulgar mas sim, sexy; também estaria usando uma sapatilha preta com alguns minúsculos detalhes dourados ao seu redor.
Certa vez ela mencionou que não gostava de se maquiar, mas estaria maquiada nesta ocasião especial, estaria de batom vermelho fraco e sombras nos olhos destacando ainda mais seus olhos castanho claro de dar, que são de dar inveja a qualquer um. Seus cílios compridos e delicados completariam esta linda paisagem que era seu rosto. Seu caminhar seria um pouco engraçado e lembraria um pato devido a sua enorme timidez, seguraria sua bolsa preta e pequena o tempo todo por falta de o que fazer com suas belas mãos que mais parece luvas de tão macias, suas unhas um pouco compridas seriam pintadas de uma cor parecida com bordô, porém um pouco mais escuro. O encontro seria no circo. Sim, eu sei. É um lugar um pouco estranho para um primeiro encontro, mas lembro-me que dissera que circos era seu lugar preferido, pois lembravam seu falecido pai que sempre a levava para ver o mágico com seus incríveis truques e os palhaços sempre hilários. Encontraríamos-nos bem na entrada do circo para podermos comprar pipoca ou talvez churros. Quem sabe até os dois. Sentaríamos nas cadeiras do meio porque os palhaços sempre vão lá fazer brincadeiras com a plateia, e seria muito legal fazê-la esboçar felicidade enquanto interage com o palhaço. Depois disso há levaria para casa e lá aconteceria um dos eventos mais mágicos de nossa historia, o primeiro beijo; Algo que me leva a pensar em nosso casamento e em que nome daríamos para nosso pássaro de estimação. Estava pensando em um nome bem chamativo como Roger ou Fred, e qual seria a cor da pia do banheiro. Ela teria que combinar com o vaso, talvez? E o vaso teria que combinar com o chão ou com as paredes? Qual seria o andar de nosso apartamento ou o bloco? Quero que tenha algo haver com o numero sete, pois sou fissurado por esse numero. Ele me traz sorte, embora eu não tenha muita. Pelo menos ele me traz a pouca sorte que tenho. Nosso apartamento terá uma vista bonita para o morro e todo final de tarde reuniríamos as crianças sentaria na varando e ficaríamos lá observando o mágico pôr do sol. Os momentos em família são lembranças que você levará para a vida toda, então creio que é importante que sejam bons momentos.
O curioso é que eu não conseguia pensar no fim de nossa historia. Eu preferia pensar que seríamos eternos, que nosso amor será levado por toda a vida e quem sabe ela já não seja e essa é uma de nossas vidas juntos? Mas infelizmente parece que não é a nossa vida juntos, nunca existiu uma vida quem dirá varias! Ela sumiu de minha vida, sumiu de minhas conversas só não sumiu de meu coração, fico imaginando o que deve ter acontecido, ela finalmente arrumou alguém decente para ela ou viu que era patético demais conversar e trocar poemas e historias comigo. A única coisa que ela deixou foi um pequeno aviso com as seguintes palavras escritas “Quem sabe um dia”, juro que tentei decifrar essa frase de todas as maneiras possíveis, mas realmente não fazia sentido no contexto de nossas mensagens, será que isso foi uma maneira cruel de me deixar? Além de abandonar-me, ela deixara algo para quebrar meu coração cada vez mais enquanto tento decifrar sua mensagem? Bom, se seu plano era esse, funcionou perfeitamente!
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