À procura do passado
2 Um susto
Ressa sentiu o cano da arma em sua cabeça, o garoto ainda segurava a sua mão. Ele estava suando frio, a sua respiração era pesada. O homem segurava o pulso da garota com força e a puxava cada vez para mais perto de seu corpo.
—Não se mova.- ele falava tão baixo que suas palavras não passavam de suspiros, Ressa teve que se esforças para ouvi-las. -E mande seu namoradinho fazer o mesmo.
—Ele não é meu namorado-ela respondeu entre os dentes.
—Dane-se! Me sigam! — Ele respondeu. Dessa vez as palavras não eram baixas, mas altas e grosseiras.
O homem apertou o braço de Ressa com mais força e a puxou, fazendo com que ela caísse.
—Levante-se! Agora! Não tenho tempo a perder com vocês, tenho que fazer meu trabalho- ele falou ríspido.
—O que você que de mim? — A menina perguntou em um tom agressivo- o que você quer de nós?
—Eu não quero nada de você, mas meu chefe quer. Agora. Vamos. Fiquem quietos e andem.
Ele a levantou e colocou a arma de volta em sua cabeça. O medo tomou conta do corpo dela, ela usava toda a força para parar de tremer, mas não era suficiente. Então apenas continuou a arrastar seus pés.
—Ande! Garoto, estupido, ande! — Ele falou e apontou para o garoto que estava paralisado, seus ferimentos pareciam maiores, ele lutou para andar, a dor cada vez mais aparente em seu rosto parecia atrapalhar seus passos.
—Para onde vamos? O que vai fazer conosco? — Ressa perguntou- homem! Me responda! Para onde vamos? Você vai nos matar?
—Primeiro meu nome não é homem, é Joe. E segundo você faz muitas perguntas. Agora, andem.
Joe puxou os dois, fazendo com que os dois mal se mantivessem em pé. Eles andavam rápido, por meio de uma rua suja. As palavras não pronunciadas faziam com que Ressa se arrepiasse e tremesse de medo. Quando olhou para o menino viu que seu rosto estava pálido, o sangue ainda escorria de seus ferimentos, que pareciam só aumentar e nunca curarem.
—Fiquem aqui-falou Joe- e nem pensem em fugir- será pior para vocês.
Eles estavam em frente a um galpão que parecia ser abandonado. A porta do lugar estava levemente aberta, deixando vazar gritos de raiva, xingamento e frases que não eram possíveis de entender. Até que os barulhos cessaram dando lugar a um silêncio perturbador.
—Ressa, o que vamos fazer? — O garoto quebrou o silencio- não podemos simplesmente ficar aqui e ver eles fazerem o que quiserem conosco. E está muito frio aqui fora, estou cansado.
Ele tremia, mas não era de medo, era de dor. Ressa colocou tocou a testa do menino e percebeu que ele queimava em febre. Ela colocou a mão no ombro dele e o puxou para perto, na tentativa de fazer com que ele se sentisse melhor. Eles se abraçaram se apoiando um no outro. Mas eles foram despertados de seus momentos de descanso com um som de uma arma sendo disparada.
Ressa sabia que alguém tinha morrido, mas não sabia quem.
Fale com o autor