À procura de uma resposta
2 O bilhete
Notas iniciais
Passei o resto da manhã com uma sensação estranha e pensativa. Arthur me aconselhou a ir para casa e descansar pois devia estar confusa, e que se precisasse de ajuda era só ligar para ele que iria até minha casa.
No caminho para casa, perdida em meus pensamentos ouço alguém gritar meu nome. A primeira vez ignorei, mas a pessoa insistiu. Então olhei para os lados e vi quem me chamava.
–Sofia! Até que enfim você me escutou. Como você está?
–Desculpe, mas quem é você?-Perguntei levantando uma das sobrancelhas.
–Ah é, ainda não fomos apresentados. Me chamo Cristian. Te salvei de ser atropelada hoje cedo, está lembrada?
Sim, eu sabia que era o garoto com quem havia esbarrado mais cedo e que tinha tomado conta de meus pensamentos durante boa parte da manhã, mas não podia deixar tão na cara.
–Ah sim! Mas como sabe meu nome?-Perguntei intrigada.
–Tenho meus contatos...-Disse ele olhando para cima.
Ficamos conversando por mais um tempo, incrível como ele sabia me distrair. Já eram 14:00 horas e eu não ainda não havia chegado em casa.
–Ei, olha a hora! Foi bom conversar com você, mas eu tenho mesmo que ir. -Disse eu já me retirando.
–Mas já? Espera! Você está livre hoje a noite? -Perguntou-me segurando meu braço.
–Você está me convidando para sair?
–Talvez... Pode me encontrar na praça central às 20:00? -Respondeu sorrindo.
–Está certo, eu vou!
Ele sorriu novamente e eu retribui, nos despedimos e cada um seguiu seu caminho. Chegando em casa percebi um recado na geladeira:
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Tive que levar seu irmão para o futebol.
Seu almoço está na geladeira, se precisar de algo me ligue.
Dei folga pra Carmem então não espere por ela hoje.
Beijos do papai e do Dudu!
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Pelo visto estava sozinha em casa. Nem almocei, fui direto para o quarto e liguei pro Arthur pedindo ajuda com o bilhete, e ele disse que chegaria em alguns minutos. Enquanto ele não chegava resolvi ler novamente.
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Sua mãe está viva. Se quiser encontrá-la siga as instruções que estarão no lugar descrito no verso deste bilhete. Você tem até amanhã para confirmar sua busca, caso contrário sua mãe sofrerá as consequências.
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Minha mãe Aline havia desaparecido à 4 anos, era um dia de chuva e ela tinha saido para ir ao mercado sozinha. Eu queria ter ido junto mas estava muito frio e ela não queria que eu ficasse doente se pegasse chuva. Depois daquele dia ela nunca mais foi vista, meu pai contratou detetives mas após dois anos de procura sem sucesso eles desistiram e nos fizeram acreditar que ela estaria morta. Bom, eu nunca perdi minhas esperanças apesar do que me diziam, que era melhor aceitar isso, e que ela devia estar em um lugar melhor e aquilo tudo que dizem quando estão querendo nos "ajudar", mas eu sentia que aquilo não era verdade, ela não podia ter morrido. Será que aquele bilhete era uma pista verdadeira? Eu devia acreditar? Tantos anos haviam se passado, porque aquilo agora?
Despertei-me desses pensamentos quando ouvi a campainha tocar. Fui logo abrir e fiquei mais tranquila quando vi que era o Arthur, pedi que entrasse logo e fomos para o meu quarto. Ele era o único que sabia da história completa sobre a minha mãe, então decidi pedir ajuda a ele. Quando chegamos ao quarto ele pegou o bilhete em minha cama, leu-o novamente e disse:
–Então Sofia, você vai mesmo se arriscar?
Pensei um pouco, no que poderia acontecer, se tinha algo a perder e então surgiu em mim uma vontade de acabar logo com aquilo e respondi:
–Acabei de decidir que sim! Então, você vem comigo? -Falei estendendo a mão para ele.
Ele me respondeu que sim, apertou minha mão e logo me puxou para que eu caísse na cama, conversamos um pouco e então decidimos como seria o dia seguinte:
Naquela manhã ao invés de irmos para a escola nos encontraríamos na pracinha ao lado da casa dele e iriamos juntos descobrir quais eram as instruções que teríamos que seguir. Já era tarde quando Arthur foi embora.
E só então lembrei-me do "encontro" que teria às 20:00 com o Cristian, tomei um banho rápido me vesti com uma calça jeans escura e uma blusa que havia ganhado de aniversário do meu pai, uma regata de alças finas branca e como já estava atrasada peguei um casaco qualquer, avisei meu pai que acabara de chegar que eu iria sair e chegaria mais tarde. Fui logo para o lugar marcado torcendo para que ele não tivesse desistido de me esperar.
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