À centenas de milhas
1 Capítulo 1
Ao enroscar meus lábios aos teus e sentir toda àquela noite úmida, caindo lá fora, ao pertencer dos vidros da janela um tanto quanto embaçados, eram apenas o calor de dois corpos vivenciando um amor quente, entre quatro paredes. Contudo, ambos sabiam que estavam no momento certo e nada tinha mais importância do que aquele tempo, ao pertencer de sorrisos embaraçados, abraços apertados e beijos apressados, ao feitiço de um poço de amor, dois corpos inseparáveis, onde ambos estavam conhecendo cada esquina de um físico.
O ecoar de gemidos e suspiros profundos, saciáveis; era inexplicável, a cada toque e a cada ângulo de um corpo incandescente como àquele. Ora se perdiam, ora se achavam. Para eles, o amor estava no ápice e faziam de todas às formas incorpóreas, migalhas, à dependência de um escuro e um silêncio comprometedor.
Eram dois corpos entrelaçados ao ardor de uma lareira intensa de desejo e ensejo, em uma noite úmida e fria. A telepatia movia olhares e vontades, movia sonhos e comportamentos, movia o universo de dois seres, de dois âmagos. O crepúsculo do amor fazia flutuar dois físicos perdidos, sobre um mundo desajeitado. Os lábios dela pousavam sobre o dele, assim como uma borboleta pousa sobre uma flor. Ela era a noite, ele era o dia. Ela sentia perpetuamente e ele, a milésimos. Ela era o vice e ele, o versa. Eles eram o tempo, o sentido, eles eram como o vento, o atraído, o subentendido.
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