À Sua Maneira
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O sol entrava pela janela aberta. Fui despertado de meu sono ao sentir seu calor em minha pele, meus olhos ainda estavam fechados mas pude notar que algo estava faltando. Há poucos horas atrás sentia um alguém deitado sobre meu braço, acariciando meu peito me agraciando com sua imagem angelical e seu corpo escultural, mas agora o lado que ela ocupava estava vazio. Ela havia ido embora de novo.
Abri os olhos e olhei com raiva para a cama que agora era ocupada apenas por mim. Arranquei os lençóis de cima de mim e andei até o banheiro, abrindo a torneira jogando um pouco de água em meu rosto ao observar meu reflexo minha raiva por ela só aumentou.
Rosto pálido,cabelos desgrenhados, olhos fundos e avermelhados, barba por fazer e em meu corpo arranhões e mordidas tão visíveis quanto minhas tatuagens. É assustador a maneira como fiquei hipnotizado por uma mulher tão selvagem.
-Ela é louca, Jared! -Disse a mim mesmo. -E você é ainda mais por correr atrás dela.
Tomei um banho gelado, me livrando de seu perfume que infectara meu corpo, desejava também poder me livrar das lembranças dela mas isso era algo impossível de se resolver dessa maneira. Vesti minha calça jeans e a camisa preta que estavam jogados pelo quarto de motel, a localização dos meus sapatos ainda permanecia desconhecida. Era apenas um quarto relativamente grande e um banheiro, que a propósito estava um completo caos parecia que um terremoto havia passado por lá. Como de costume eu estava bêbado, bom eu não me lembrava de beber, mas era fácil descobrir tinha apenas que considerar alguns fatos importantes: Minha cabeça doía como se eu tivesse a batido na parede a noite inteira. Não lembrava de absolutamente nada da noite passada, e até onde eu sei as pessoas sóbrias lembram e isto prova que estava muito bêbado e a maior prova de que estava totalmente embriagado era ter dormido com Keira Winter de novo. Aquela miserável desprezível que me inferniza a mais de um ano, parece que ela veio a terra só para me enlouquecer e ela fazia isso com sucesso.
Me joguei no sofá forrado com um coro vagabundo, eu não podia esperar mais de um lixo como aquele. Além de tudo, ela ainda me abandonava em um motel no fim do mundo. Pendi minha cabeça para trás e deixei meus olhos vaguearem pelo lugar e acabei me deparando com uma garrafa de Whisky sob uma mesinha ao lado do sofá, ao pegá-la notei o cartão que a acompanhava.
Aproveite o café da manhã, sei que ela será útil quando estiver chorando por mim .
Sua amada, Key.
-Amada? Você é uma desgraçada. -Vociferei tencionando tacar aquela garrafa na parede. Mas ao observá-la melhor decidi que tinha fins mais úteis para ela. -Que belo café da manhã.
A abri e a levei a boca virando-a de uma vez quase acabando com ela em um só gole. Ela estava me transformando num alcoólatra. Em pensar que em pouco tempo atrás eu só vivia para a música, minha banda de punk rock era tudo para mim jamais a deixei de lado por garota alguma mas essa era completamente diferente. Ao pensar nela fechei meus olhos mas isso só a fez se tornar mais real para mim, era como se pudesse sentir o perfume de seus cabelos, a maciez de sua pele, o sabor de seus lábios, e pudesse ver seus olhos hipnotizantes e seu corpo irresistível. Abri imediatamente meus olhos me arrancando do transe que costumava embarcar quando ela surgia em meus pensamentos, precisava pensar em outra coisa, apanhei meu celular do bolso da calça e eis as inúmeras mensagens principalmente as de Finn, meu guitarrista e melhor amigo.
Cadê você, Jared?
Haviam umas cem fazendo a mesma pergunta.
Porra, Jared! Cadê você? Hoje temos um show e você faltou no ensaio, é bom que você apareça no show senão eu juro que te mato.
Puta Merda! Temos um show. Graças a mulher fatal eu me esqueci de tudo, até mesmo da minha amada banda que está se ferrando sem mim, o vocalista. Isso tem que acabar agora. Eu vou ir atrás dela e dizer que tudo acabou. Me levantei decidido mas uma tontura surgiu me fazendo cambalear e cair sentado no sofá.
-Ela fez questão de me deixar bêbado só pra eu não ir atrás dela. Tudo bem, então eu ligo e acabo com isso.
Novamente peguei meu celular e disquei seu número mas foi direto para a caixa postal onde pude ouvir sua sedutora voz.
-Keira! Keira! Keira! -Inicialmente repetia seu nome com tanto furor que até parecia ser um palavrão mas aos poucos foi se tornando como uma súplica, um chamado por ela.
Louco. Aqui está a palavra que me define, a noite passada ela dormiu no calor dos meus braços, quando estamos juntos é como se fosse um sonho, sempre tento descobrir se é realidade ou pura ilusão. Talvez este seja meu castigo, a vida inteira fui um cafajeste mulherengo, nunca me importei com quem iria me magoar só me importava comigo mesmo mas para o meu azar existe uma versão feminina de mim que segue o mesmo estilo de vida que eu e infelizmente me apaixonei por ela.
-Apaixonado por ela?-Indaguei a mim mesmo e minha mente imediatamente assentiu. Levei as mãos a cabeça lamentando meu lastimável estado. Estar apaixonado por ela significava tormento eterno.
Por horas fiquei sentado naquele sofá tentando decidir o que fazer da minha vida. Se você já tentou fazer isso sabe o quão difícil é chegar a uma conclusão. Joguei o cigarro sobre a mesa, eu nem fazia ideia de quantos tinha fumado mas presumia ter sido muitos, afinal o cinzeiro já estava lotado. Olhei o relógio que marcavam 23h. Em vinte minutos meu show vai começar e é nele que vou pensar.
Encontrei meus sapatos, vesti minha jaqueta e bati a porta do quarto finalmente me libertando daquele purgatório. Desci o mais rápido possível as escadas chegando ao estacionamento, subi em minha moto e a dirigi e, alta velocidade.
Em poucos minutos cheguei. O show era em um lugar fechado e muitos se exprimiam só para nos ver. Entrei pela porta dos fundos e dei de cara com Finn que por sorte estava ocupado demais para brigar comigo. Só tive tempo de jogar uma água no rosto para acordar do transe em que estive preso o dia inteiro e peguei minha guitarra correndo ao palco. Assim que entramos fizeram um alvoroço, ao começarmos a tocar o pessoal foi ao delírio.
Era incrível. Ver todos pularem, gritarem e cantarem sua música com tanta animação. A sensação de estar no meio daquilo sentindo a emoção e a paixão deles pelo que você faz, isso sim vale a pena. Não perder tempo correndo atrás de alguém como ela. Finalmente o som dos instrumentos, da música e da multidão me fizeram tirá-la da minha cabeça era maravilhosa a sensação de liberdade que me dominava quando estavam em cima daquele palco.
Assim que o show acabou e outra banda subiu no palco. Corri no camarim apenas para deixar minha guitarra, eu precisava ir pro meio daquela multidão e voltar a ser quem eu realmente sou. Me virei e me deparei com ela, parada na porta de braços cruzados, me olhando com seus olhos desafiadores, sua boca esboçava um sorriso confiante, e para minha perdição ela estava linda como sempre, usava uma saia preta curta, blusa branca com o nome da minha banda e seus longos cabelos escuros pendiam por seus ombros e costas.
-O que está fazendo aqui?-Perguntei num tom áspero desviando o olhar daquela bela mulher traiçoeira.
-Eu vim te ver. -Sorriu ela cinicamente dando alguns passos em minha direção, ao se aproximar acariciou meu rosto.-Você estava incrível como sempre.
E lá estava eu, me deixando hipnotizar por aquela cobra. Não, desta vez as coisas vão ser diferentes.
-Eu cansei de perder meu tempo com você, Keira.-Disse me afastando de seu toque.
-Quando estamos juntos nunca é perda de tempo. -Sussurrou ela se aproximando novamente de mim, desta vez me pressionando contra a parede.
-Hoje eu acordei e você havido embora de novo, eu cansei disso.- Murmurei vendo seus olhos queimarem ao se encontrar com os meus. Qual é, Jared! Era assim que eu pretendia me livrar dela? Eu sou um homem poderia facilmente afastá-la de mim e ir embora, mas eu sabia a verdade, eu não queria afasta-la, não queria ir embora.
-Eu prometo que essa foi a última vez. Amanhã quando você acordar eu estarei ao seu lado.-Sussurrou ela docemente, ouvir aquelas palavras foi a minha perdição.
Ela levou uma das mãos a minha nuca e aproximou seus lábios do meu dando uma leve mordida em meu lábio inferior e me beijou. Eu era um idiota por estar ali, cometendo o mesmo erro pela milésima vez. Mas sentir o sabor de seus lábios, sua língua na minha, seu corpo se colar com o meu. Em poucos segundos minha camisa estava no chão e nossas posições trocadas, agora ela que estava escorada na parede com suas pernas ao redor de minha cintura, nossas línguas se entrelaçavam em um beijo cálido e feroz. Sentia todo meu corpo queimar a cada toque dela e tudo o que eu mais desejava é que ela estivesse comigo ao amanhecer.
Novamente o sol invadia o quarto, queimando minha pele me fazendo acordar. Pela primeira vez, eu acordei calmo e feliz, porque sabia que ela estava ao meu lado. Me virei lentamente abrindo meus olhos ansioso para ver seu lindo rosto, mas não era bem seu rosto que vi.
Uma garrafa de vodka com um rosto sorridente desenhado nela e um cartão com a seguinte mensagem:
Você nunca aprende, Jared!
-Ah! De novo não!-Gritei levando o travesseiro ao meu rosto, me odiando amargamente.
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