Notas iniciais
Oi gente! Espero que gostem da minha história logo no primeiro capítulo! :D Comentem, tá?

Eu nunca havia pensado tanto em meu futuro como estava pensando naquele momento. Em dois dias eu atingiria a maior idade e então finalmente ingressaria numa faculdade e, logo após de me formar, iria me casar com o rapaz que a minha família havia arranjado pra mim há muito tempo, talvez desde que nasci. Na nossa cidade, Altus, todas as famílias eram bem tradicionais e costumavam arranjar os casamentos para seus filhos, o que frequentemente dava muito certo.

Na tarde passada, fiquei horas no jardim da minha falecida e amada avó cuidando das flores que ela havia deixado pra mim. Sim, ela havia dito isso com todas as letras: “O jardim é da minha Florzinha.” Vovó tinha várias flores dos mais lindos tipos e cores, e ela sempre me chamava de Florzinha, afinal foi ela quem escolheu meu segundo nome, Flor. Segundo ela, uma garota que se chamava Flor tinha qualidades que uma em um milhão tinham, e que o homem que se apaixonasse por uma Flor seria o mais especial e charmoso do mundo.

A ideia de pensar na imensa cerimônia do casamento fazia meu estômago formigar de tanta empolgação. Eu já havia ido a vários casamentos de algumas colegas mais velhas e das minhas duas irmãs, Lara e Bianca, e mal esperava que chegasse a minha vez. A festa acontecia sempre no mesmo clube, onde havia uma piscina e umas luzes bem bacanas que deixavam o lugar bem romântico. Sem contar com as músicas que tocavam que sempre me davam vontade de conhecer meu pretendente de uma vez.

Naquela noite eu havia adormecido mais tarde que o normal. Eu havia ido para a igreja mas nem o estudo Bíblico fez com que eu me distraísse um pouco, e meus pensamentos voavam tão longe que acabei sonhando com meu casamento. O noivo era tão lindo que eu mal podia acreditar. Alto, moreno, olhos claros, postura de príncipe, olhos ternos e cheios de carinho. Eu estava dentro de um vestido enorme e pesado, mas a cor dele o deixava completamente estranho e inapropriado para a ocasião. Era de um vermelho-paixão bem chamativo, e todos olhavam para mim com um ar de reprovação, inclusive minha mãe que me observava friamente a alguns metros de distância.

Acordei tão assustada que quase pulei da cama. Olhei meu despertador, eram sete da manhã. Eu ainda tinha meia hora para me arrumar e ir para a escola.

– O que foi, criança? – ouvi uma voz na cama ao lado e agora sim sentei de uma vez.

Era minha irmã mais velha Bianca, que estava deitada na sua antiga cama com as duas mãos abaixo da cabeça, como fazia quando morava aqui em casa. Há três anos ela havia casado e estava morando em Cânion, uma cidade próxima a Altus, e estava fazendo Medicina e trabalhando num hospital local como estagiária.

– Bia! – exclamei, frenética. – Eu não sabia que você tinha chegado!

Sem hesitar, pulei na cama dela e a abracei demoradamente. Fazia tanto tempo que eu não a via! Nos falávamos pela internet, mas não era a mesma coisa como sentir seu cheiro de xampu de morango e poder acariciar seus cabelos dourados por horas até ela reclamar. Bianca me retribuiu o abraço com toda ternura que só ela podia me oferecer, e então sentamos na cama de pernas cruzadas, uma de frente pra outra.

– Como você está, Florzinha? – Ela me perguntou.

– Sentindo sua falta – eu disse, tentando engolir o nó na minha garganta.

– Eu também. Mas não vamos falar sobre saudades agora, tudo bem? Me diga, como você está?

– Estou bem... Bem ansiosa, na verdade. – Eu sorri. — Meu aniversário é daqui dois dias.

– Eu sei disso – Bia cutucou minha barriga.

–Ai! – reclamei por causa da força que ela colocou. – Você não devia mais fazer isso! Já é uma mulher casada.

– Ainda sou sua irmã, engraçadinha – ela fez um gesto de desdém com a mão. – Ainda posso fazer o que quero com você.

– Você nunca fez o que quis comigo.

– Ah, não? – Bia sorriu de um jeito infantil– E aquele dia que forcei você a entrar no quarto da mamãe e pegar o creme antiacne dela?

– Sim, mas isso foi...

– Ou aquela vez que eu disse pra você pegar o martelo e uns pedaços de madeira da garagem do papai pra gente brincar de carpinteiras?

– Bia, isso não...

– Também teve aquela vez que eu mandei você pegar o diário da Lara pra gente saber o que ela achava do pretendente e...

– Bianca! – dessa vez fui eu quem interrompi. – Você está falando demais, de novo. Pensei que havia perdido esse hábito.

– Ah, desculpe – Bia deu uma risada – Eu só... estava com saudades de fazer isso.

Sua expressão ficou meio triste de repente.

– Por quê? Aposto como você fala o tempo todo na sua casa.

– Não, quero dizer que... estava com saudades de conversar com você. – Ela não estava mais sorrindo como antes. Algo me dizia que não era só a saudade de mim que a incomodava.

Eu a abracei novamente, na tentativa de fazê-la sorrir de verdade. Deu certo, como sempre. Se tinha uma coisa que fazia minha irmã feliz era quando eu demonstrava o quanto a amava, e nunca medi esforços para deixar isso bem claro à ela. Nossa irmã Lara era uns cinco anos mais velha que ela, então nossos hábitos eram bem diferentes pela distância da idade. Bia e eu só tínhamos três anos de diferença, então éramos muito próximas. Eu chorei quatro dias seguidos quando ela casou e se mudou. Era quase como se metade de mim tivesse partido e a outra metade que ficara não servia mais pra nada. Com o tempo fui me acostumando e até descobrindo um pouco mais sobre mim mesma. Eu me consolava ligando para ela ou conversando no chat, e aos poucos fui percebendo que ela sempre estaria presente na minha vida, mesmo morando longe.

– Eu nem acredito que está chegando a sua vez – Bia falou um tanto nostálgica. — Parece que foi ontem que nós duas andávamos pela casa de fraldas.

– Não é pra tanto, Bia– Retruquei. – Nós estamos bem grandinhas, aceite isso.

Nós duas rimos, lembrando das travessuras que fazíamos, principalmente com Lara. Eu orava silenciosamente pedindo a Deus que eu conseguisse passar para um curso que tivesse na cidade onde Bia morava, para que pudéssemos nos ver sempre.

Meus pensamentos foram interrompidos quando minha mãe abriu a porta do quarto e suspirou ao me ver ainda de pijamas.

– Pelo amor que você tem a Deus, Annabela – disse – Você não vai querer chegar atrasada no dia do vestibular, não é? Seu pai vai comer todo o pão que assei no forno se você não for tomar café agora.

– Desculpe, mãe – eu disse, disparando para a porta– Só estava matando a saudade com a chatinha.

– Mamãe, não acredito que a prova da Flor é hoje – ouvi Bia falar. – Por que não me disse?

Ah, Deus, o vestibular... Era através dele que eu iria conseguir ou não entrar em um curso legal. Aquilo me dava vontade de vomitar o nada que estava em meu estômago, mas isso passou quando vi os pãezinhos assados da mamãe.

Tentei aproveitar ao máximo aquela refeição, pois depois de um tempo só a teria nos feriados e férias da faculdade.

– Annabela – Bia chegou na cozinha com uma expressão preocupada e começou a fazer uma lista invisível com tudo o que eu tinha que lembrar no teste. Aquilo estava ficando cada vez mais assustador.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.