THE DARK GIRL – Episódio 8

Estávamos na sala de aula. Enquanto aquela professora chata de Inglês estava explicando a matéria, Karla e eu estávamos conversando. Estávamos sentadas nos últimos lugares da fila do canto da parede direita. Digamos que lá nós tínhamos a nossa privacidade. Também, conseguíamos olhar todos aqueles alunos e observá-los.

— E então? Conseguiu encontrar mais alguma coisa sobre Harry?

— Não. – Respondi enquanto eu encarava em Giovanni. Por azar, ele encarou em mim. Eu virei meus olhos de volta para Karla e prestei atenção nela. – Eu não consegui nada dele ou do Giovanni.

Ah não.

— Giovanni?

— Oi? – Droga. Karla havia descoberto que eu havia pesquisado sobre Giovanni.

— Ah não. Não acredito. Não foi você que disse que não gostava do Giovanni? Falou a garota que ficou perseguindo ele no facebook durante o domingo inteiro.

— Podemos parar de falar sobre isso?

— Espera... você por acaso...

— Não! Nem termine essa frase, Karla. Eu nunca me apaixonaria por Giovanni. Ele é...

— Bonito.

— Não. Ele é apenas um cara chato, grosseiro, e rude.

— Nossa, Amanda! Ele é perfeito pra você. – Karla e seus deboches.

{...}

— Ok, alunos. Eu preciso que vocês façam dupla para um trabalho que eu vou passar sobre a literatura inglesa. – Maravilha. Karla e eu iríamos ficar mais tempo juntas. – No entanto, eu devo dizer que tem que ser um casal de dupla.

Como assim?

— Quer dizer, que quero duplas com um garoto e uma garota. Escolham seus colegas e se organizem.

Naquele momento, eu fiquei sem saber em quem escolher. Eu olhei para toda a sala, mas não vi ninguém livre. A sala era composta por garotos idiotas, garotos metidos como Hilgner e garotos sem importância. Kaique estava com Eduarda em seu trabalho, Karla havia ficado com Ryan, um garoto que ela meio que estava afim, e eu estava... só.

Naquele momento, Giovanni então olhou pra mim. Eu desviei o olhar. Eu não iria fazer dupla com ele de nenhuma maneira. No entanto, quando todos se juntaram, imaginem quem sobrou? Imaginem! Sim. Giovanni, e a complicadona aqui. Ele havia feito aquilo de propósito? Havia esperado todos juntarem suas duplas para juntar comigo? Bem, eu tentei evitar, mas naquele momento, uma parte de mim falou mais alto. Uma parte... interna.

— É, Amanda. Eu acho que sobrou a gente.

— É... que pena. – Não fiz questão de olhar pra ele. Não queria ficar outra vez hipnotizada por aquele olhar.

Então, nós nos juntamos no canto da sala. Todos rapidamente ficaram quietos para resolverem seus exercícios ou coisa do tipo. Naquele momento, foi como se Giovanni e eu estivéssemos sozinhos. E eu posso dizer que eu não estava curtindo muito aquilo. Quer dizer... a parte sombria de mim não estava. Mas na hora de insegurança em relação ao que eu sentia por ele, aquela camada protetiva parece ter adormecido dentro de mim. Vadia! Havia me deixado só, com meu nervosismo e meus sentimentos estúpidos.

— E então? Me conte um pouco mais sobre você.

— É... pra quê?

— Bem, eu acho que nós deveríamos conversar um pouco mais. Sabe... começamos com o pé esquerdo lá na biblioteca.

Dei um leve sorriso. Eu tentei escrever qualquer coisa no caderno para desviar a atenção dele de mim. No entanto ficou mais complicado ainda.

— Não tem muita coisa pra saber sobre mim. Eu... eu sempre nasci aqui.

Hum? Que merda foi essa, garota?

Naquele momento, Giovanni riu.

— Ah. Interessante. Bem... eu não nasci aqui... sempre.

Tá. Agora ele estava sendo brincalhão. Aquele momento constrangedor podia acabar ou estava difícil?

— Olha... podemos focar nas atividades do caderno? Eu realmente estou precisando de nota.

— Ok. Acalme-se, não precisa ser grosseira.

— O quê? Agora vai me dizer de novo que eu sou podre?

Porcaria. Eu havia me exaltado. Todos naquela sala de aula ficaram quietos e surpresos quando me ouviram gritar. Giovanni ficou constrangido. Tentei olhar para Karla mas até ela olhou surpresa para mim. Droga! Eu tinha ferrado tudo de novo. Agora ele não iria querer olhar na minha cara.

{...}

O silêncio estava perturbador. Mais perturbador ainda? O olhar de Giovanni. Aqueles segundos demoraram para passar. Eu cobri meu rosto com minha mão e foquei em continuar escrevendo. Giovanni poderia ter feito o mesmo. No entanto, ele fez a seguinte coisa:

— Professora, Dorman!

— Sim?

— Eu queria trocar de dupla. É possível? Eu não estou a fim de ser maltratado por nada.

Nossa. Aquilo realmente havia piorado. Eu ouvi vários barulhos de deboche e caras de espanto por toda parte da sala, seguido de “toma essa”.

O silêncio logo voltou. Eu havia deixado Giovanni realmente com raiva. Eu havia pisado inteiramente na bola. No entanto, minha raiva bateu. Porém, quando eu ia levantar a minha voz novamente e foder tudo de novo, Karla olhou para mim e fez um gesto negativo com a cabeça. Eu então hesitei. Olhei novamente envergonhada para meu caderno e tratei-me de ficar calada.

— É... claro. Se você conseguir trocar... sinta-se livre. – A professora saiu. Na verdade, só para descontrair, ela não estava nem aí. Ela foi fumar seu cigarro no portão da escola.

Naquele momento então, uma das amigas de Hilgner disse:

— O Hilgner aceitou trocar de dupla. – Ah, não! Isso não pode estar acontecendo. – Pode fazer dupla comigo.

— Com prazer.

Lentamente, Giovanni se levantou da carteira e trocou de lugar com Hilgner. Meu pai. O que eu havia feito? Eu havia estragado tudo. Parabéns, Amanda. Você é ótima em tomar decisões. Conseguiu estragar tudo! Yey! Droga.

— Nossa, Amanda. Essa foi feio, em.

— Fica quieto, seu idiota. – Amanda, querida. Cala a boca, vai. Não piore ainda mais as coisas. Esse momento está muito tenso.

{...}

A primeira parte do dia na escola havia terminado perfeitamente. Eu havia irritado Giovanni, havia pagado mico na frente da sala inteira e eu havia conseguido trocar um cara bacana por um... lixo para o meu trabalho de Inglês. Tudo o que eu poderia fazer naquele momento, era colocar meus fones de ouvido e ficar no meu lugar solitário naquele colégio gigantesco.

E foi isso o que eu fiz. Fiquei em um beco separando o muro da quadra de esportes e a parede da sala de aula. Eu então, naquele beco isolado e escuro, começei a chorar. Do nada. Eu nunca havia chorado antes, por causa de nada e de ninguém. Eu estava mais fragilizada do que eu pensava.

O fato é que... Giovanni não saía da minha cabeça. Eu estava... gostando dele.