THE DARK GIRL – Capítulo 9

A minha cabeça estava em outro lugar. Eu não conseguia parar de pensar nele. Eu não conseguia parar de pensar em Giovanni. Desde ontem que as coisas haviam se complicado pra gente. Tudo havia mudado. Dessa vez, os sentimentos dele por mim. Eu ficaria mais um pouco perdida se não fosse Karla.

— Amanda você está aí? – Estávamos na aula de Educação Física. Estávamos observando todos se divertindo, rindo... estávamos em um lugar afastado da quadra de esportes. Havia uma passagem para uma espécie de quintal coberto por árvores abandonado. Digamos que eu, Kaique, Eduarda e Karla íamos naquele lugar para descontrairmos.

— Sim... sim. Eu estou. Pode falar. – Realmente eu não estava ali. Meu olhar se concentrava apenas nele. Em Giovanni. O seu jeito de ser havia mudado. Ele ficou calado desde aquela confusão. Ele ficou pelos cantos, com seus livros. Suas roupas mudaram também. Agora, deixou as cores de lado e usou apenas cores negras e cinzentas. Naquele momento, eu acabei percebendo algo que já estava na cara a muito tempo: Ele gostava de mim. Sim. Ele gostou de mim na primeira vez que me viu. Isso explica porquê ele me defendeu do idiota do Hilgner, mostrou seu olhar para mim durante várias vezes naquele colégio e... o que eu fiz em troca? Eu o destruí na frente de toda a sala de aula. Porquê eu sou uma idiota. Uma burra tremenda. Não percebi... Droga. Aceite, Amanda. Está tudo arruinado.

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Por causa de meu arrependimento que começava a bater em mim, eu fui obrigada a fazer uma coisa. A pedir desculpas para ele. Aquela parte obscura de mim agora havia me deixado. Me deixou invulnerável, me deixou fraca. Mas sabe o pior disso tudo? Eu não estava me importando em sentir daquela maneira. Por esse motivo, lá fui eu. Caçar humilhação.

Giovanni estava lá, lendo. Naquele momento, senti o vento cercar-me. Uma força natural que me dizia: Vá. Peça desculpas. Vá logo.

Eu não parei de olhar para ele. Por esse motivo, deixei Karla falando sozinha.

— Amanda... Espera. Amanda... onde você vai?

— Eu... eu já volto. – Meu coração estava batendo forte. O que eu estava fazendo? E por quê as coisas da minha vida tinham que ser tão dramáticas? Ódio.

No entanto, enquanto eu ia caminhando em direção de Giovanni, eu percebi John, um dos amigos idiotas de Hilgner o cercar. O clima certamente começou a esquentar quando John começou a insultar Giovanni. Eu não consegui ouvir claramente, mas eu consegui ouvir gritos de discussões. Alguns desses gritos diziam: “Seu idiota. Não sabe onde está se metendo!

Giovanni naquele momento se levantou do chão irritado. Ele encarou John nos olhos. E em seguida, deu nele um forte empurrão que fez com que John caísse no chão. Naquele momento, a sala inteira que estava na quadra parou seus esportes e suas conversas para observarem a confusão. Estavam ambos surpresos com a briga que havia se formado.

— Seu filho da puta desgraçado! – John então se levantou ferozmente do chão e deu um soco feroz no rosto de Giovanni. Sangue voou pelo chão. Eu me assustei naquele momento.

— Ei! Ei!!! Ei!!! – A treinadora gritou. Naquele momento, ela e outros garotos vieram para separar a luta dos dois. – Se quiserem brigarem vão brigar na diretoria.

— Fique fora disso, treinadora! Meu papo é com esse merda! – Gritou John. – Ele chega aqui se achando o maioral. Vem caçando lugar para enfiar as garras sujas...

— Do que você tá falando, cara!!!! – Gritou Giovanni com a boca sangrando.

— Você sabe muito bem do que eu estou falando, seu idiota. Você pegou minha namorada!

Ouviu-se barulhos de vaias e gritinhos idiotas dos alunos por toda a quadra. O olhar da treinadora também foi um lixo. Ela estava gostando daquilo. Eu sabia. No entanto, o que John havia dito pra todos me pegou de surpresa e foi como uma facada. Giovanni tinha ficado com sua namorada? Que merda era aquela?

No entanto, eu devo explicar o que realmente havia acontecido naquela confusão:

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Giovanni havia conhecido Bárbara, mas não sabia que ela era namorada de John. Na verdade, Bárbara era uma vadia oferecida. Ela pegou Giovanni desprevenido e Giovanni caiu. Pelo visto, acho que ele era mais ingênuo do que eu pensava. Naquele momento, ela o beijou de surpresa. Uma triste coincidência é que John havia visto o beijo. Acho que agora aquilo explicava a confusão. Por isso, Giovanni tentou explicar. Ele tentou, mas não conseguiu. John estava coberto de ciúmes, ódio, raiva. Não tinha como aquilo acabar bem. Não iria acabar bem.

— Chega, John! Eu... eu acho melhor vocês resolverem esse mau entendido entre vocês. Não acho que isso seja um assunto para o diretor lidar. Estão suspensos da aula prática por uma semana.

— Isso vai ter volta, seu merda! – John saiu irritado daquela quadra. – Isso vai ter volta!.

Todos saíram. No entanto, Giovanni ficou lá, sentado no chão, observando todos saírem. Ele estava constrangido. Estava com vergonha. Eu podia sentir aquilo literalmente. Eu não sabia se seria uma boa hora mas... Com certeza eu tinha que falar com ele. Era minha vez de tentar consolá-lo e... defendê-lo.

Ele então me viu. Me viu de longe. Ele abaixou sua cabeça enquanto limpava com sua camisa o sangue de sua boca. Eu podia ver em seus olhos, que ele estava sofrendo por dentro. Estava com medo de John. Mesmo sendo um garoto forte, com um físico bom, ele estava com medo do que viria a seguir. Eu vi que ele não era de confusão. Ele buscava sempre a paz, a amizade das pessoas. No entanto, o maior erro que ele havia cometido era ser amigável com o pessoal daquela sala. Eles eram monstros. Eu sabia lidar com eles. Eu ficava na minha, mas Giovanni era novo e não sabia das coisas.

— Giovanni. Olhe eu...

— Vai brigar comigo também?

— O quê? Não. Eu não quero confusão... eu...

— Como se você se importasse comigo, não é, Amanda?

Ele se levantou.

— Deixe-me falar... por favor...

— Saia daqui, Amanda. Por favor. Eu quero apenas... ficar sozinho.