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10 Capítulo 10
THE DARK GIRL – Capítulo 10
Os ânimos estavam exaltados. A tarde estava calorenta. Era possível ver no horizonte nuvens negras se formando. Uma tempestade muito forte iria cercar Danger Hill completamente. Estávamos todos quentes. Quentes de emoções, quentes de corpo... Tudo estava uma bagunça naquela terça-feira. Uma terça-feira complicada. Uma confusão envolvendo Giovanni. Um garoto misterioso, que não queria nada além de paz. No entanto, não foi isso o que ele conseguiu estudando naquela sala do segundo ano. Tudo o que ele havia conseguido era um soco no rosto que havia lhe tirado sangue.
— Meu pai! Você viu aquilo? – Karla realmente estava assustada igual a mim.
— Quem não viu era cego, não é, Karla.
— Por quê você está assim?
— Como assim?
— Você está agindo estranhamente nessa semana, garota. Mais do que o normal. Isso... é por causa do Giovanni?
— Sim. Tá satisfeita?
Karla arregalou seus olhos. Ela havia descoberto. Havia descoberto que eu gostava dele.
— Por quê... você não me disse nada?
— Porquê eu não sabia o que eu estava sentindo. Ah, céus. Quando eu vi Giovanni daquela maneira... meu coração ficou... sei lá, era como se alguém tivesse me dado uma facada bem no meio do peito, entende? Eu vi o olhar dele, Karla. Eu vi o olhar dele de desesperado. Ele estava com medo. Ele está com medo. Eu posso sentir isso.
— Você acha que John e o idiota dos seus amiguinhos vão fazer alguma coisa?
— Do jeito que essas pessoas são... eu não duvido nada. Giovanni está correndo perigo nessa sala, Karla. Você viu aquela treinadora idiota? Ela não estava nem aí para eles. Toda essa gente, esses alunos, os professores... são todos interligados. Você sabe do que eu estou falando, não sabe? Quando David estudou com a gente... aquele bullying maldito que eles fizeram com ele...
— Sim, eu me lembro. O pobre garoto não tinha culpa de nada. Apenas era quem era. Mas esses idiotas nunca aceitaram isso. Nunca o respeitaram. Quando eles perseguiram ele no meio daquele corredor, jogando confete em cima dele e chamando ele de burro e de idiota... o garoto caiu nas lágrimas.
— E agora eles estão fazendo a mesma coisa com Giovanni. Esses... merdas malditos.
{...}
E eles não iriam parar. Não iriam parar tão cedo.
Naquele momento que Giovanni entrou na sala, todos ficaram encarando ele. Todos daquela sala o odiavam. As garotas amiguinhas, os garotos do time de basquete, aqueles que se diziam religiosos e respeitosos com os outros... todos detestavam Giovanni. Menos eu. Eu não o odiava. Sentia o contrário. Ele não sabia, mas ele podia ter amigos naquela sala. Haviam pessoas boas naquele lugar. Ele só precisava escolher. Mas... Eu acho que nem pessoas boas como Kaique e Karla iriam querer sua amizade. Achavam que ele estava mentindo. Que ele havia ficado com Bárbara sabendo que ela era namorada de John.
{...}
O sinal havia batido. Eu continuava a olhar para ele. Ele simplesmente fechou seu livro e o guardou dentro da mochila. Não havia escrito nada no caderno. Em seguida, esperou todos saírem para ir embora. Mas eu acho que ele não iria ir tão facilmente.
— Você vem? – Perguntou Karla.
— Eu já estou indo. Ok?
— Vai conversar com ele?
— Eu te ligo depois, Karla. – Eu realmente não queria saber da Karla naquele momento. Não queria saber de ninguém. Pelo visto, agora eu era a segunda mais odiada daquela escola inteira.
Quando eu saí da sala de aula, vi ele saindo da biblioteca. Ele estava se dirigindo para o portão. Realmente, tinha que suspirar profundamente e começar a andar. Não havia outra maneira de tentar superar aquele bullying idiota.
— Giovanni. Podemos... conversar?
Ele parou e olhou para mim.
— Olha, Amanda. Eu não acho que é uma boa ideia, Ok? eu quero apenas que você me deixe em paz.
— Não. Eu não posso fazer isso.
— Ah, céus! Amanda! Por quê tem que ser tudo sobre você?
— Como?
Naquele momento que nós estávamos discutindo. Nós nem sabíamos do que viria brevemente.
— Tem certeza de que seu tio não está em casa? – Perguntou John para um de seus amigos riquinhos idiota.
— Absoluta, cara. A chave aqui.
O garoto entregou a chave para John. Ele estava encostado em um carro branco. Aquela era a chave do carro. O que ele iria fazer a seguir... dá para imaginar.
— Ei, cara! não seja corno. Ok? mostre para esse italianinho de merda quem é que manda aqui. – O garoto bateu no ombro de John e deu um sorriso. Era um idiota sem caráter, realmente.
— Pode deixar comigo. – John mostrou suas sombras naquele momento.
Ele então entrou dentro do carro após destrancá-lo. Fechou a porta, e focou em mim e principalmente nele, em Giovanni. Ele iria atropelá-lo.. Iria ir com tudo para cima dele. O idiota estava prestes a cometer um crime.
— Eu não quero conversar com você, Amanda! Dá pra me deixar em paz? Não viu o que aconteceu hoje? Todos me odeiam! Com você não seria diferente.
Foi então que eu criei coragem. Criei coragem e me aproximei dele. Naquele momento, meu coração disparou feito um raio. Eu encostei em seu rosto e olhei dentro de seus olhos.
— Não. Eu não te odeio. Na verdade, eu queria te pedir desculpas. Desculpas por tudo o que eu fiz. Por ter sido rude... por ter sido grosseira.
— Amanda... por favor...
— Não! você vai me escutar, Ok? Eu sei que eu posso ser uma merda na maioria do tempo. Mas eu quero que você saiba que você mudou tudo o que eu sentia. Eu tenho mais sombras do que qualquer outra pessoa. Eu sou uma pessoa complicada. Mas... quando você chegou, Giovanni. Quando eu te vi eu... eu não sei. Parece que... alguma luz nasceu aqui dentro.
— Amanda não acho que...
— Eu te amo, Giovanni. – Nossa. Aquilo foi um impacto total. – Eu nunca amei ninguém. Acredite em mim. E mesmo sendo tudo muito complicado... mesmo eu sendo complicada... eu quero que você saiba que se você me perdoar pelo o que eu fiz e me aceitar... eu vou te fazer feliz.
— Amanda...
Naquele momento, eu ouvi o barulho do carro se aproximando.
— Está na hora de você pagar, seu filho da puta.
Eu olhei para o carro vindo com força para cima de Giovanni. Eu havia feito aquilo de novo. Um instinto havia nascido em mim como antes. Eu não pensei em mais nada. Apenas em salvá-lo.
Por esse motivo, eu o empurrei para longe da direção do carro e fiquei em seu lugar. Ele não entendeu no início, mas logo deu pra sacar.
Eu foquei apenas eu seu olhar naquele momento. Foquei apenas na sua cara de espanto.
— Amandaaa!!! NÃO!!!!!
Eu não senti mais nada depois. O carro havia me acertado fortemente. Eu havia me apagado. Havia me apagado na mais profunda escuridão. Eu fui disparada a mais de três metros do local do atropelamento. Caí no chão naquele momento. Eu havia o salvado. Havia salvo a sua vida.
Continua...
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