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1 Capítulo 1
THE DARK GIRL – Capítulo 1
O sol estava batendo em meu rosto. Eu conseguia sentir o vento me cercar completamente. Eu estava despreocupada. Eu estava em um lugar completamente calmo e tranquilo. No entanto, essa paz não duraria para sempre.
Abri os meus olhos. Então, eu vi. Eu vi a escuridão cercar o horizonte e chegar até mim naquele campo gramado tranquilo. Ele não era mais tranquilo. As sombras haviam tomado conta dele completamente. Era agora um lugar de trevas. Um lugar que me dava agonia. Que me deixava com falta de ar. Eu não conseguia mais deitar-me na grama e ficar despreocupada. Todos os meus problemas e meus pensamentos negativos vieram a tona naquele momento.
Eu então abri os olhos. Abri os olhos para a realidade. E lá estava eu. Com a cabeça debruçada sobre a carteira. Eu estava na sala de aula. A sala de aula “perfeita”, onde todos eram perfeitos. Que maravilhoso. Que magnífico.
— Amanda? – A professora me chamou a atenção. – Tudo bem?
— Sim. Perfeitamente bem.
Não estava nada bem. As coisas realmente estavam ficando complicadas em minha vida. Principalmente com a volta de meu pai. Quando ele pisou em casa, tudo mudou. As coisas mudaram completamente. Eu não havia acreditado que ele havia voltado depois de ir embora. E adivinha? Ele havia voltado com o seu filho. Sim. Eu tinha um meio-irmão. Que coisa maravilhosa. Harry. Esse era o seu nome. Um garoto extremamente parecido com ele. Com meu pai.
Ainda bem que eu tinha Karla para me fazer companhia. Sim. Karla era a minha melhor amiga. A irmã de todas as coisas pra mim. Ela não era perfeita mas ela era legal. Era mais pequena do que eu. Tinha cabelos cacheados curtos e imitava um visual dos anos sessenta. Como assim? os seus vestidos de bolinha e casuais daquela época e um arco em sua cabeça dava uma noção disso. Mas por mais que ela perecesse inocente, não iriam querer irritá-la. Karla podia ser muito assustadora se ela quisesse. Uma das qualidades que eu gostava nela.
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Aliás, depois daquela aula extensa, observando aquele grupo idiota de alunos falando sobre danças e celebridades, — O que me dava nojo – eu finalmente conseguiria sair daquela escola. A tarde já estava batendo e eu estava preparada para voltar para casa onde a minha vida depressiva continuaria mais forte do que nunca. No entanto, os meus planos mudaram quando eu recebi uma mensagem em meu celular.
“ Olá, querida. Bem... eu não queria dizer isso pelo celular, mas seu pai e eu decidimos voltar a morar juntos”
Meu mundo caiu naquele momento. Como assim?
“ Pode me chamar de maluca, mas eu realmente senti que ele mudou. O objetivo dessa mensagem no entanto, é dizer que saímos para jantar. Sim. Ele me convidou e eu não consegui resistir. Eu espero que você fique bem. Harry está em casa. Eu queria pedir a você para conversar com ele. Ele não se abre muito. Pensei que você poderia ajudá-lo.”
Não. Absolutamente não. Com certeza eu não iria fazer aquilo. Eu não havia gostado da cara daquele garoto. O jeito que ele me olhava me deixava enjoada. Sem brincadeira. Por esse motivo, eu percebi que ficar naquela escola seria mais divertido. Principalmente na biblioteca.
Por esse motivo, esperei todo mundo sair. Em seguida, quando eu não vi mais rastro de ninguém, eu entrei na biblioteca. Eis que encontro ele. Hilgner. O ser que eu mais odiava em toda a minha vida. O Garoto mais idiota de Danger Hill High. E sabe o mais divertido disso tudo? Ele me odiava também.
— O que está fazendo aqui? – Perguntou ele.
— Não é da sua conta. Vá embora e me erra!
Naquele momento, eu vi no canto da biblioteca um garoto. Um garoto alto e desconhecido. Ele estava lendo um livro. Um livro... diferente. Um livro do qual eu extremamente gostava. Drácula. O meu conto preferido. Eu juro que eu nem prestei atenção em Hilgner depois que eu olhei dentro de seus olhos escuros.
O seu olhar penetrante fez meu coração disparar. Como aquilo era possível? Eu nunca havia gostado de ninguém daquela maneira antes. Foi como se eu tivesse visto aquele olhar a muito tempo atrás. Uma espécie de Deja vú cercou minha memória. Uma prisão de pensamentos familiares que eu não conseguia entender. Eu apenas entendia... seu olhar, seu sorriso que ele dava para mim.
Pareceu séculos que eu fiquei encarando ele. Pareceu uma verdadeira eternidade. No entanto, eram apenas segundos. Segundos muito longos. Foi como se eu estivesse em uma realidade alternativa. Onde o tempo estava em câmera lenta ao meu redor.
{...}
— Ei. Você! – Gritou ele.
Hilgner olhou para ele de volta. Aquele garoto havia feito algum tipo de hipnose com o idiota do meu “colega” de classe. Hilgner sentiu um medo perambular seu corpo. Ele não conseguiu manter o olhar fixo no garoto misterioso.
— Vá embora e pare de perturbar a garota.
Eu não consegui segurar meu sorriso. No entanto, logo eu joguei o jogo de pedra. Ser praticamente difícil e rancorosa. Droga! Por qual motivo eu havia ficado daquele jeito?
— Ei, você! – Ele fixou seu olhar em mim de novo. Não sei porquê eu iria ser rude. – Não precisa me defender. Eu sei me defender muito bem sozinha.
— Eu sei disso.
— Sabe? você nem me conhece.
— Escuta aqui, Amanda. Deixe de...
— Vá embora, Hilgner. Vá cuidar da merda da sua vida e me deixa em paz. – Falei calmamente, porém séria.
— Ouviu ela. – Droga, garoto. Não me provoca dessa maneira.
Digamos que eu era uma pessoa difícil de se lidar. Dupla personalidade, talvez? Não sei ao certo. Mas eu sei que minhas ações diziam uma coisa, mas minha cabeça dizia outra coisa completamente diferente. Infelizmente, o garoto misterioso não sabia das vozes de minha cabeça. Apenas de minhas ações. Horríveis, aliás.
— Eu já lhe disse que não precisa me defender. Que droga!
Ele então se calou. Se calou e ficou sério naquele momento. Voltou a encarar a sua leitura. Eu senti uma corrente fria perambular-me totalmente. Senti presa em sua antipatia.
— Como quiser. Mau educada. – Aquilo me fez desmoronar por dentro. Só isso que eu tenho a dizer.
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