verde/prata
12 Meio, III: Pequena morte
Notas iniciais
Scorpius/Dominique
As roupas dos dois sem demora formaram uma pilha emaranhada no chão ao lado da cama. Scorpius deitou-se e puxou Dominique por cima dele, para que ela pudesse controlar a profundidade e a velocidade que desejasse no início. Não conseguia tirar os olhos dela: seus peitos, sua barriga nua, a calcinha de renda que ele agora estava afastando para o lado com as pontas dos dedos.
Com as lentes da sexualidade ele percebia tudo à sua volta como um filme em câmera lenta. A forma como a luz da janela que entrava por uma fresta da cortina batia nos cabelos e no lado do rosto de Dominique. A curva macia de seu ombro, que ele beijava com carinho. Os pelos arrepiados nos braços dela. Ele se sentia atento a cada detalhe e embriagado ao mesmo tempo, como na primeira vez que ele e Albus surrupiaram e beberam uma garrafa de whisky de fogo no dormitório, no quarto ano. Sentiu que não aguentaria muito tempo beijando a ruiva seminua em sua cama.
Para seu alívio, não foi necessário esperar muito mais. Dominique lançou um olhar para Scorpius e fitando-o, seus olhos azuis nos cinzas dele, encaixou-se na posição. Ele segurou firme com as duas mãos nos lados de sua cintura, e ela trincou os dentes, decida, enquanto Scorpius forçou a entrada contra a resistência de sua virgindade.
Dominique soltou um som baixo e involuntário do fundo da garganta e fechou os olhos. Era uma expressão de dor, mas também de prazer e de alívio por finalmente sentir suas carnes se juntando, como ansiavam há tanto tempo. Escutar aquilo foi o gatilho para que Scorpius perdesse o controle; ele virou a cabeça para trás, expondo o pescoço para ela, sem acreditar que aquela sensação poderia ser tão melhor do que ele imaginara. Ele acelerou o movimento e os gemidos de Dominique ficaram mais altos.
Scorpius tentou voltar à concentração, mas sua mente parecia nublada. Por mais que ambos desejassem que aquele momento durasse a tarde inteira, ele ainda era um garoto de desesseis anos em sua primeira experiência, e antes que se passassem vinte minutos, Scorpius sentiu o ápice se aproximando.
Ele pronunciou o nome dela com um sussurro, passando por cada sílaba devagar. Sua voz saiu rouca. Tinha a intenção de alertá-la que estava perto de gozar, mas antes que ele pudesse continuar a frase, ela chamou-o de volta. “Scorpius”, respondeu. Apenas seu nome, dito entre gemidos. Aquela era a primeira vez que ela o tratava pelo primeiro nome, e foi o suficiente. A partir daí, não conseguiu fazer mais nada; seu corpo não reagia. Sua visão ficou embaçada e a mandíbula apertou. Sentiu o orgasmo chegando em ondas, e teve uma vaga percepção da mão direita de Dominique apertando seu bíceps como apoio e seu corpo vibrando em cima dele.
***
Ele demorou vários segundos para sentir que era capaz de falar novamente. Estava ofegante, encarando o teto do dormitório, com Dominique ao seu lado, que deitara-se de barriga para baixo na cama e apoiava a cabeça sobre os braços. Virou-se para ela para constatar que ela tinha os olhos fechados numa expressão tranquila e respirava fundo e devagar, tentando regular sua própria pulsação.
O sentimento confuso do pós-sexo foi crescendo lentamente em seu peito: uma mistura desbalanceada de satisfação e orgulho, junto com um carinho inédito pela garota que havia compartilhado aquela experiência, e um toque de constrangimento agora que haviam acabado. Para não deixar que o pequeno desconforto se tornasse realmente incômodo, ele sentiu-se compelido a fazer algo.
Puxou uma mecha de cabelo de Dominique que lhe caía sobre o rosto, brincando entre os dedos e por fim colocando-a para trás. Ela abriu os olhos lentamente, e ele não conseguiu decifrar o que havia naqueles azul tão intenso.
— Vou lembrar desse momento quando for conjurar um patrono, Delacour. — Scorpius brincou.
Dominique não conseguiu conter um sorriso ao ouvir aquele comentário infame.
— Má ideia. — ela retrucou, lançando um olhar de relance para baixo — Você pode acabar com efeitos colaterais adversos.
Ele soltou uma risada baixinha e aproximou-se para beijá-la outra vez.
***
Eles ficaram por um tempo na cama, trocando mais carícias do que palavras, e nenhum dos dois demonstrou intenção de estourar a bolha que se formara em volta daquele dossel. A tarde de folga foi passando mais rápido do que gostariam, mas eles ainda tiveram tempo para uma segunda vez quando Scorpius ficou disposto novamente. Dessa vez fizeram mais devagar, com o garoto por cima, e aproveitaram mais, pois já não mais se sentiam como se fossem capazes de explodir a qualquer segundo.
Quando terminaram, a realidade caiu sobre aquele encantamento com demasiada seriedade. Ela vestiu-se rapidamente, preocupada que Albus ou algum outro garoto do quinto ano da Sonserina regressasse antes do previsto do passeio em Hogsmeade. Ela juntou sua capa e a gravata do chão e Scorpius certificou-se que o corredor estava vazio antes de abrir a porta para deixá-la sair do quarto.
Os colegas chegaram cerca de uma hora e meia depois, quando Scorpius já havia tomado outro banho e voltado para seu teatrinho de fingir que estava doente. Albus comentou uma coisa ou duas sobre o vilarejo e jogou em sua cama um pacote de balas azedinhas que havia comprado no vilarejo. Scorpius agradeceu e percebeu o bom humor excepcional do amigo, que certamente significava que o seu dia havia sido tão bom quanto ou melhor do que ele esperava.
— E seu encontro com Alice? — Scorpius arriscou um chute, descontraído.
— Foi ótimo, apesar de ela insistir que foi só um passeio, e não um encontro. Ela disse que só aceita sair comigo “de verdade” — Albus riscou as aspas no ar — se a Sonserina ganhar da Lufa-Lufa no mês que vem.
Scorpius rolou os olhos, antecipando o que aquilo significava: o amigo levaria seu papel de capitão do time ainda mais a sério e, se isso era possível, ficaria ainda mais insuportável durante os treinamentos nas próximas semanas.
Mas não se preocupou com aquilo no momento. A sensação de relaxamento era muito maior. O cheiro de cravo ainda não havia se dissipado de seu travesseiro.
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