verde/prata

9 Início, V: Encontro


Scorpius/Dominique

De volta a Hogwarts, Dominique cruzou com Scorpius um par de vezes no Salão Comunal ou nos corredores, mas nestas ocasiões ele estava acompanhado de Albus e por isso eles não trocavam mais do que um rápido olhar furtivo. O garoto sentia antecipação pela perspectiva de vê-la a sós novamente, mas ficou aliviado por não ter tido a chance logo que voltaram; assim teve mais tempo para pensar sobre o assunto.

Ele sabia que não a conhecia o suficiente e, em sua mente, não conseguia formar a ideia dos dois tendo alguma relação íntima ou até mesmo próxima num teor não físico. Não via abertura para isso, e não tinha certeza se estava interessado nessa possibilidade. Mas ele era um garoto, e ela era uma garota inacreditavelmente linda, e quando a via de longe ele se lembrava do cheiro de cravo e do beijo que haviam compartilhado.

Certa segunda-feira, no fim de tarde, Dominique abriu um de seus livros e um pedaço de pergaminho dobrado caiu em seu colo. Ela desenrolou e leu a mensagem, simples e certeira:

Te espero hoje, às 23h30, no Salão Comunal. Vou estar sozinho.
— SM

***

Quando o relógio marcou o horário combinado, todas as meninas do sexto ano já estavam deitadas em suas camas, com as cortinas do dossel fechadas. Dominique levantou-se pisando leve e tomou cuidado para fazer o mínimo de barulho ao abrir a porta do dormitório, mesmo sabendo que, na sua idade, as escapadas durante a noite eram comum nos aposentos da Sonserina, e ninguém diria nada.

Ela subiu as escadas que levavam ao Salão Comunal. Estava devidamente vestida com roupas casuais — calças retas e um suéter preto -, mas ainda assim sentiu um calafrio ao entrar no corredor, porque as masmorras eram sempre um pouco mais geladas que o resto do castelo.

O salão estava vazio, exceto por um casal de alunos do sétimo ano que se beijavam empolgados em um dos sofás perto da enorme janela que dava vista para o lago. Eles não pareceram notá-la. Do outro lado do cômodo Dominique avistou os cabelos loiros de Scorpius, sentado de costas para ela em um sofá de couro em frente à lareira, encarando o fogo. Caminhou até lá e acomodou-se no assento ao lado, mirando as chamas também.

— Delacour. — ele cumprimentou sem olhá-la.

— Malfoy.

Eles ficaram um instante em silêncio, e então Scorpius virou-se para trás.

— Ei, vocês dois! — chamou a atenção do casal à distância — Já passou do toque de recolher.

O garoto o lançou um olhar de incredulidade porque sabia muito bem que aquela regra não era seguida entre os sonserinos, especialmente aqueles que cursavam partir do quinto ano. Scorpius não cedeu. Bateu com os dedos no peito para sinalizar o distintivo de Monitor pendurado nas vestes. O garoto mais velho rolou os olhos, irritado por estar recebendo ordens do mais novo, mas levantou-se com a namorada e caminharam para as escadas que levavam ao dormitório. Na bifurcação que separava os corredores masculinos e femininos, Scorpius viu que ambos tomaram a direita que levava para os quartos dos homens, mas não se importou. Ele certamente não seria responsável por fiscalizar a vida sexual de dois colegas do sétimo ano.

À sós com Dominique, Scorpius virou-se novamente para a lareira. Ele pôde sentir o calor chegando de forma mansa mas consistente em seu corpo outra vez, seus sentidos aguçados pela presença dela, que ele já não tinha há algumas semanas. Estava ansioso por aquele momento.

— Você recebeu meu bilhete. — ele constatou.

— Sim. Você quer conversar?

Ele emitiu um som de negação com o fundo da boca, balançando a cabeça devagar. Virou o corpo para ela e moveu-se para mais perto. Seus rostos ficaram tão próximos que ela sentiu o calor de seu hálito, com um toque de menta. Dominique sentiu sua percepção anuviar com a proximidade. Nunca havia estado com um garoto dessa forma; o sentimento era novo e excitante e ela queria mais do que tudo deixar-se levar.

— Eu prefiro não conversar. — Scorpius explicou, baixando o olhar para os lábios dela. — Posso?

Dominique assentiu em silêncio e fechou os olhos enquanto o loiro anulava a distância entre eles, colando suas bocas em um beijo lento.

***

Eles passaram mais de uma hora juntos no sofá do Salão Comunal. Scorpius não ficou preocupado que alguém os flagrasse ali, porque sabia que a movimentação noturna só era comum nos dias mais próximos ao final da semana.

No início ele limitou-se a beijá-la nos lábios, pedindo passagem com a língua, e a correr as mãos por baixo de seus cabelos, no pescoço. Ela cedeu sem resistência, soltando suspiros e gemidos baixos, segurando as costas dele com firmeza para manter seus corpos próximos. Encorajado pela reação dela, desceu os lábios para as orelhas, pela pele branca na lateral do pescoço, e afastou um pouco a gola do suéter para beijar o osso de sua clavícula.

Mesmo com os toques suaves, Dominique sentia seu peito em brasas. Aquele tipo de contato era inédito para ela. É claro, ela atraía a atenção dos garotos da sua idade desde o terceiro ano. Porém, tinha algo de intimidador em sua beleza; eram muito poucos os corajosos que tinham tido a iniciativa de tentar algo, e, dentro deste pequeno conjunto, nenhum lhe tinha despertado interesse o suficiente para que ela quisesse ir tão longe. Mas como qualquer jovem com os hormônios florescendo, ela podia sentir o desejo aquecendo seu baixo ventre.

Scorpius era atraente e, ela percebeu, confiante. Ele ia testando alguns limites, com paciência: acariciou sua cintura por baixo do suéter e, encaixando a mão em suas costelas, apertou com suavidade seu peito, sem parar de beijá-la, mas atento às respostas, para não assustá-la.

Sua preocupação, no entanto, era dispensável, porque Dominique não fez menção de refreá-lo. Ela estava tão distraída com todos os estímulos daquele momento que demorou um par de segundos a mais para entender por que Scorpius havia se afastado dela. Ele levantou-se do sofá rapidamente, ajeitando a camisa no mesmo momento em que uma criança aparecia na escada. Era um garoto sonolento do primeiro ou segundo ano, vestido de pijamas azuis e com os cabelos desgrenhados.

— O que vocês estão fazendo aqui? — o menino perguntou, coçando o olho.

Era um questionamento inocente, provavelmente feito sem pensar, mas Dominique sentiu o rosto esquentar, tentando pensar em algo para dizer. Ela teria falhado em se explicar, mas para sua sorte Scorpius já estava alguns passos à frente:

— Eu poderia perguntar a mesma coisa. — retrucou, mostrando o distintivo no peito pela segunda vez naquela noite. Ele não era carente a ponto de sentir prazer em ficar exibindo sua função, mas aqueles eram casos de necessidade. — Fora da cama a esta hora. Você está querendo tomar uma detenção?

Outro golpe baixo; ele jamais puniria alguém de sua casa por um motivo tão tolo. Na verdade, Scorpius evitava usar quaisquer poderes que a monitoria lhe garantia, diferente de outros alunos que insistiam em tentar inflar a própria auto-estima aplicando detenções para reafirmar sua suposta superioridade. Ele, pelo contrário, cumpria suas obrigações e fazia vista grossa para as transgressões dos colegas. Essa abordagem tornava sua monitoria mais um fardo do que uma vantagem, mas ele sentia-se consolado pelos privilégios de andar pelo castelo à noite e utilizar o banheiro do quinto andar.

O garotinho que fora alvo de sua ameaça arregalou os olhos, assustado.

— Não, monitor, me desculpe. — ele pediu, gaguejando. — Eu preciso ir ao banheiro, mas aquele que fica perto dos dormitórios está interditado, eu só estava…

— Certo, entendi. — Scorpius cortou. Ele sabia que os meninos do sexto ano haviam entupido as privadas com as bombas de fedor das Gemialidades Weasley para terem uma desculpa para vagar nos corredores após o toque de recolher. — O banheiro mais próximo é saindo daqui e virando no corredor à esquerda. Você tem cinco minutos, ou vou começar a tirar pontos, está claro?

O mais novo assentiu com a cabeça e saiu correndo em direção à passagem. Neste meio tempo, Dominique havia se levantado.

— Eu deveria ir pra cama. — avisou.

— Claro.

Dominique fez menção de sair, mas Scorpius segurou seu pulso.

— Te vejo amanhã? — ele perguntou. Ela franziu as sobrancelhas, confusa. Ele apressou-se em esclarecer: — Nas masmorras.

Ela assentiu, lembrando-se dos estudos de Poções.

— Estarei lá. Boa noite, Malfoy.

— Bons sonhos, Delacour.

***

Naquela noite, Scorpius precisou ir até o banheiro dos monitores para tomar um banho e terminar sozinho o que havia começado com Dominique. Sabia que não conseguiria dormir enquanto o volume em suas pernas estivesse latejando daquele jeito.

Notas finais
As coisas estão escalando ;) Fiquem a vontade para compartilhar o que estão achando.