verde/prata

4 Antes, IV: Família


Desde o dia em que haviam se posicionado contra Evan Rosier no Salão Principal, Scorpius e Albus viraram melhores amigos. Os dois garotos eram bastante diferentes: Albus era aventureiro e impulsivo, e quase todas as detenções que eles receberam durante seus anos em Hogwarts vieram graças a ideias originadas na cabeça de Albus. Scorpius tentava argumentar e convencer o amigo que aquilo não daria certo, mas ele sempre acabavam fazendo mesmo assim, e mais da metade das vezes o final da história correspondia com o que Scorpius havia previsto.

Os dois se saíam bem na escola, mas de formas diferentes. Scorpius era disciplinado e precisava praticar e dedicar mais esforços para ter bons resultados, enquanto Albus frequentemente tirava as notas mais altas do seu ano sem dispensar muito tempo para os estudos fora do horário de aula. Scorpius só era melhor em duas matérias: Astronomia, na qual Albus era uma completa negação, e Scorpius com frequência acabava fazendo os trabalhos para os dois, e Poções, que Albus era na verdade muito bom, mas Scorpius era excepcional.

Aquela situação frustrava Albus, porque ele tinha o sonho de seguir a carreira de medibruxo. Estavam no quinto ano e, para que isso seguisse sendo uma possibilidade, ele precisaria garantir que seu resultado em Poções nos N.O.M.s ao final do ano fosse o melhor possível.

— Potter, respira. — Scorpius pediu, tentando concentrar-se no mapa estelar que esteve trabalhando pelos últimos quarenta minutos — Não é obrigatório conseguir um ‘Ótimo’. Você pode virar curandeiro com um ‘Excede Expectativas’ em Poções.

— Eu sei, — o moreno apoiou o cotovelo na mesa e a cabeça na palma da mão — mas um O aumentaria muito minhas chances.

Scorpius fez mais dois riscos retos no pergaminho a sua frente e entregou-o para Albus, que passou o olhar desinteressado pela tarefa e assinou suas iniciais no topo da folha, direcionando um “obrigado” ao outro.

Naquele momento, a entrada do Salão Comunal abriu-se e uma garota passou por ela. Tinha os cabelos ruivos e longos, caindo em ondas pelas costas. Carregava a mochila nas costas e um livro nos braços. Scorpius já a havia visto algumas vezes ali no salão da Sonserina conversando com Melissa Cortez, a artilheira que jogava ao lado dele no time de Quadribol. Era impossível não reparar o quão bonita ela era, mas Scorpius nunca havia reparado muito nela porque a garota em geral tinha uma postura discreta e não fazia questão de chamar atenção.

— Ei, Albus. — chamou — Aquela é Dominique Delacour, certo?

Albus olhou na mesma direção, parecendo incomodado de ter seu drama acadêmico interrompido por aquele assunto.

— Sim, é ela. Por que?

Ao final da última aula de Poções, Slughorn tinha pedido que Scorpius esperasse para conversar. Quando todos deixaram a sala nas masmorras, o professor lhe pediu, em tom de confidência, se ele poderia auxiliá-lo em algo. Explicou que uma aluna do sexto ano havia falhado nos N.O.M.s e pretendia tomar a prova novamente ao final do ano.

— Você é o meu melhor aluno. — Slughorn elogiou, e Scorpius agradeceu de forma humilde, mesmo sentindo seu ego amaciar com a fala. Albus ficaria indignado se escutasse isso. — Eu serei muito agradecido se você puder trabalhar com ela algumas horas por semana, e a professora McGonagall certamente ficaria muito satisfeita com a sua disposição.

Horace disse a última frase de forma sugestiva, como se quisesse implicar que assumir aquele compromisso faria o garoto ganhar pontos com a diretora da escola. Scorpius tinha uma boa relação com Minerva McGonagall, mas a iniciativa de ajudar uma colega poderia pesar no futuro, caso ele precisasse de uma carta de recomendação. Scorpius concordou e o professor lhe disse que a aluna era Dominique Delacour, sua colega de casa um ano mais velha.

Scorpius lembrou-se que o Slughorn havia pedido discrição, para que a situação não fosse exposta contra a vontade da estudante.

— Por nada. — respondeu Scorpius à pergunta de Albus — Você já teve contato com ela?

— É claro que já, Malfoy. — Albus franziu as sobrancelhas, confuso. — Ela é minha prima.

— Delacour? Sua prima?

— Delacour-Weasley. Ela é filha do meu tio Bill, irmão da minha mãe.

Scorpius tentou encaixar a conexão em sua cabeça, e se sentiu lento por não assumir automaticamente que uma bruxa ruiva andando por Hogwarts era, obviamente, relacionada aos Weasleys. Se sentiu aliviado por não ter revelado o pedido de Slughorn a Albus, porque essa informação poderia se espalhar pela família e logo Dominique — ou até mesmo o professor — saberia que Scorpius não era capaz de manter a língua dentro da boca.

Observou enquanto Dominique caminhava em direção às escadas que levavam para os quartos femininos. No dia seguinte, a encontraria pela primeira vez.

Um sensação incomum de nervosismo fez seu estômago revirar.

Notas finais
Oi, leitor/a. Você está acompanhando? No próximo capítulo, vamos começar a sentir um gostinho. Estão gostando? O que esperam ver desse casal?