the search for snake
5 Ninho da Cobra
Chegando ao palácio de Westminster, Drake e Helena deram uma pausa para recuperar o fôlego, estavam a quase um dia indo em direção ao local.
–O que nós faremos agora, senhor Drake? – Perguntou Helena.
–Procurar um esgoto.
–Um esgoto?
–O último esconderijo estava em um esgoto, é cinquenta por cento de chance de ser em um esgoto novamente. — Ele soltou um longo suspiro. — Estou começando a ficar com raiva dessa bruxa. — Drake avistou uma tampa de bueiro e correu até lá. Demorou um pouco pra ele levantar esta tampa, afinal, da ultima vez, Mike estava junto. — Primeiro as damas.
–Passo.
Ele riu e se pôs a descer. Já lá em baixo, ele notou que não parecia um bueiro comum, estava iluminado e o local era largo como se fosse um salão. Helena soltou um leve grito em queda, mas Drake esticara os braços a tempo de pegá-la.
–D-Desculpe... – Ela corou e se soltou dos braços dele.
Pelo lugar ser enorme, demorou até eles acharem uma porta para seguir caminho, mas logo após acharem, se puseram a atravessá-la. A porta levava a uma espécie de ponte suspensa feita de madeira e cordas. Abaixo, havia uma queda de mais ou menos dez metros que levava direto para algo que parecia ser um lago, porem ao invés de água havia um liquido vermelho e espesso, que fez com que Helena rezasse com todas as suas forças para que não fosse sangue. Drake reparou em uma estranha barbatana que rodeava o que parecia ser um corpo de um adulto.
–Helena, acho melhor virar uma foice agora. – Ele esticou a mão para ela.
–Tudo bem.
Ela segurou a mão dele e virou a foice. Drake percebeu que ela apertava forte, e que estava tremendo. “Ela está com medo” ele pensou. Ele não estava melhor, também estava com tanto medo que queria voltar correndo. A ponte balançava muito e a cada passo fazia parecer que iria despencar direto para aquela coisa. Após atravessar a ponte, eles se viram em um largo corredor escuro, frio e úmido. Com passos cuidadosos, Drake não só sentia, mas tinha certeza de que algo o observava. Um longo arrepio percorreu seu corpo, seu estomago se revirou, e ele saltou para frente antes de sua cabeça ser acertada por alguma coisa.
–Senhor Drake!
–Mas o que diabos...
Antes de completar a frase, ele se viu obrigado a bloquear mais um ataque com sua foice. O ataque o jogou para longe, o fazendo deslizar pelo chão úmido parando em uma área mais iluminada do corredor. Ele pôde ver o atacante se aproximar, um homem lagarto, com escamas negras que cobriam todo o corpo. Suas garras eram longas e os olhos vermelhos como brasa.
–Eu estou começando a odiar a Medusa de verdade. – Disse Drake, enquanto o homem lagarto se atirava em sua direção.
Drake se desviou por pouco, brandiu a foice contra a coisa, mas a lâmina ricocheteou na pele do lagarto, que com as garras desferiu um golpe nas pernas de Drake, abrindo-lhe um rasgo na panturrilha. Ele gritou de dor e se atirou para trás.
–Senhor Drake, o senhor está bem?
–Não se preocupe. – Ele ofegava fortemente. – Vamos sincronizar as almas.
–Mas nós nunca conseguimos fazer.
–É a necessidade que faz o inventor.
Os dois se concentraram, a criatura que se preparava para mais um ataque, saltou na direção de Drake, que se desviou graciosamente. A coisa tentou acertá-lo com a cauda, mas Drake se pôs para trás em movimentos leves e respirou profundamente.
–Tamashii no kyoumei! – Drake e Helena gritaram ao mesmo tempo. A lâmina da foice brilhou numa luz intensa, quase ofuscante.
–Majogari. — Dizia Drake. A lâmina estava mais pesada nas mãos dele, que com dificuldade a brandiu contra o homem lagarto. A luz pegou bem em seu peito e ele urrou de dor, sendo lançado contra a parede.
Drake desabou ao chão devido a fadiga, Helena retornou a forma humana e o amparou. Os dois fitaram a criatura que não tinha nada mais do que um arranhão no lugar onde a lâmina o atingira, pelo menos estava um pouco zonzo.
–Não pode ser... – Helena estava tensa. – Usamos toda a nossa força e tudo que conseguimos foi um arranhão?
–Isso o parou por um tempo, vamos seguir em frente enquanto isso. — Ela assentiu e os dois seguiram pelo corredor, olhando por cima de seu ombro, Helena pode ver a trilha de sangue que o ferimento de Drake deixara.
–Precisamos tratar da sua perna.
–Não.
–Mas, senhor Drake...
–Se demorarmos aqui, ele pode se recuperar e vir arás da gente. – Ele a interrompeu. – E isso é tudo que não queremos. — E continuaram a andar com o passo mais rápido. Logo se viram no que parecia uma caverna. — Quando eu encontrar a Medusa, a primeira coisa que vou perguntar pra ela é que raio de lugar é esse que ela arrumou...
Eles ouviram um grito alto e estridente que fez seus ouvidos doerem, mais dois gritos se seguiram após o primeiro, e então Drake viu algo se movendo nas sombras.
–Helena... – Antes de Drake terminar de falar, a foice já estava em suas mãos. Três criaturas os cercavam. As três eram altas, com mais ou menos 2 metros de altura. Magras, quase que só puro osso. Os dentes eram afiados, pareciam pequenas facas que eles traziam na boca.
–Serio, eu quero muito matar aquela maldita.
Drake fez uma careta de dor quando se apoiou na perna ferida. A criatura que estava atrás dele saltou. Ele virou e cravou a lâmina na lateral do quadril da coisa. Quando a segunda também foi em ataque, a lâmina de Drake ainda estava presa na primeira, e não conseguia retirá-la. Eis que um vulto preto passou e agarrou a cabeça da coisa, e a esmagou contra a parede. Drake demorou a reconhecê-lo, mas lá estava ele, o homem lagarto negro que o atacara mais cedo, devorando a criatura que acabara de matar.
–Ele nos salvou? – Helena estava assustada.
–Não acho. – Drake conseguiu retirar a lâmina. – Ele não deve poder nos reconhecer, está atacando tudo que se move.
A terceira criatura se agarrou as costas do lagarto, que se movia violentamente para se livrar dela. Helena e Drake se puseram a correr, não importava quem ganhasse aquele embate, os dois seriam as próximas vítimas.
–Deveríamos ter esperado o senhor Mike, teríamos mais chances juntos. — Ele não queria admitir, mas ela tinha razão. Não demorou muito e eles começaram a ouvir passos pesados e rápidos.
–Parece que alguém terminou de brincar.
Drake se pôs a correr, ignorando a dor da perna, até chegar a uma grande porta de madeira. Sem nem pensar duas vezes, ele adentrou. Lá dentro, era uma sala de jantar cheia de velas, havia uma mesa quase transbordando de tanta comida. Ao ver a pessoa que estava sentada do ouro lado da mesa, o coração de Drake acelerou e ele começou a suar. Os cabelos negros, os olhos frios que lembravam os de uma serpente, e um sorriso doce e ao mesmo tempo assustador. A bruxa Medusa.
–Não esperava uma visita a essa hora. – Disse a bruxa sorrindo. Dessa vez era a verdadeira, ele podia sentir isso. A presença dela chegava a ser hipnotizante, Drake nem se mexia enquanto olhava pra ela.
–Senhor Drake, cuidado! – A voz de Helena quebrou o transe de Drake, bem a tempo dele se esquivar de uma saraivada de vetores, que vinham da parede.
–Devia se manter mais atento quando se encontra um oponente, garoto. – Medusa se levantou da cadeira.
–Pra começar, que raio de lugar é esse que você arrumou? – Drake disse ao se lançar em ataque.
Medusa acertou um chute na cabeça dele, que logo recuperou o equilíbrio, e desferiu um golpe contra ela. A bruxa saltou e com os dois pés acertou o peito de Drake, que foi contra a parede. Com a cabeça zunindo, Drake tentou alcançar a foice, mas Medusa pisou em sua mão e chutou a foice para longe, e agarrou Drake pelo pescoço.
–Você invadiu minha casa e ainda interrompeu minha refeição, pode-se dizer que estou bem furiosa. – Ela apertava com força.
–Solta ele. – Disse Helena, de volta à forma humana.
–Depois eu me resolvo com você, garotinha.
Os vetores se agruparam na outra mão de Medusa, formando uma broca. Ela se preparou para perfurar Drake, mas o largou recuando pra trás, quando uma foice quase a decepou. Ela saltou para trás e fitou aquele que quase a matara. Uma garota, de longos cabelos loiros, segurando uma longa foice, estava parada entre Drake e Medusa.
–Maka Albarn. – Os olhos da bruxa brilharam de fúria.
–A quanto tempo, Medusa.
–Realmente faz muito tempo. – Ela sorriu. — E acho que você vai se arrepender desse reencontro.
De repente, uma sequência de golpes que Drake nem ao menos podia acompanhar aconteceu. Maka brandia sua foice com toda a graça e leveza de uma artesã. No final, uma forte luz brilhou por toda a sala, e quando abaixou, Medusa tinha ido embora.
–Droga, perdemos ela. — Disse a foice de Maka Albarn, voltando à forma humana. Soul “Eater” Evans, irmão do pai de Drake, ou seja, seu tio.
–Vocês foram muito bem. — Disse maka ao ajudar Drake a ficar de pé.
–Não conseguimos fazer muita coisa... – Ele estava sem jeito.
–Fizeram mais do que o suficiente. – Disse Soul sorrindo.
Após tratar da perna de Drake, todos eles saíram do esconderijo. Drake avistou o corpo dividido em dois do homem lagarto, provavelmente Maka e Soul o derrotaram tão facilmente que nem deve ter dado graça, aquilo fez Drake se sentir mal. Ao sair do esgoto, Mike, Emily e Sofia se atiraram em um abraço contra Drake que caiu com todos eles no chão, e Helena se pôs a rir.
–Que bom que está bem. – Disse Drake para Sofia. – E desculpe não ter ido junto.
–Não, tudo bem. – Ela respondeu. – Mike se saiu bem. — Ele, junto a Mike, coraram.
–É claro que me saí. – Disse ele todo cheio de orgulho.
–Não diga isso. – Interrompeu Emily. – Se o professor Stein não tivesse chegado, estaríamos todos mortos.
–Não, ele só limpou o caminho.
Após toda a conversa, todos estavam na caçamba de um caminhão voltando para a Shibusen. O professor Stein estava dirigindo. Enquanto ouvia algumas historias de Mike, Helena e Emily conversavam alguma coisa com Soul, e Maka admirava os cabelos ruivos de Sofia. Drake, estava sentado, fitando o chão da caçamba, pensando na beleza assustadora que vira mais cedo.
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