the dark side of the palace
2 Capitulo II - Sunny day
Notas iniciais
– Não pai! Eu não vou participar de um show egocêntrico! – Falo ríspida
– Você tem, é a nossa única chance.
Tento resistir, mas sei que em certo momento irei ceder.
– Ta, mas saiba que estou fazendo isso por mim e por Patrick e não por você, seu irresponsável! – Falo irritada, antes que ele retruque, me retiro da cozinha a caminho do meu quarto.
Penteio meu cabelo azul liso e deixo-o caindo sobre meus peitos, tiro o pijama e boto uma calça jeans com uma blusa escrito “made in china 404 error not found” e finalmente saio de casa. Já sei para onde vou.
Dois quarteirões depois, finalmente chego ao meu destino, a casa de Hector. Provavelmente ele está dormindo, mas idai.
Subo na casa da árvore de seu quintal, onde costumávamos brincar e que coincidentemente ficava em frente a janela de seu quarto.Peguei um brinquedo perdido no chão e taco na janela dele, que estava aberta.
– AI CARAMBA! — Ouço exclamar
– Surpresa!! – Falo mexendo os braços. – Agora me ajuda a chegar ai.
Ele pega uma cadeira, bota no parapeito da janela encostando-se ao galho, a gente sempre fez isso. O quarto de Hector é pequeno com paredes em tons pastéis, só à uma cama, um armário e uma escrivaninha com seu notebook ultra hacker.
– O que devo a honra da princesa de cabelo azul. – Fala em tom sarcástico. Hector é alto e com cabelo preto e magricela, eu jurava q ele era um vampiro de tão branco.
– Nem me fala! Você não vai acreditar no que meu pai me meteu. – Conto para ele toda a história.
– Não creio você será a próxima rainha da Inglaterra? Apenas rindo.
– Cala boca! Idiota, sabia que você não ia me ajudar. – Falo fazendo beicinho.
– Mas é claro que vou ajudar a vossa senhoria, encontre-me amanhã de manhã em frente a sua casa.
Dou de ombros e Hector me acompanha até a porta.
– Oi Fernanda. – Falo para a irmã de Hector. Mas ela apenas me ignora e continua digitando no celular.
– Adoro a hospitalidade daqui. – Sussurro, e rimos baixinho.
Antes de eu sair ele me puxa.
– Que tal mim e você sorvete agora? – Fala Hector igual um homem neandertal.
– Só se você pagar Tarzan. — Ele mexe a cabeça afirmativamente. – Só por isso vou querer bola dupla.
– Quem chegar por ultimo na sorveteria paga.
– Mas eu odeio correr seu idiota. – Falo revirando os olhos.
– Por isso mesmo. – Hector pisca o olho e dispara.
Antes de segui-lo, olho na redondeza, e vejo sua bicicleta jogada no gramado, não penso duas vezes levanto-a e saio em disparada.
– Não creio que você chegou primeiro que eu, você roubou! – Fala Hector.
– Em nenhum momento você falou que não podia vir de bicicleta. – Falo orgulhosa. — E agora ao invés de bola dupla vou querer tripla.
Acordo com o barulho de pedrinhas batendo na janela de meu quarto, levanto de minha cama e abro a janela, Hector.
– Oh Julieta quanto tempo minha amada. – Fala sarcasticamente.
– Romeu cabeça de peixe, já vou descer.
–Acho melhor você botar uma roupa bonita, porque vou te levar para se inscrever para a seleção.
Acabo vestindo meu vestido preto de renda junto ao meu all star surrado. Quando desço as escadas, dou de cara com meu pai e Romeu cabeça de peixe conversando.
– Alicia, você está linda. – Falam em uníssono. Dou de ombros e pego o braço de Hector enquanto me direciono a porta.
– Por que você ignorou seu pai e à mim?
– Talvez porque meu pai que me botou nessa furada e porque você é um perdedor. — Falo fazendo uma careta. Vejo a caminhonete velha de seu pai.
– Entra logo nessa droga de carro vossa senhoria. – Fala Hector abrindo a porta. Reviro os olhos e entro, Hector senta no banco do motorista.
– Vê se não me mata.
– Confie em mim baby. – Fala ele tentando parecer galanteador.
Ele pisa fundo e o carro dispara. Vamos calado todo o pequeno percurso. Ele estaciona o carro e saímos do mesmo.
– Bom, aqui estamos, ao seu destino. – Fala piscando para mim.
Reviro os olhos e entro na enorme fila.
– Não sabia que aqui no bairro tinha tanta gente assim. – Falo em voz baixa.
Um tempo se passou. E de repente chega a vez da menina da minha frente
– Obrigada por ficar comigo, pode ir embora se quiser. – Falo dando um abraço nele.
– Eu vou porque tenho jogo, mas vê se entra nessa joça hein. – Fala dando uma risada. Enquanto Hector sai com a caminhonete, chega finalmente a minha vez.
Sou levada a uma pequena sala branca onde há apenas uma mesa e duas cadeiras, e uma delas estava sendo ocupada por um senhor de meia idade com cabelos grisalhos.
– Sente-se senhorita, qual seria seu nome?
– Alicia senhor.
– Belo nome, aqui está uma pequena ficha para você preencher:
Nome: Alicia Throbes
Idade: 18
Região: Norte da Inglaterra
Entrego de volta para o senhor. Ele pega uma câmera, daquelas profissionais, e a aponta para mim, tento sorrir.
– Agora pode se retira, muito obrigado pela presença, e quer um conselho. Se você for escolhida pinte esse cabelo.
Retiro-me da sala mexendo no meu cabelo longo azul e um pouco confusa. Babaca! Penso, quem ele acha que é minha vontade é de dar um soco na cara daquele velho.
Volto para casa sozinha, caminhando pelos quarteirões. Quando chego já está de noite, e ninguém está em casa.
O vento forte batia na janela, fazendo uivar como uma alcateia. Na televisão passava star wars IV Uma Nova Esperança, meu favorito. Quando de repente o aparelho para e a bandeira de meu país enche a tela, e com isso nossa rainha de cabelos acinzentados aparece entoando sua voz:
– Meu amado povo da Inglaterra, hoje foi o último dia das inscrições para a seleção de meu bisneto, príncipe Dimitri, eu mesma e minha família sortearemos as 35 damas que poderão ter essa brilhante chance. Os resultados saem amaná de noite.
A tela fica escura de novo e depois de alguns segundos stars wars finalmente volta.
– Com certeza eu não serei selecionada. — Falo em voz alta.
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