só mais Uma tarde de Verão
1 The Only One
Notas iniciais
Espero que gostem.
Fora a tempestade que tivera passado, a tarde se encontrava bela. Pássaros cantavam, as folhas caiam, o sol reluzia fortemente sobre a Terra, e tudo se encontrava em perfeito estado. Nem parecia que tivera ocorrido uma daquelas fortes tempestades, em que ventos chegam a ser rápidos e violentos capazes de levantar carros e casas.
A praça se encontrava lotada de pessoas, crianças brincavam nos parques bem conservados, idosos sentados nos bancos de madeira conversavam risonhamente, e a tristeza que tivera sido ontem, hoje já não estava mais presente nos olhares das pessoas.
Andando pela pequena praça, admirando o céu azul com poucas nuvens, com o iPod na mão ao som de um bom rock, idealizando um mundo utópico, me esbarro com certo rapaz, de cabelos aloirados, altura média, tipo físico atraente e pele avermelhada devido ao sol. Jovem como um lírio que acabara de abrochar, olhastes com seus olhos de esmeralda para os meus olhos, me fitando por um momento.
Não acreditara que acabara de chamar a atenção de um rapaz daquele porte, que mais parecia uma miragem ao meio do calor que se fazia no lugar. Após ele sumir da minha vista, percebo que ele deixou algo cair ao chão. Era uma pequena carteira de couro de cobra, cor marrom, que dentro consigo carregava a identidade do jovem rapaz, R$50,00 e seus cartões de crédito e débito.
Quando reparo para o horizonte por onde o jovem havia caminhado em direção, não o vejo mais. Procuro desesperadamente por ele, até que o encontro parado, em uma banca, admirando uma revista que possamos dizer, não é do costume de homens geralmente olharem.
Ofegante, corro em sua direção para entregar-lhe a pequena carteira que havia deixado cair. Antes de atingir meu destino, tropeço num pequeno degrau que se encontrava entre um batente e outro. Por sorte ninguém havia visto. Envergonhado me levanto calmamente, tentando não chamar a atenção das pessoas que passavam pela rua. Porém ao levantar não vejo mais o jovem moço. O desespero bateu. Imaginei que não iria vê-lo mais, quer dizer, devolvê-lo sua respectiva carteira.
Olhando ao redor, encontro-o indo em direção a uma lanchonete perto do local. Então, dessa vez sem correr, ando normalmente em direção ao rapaz. Suado devido à pequena queda e ao calor do dia, entro na lanchonete enxugando a testa e o nariz. Então paro frente a ele.
- Oi, ér... Desculpa o incômodo, mas você deixou sua carteira cair no chão e aparentemente não percebeu. – falo ofegante e transpirando.
- Eu sei que havia deixado-a no chão. – diz sem expressão de surpresa.
- Se você sabia, porque não a pegou?
- Porque eu sabia que você viria trazê-la para mim. – larga um sorriso façonho.
Fiquei perplexo pelo que eu havia acabado de ouvir, e ao mesmo tempo, vi que ele tinha percebido que eu havia me interessado por ele. E acho que o interesse foi recíproco, senão ele não teria deixado sua carteira lá no chão da praça.
- Como você se chama? – disfarçando que já tinha visto o nome dele na identidade em que se encontrava na carteira.
- Alexandre, mas pode me chamar de Alê.
- Prazer, Eduardo. – olhando em seus olhos que brilhavam mais que o sol naquele momento; larguei um riso tímido.
Ele me convida para fazê-lo companhia para tomar um sorvete com ele. Como dizer “Não” para um rapaz doce e ao mesmo tempo prepotente; e que ainda parecia estar interessado em mim. Sem mais pensar, aceito seu convite.
*
No balcão de opções de sabores e tamanhos, escolho tomar o sorvete no copo. Peço ao atendente duas bolas, uma de morango, e outra de baunilha respectivamente. Adiciono calda de chocolate, e também, como minha mãe antigamente costumava fazer para mim, adiciono duas colheres rasas de leite em pó que se encontrava no balcão.
Interessado no meu pedido, Alexandre faz o mesmo. Assustei-me com ele ter feito o mesmo que eu. Geralmente as pessoas me repugnam por tomar sorvete com leite em pó, e então assim descubro que não era o único neste enorme globo. E por incrível que pareça, a mãe dele fazia o mesmo para ele, e ainda adicionava pequenos pedaços de chocolate.
Conversando com ele, descubro que ele na verdade tinha acabado de terminar com seu namorado de anos, e que precisava no momento de uma companhia nova. Tinha trocado todos seus amigos, conhecidos pela companhia de seu ex, que agora, o abandonara.
Filho único, Alexandre não tinha ninguém de muita confiança para conversar, a não ser seus pais, porém falecidos a 5 meses. Morreram num acidente de carro, no qual o mesmo se chocara com uma carreta que fazia uma ultrapassagem incorreta. Até hoje o processo contra o motorista da carreta corre pelos tribunais. Alexandre em busca de justiça, apenas colhe o mal feito jurídico.
Após o término desta conversa e do maravilhoso sorvete, convido-o para irmos ao meu aposento, pois como eu acabara de me formar na faculdade de advocacia, talvez eu pudesse ajuda-lo a mover o processo.
Agradecido e envergonhado, ele não sabia o que responder. De impulso disse que não poderia, que isso seria importuno para mim e para ele, e que mal me conhecia e já estava o convidando para ir a minha casa, disse que não se sentia confortável com tal situação. Então lhe expliquei que não havia nada de errado e não haveria nada a mais do que uma simples conversa.
Claro que eu sabia que dali não iria sair apenas uma conversa sobre o processo. Mas a incerteza batia na minha porta devido ao estado que ele se encontrava, porém mesmo assim mantive meu convite de pé.
*
Depois de muita insistência ele aceitou meu convite. Já era umas 16h, finalzinho de tarde, o show porém ainda se mostrava forte e radiante.
*
Meu apartamento ficava a 20 minutos do local que estávamos. Chegando ao aposento, pedi desculpas pela bagunça dos amontoados de livros sobre a mesa e aos pratos sujos dentro da pia. Porém, ele não deu à mínima. Meio que reconheceu aquele espaço idem com seu. Apenas só era menos empoeirado.
Sentamos na minha mesa que servia de mesa do café, almoço, janta, estudo, leitura, enfim, praticamente para tudo. Então ele começa a me contar todo o ocorrido, detalhadamente como o acidente aconteceu, e a posição dos advogados e do juiz na última sessão.
Analisando a situação e tudo que ele tinha me falado, percebo que não havia muito a se fazer. Praticamente todos os recursos que ele deveria correr para, já fora feito. Agora poderia se fazer uma pressão ao Tribunal da Justiça e pedir uma audição definitiva para o caso. Só que isso estava fora da minha força de poder.
Ficamos por 1 hora conversando sobre o caso, e então ele começou a falar da vida pessoal dele. Do quanto estava sofrendo, do quanto já tinha sofrido, e que não encontrava alguém que se interessasse por aberto por ele. Há não ser só por uma noite de sexo e gozo, nada mais.
Apesar do pouco tempo que eu conhecia ele, singelamente levei minha mão até seu rosto limpo e claro, enxugando suas lágrimas. Não conseguia ver um homem daquele, com uma personalidade indescritível sofrer e chorar por alguém que um dia diz ter o amado e agora vira as costas para ele.
- Não chore, não é necessário...
- Você está sendo de grande conforto para mim. Há muito tempo não conversava com alguém que me olhasse o tempo todo olho no olho, e que ainda tentasse me ajudar. Você é um anjo que caístes do céu – diz disfarçando um leve sorriso de felicidade.
- Então, deixe-me cumprir o meu resguardo por ti – me aproximo dele já com uma das minhas mãos o segurando pela nuca, enquanto a outra acariciava sua face. Entorpecidos pelo momento, a carência, as tristezas, os sentimentos que se encontravam sobre a mesa, apenas contribuíram para um beijo carinhoso.
O beijo foi molhado, doce, singelo, carente. Não insinuava nada mais do que paixão, pois amor se conquista aos poucos. Aquele beijo não insinuava sexo, desejo físico ou qualquer coisa do gênero. Foi puramente apenas a união de dois homens em um só.
*
Naquele momento tive a certeza que não seria apenas só mais uma tarde de verão.
*
E que na verdade o anjo que caístes do céu era ele.
Notas finais
Valeeeeeeeeu!
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