rEVERSE - O conto da primeira estrela

9 rEVERSE - Especial de Natal


Notas iniciais
Feliz natal a todos!!! Depois de me vestir de mamãe noel ontem, pensei que deveria escrever algo. Então, esse capítulo é como se fosse um filler, espero que vocês gostem. No entanto, devido a cronologia da história, não havia sentido o natal ter chegado antes do bendito festival cultural, já que ele ainda não aconteceu desde o primeiro capítulo. Ficou apenas um especial, mesmo não sendo natal. Boa Leitura.

rEVERSE – especial de natal

Sakura acordou aquela manha com sonhos vividos girando por sua cabeça, fazendo seu corpo entrar em combustão. Ficou chocada ao acordar e ver reações do corpo de Syaoran que nunca vira antes, encontrando um volume entre suas pernas mais alto do que de costume.

Era um absurdo passar por um momento daqueles e ainda ter que encarar o dono verdadeiro em algumas horas. Correu para um banho gelado sem saber exatamente como lidar com aquilo. Tinha que ser sincera com sigo mesma, Syaoran era bem dotado, fazendo inveja para outros garotos – não que ela já tivesse visto algum antes.

Era em momentos assim que o limite daquela situação estourava e ela ficava perdida. Queria voltar a ser uma garota.

Como um dia normal Sakura se atrasou para a escola mais uma vez, perdeu pontos em algumas atividades de cálculos e sentiu-se bem após as aulas de educação física, a única matéria em que tinha alguma vantagem. Na hora do almoço, Syaoran apareceu com suas marmitas e comeram em completo silencio, coisa que vinha ficando normal com o tempo. Não era constrangedor, apenas aconchegante, aproveitavam a companhia do outro.

****

Após o fim das aulas, Syaoran arrastou Sakura a força para que estudassem para as provas da próxima semana. A garota nunca conseguia manter uma nota boa como a dele, pois os professores já se perguntavam o motivo da diminuição repentina do chinês.

Ambos ficaram até tarde acordados, Syaoran dando desculpas à família de Sakura dizendo que dormiria na casa de uma amiga para estudar. Ele não tinha mentido exatamente, apenas ocultado alguma partes, eles realmente estavam estudando.

Sakura arrancou os olhos dos livros e se esticou, espreguiçando-se para relaxar.

—Eu não aguento mais por hoje, sinto que meus olhos vão cair.

—Se você estudasse sempre, não precisaria dessas lições intensivas – comentou ele, retirando os óculos de leitura, o que a deixou surpresa, pois ela nunca havia usado.

—Porque você esta usando isso alias – disse – eu nunca precisei.

—é habito, eu geralmente usava, deve ser por isso que você está tão cansada.

Por um momento, a imagem de um Syaoran de óculos veio-lhe a mente, com a camiseta semiaberta e o sinto da calça desafivelado. Ela balançou a cabeça com força para tirar esses pensamentos. Ultimamente, sua mente vinha lhe pregando peças durante o dia com imagens e cenas indecentes do garoto. Ela obviamente não conseguia mais se encarar no espelho, e na manha, era ainda mais avassalador, pois ver os cabelos de Syaoran mais bagunçados do que nunca caindo lhe sobre o rosto lhe dava uma vontade louca de agarra-los e puxar.

Sakura estapeou as bochechas.

Era estranho, pensou ela, ficou olhando para o garoto no corpo de mulher. Não ficava nervosa na frente dele, era confortável e acolhedor, mas era só ficar na frente de um espelho que suas pernas se sentiam fracas. Não deveria se preocupar, tudo deveria voltar ao normal assim que destrocassem de corpos, o problema era descobrir como.

—Eu estou com fome, o que vamos comer? – disse ela, tentando desviar do olhar de Syaoran. Ele a estava encarando, pois a mesma não tirava os olhos dele.

Ambos foram para a cozinha. Antes de abrirem os livros, o chinês havia cozinhado arroz e fritado algumas misturas, como salmão e file de frango. Ela tinha que admitir, ele era cozinheiro de primeira.

—Como você aprendeu a cozinhar tão bem? – disse ela cheirando o prato a sua frente.

—Era aprender ou morrer de fome, alem do mais, não me contento com essas comidas de lojas de conveniência.

Ele havia dito de uma forma simples, dando de ombros, mas Sakura interpretou de outro modo. Ele não tinha ninguém para lhe ensinar, por isso teve que aprender sozinho. Sentiu-se culpada por todos os almoços de família em que tinha a comida pronta a mesa, mas não deixaria ser assim agora, Syaoran teria companhia sempre que pudesse se dependesse dela. Apesar de que ela própria estava comendo sozinha durante a noite, pois o rei demônio tinha que se passar por ela na frente de sua família.

Pegou os hashis no balcão e educadamente, fez o comprimento de sempre. Syaoran pegou uma panela e colocou no centro da mesa, por cima de um pano devido a temperatura. O cheiro era muito bom.

—Sopa de carne com legumes, para comer junto com o arroz – desse ele retirando as luvas almofadadas – dá um gosto melhor para descer com a comida.

Ambos comeram em silencio, mas Sakura estava com fome. Como seu pai teve que dar palestra na faculdade em que ensinava, teve que pedir desculpas a sua suposta filha e deixou dinheiro para uma marmita, que poderia comprar na escola. Mas só havia o suficiente para uma, e Syaoran não teve tempo para cozinhar devido às reuniões do conselho escolar por conta do festival cultural que estava próximo. Ambos dividiram a comida e passaram a tarde com fome.

—Você tem que comer mais devagar – disse ele com a boca cheia – nem está mastigando direito.

—é que estou com muita fome – disse ela – e você esta falando de boca cheia, é feio para uma garota.

—Eu sou um garoto – respondeu.

Por um momento, enquanto olhava para Syaoran e levantava uma colher cheia de arroz até a boca, seu braço esbarrou em sua tigela de sopa, que virou inteira em seu colo. Ela levantou num pulo, pois o conteúdo era muito quente e estava usando roupas leves por conta do calor. Syaoran num pulo pegou um pano para tirar o molho da sopa das pernas de Sakura, que ofegava por conta da dor, suas pernas estavam queimando.

—Burra! Olha o que você fez – disse ele retirando os pedaços de carne e legumes da calça dela – a sopa esta quente!

—Sério? Não percebi!

Ele a arrastou até a pia da cozinha e molhou o pano, passando em suas roupas para esfriar, mas não estava adiantando muito, pois Sakura não parava de se abanar.

—Vem, tira a calça!

—O que?

Eles caminharam até o banheiro com Syaoran praticamente tirando a calça de Sakura à força e a jogando no Box, ligou o chuveiro e empurrou Sakura para baixo da água fria. Foi um alivio, mas a ardência era grande.

—Você é muito desastrada mesmo, eu avisei que a sopa estava quente!

—Foi um acidente, o que queria que eu fizesse?

—Cabeçuda!

Syaoran, esquecendo que Sakura era uma garota, passou as mãos nas pernas que antes foram dele, estavam com marcas avermelhadas nas coxas e nas laterais, onde o líquido havia caído. Sakura se assustou com o toque repentino e pulou para trás, escorregando e caindo no chão, levando o chinês consigo.

Presa no corpo de Syaoran, bateu a cabeça na parede de azulejos, pois seu físico era grande comparado com o dela, e Syaoran ficou por cima, quase beijando seu rosto. Apesar do corpo pequeno de Sakura, ele ficou preso entre suas pernas com as mãos nos ombros, enquanto a água caia sobre seus corpos encharcando completamente os dois.

Sakura sentiu o coração acelerar e o corpo esquentar. Onde quer que o demônio rei lhe tocasse, sua pele formigava de uma forma estranha – o que era ridículo, pois os dedos eram seus.

Syaoran, gaguejando, tentou se levantar, mas apoiou no lugar errado, fazendo a japonesa gritar e levantar bruscamente. Ele bateu com o nariz no peito de Sakura e escorregou para seu joelho. Ambos estavam completamente desajeitados e envergonhados, tentando se levantar, mas escorregando por conta da água que caia.

Não teve jeito. O banheiro era tão apertado que impedia os dois de se levantarem mutuamente. O rosto de Syaoran estava tão próximo que Sakura tinha que desviar o rosto para evitar que a boca de ambos se encostasse. Ela achou que ia enlouquecer.

—Sakura, espera – disse Syaoran.

Foi tarde demais. Ela virou o rosto de supetão e acabou encostando-se à boca de Syaoran. Em choque, nenhum dos dois se mexeu, pois não sabiam o que fazer na situação. O chinês afastou-se apenas o suficiente para ver a reação da menina, sem realmente descolar suas bocas, então fez a primeira coisa que lhe veio à mente, diminuiu o espaço entre seus lábios.

A cabeça de Sakura encostou-se ao azulejo, pois ainda estava por baixo. Não estava tão surpresa, ela queria isso, ansiava. Prendeu a respiração e retribuiu com vontade, aprofundando as línguas que se enrolavam uma na outra. As mãos de Syaoran foram para seu rosto, trazendo para mais perto mesmo que fosse impossível. O gosto da água era delicioso, pois era uma troca mutua que faziam mesmo que não percebesse. A japonesa nem percebeu que suas mãos se enterraram em seus cabeços molhados, tentando colar seus corpos. Quanto tempo havia ficado ali? O suficiente para sufocar.

Sem avisar, as mãos de Syaoran desceram novamente para o mesmo lugar em que havia tocado por acidente. Acariciando por cima da cueca Box, o corpo de Sakura ferveu e se contorceu, sem saber o que estava acontecendo. Ela queria arrancar o restante das roupas e pedir para que ele fizesse algo, só não sabia o que.

Mas a situação parecia errada. Não era ela que queria sentir, era ela que queria tocar. Abriu os olhos e viu seu próprio rosto, encarando-a frente a frente. Isso não estava certo, ela não queria ver a si mesmo, ela queria ver o rosto que sempre viu na frente do espelho. Sentir aqueles olhos penetrantes a devorando por completo. O corpo a cima do seu estava errado, ela se sentia grande e desajeitada para caber ali. Não queria isso.

Antes de perceber, empurrou Syaoran, fazendo o mesmo bater as costas na parede. Sakura olhou para as próprias mãos, eram grandes demais para ela, queria suas mãos pequenas de volta. Queria seu próprio corpo.

—Eu quero meu corpo de volta! Syaoran, que quero voltar ao normal! – gritou ela.

Então acordou!

O sol batia na janela se seu quarto, o despertador estava desligado, isso ela não sabia o porquê. Estava soando e transpirando, havia desabotoado a camiseta do pijama sem perceber na noite anterior. Esfregou as mãos no rosto e deitou-se novamente, exausta. Não sabia se aquilo havia sido um sonho ou um pesadelo. Talvez um pouco dos dois.

Percebeu porque havia acordado, seu celular estava tocando na cabeceira da cama.

—Sakura, estou te ligando a mais de uma hora – disse sua própria voz ao telefone, Syaoran estava ligando de sua casa – está tarde, eu desliguei o despertador para que você dormisse um pouco mais, já que estava cansada, mas não é pra dormir a tarde inteira. Temos muito o que fazer ainda hoje.

—Sim, quero dizer, o que? – disse confusa no telefone.

Ele falou sobre os livros e as atividades que estavam jogados no sofá. Noite passada, nenhum dos dois terminaram os deveres e foram jantar, pois estavam com fome. Ela olhou pelo quarto, avistando as roupas molhadas estendidas em cima de uma cadeira no quarto, lembrando-se do acontecido. Sakura havia derrubado a sopa em suas calças e ambos foram até o banheiro, levaram uma queda no Box e discutiram sobre quem era mais tonto, pelos dois terem caído juntos. O beijo não fora real.

Ela suspirou, não sabia se ficava feliz ou decepcionada. Algo no sonho havia lhe deixado uma sensação extremamente desconfortável. Era verdade que nos últimos dias, havia sonhado cada vez mais com Syaoran, mas era a primeira vez que ambos ainda estavam trocados.

Ela caminhou até o espelho do quarto. Olhou para aquele garoto homem que estava lhe encantando a cada dia, num feitiço forte e incontrolável. Não se daria por vencida. Mas mesmo assim, algo naqueles olhos lhe fazia suspirar, e mesmo em frente ao espelho, prendia a respiração sem perceber.

Não ia se apaixonar, era somente atração física. Balançou a cabeça e pegou a toalha que usaram para se secar, no canto do quarto. Olhou uma ultima vez para aquela figura refletida que não era ela e cobriu o espelho.

Sem que Sakura soubesse, naquela mesma noite depois da confusão no banheiro, assim que Syaoran chegou em casa, ajudou a lavar a louça do jantar e tomou banho como sempre, depois escalou a janela de Sakura, sentando-se no telhado, e ficou a observar o céu noturno. A lua estava minguante e havia acabado de surgir, o céu estava bonito, mas uma única estrela estava roubando o brilho das outras, brilhando forte tanto quanto elas.

Syaoran suspirou e perguntou a estrela daquela noite como tudo aquilo iria acabar.

Notas finais
Espero que tenham gostado, esse capítulo foi apenas para explicar sobre a situação da troca de corpos dos dois, para facilitar nos outros, pois mesmo tendo comédia na historia, quero levar a tudo a sério. Afinal, teve um motivo para essa confusão toda surgir. Feliz natal a todos, e espero que vocês não tenham escutado a maldita piadinha de natal "É pra ver ou pra comer?".