Notas iniciais
Boa tarde pessoal, me perdoem pela demora. Tenho muitos projetos em andamento e não posso perder o foco em algumas coisas. Alem do mais, esses últimos capítulos são mais especiais do que os outros. Para deixar avisado de ante mão, Somente a Sakura que esta narrando estes caítulos agora, pois eu coloquei o presente, e no presente momento o Syaoran está na China. Espero que gostem.

(Sakura) Madressilvas e Camélias

Eu peguei a pequena criança e coloquei em meu colo. Ela tinha olhos castanhos muito familiares do passado. Uma pequena dor assolou meu peito, mas como eu fazia normalmente, voltei a tranca-la em cadeado em um baú no fundo de minha mente. Limpei seu rosto sujo de terra e seus joelhos arranhados. Eu havia visto o tombo de longe.

Tentei acalma-la, então a levei para dentro e dei-lhe um copo de suco. Passado o susto da queda, veio à raiva e negação.

—Porque eu não consigo correr tão rápido como todo mundo?

Comecei a rir. Quem dera esse fosse os menores dos problemas adultos. Decidi brincar um pouco com o ego do garoto, ele tinha que aproveitar em quanto sua imaginação pudesse ir onde quiser. Arrastei ele para uma poltrona e o coloquei em meu colo.

—Quer ouvir uma pequena historia? – disse eu enquanto ele enxugava as lagrimas – Há muito tempo atrás, uma pequena estrela concedeu um desejo meu. Eu não sabia o que tinha pedido. Essa estrela me deu algo que eu achava que nunca iria querer, e hoje, é o que eu peço de volta a ela todas as noites.

—Mas como eu posso conseguir correr mais rápido?

—Voce não precisa correr mais rápido – disse eu rindo – você já tem isso guardado com você, só não sabe ainda.

—Então eu deveria pedir a estrela?

—Não, a estrela não concede nada – disse eu suspirando – ela apenas faz você descobrir o que já tem. Porem, não custa nada tentar. Afinal, ela é uma estrela especial. Mas lembre-se, não pode ficar pedindo tudo pra estrela, somente algo muito importante, ou ela não vai te ouvir.

Eu sei que não era certo enganar as crianças, mas quando você cai na própria mentira, quem é mais infantil? Ele pulou de meu colo e saiu sorrindo porta a fora. Pelo menos e o tinha animado.

Ouvi o sino da porta de entrada e uma mulher muito bonita entrou.

—Shooji, sua mãe chegou – gritei eu para o menino de volta.

****

—Sakura, quando eu falei para você arranjar um emprego melhor, não quis dizer na creche Tomoeda. – disse Tomoyo, virando seu copo de cerveja.

—Tecnicamente eu não mudei de emprego, ainda estou no restaurante, já sou gerente, não posso sair e deixar de receber o ótimo salário que estou recebendo. E a creche é apenas aos finais de semana.

—Eu também não quis dizer para você ficar mais ocupada!

Tomoyo suspirou. Aquilo já era conversa batida e ela sabia disso, ela não podia reclamar que eu não segui seus conselhos, mas eu sabia em que ponto ela queria chegar, e eu não queria mais saber.

—Você precisa arranjar alguém, Sakura! Não pode ficar presa aqui em Tomoeda para sempre, ou pelo menos, começar a pensar em formar uma família.

—Cristo, Tomoyo! Nem você tem filhos ainda!

—Mas eu estou casada a mais de três anos – ela bateu o copo na mesa, sinal claro que ela já estava um pouquinho alem da conta, então eu tinha que preparar meu coração mais uma vez,. Que ótimo ter amigos para te lembrar do gosto amargo da vida – olha...não posso falar que essa historia de amor verdadeiro é impossível. Eu sempre amei o Eriol e apesar de achar que não iria dar certo, olha só para nós agora. Mas Syaoran seguiu em frente, você precisa seguir também.

Ela disse o que mais me doía ouvir. Já fazia quase três anos que não nos víamos e quatro desde que paramos de conversar por redes sociais ou telefone. Certo dia, enquanto estava no restaurante, vi o casamento do novo líder da família imperial chinesa pela Tv. Foi de cortar o coração. Lá estava Syaoran, tão alto e belo como nunca, em suas roupas tradicionais da família – Eu estava certa, ele ficava lindo daquela forma – Pareci tão mudado e mais maduro, não um delinquente que um dia já foi na escola.

Porem, a seu lado, havia uma linda mulher. Seus cabelos negros caídos por seus ombros, olhos escuros como a noite, que se contrastava contra sua pele branca. Ela parecia uma boneca. É claro que se casaria com ela, deveria ser uma princesa também.

Aquele dia foi o pior de minha vida, pois me toquei que eu era a única que ainda esperava por ele, que ainda nutria aquele sentimento forte e doloroso, que ainda o amava. Eu achava que poderia esquecer Syaoran com o tempo, mas parecia que só piorava.

Tomei meu drinque, engolindo tudo de uma só vez e sentindo minha garganta queimar. Não estava tão ruim assim. Fosse o príncipe da Pércia, Egito ou China, eu ainda era Sakura Kinomoto, a mulher mais forte do mundo, não iria cair tão facilmente – pelo menos assim eu fantasiava, enganando a mim mesmo que minha vida também era perfeita – Eu havia feito muitos amigos no Gato Preto, então me divertia a beça no trabalho do restaurante. E tinha minhas crianças, eu e mais uma menina chamada Kobato estávamos cuidando da pequena creche, que passava por tempos difíceis.

—Tomoyo – comecei eu – esta tudo bem! Eu estou feliz do jeito que estou.

—Mas é por isso que eu me preocupo! Você se acomodou Sakura, nunca vai andar pra frente desse jeito. Eu não quero mais saber, vou te arrumar encontro às cegas e nem adianta reclamar.

Eu engasguei com meu próprio drinque, o liquido de gosto amargo entalou e subiu pelo nariz, fazendo meus olhos lacrimejarem de dor.

—Tomoyo, pelo amor de Deus – disse eu tossindo – quem em pleno 25 anos iria ainda fazer encontro às cegas?

—Muita gente para você saber, tem que aproveitar enquanto esta com tudo em cima.

—Ok, esta bem, já deu por hoje – chamei o barmen – a conta por favor!

—Voce não vai me enrolar Sakura, escute minhas palavras.

E assim arrastei aquela amiga doida para fora do pequeno bar em que nos encontrávamos aos finais de semana. Pena que ela não estava bêbada o suficiente para esquecer da promessa.

****

Não deu outra. Uma semana depois eu estava sentada em um pequeno restaurante Chines, localizado nos arredores da cidade. Já estava muito irritada, para começar, porque tinha que ser um restaurante como esse? Parecia uma ironia do destino. O homem chinês que eu amava estava casado com outra em sua bela mansão na China e eu em um muquífo paraguai nos arredores da cidade. Não poderia ser pior.

Porem, parecia que aquela maldita estrela estava me amaldiçoando, pois é claro que tinha que ficar pior. Passei quase uma hora sozinha, esperando minha companhia e ouvindo risadas de mulheres mais jovens do que eu – parecia que elas estavam rindo de mim, mas devia ser minha imaginação – até que finalmente começou a chover... E eu tinha vindo de ônibus, usando sapatos que machucavam meus pés.

Fiquei aliviada que o rapaz não havia aparecido... Estava pensando em como seria bom chegar em casa e tomar um banho quente para me enfiar na cama, mas ouvi a porta abrir e rezei para aquilo não estar acontecendo. Não tinha como fugir, eu tinha me levantado, mas irritada, sentei a bunda na cadeira de novo. Eu era a única mulher sozinha no restaurante, então quando ele olhou para mim, ficou obvio que eu era a pretendente.

Pelo menos Tomoyo tinha bom censo, ele não era de todo mau. Seus cabelos eram curtos e seus olhos claros, ele não tinha um porte muito grande, mas parecia simpático – ou talvez fosse por estar uma hora atrasado – antes de sentar-se em minha frente, ele desajeitadamente me cumprimentou com um beijo na bochecha, me assustando com a proximidade.

—você é a Sakura, não? Tão bonita quanto à foto que eu vi – disse ele – me desculpe pelo atraso, estava muito atarefado no trabalho.

—não se preocupe com isso... com essa chuva, o transito não deve estar muito bom.

—Você provavelmente deve estar com fome, vamos fazer o pedido, que tal?

O jantar não foi ruim, ele trabalhava como técnico de TI, mas tinha uma situação financeira estável. Depois de alguns drinks, ele só sabia falar de trabalho... Não parecia de todo mau, mas tinha um problema...

Ele não era Syaoran.

Eu não conseguia evitar de ficar comparando todos os elementos que estavam faltando. A profundidade dos olhos, os cabelos rebeldes, a personalidade meio arrogante. Não era por Syaoran ser mais bonito ou não, era porque eu apenas sentia falta de tudo aquilo... Quando ele começou a falar de casamento, de repente, me senti enjoada.

Me levantei, me curvei humildemente em sua frente pedindo desculpas e fui embora. Ele pagou a conta, o que me deixou muito pior, pois eu não queria machucar uma pessoa tão boa. Sabíamos que não nos veríamos mais.

Como eu havia adivinhado, peguei chuva até finalmente o ônibus aparecer. Meus pés estavam latejando, mas era meu coração que parecia que ia cair. Olhei para o céu da janela do ônibus, e por mais que não desse para ver nada por conta da chuva, fiz uma oração silenciosa.

Cheguei em casa, tomei um banho bem quente e me consolei com minha cama e cobertor, sonhando novamente – assim como todos os outros dias em que eu havia me despedido de Syaoran – dos dias em que estávamos de corpos trocados. Eu não sabia aquele tempo, mas agora parece ter sido a melhor época de minha vida.

****

No dia seguinte, para minha surpresa, alguém bateu em minha porta. Não poderia ser Tomoyo, ela estava trabalhando. Era o porteiro do condomínio.

—Me pediram para entregar isso para a senhora, dona Sakura. Ele disse ser um de seus pretendentes e está muito ansioso para encontrar você.

Era um boque de flores enorme, com madressilvas e camélias. Era lindo, mas tentei me lembrar do cronograma que Tomoyo havia me dado. Eu ainda tinha mais dois encontros essa semana e dois na próxima. Olhei para as flores pensando que iria deixar outro coração partido. Queria esquecer por um momento sobre toda aquela agonia, então joguei de lado o boque e me arrumei para sair para o trabalho.

O segundo encontro foi pior, pois era no próprio restaurante que eu trabalhava. Era humilhante esperar outro pretendente enquanto fazia meus amigos pensarem o quanto eu estava desesperada para desencanar. Eu não sabia se eles estavam rindo de mim ou sentindo pena.

—Voce não precisa passar por tudo isso Sakura, basta ser quem você é e se divertir, alguém aparece uma hora. Talvez você não precise de ninguém agora – disse meu chefe, Fay, um rapaz lindo de cabelos loiros que sempre cuidava de mim como um segundo pai – epa, chegou o rapaz.

Ele entrou carregando um buque, mas as flores eram diferentes do que de hoje de manha. Eram rosas vermelhas.

O cara da vez tinha porte atlético, era nadador. Parecia ser o tipo de gente que arranja uma namorada todo final de semana. Ele não estava atrás de compromisso sério, apenas viu a foto e me achou bonita. Era a primeira vez que fiquei com vontade de rir. Ele também comia muito, o que estava irritando meus amigos ao fundo do balcão. Uma das funcionarias fez sinal com os braços, perguntando, “e ai? Ele só come?”. Dei de ombros e deixei que o rapaz desabasse em paz em cima de seu prato. De boca cheia, a gente conversava menos.

Uma voz me chamou a atenção para a Tv. Era um repórter que estava mostrando a entrada de um templo Chinês. Desliguei meu cérebro da pessoa a minha frente que falava enquanto comia – eu estava errada quanto a conversa, ele conseguia comer e falar ao mesmo tempo – e prestei atenção a noticia.

”O príncipe líder do Clan Li deu sua ultima entrevista essa ultima semana em uma conferência, em justificativa do próximo herdeiro. Ele não divulgou muito sobre o assunto, mas pediu a todos que fossem pacientes, apresentaria um filho legitimo a mídia quando chegasse o momento certo, pois não queria que a criança sofresse influencia das câmeras ou que isso atrapalhasse o momento de gravidez”.

“O príncipe disse que estava se preparando para viajar a negócios na próxima semana, pois ele e a esposa estavam...”.

A TV desligou. Fay olhava para mim preocupado, segurando o controle em mãos, mas eu evitei seu olhar. Meus olhos encaravam apenas minhas próprias mãos, cheio de lagrimas. Syaoran iria ter um filho. Essa era a prova final de que ele havia me esquecido de vez. Olhei para o homem a minha frente, ele continuava falando, mas eu não escutava uma palavra. O que eu estava fazendo? Estava me sentindo ridícula, pois o homem da minha vida agora já tinha uma família formada e eu esta tendo encontros arranjados...

Não foi somente tristeza que subiu pra minha cabeça... Também foi raiva. Eu já sabia que isso iria acontecer, mas porque eu me depenava dessa forma? Porque eu parecia uma mulher tão triste a meus olhos?

Alguns minutos mais tarde, agradeci e encerrei a noite. Fay disse que eu não precisava trabalhar no dia seguinte, mas eu não ia aguentar ficar em casa me remoendo em um cantinho da depressão.

Antes de sair de casa, novamente, recebi outro buque de flores. Madressilvas e camélias novamente. Coloquei em um canto junto com o outro pacote e mais as rosas vermelhas de hoje.

****

O ultimo encontro da semana foi para me esgotar de vez. O rapaz de cabelos escuros, penteado para um lado, parecia que somente falaria de si mesmo e de todas as suas conquistas já realizadas. Foi entediante. Pelo menos, escolhi um lugar o mais longe possível da TV.

Quando eu comecei a arrancar pedacinhos de pão, que estavam de petisco em cima da mesa, e a tentar decidir qual era o maior para comer com o molho especial – sendo que eu poderia comer todos – eu descobri que estava na hora de ir embora. Eu parecia duas vezes mais esgotada que o normal, sem conseguir tirar a voz da repórter e a imagem do casal a minha mente.

Eu queria muito esquecer. Estava parecendo uma criança, pois todas as tardes, quando o sol estava se pondo, eu prestava atenção no céu para ver se encontrava a primeira estrela da noite, não era fácil, dificilmente eu a via. Mas quando a via, perguntava se seria possível trocarmos de corpos novamente. Todos os dias, esperava ver o reflexo de outra pessoa de manha.

Eu havia me apaixonado pela lua e morreria afogada, tentando alcançar seu reflexo na água, como em um velho conto antigo dizia. Parecia ser um amor impossível para mim.

Tomoyo me ligou muito mais tarde para perguntar como foram os encontros dessa semana. Eu ralhei com ela inicialmente, mas nunca conseguia ficar brava por muito tempo. Além do mais, ela estava casada e em rumo de ter um filho. Eu seria a tia dos gatos – apesar de ter só o Kero, que agora esta muito velho, ou gordo, para se levantar.

Pergunte a ela se saberia quem estava enviando as flores, mas só fiz alimentar seu ego e me arrependi de ter dito qualquer coisa. Foi difícil fazer ela desligar.

****

Os finais de semana era a única coisa que me distraia. Não dava tempo de ficar triste, eu tinha as crianças para cuidar. Brincávamos, comíamos e depois dormíamos, com quase cinco crianças entre meus braços. Era a única coisa que eu achava que estava fazendo certo. Ajudava na lavagem dos lençóis de camas, planejávamos atividades de finais de semana diferente para diversão de todos e cantávamos juntos toda vez que estávamos indo embora. Pensei seriamente em pedir para trabalhar na semana também, mas eles não tinham condições de pagar mais um funcionário.

Em um dia quente, estávamos montando uma piscina pequena para as crianças. Enquanto estávamos ocupados, Shooji, o garoto que havia chorado por não ser tão rápido quanto os amigos, apareceu com um buque de flores de madressilvas e camélias.

—Tia Sakura, um moço pediu para entregar isso para você, ele é seu namorado?

Eu estava começando a suspeitar que era um stalker, mas em vez disso, apenas respondi que era um amigo – que nem mesmo eu conhecia.

—Shooto, você não pode conversar ou aceitar coisas de estranhos – briguei com ele – é perigoso!

—Esta tudo bem, ele era muito legal, deixou um monte de brinquedos na entrada da secretaria. Também disse que você é a mulher mais linda do mundo – isso acabou me surpreendendo um pouco – mas eu falei que você já tem a mim, não precisa de mais ninguém.

Eu cai na gargalhada e o peguei pela cintura, jogando-o na água.

Era um final de semana, nada de encontros. Porém, após voltar da creche, passei minhas noites assistindo talk shows e novelas, enquanto comia pipoca e sorvete. De pijama, com a barriga para fora, eu pensei, “Foi isso que você se tornou Sakura”. É, eu não estava me sentindo a mulher mais linda do mundo.

Estava indo tudo bem no começo da semana até o inicio do próximo encontro. Eu já tinha discutido com Tomoyo tentando tirar essas ideias da cabeça dela, fiz ela prometer que não me arranjaria mais nenhum, ou nunca mais falaria com ela. Eu devo ter me livrado somente até o final desse mês.

— Bem, talvez você não precise mais mesmo – olhei para o telefone confusa, mas Tomoyo trocou de assunto rápido demais – Olha, esse rapaz de hoje é mais confiável do que os outros. Ele veio de uma recomendação de Eriol, você vai gostar dele. Quero que capriche hoje à noite.

—Não prometo nada! – disse eu enquanto recebia mais uma entrega de madressilvas e camélias. O porteiro brincou comigo fazendo com as mãos um formato de coração e eu ameacei bater nele com o buque.

Estranhamente, os buques só chegavam aos dias de encontro. Eu só teria mais dois pela frente. Iria descobrir quem estava fazendo isso e educadamente partir seu coração. Depois compraria mais um gato para fazer companhia a Kero.

O dia no restaurante foi corrido, mas tive permissão de sair mais cedo. Durante o trajeto, algo me chamou a atenção. Era um pequeno ponto brilhante no céu arroxeado por conta do sol se ponto e da noite chegando. A primeira estrela.

—Se você queria tanto que nós ficássemos juntos... porque acabamos assim? – murmurei eu para ela.

E mesmo minha cabeça já falando que era tarde demais e que eu estaria agindo como uma criança, juntei as mãos e fiz um pequeno desejo de ver aquele alguém novamente.

—É minha ultima tentativa com você.

Uma pequena lagrima escorreu por minha bochecha, mas eu a sequei e segui rumo a minha casa para me arrumar ao próximo encontro.

O rapaz de hoje teve a decência de não marcar no mesmo lugar em que eu trabalho. Era um restaurante pequeno, mas bonito. Não sabia dizer se a comida era boa, mas o lugar era extremamente agradável. Tinha luzes pequenas enroladas nas copas das arvores ao redor do restaurante, dando uma iluminação muito acolhedora. Era o tipo de lugar que eu gostaria de sentar e ler a noite toda.

Chegando a entrada, dei meu nome e um dos atendentes me levou até a mesa. Um homem bonito esperava por mim, não estava atrasado. Talvez eu estivesse não tinha certeza. Fiquei impressionada, era realmente alguém diferente, era estrangeiro, mas o japonês se mantinha bem fluente. Ele estendeu a mão e puxou a cadeira para mim.

De suas costas, retirou um buque de madressilvas e camélias.

_Obrigada por aceitar comparecer ao jantar, senhorita Sakura – disse ele educadamente.

—Obrigada pelos buques, mas acho que exagerou um pouco, não? Eu não mereço tanto assim.

—Vale cada flor que eu puder colher! – isso foi bem brega.

Diferente das ultimas vezes, me sentia a vontade, pois o rapaz chamado Raphael sabia puxar assunto. Conversamos durante o jantar e a sobremesa animadamente. Tínhamos muito em comum. Ele disse que era amigo próximo de Tomoyo e Eriol, e que nunca houve uma conversa sem que mencionassem meu nome. Também trabalhou em um restaurante por um tempo até decidir viajar e conhecer o mundo, e que hoje tinha muitas ações no Japão – ta bom, talvez não tão parecidos assim.

Já estava ficando tarde quando ele me fez a maldita pergunta que todos me fazem e acaba estragando minha noite.

—Uma mulher tão bonita e jovem como você, senhorita Sakura, porque ainda esta solteira? Não que eu esteja reclamando – disse ele rindo marotamente.

Eu não queria falar de Syaoran ou qualquer coisa que fosse ligado a ele. Foi difícil processar a informação de que ele logo teria um filho, e pela primeira vez, pelo menos por algumas horas, eu tinha consegui deixar de lado o chinês. Porem, acho que Raphael percebeu minha expressão, pois soltou um suspiro e olhou para seu próprio prato.

—Ah não – ele balançou a cabeça – não precisa me dizer. Perdoe-me por ser intrometido. Seu rosto já me diz tudo, tem outro não? Me desculpe, eu devo ter feito voce se lembrar de muita coisa ruim.

—Olha Raphael, me perdoe. Eu avisei Tomoyo que não estava pronta para esse tipo de coisa ainda. Você é legal – tentei argumentar – mas em nenhum momento eu vim com o objetivo de conhecer alguém. Só queria que me deixassem em paz, por isso aceitei os encontros.

—Sakura – era a primeira vez na noite que ele não me chamava de senhorita – você não tem que se desculpar, esta fazendo sua tentativa para superar essa dor. Eu mesmo passei por isso, portanto sei o que esta passando. Mas acredite, nada que um bom drink de tequila não possa resolver por uma noite.

E assim, nós brindamos aos corações partidos. Aquele e mais as outras doze doses. Eu não tive mais certeza do que aconteceu dali em diante. Eu e Raphael ficamos muito alegres e apesar de não querer criar expectativa nenhuma, ou o abracei e beijei na bochecha, me despedindo.

—Quando vamos nos encontrar de novo? – disse ele com uma voz meio embargada, e para falar a verdade, eu não me lembro o que respondi.

Como eu cheguei em casa, não sei dizer. Apenas me recordo da alegria momentânea e de uma tristeza horrível logo depois. Acho que devo ter passado umas duas horas sentada em um banco, chorando e xingando alguém que não me lembro quem era, mas imaginava. Engolindo o choro, limpando o nariz e segurando as flores, sai cambaleando até a esquina que eu achava ser de minha casa, mas não tinha certeza.

Cai em cima de alguém, na verdade a pessoa trombou em mim e me segurou antes que eu fosse ao chão. Disso eu conseguia lembrar bem, pois ela segurou meus braços com força e eu senti um cheio muito gostoso e familiar. Acho que recebi uma bronca e perguntei se ele era meu novo amigo Raphael.

Acordei em minha cama, descabelada e com o rosto todo borrado de maquiagem. Perdida e confusa. Como eu havia chegado a meu apartamento era a pergunta principal, mas deixei pra lá assim que senti um cheiro gostoso no ar e ouvi minha barriga roncar. Era um café da manha pronto, coberto com um pano, no canto da mesa. Ainda estava morno, então devia ter sido preparado há pouco tempo.

Comi com gosto, mas rezando para que eu não tenha dormido com ninguém desconhecido. Reparei que ainda estava vestida com as roupas de ontem, então fiquei mais aliviada. Mas quem foi meu cozinheiro particular?

Liguei para o porteiro e perguntei o que aconteceu a noite passada.

—Um rapaz veio deixar a senhora, dona Sakura. A senhorita estava caindo de tão bêbada que me chamou de Syaoran umas cinco vezes.

Pedi desculpas, extremamente envergonhada, para ele – o que só o fez rir, tenho certeza – e olhei para o buque de flores em cima do sofá. Só podia ter sido Raphael, teria que pedir desculpas para ele mais tarde. Devo ter dado uma péssima impressão nesse encontro. Limpei a sujeira que as flores deixaram no sofá – eu devo ter brincado de raquete com elas – e coloquei o que sobrou junto com as outras.

Havia uma pequena diferença. Todas as outras camélias eram de tons rosados e vermelhos. As que eu recebi diretamente das mãos de Raphael eram azuis.

****

O ultimo encontro seria perto do final da semana, em plena sexta feira. O da noite passada tinha sido divertido e tudo mais, mas eu estava exausta de tudo aquilo. Eu não sentia estar fazendo a coisa certa para mim mesma. Após o expediente, pedi para Tomoyo que cancelasse o encontro.

—Não!

—Tomoyo – suspirei eu – vou pedir para a estrela trocar você e Eriol de corpos quando você engravidar e tiver um filho, assim, na hora do parto, quem vai sentir a dor será Eriol e quem vai aguentar todo o estresse de TPM vai ser você.

—Muito engraçado Sakura, mas não. Você me prometeu. Alem do mais, pelo menos esse ultimo, você tem que aparecer. As coisas vão mudar, eu garanto.

Como eu poderia ter uma amiga tão sem coração?

A semana voou rapidamente. Na verdade, minha vida parecia um calendário mal feito, soltando páginas velhas e rasgadas dos meses castigadores que vinham pela frente. Na sexta, fiquei esperando o bendito buque de flores, mas ele não apareceu. Claro que não, fora Raphael quem os enviava e nosso encontro acabou terminando num desastre total.

Depois de escurecer, me arrumei sem empenho nenhum comparado a noite anterior. Só queria acabar com aquela noite e ir dormir. Desci as escadas desanimada e ao chegar na entrada, dois homens barraram minha passagem.

—Pedimos para que nos acompanhe, Senhorita Sakura. O jovem mestre lhe aguarda.

Depois do susto — eu achava que era um sequestro – fiquei xingando Tomoyo em minha mente, pois ela havia aceitado me arranjar um velho rico, só podia ser. Eles me entregaram um buque de flores igualzinho aos que eu recebia de manha. Não fora Raphael afinal. Suspirei e aceitei entrar no carro. O percurso não foi tão longe, quanto eu imaginava. Chegamos em um restaurante pequeno e modesto, mas era bonito e acolhedor, nada extravagante.

Entrei, mas não vi movimentação nenhuma. Apenas um som suave de piano mais ao fundo que parecia estar vido de um jardim. O restaurante estava com as luzes apagadas, apenas algumas velas acesas para indicar o caminho. Atravessei pelas mesas arrumadas, mesmo que não tivesse ninguém, e abri a porta de vidro que ligava para fora.

Era lindo. Havia apenas uma arvore, mas era grande o suficiente para cobrir todo o jardim com seus ramos. Os canteiros de flores eram bem cuidados, como se fosse até algo particular, especialmente em volta de alguns bancos para dar conforto. No centro, perto do tronco da arvore, havia um grande piano.

Ele não parecia pertencer ao ambiente, mas sua musica deixava um clima gostoso no ar, com um arranjo de notas da brisa suave e das folhas das arvores. Por algum motivo, isso me trouxe uma sensação estranha na boca do estomago.

Me aproximei, sem tentar interromper o autor daquilo tudo, a cauda do piano estava na frente de minha visão. Observei uma pequena mesa no centro, achei meio exagerado toda aquela preparação, mas tinha seu charme. Sentei-me olhei em volta, esperando meu par da noite aparecer.

As notas do piano morreram. Senti uma mão forte em meu ombro, estava prestes a me virar quando ouvi aquela voz.

—Sakura.

Notas finais
Eu sei que muitas pessoas estavam esperando uma gravidez ai, porem, eu não gosto muito de seguir clichês. Alem do mais, não é uma historia tão grande como Um sopro de felicidade, ela está chegando a seu final, e não daria tempo de trabalhar uma gravidez, acho que mudaria um pouco o foco da historia também, pois eu estava trabalhando troca de corpos até agora, não intrigas de família. Só para me justificar. Espero que vocês tenham conseguido entender bem os sentimentos de Sakura. Pelo menos, é assim que uma mulher fica quando se esta com coração partido, tentando superar a relação, e incansavelmente ficar pedindo a uma estrela para que as coisas acabem dando certo para você na vida. Bom, pra mim ainda está em processo.