prayer beds

1 x. tell me about the big bang


Notas iniciais
td nessa fic é implícito. tem beijo? num tem beijo. tem fodinha? num tem fodinha. tem o adam e o ronan se amando bastante? tem sim!! (não se preocupem)
(the perks of being asexual)
TW: VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (!!!!!!!LEIA COM CUIDADO SE FOR SEU TRIGGER. SE PRESERVE!!!!!!!)

fanfic escrita para o delipa10, onde eu peguei "cobra". como a fanfic que eu realmente queria escrever com esse tema jamais ficaria pronta nos tipo dois dias que eu tinha para terminar eu decidi partir pro plano b e pegar o sempre possível Cobra Como Uma Metáfora Perdida Na Fic. desculpe, gente. talvez eu escreva a fic original em algum momento e poste aqui, no bom e velho nyah.
P.S.: coloquei amizade & drama pq não sabia mais o que colocar. na vdd isso é hurt/comfort. já advoguei minha causa aqui diante da moderação desse site dizendo pra colocarem hurt/comfort mas me deram promessas não me deram certezas e agora 1 ano dps ainda estamos aqui, sem a categoria. ugh
anyway. enjoy

prayer beds

The doctor said some day I might not be able to walk

It’s in my blood like the iron

My mother is as tough as nails, she held herself together

The day she could no longer hold my niece she said

“Our kneecaps are our prayer beds

Everyone can walk farther on their kneecaps than they can on their feet”

— andrea gibson.

Você pensa que é o resultado de ser indesejado e assustado durante toda a sua vida — quanto mais você ama uma coisa, mais deseja rasgar isso em pedaços.

(começa de novo, abre parênteses: Ronan. 1) fala latim. 2) mais infame irmão Lynch (motivos óbvios). 3) detesta ter de dar explicações (puxa uma seta, p.s.: você também). 4) um terço do quinteto ronan-ganseyblue-noah-adam. 5) gosta de corvos. 6) ama você.

fecha parênteses).

Quando você pensa na personalidade de Ronan você sempre pensa numa cobra cochilando no sol. Mas não uma cascavel escondida perto de um arbusto — fácil demais. Ronan, na sua mente, é o tipo mais gritante de coral. Aquela que te espera deitada numa pedra. Ele garante que, se você for picado, você saiba que foi porque você é um idiota. Você foi avisado, é o que cada linha da tatuagem nas costas dele parece dizer — aproxime-se por sua conta e risco.

É claro, você viu aquilo e mesmo assim você foi. Você ouviu o aviso e se aproximou, embalado na certeza que com você seria diferente — como Ronan poderia te machucar? Dele você não esperava quase nada (mas, palavra chave: quase). E você foi. Perto o suficiente para amá-lo. Perto o suficiente para começar a desejar vê-lo queimar.

1) Verão;

2) Antes de Blue;

3) sol sol sol. Tanto calor que você tem certeza que vai derreter como sorvete abandonado no carpete.

Você está no chão do quarto de Ronan, olhando para cima em direção à cama onde ele deita encarando o teto e fingindo que você não está ali. A cena é monótona, comum; tediante, até. Mas você não se importa.

Você sabe que Ronan vem até você porque você não sente a insuportável (compulsoriamente culpada) obrigação Ganseyriana de torná-lo uma pessoa melhor. Vem a você porque você não tenta se contorcer para se encaixar no vazio que tem a forma de Niall Lynch. Vem a você porque você o deixa com seus problemas desde que ele te deixe com os seus.

Vem a você, ponto.

Você não o ama, ainda.

(mas poderia)

A marca na sua bochecha conta uma história de ódio. Você não culpa Gansey por não conseguir olhar — quando os machucados são no seu rosto você nunca se aproxima do espelho. E, se você não consegue suportar seu próprio rosto, como poderia pedir para que seus amigos o fizessem? Você é vil e quanto antes todos perceberem, melhor.

(ronan não consegue parar de olhar para seu machucado roxo brilhante e todo o seu corpo coça de vontade de dizer para ele tirar uma foto para durar mais; de mandá-lo cuidar da própria vida porque vá para o inferno como você ousa me julgar—

é claro, você não diz nada. nem uma palavra,

porque não adianta, ele nunca te ouve,

e você não gasta seus gestos em vão,

mas você também não baixa os olhos, ah não,

você se recusa a sentir vergonha na frente de ronan lynch

por algo que nem é culpa sua, ele que vá se foder,

e porque ele não diz bem feito

não? não —

ele diz você quer um pouco de gelo para isso aí?)

(e a resposta verdadeira é sim. a resposta verdadeira é por favor por favor por favor—)

(mas a que você dá a ele isso aí o que?).

No começo você indulge a afeição de Ronan porque parece uma coisa tão passageira que você pensa por que não? (O que poderia dar errado?) A atenção dele te interessa, a criança rica que é capaz de sonhar um mundo inteiro erguido do nada mas que prefere trazer a vida crianças de olhos brilhantes e bom coração ou cremes para as suas mãos (com o exclusivo adicional de mensagens em latim). Você indulge porque Ronan é Ronan e você é você e o interesse dele obviamente surgiu da convivência exagerada e passaria tão, tão, tão rápido; exatamente como chegou. Você tinha que aproveitar enquanto durava, obviamente. Os termos daquele contrato implícito, você tinha certeza, eram esses. Crystal clear.

(puxa uma seta, escreve em maiúsculas, circula: você estava errado,

— mas isso não é problema, só uma ferida no ego (você já tem muitas) e uma reviravolta que pode ser resolvida em breve; você é Adam Parrish o que quer dizer que você não admite erro e muito menos derrota então plano B fugir e ignorar. Se tudo der errado, plano C confronto.

Você odeia o plano C).

Um parênteses sobre instintos:

Quando você era criança, você decidiu que amava a sua mãe. Ela era tão bonita, sentada na janela olhando para a rua, como se esperando alguém chegar (fun fact: ela na verdade estava rezando para o seu pai ficar na rua o máximo possível. Você não entendia isso na época. Sigamos); até a tristeza dela parecia idílica. Uma boneca animada, uma estátua de mármore que criava vida para te dar um beijo na testa feito para atrair bons sonhos (isso acontecia, até os seus oitos anos, todas as noites sem falta. depois disso 1) o espírito dela quebrou de vez — há uma quantidade x de violência espreitando na sua sala de estar que você aguenta até simplesmente desistir (e a dela foi ainda maior do que de outras) 2) ela abriu mão de você. cuidar dos seus machucados para ver novos surgirem no lugar doía demais, então a solução óbvia era abandonar a tarefa de vez, certo? (você não sabe se ela esperava ser perdoada por isso. você torce para que não, porque mesmo depois que tudo que aconteceu te deixa triste a ideia da sua mãe esperando um perdão que nunca vai chegar). 3) seu pai decidiu que homens de verdade não eram beijados por suas mães. mesmo se eles tivessem só oito anos). Enfim. Você decidiu que amava sua mãe, porque ela era linda, porque ela beijava sua testa todas as noites, porque ela dizia que te amava, porque ela te pegava nos braços e te chamava meu bebê.

E o amor continuou até a dor das marcas serem mais duradouras que a sensação dos lábios na sua testa. Durou até os sorrisos dela para você — aqueles que diziam sinto muito, mesmo sem ser culpa dela, que existiam apenas porque fariam você se sentir melhor — deixaram de ser mais frequentes que os socos do seu pai. Durou até que ela deixou de tentar te salvar e te deixou queimar na fogueira sem estender um dedo para ajudar. Sem sequer desviar os olhos para outro lugar.

Não era culpa dela e você sabia — ela só estava machucada machucada machucada —, mas você a odiou do mesmo jeito. Odiou com tanta força que você achou que ia explodir. Odiou talvez até mais, pelo preço adicional da traição — seu pai sempre foi um monstro e dele você esperava dor e humilhação, mas sua mãe te contava histórias e te pegava no colo e te chamava meu bebê e o que ela fez foi te trair e abandonar e você nunca, nunca iria esquecer—

Você aprendeu a lição, ah, sim. E você a recitou todos os dias, porque sempre foi um garoto esperto.

Amor é mais frágil que vidro. Um movimento errado e está em pedaços no chão, e os cacos sempre se enfiam na pele de quem não viu chegar — sendo assim, melhor coisa a fazer é você mesmo pegar e atirá-lo na parede, certo? Se for para ver morrer, pelo menos que seja de um jeito que doa menos em você.

(ninguém nunca deveria te amar, ponto.

infelizmente, ronan lynch não recebeu o memorando)

Por um abençoado segundo, tudo é silêncio — você quase pensa isso é um pesadelo graças a deus—

(ronan é católico, e ele provavelmente diria coisas assim — graças a deus — numa outra vida em que niall lynch respirasse e vivesse e aleluia)

E então os gritos recomeçam — tudo de uma vez, quatro vozes uma por cima da outra gritando pela sua atenção;

(pense catalogue organize raciocine)

1) EU ESTAVA DEFENDENDO ELE DESSE IMBECIL VOCÊS NÃO ESTÃO VENDO O ROSTO—

2) ele caiu, não é, querido? adam? caiu da escada—

3) isso é ridículo saiam da minha casa—

4) você está bem, filho? filho? adam? seu nome é adam? o que aconteceu aqui—?

(pensamentos:

1) por favor vão embora

2) isso não está acontecendo

3) ronan vai ser preso

4) merda

5) ele vai perder a vaga de vez

6) gansey vai ficar louco

7) isso é tudo minha culpa — típico

8) foda-se? isso é tudo culpa do RONAN eu disse para ele ir embora se ele me ouvisse uma vez na vida

9) se a dor é alguma medida eu acho que nunca vou ouvir com essa orelha outra vez)

Você mal se ouve quando diz "Eu quero prestar queixa", e não (apenas) porque você está em choque mas também porque o barulho da sua vida inteira ruindo é muito mais alto que a sua voz poderia ser.

(E porque o peso do olhar desaprovador da sua mãe — eu nunca vou te perdoar — te deixou surdo para essa frase para sempre).

(nada nunca mais vai ser o mesmo outra vez, isso é certo;

e é incrível, tudo está em pedaços,

mas você quase sente alívio)

As luzes da rua em frente ao hospital são agressivas e brilhantes, quase como se quisessem te expulsar daquele canto onde você se escondeu tentando pensar no que fazer. Suas mãos estão frias, anestesiadas no lugar onde você segura o papel com as receitas de remédios para o seu ouvido. A realização de que você não tem para onde voltar tardou mas chegou e você está ali olhando o asfalto há meia hora quando ouve o barulho familiar do motor de uma BMW. Você levanta os olhos muito mais por reflexo do que vontade e, como previsível, Ronan Lynch: machucados roxos neon frescos na sua pele escura, postura despreocupada e olhos nervosos (por causa de você), encostado na porta do motorista e girando as chaves no indicador da mão direita.

"Eles deixaram você dirigir?"

"Não sou eu que me machuquei feio o suficiente para precisar de um hospital", é tudo que ele responde, revirando os olhos, e você pensa isso é justo. É preciso mais que uma briga, uma ameaça de cadeia e a perda parcial da sua audição para abalar Ronan Lynch o suficiente para que ele deixe de lado o sarcasmo. "Quer uma carona?"

"Pra onde?"

"Pra casa, onde mais?"

"Não sei se você perdeu o momento em que eu disse que ia prestar queixas, Ronan" você diz, muito lentamente, como se explicasse as coisas para uma criança pequena e ingênua, "mas isso quer dizer que eu não posso voltar para minha casa. Sabe, onde mora o meu pai?"

"Quem disse que era de lá que eu estava falando" ele retruca, inabalável, e você suspira porque sério, isso é típico, "Você pode ficar com a cama essa noite." Ronan abre a porta e coloca o cinto antes de olhar de novo para você, pela janela, expressão cuidadosamente em branco. "Você vem?"

(e você vai)

Ronan é fiel em sua palavra de te deixar ficar com a cama naquela noite. E na seguinte. E na próxima. E na outra. Na verdade, você fica com a cama todas as vezes até que você se muda para o sótão da igreja, porque todos os dias, quando você chegava no quarto depois do trabalho — ou de alguma atividade extra ou qualquer coisa que te deixou na rua de noite naquele dia — Ronan já estava dormindo (sonhando, você se corrige. ronan não dorme. ronan sonha) no chão.

Ele se recusa a reconhecer o fenômeno quando você o confronta sobre isso no terceiro dia.

Vocês estão deitados no chão de Cabeswater, o que é tão desconfortável quanto parece — pedrinhas conseguem se enfiar nas suas costas apesar das três camadas de roupa (dois suéteres, uma camiseta, reze para ficar quente o suficiente — se der errado bem que pena a chance de ir para casa colocar alguma outra coisa por cima só se apresenta no final do dia, o que é a total definição de tarde demais), pedaços de galho definitivamente não fazem um bom travesseiro, o clima não é o tipo que convida um bom descanso em meio a natureza (por algum motivo Ronan insistiu que vocês parassem no outono — “vamos estar usando roupas demais se formos em frente” “sempre podemos tirar” “[pausa muito longa e muito pesada]”) e você gostaria de estar na sua cama, muito obrigado.

Mas Ronan gosta de Cabeswater,

e você meio que gosta de Ronan,

(— bastante —),

Enfim.

“Então” você diz, e faz uma careta quando Ronan revira os olhos para você. Ronan é um babaca, o que você fala para ele, porque é uma necessidade de importância vital que ele saiba o quanto te irrita. (Ele revira os olhos de novo).

“Você vai mesmo para Princeton?”

“Não sei.” você diz, porque nunca tem objetivo esconder nada de Ronan. Ele faz o favor de não apenas descobrir como também de jogar a informação na sua cara, um sorriso no canto da boca que diz foi divertido, não? (Resposta: não). “Não sei direito nem o que vou almoçar amanhã.”

“O que vai acontecer quando encontrarmos Glendower?”

“Ronan” você diz, muito lentamente. “Eu acho que você não está me ouvindo.”

“Porra, Adam.” suspiro. “Você sempre tem tanto plano.”

“Dessa vez não.”

“É, acho que sim.” (silêncio, silêncio, silêncio — entre vocês, no caso. os murmúrios das árvores começam a parecer suspeitosamente com conversas). “Vamos pra casa agora? Acho que a minha bunda tá congelada.”

“SIM.”

Você conta a ele sobre o julgamento do seu pai. Você não sabe exatamente o por que, embora tenha uma vaga ideia; se você fosse interrogado e te batessem e te chutassem e exigissem uma resposta sobre essa decisão específica, você provavelmente diria que era porque Ronan merecia saber. Porque ele se meteu no meio do problema e se tornou parte da equação, porque ele deu um soco no rosto do seu pai que cortou o lábio dele e provavelmente deixou a bochecha roxa, porque sua mãe não fala mais com você então você não tem ninguém com quem coversar, mas tudo isso é bobagem.

(Se sua mãe estivesse aqui, ela não conversaria sobre isso com você).

Mas é o que você diria, se fosse absolutamente necessário.

Felizmente, como ninguém está te questionando — talvez porque ninguém sabe; Gansey consegue ser pior do que um interrogatório nas mãos da CIA —, você não tem que falar nada. Você não tem nem que se justificar para si mesmo (você é um mestre em colocar pensamentos inconvenientes tão de lado na sua cabeça que eles podiam muito bem ter sumido inteiramente).

Você conta a ele sobre o julgamento do seu pai porque no fundo, no fundo, você só queria que ele te reassegurasse que essa foi a decisão certa.

E você não se arrepende, porque quando ele diz “finalmente vamos colocar o desgraçado na cadeia”, com uma expressão tão séria que alguém poderia pensar que aquele rosto nunca seria capaz de sorrir (por que você está me olhando assim? a situação não é engraçada, adam, não espere que eu dê um sorrisinho reconfortante isso é tão ofensivo você por acaso acha que eu sou o gansey—), tudo que você consegue pensar é uma cacofonia insuportável de obrigado obrigado obrigado obrigado—

eu acho que nunca vou amar alguém tanto quanto amo você

I had to unlearn their prison speak

Refuse to make wishes on the star on the sheriff’s chest

I started wishes on the stars in the sky instead

— andrea gibson.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!