"o filho da índia yara".
1 A PROCURA DOS SEUS
Notas iniciais
Fico grato por visitarem as minhas escritas; Um grande abraço para cada um que me der a honra da visita, e voltem sempre.
Humildemente...
Antonio Hugo.
Aquele terreno seco, cheio de morros empoeirados, cactos e mandacarus...
Aos poucos ia aparecendo um chapéu, chapéu um tanto escurecido pelo suor, pela poeira e pelo tempo.
De uma distância aproximada de uns quinhentos metros, sentada em uma pedra, onde se estendia uma das poucas sombras que existia por ali, estava uma observadora, que um pouco exausta pelo calor daquele sol escaldante do nordeste brasileiro.
Olhava intrigada para aquele vulto que pouco a pouco crescia.
Ouvindo o mastigar do seu fiel companheiro cavalo, que nos arredores pastava, às poucas folhas verdes que haviam caído no solo.
Ela vestia calças jeans, usava chapéu cinza caído para trás sobre às costas, calçava botas de couro marrom, usava uma blusa azul desbotada, de mangas, cuja blusa estava amarrada na barriga, deixando à mostra seu lindo umbigo, e parte dos seus bem desenhados seios, tinha lábios vermelhos, igual a um morango maduro.
Aquela silhueta ao longe ia crescendo, e alguns minutos depois, dava para enxergar melhor que era um homem, alto, forte, trazendo nas costas uma sacola em forma de arfoje, na sua algibeira direita ostentava uma faca modelo escoteiro, logo após passar uma pequena rampa havia umas poucas vegetações, e por entre umas pedras algumas moitas de sisal, também havia uma cacimba com água suja, morna e um pouco esverdeada pelo limo.
O homem deixando no chão à sua sacola, debruçou-se sobre à água, lavou o rosto e os braços, à água estava um pouco morna, mas sentiu-se melhor, com o frescor da brisa em seu rosto.
De sua sombra lá do alto, à linda jovem observava tudo o que se passava à distância, sem entender o que estava acontecendo.
Quando viu o moço escorregar sobre à pedra mais alta, e caindo dentro de um buraco, e começou a fazer gestos se debatendo.
À moça então esperou mais alguns segundos, e decidida pegou às rédeas do seu animal, colocou o seu chapéu, e puxando o seu cavalo desceu devagar em direção ao moço, vedo que havia algo grave, apressou o passo, e pode ver aquele rosto de perto, o rosto daquele vulto que por tanto tempo observara de longe.
Era um bonito rapaz de olhos castanho escuro, cabelos cor de mel, e lábios carnudos, e que tinha o rosto encoberto pelo suor, que molhava seu rosto.
Assustada pela expressão do rapaz que era de muita dor, mas o semblante dele lhe parecia familiar, pensou então à moça:
- Engraçado...eu não sei onde, e nem quando...mas eu já vi este rosto...
Mas voltando a realidade, observou que o moço havia enfiado o pé em uma fenda de pedra, ficando preso pelo tornozelo, não podia sair dali, o tempo foi passando, e tão grande era a dor, que o moço nem podia mexer à perna.
À pedra era pesada, que nem se juntasse dez homens...não poderia move-la do lugar.
Foi ai que à moça aproximou-se, e disse consigo mesma:
- O que o meu pai faria...se estivesse no meu lugar?...
Aproximou um pouco mais, e perguntou:
- Posso ajudar em alguma coisa?
O rapaz mal balbuciou, e balançando à cabeça afirmativamente:
- Claro...claro...eu...não consigo tirar o meu pé daqui...
Sem exitar saltou de uma pedra para outra, e pode ver o que acontecia, fez um gesto com à cabeça, e uma expressão de desânimo.
Pois seria inútil à sua ajuda, tentando libertar o moço de tamanho apuros.
Num instante um lampejo de esperança pairou em seus pensamentos.
Correu para o cavalo e pegou uma corda grossa que trazia na sela, e voltando falou:
- Tenha paciência rapaz...que eu e o meu velho amigo aqui, vamos tira-lo daí.
O rapaz não respondeu, só olhava alheio o que à moça estava fazendo.
À moça passou à corda em volta da pedra, e em seguida fez um nó prendendo-a, em forma de laço, manobrou o cavalo com o traseiro virado para à pedra, puxou à corda e deu duas voltas no peito do cavalo, trazendo novamente para à pedra, deu mais duas voltas e amarrou.
Pisou no estribo da sela para montar, passando à perna por cima da anca do cavalo, com à sua calça justa nas nádegas, quem pressionada contra o corpo mostrava à marca da sua calcinha, não fosse o tamanho desespero do jovem... certamente o deixaria maravilhado com o que vira, mas no estado em que se encontrava, como poderia admirar alguma coisa?...
Montando e virando-se para trás, para certificar de que estava tudo bem, ordenou ao animal que fosse, batendo com o calcanhar na barriga do cavalo, fazendo-o arrancar com toda força.
Tão forte foi o impulso, que deslocou à pedra uns cinqüenta à sessenta centímetros, mas com o exagerado peso da pedra, o animal se desequilibrou, capotando e jogando à moça longe, felizmente nem à moça e nem o cavalo sofre- ram nada grave, somente alguns arranhões, levantando-se olhou e viu o moço que manquejando vinha em seu socorro, mas ela já estava bem, então falou o rapaz:
- Você é o meu Anjo da guarda!
- Mas sem o meu cavalo...nada eu poderia fazer!
Foram os dois em socorro do cavalo, mas o cavalo já se levantava sem à ajuda deles, o rapaz não podia apoiar à perna, mas mesmo assim manquejando, foram até à cacimba, e à moça pode então lavar o braço que estava com alguns arranhões, e cheia de poeira.
Ainda manquejando, o rapaz começou a desamarrar o nó da corda que havia escapado da pedra, e logo em seguida com todo cuidado foi se aproximando do animal, mostrando ter muita intimidade com animais, conseguiu desamarrar à corda do peito do animal, enrolou e colocou a corda na sela, e voltou para perto da moça, ainda manquejando muito e observado com muita atenção pela moça, que quebrou o silêncio e disse:
- Você parece ter muita intimidade com animais...não?
O rapaz aproximou mais um pouco, e estendendo à mão para à moça disse:
- Muito prazer...o meu nome é Nito...ou melhor, Joanito, mas me chamam Nito, e você...como é que se chama? Enquanto sentava-se em uma pedra à moça respondeu:
- Meu nome é Irani...me chamam de Naninha...e os meus pais são donos desta propriedade.
- Ufa! Bons ventos a trouxeram nesta direção! Costuma passear sempre nesta direção? Perguntou o rapaz.
- Oh, sim...tenho o habito de me sentar à sombra daquela árvore lá em cima...e só por isso, vi o que te aconteceu...aliás, eu já o tinha visto desde quando você vinha lá no começo do chapadão. Respondeu à moça.
- Como chama o seu pai? Perguntou o rapaz.
- Chafic...mas todos o chamam de Gringuinho. Respondeu à moça.
- Então seu pai é Gringo? Nunca estive conversando com um Gringo...eu sou descendente de índio, sai daqui na barriga da minha mãe, e só agora estou voltando. Disse o rapaz.
- Eu também sou descendente de índio, à minha mãe é índia...e eu sou mestiça, sou filha de índia com alemão, e você...de que tribo você é?
- Caiapó. Respondeu o rapaz.
- Coincidência! À minha mãe também! Quanto tempo faz que você saiu daqui? Perguntou à moça.
- A vinte anos atrás, já que estou fazendo esta idade.
- Qual é o nome da sua mãe?
- Yara...ela se chamava Yara...ela já é morta, o meu pai era português e se chamava Manuel...também já é morto.
- Oh...me desculpe...eu não devia ter feito você lembrar de coisas que podem deixa-lo triste...bem...vamos comigo até a sede da fazenda, vamos ver se consegue subir no cavalo. Disse à moça.
À moça montou no cavalo, e o encostou em uma pedra, para ficar mais fácil para o rapaz subir na garupa do cavalo, e conversando se foram, o papo estava tão animado que até passou a dor que o rapaz estava sentindo, só se lembrava da dor quando o calcanhar batia na perna do cavalo, ai doía, e ele era obrigado a se lembrar.
- Até parece que te conheço a anos...Disse o rapaz.
- Engraçado! Eu também tive esta sensação! Afirmou à moça.
- Mas...o que você está fazendo por estes lados? Ainda tem algum parente por aqui? Perguntou à moça.
- Tenho...uma tia que ficou aqui quando partimos...ou quando à minha mãe partiu...não sei se ainda é viva...ou se já morreu...não sei o que foi feito dela. Disse o rapaz.
- Como se chama à sua tia? E em que local ela morava?...Você não sabe?
- Em uma região chamada pé de serra...
- À aldeia já não existe aqui faz muito tempo!
- E à minha tia se chama Yasmim...Respondeu o rapaz.
- Como se chama? Insistiu à moça.
- Yasmim. Repetiu o rapaz.
- Yasmim de que? Voltou a perguntar à moça.
- Yasmim Nabuco Tacape.
À moça freou o animal bruscamente, quase que derrubou o rapaz, desceu do cavalo como se tivesse sido picada por mil marimbondos, franziu à testa, e jogou o chapéu para trás com o dedo indicador, colocou às duas mãos na cin- tura em forma de bule...e encarou o moço com olhar espantado e disse:
- Yasmim Nabuco Tacape?! Mas esse é o nome da minha mãe!...E esse também é o meu sobrenome!...
- Esse também é o meu sobrenome, Joanito Nabuco Tacape...Desabafou o rapaz.
À moça fitou o rapaz por alguns segundos, e depois disse: — Esse também é o meu sobrenome...Irani Nabuco Tacape Reiman... Reiman do meu pai, e à minha mãe se chama Yasmim Nabuco Tacape, já que não é casada no cível com meu pai, eu sou filha única, então você é meu primo! Filho da minha tia!
Muito surpreso o rapaz pulou no chão com uma perna só, abraçando à moça e dizendo:
Aquela silhueta ao longe ia crescendo, e alguns minutos depois, dava para enxergar melhor que era um homem, alto, forte, trazendo nas costas uma sacola em forma de arfoje, na sua algibeira direita ostentava uma faca modelo escoteiro, logo após passar uma pequena rampa havia umas poucas vegetações, e por entre umas pedras algumas moitas de sisal, também havia uma cacimba com água suja, morna e um pouco esverdeada pelo limo.
O homem deixando no chão à sua sacola, debruçou-se sobre à água, lavou o rosto e os braços, à água estava um pouco morna, mas sentiu-se melhor, com o frescor da brisa em seu rosto.
De sua sombra lá do alto, à linda jovem observava tudo o que se passava à distância, sem entender o que estava acontecendo.
Quando viu o moço escorregar sobre à pedra mais alta, e caindo dentro de um buraco, e começou a fazer gestos se debatendo.
À moça então esperou mais alguns segundos, e decidida pegou às rédeas do seu animal, colocou o seu chapéu, e puxando o seu cavalo desceu devagar em direção ao moço, vedo que havia algo grave, apressou o passo, e pode ver aquele rosto de perto, o rosto daquele vulto que por tanto tempo observara de longe.
Era um bonito rapaz de olhos castanho escuro, cabelos cor de mel, e lábios carnudos, e que tinha o rosto encoberto pelo suor, que molhava seu rosto.
Assustada pela expressão do rapaz que era de muita dor, mas o semblante dele lhe parecia familiar, pensou então à moça
- Eu não acredito! Eu não acredito! Você é minha prima! Então vamos conhecer à minha tia!
E colocando o pé no estribo ajudado pela moça montou no cavalo, passando depois para à garupa, à moça também montou, e seguiram viagem.
Fale com o autor