o dragão ciano
1 um dragão mal-humorado
Notas iniciais
Como ela dizia com bastante orgulho, Azula era uma dragão — maldita seja Agni.
Ela era poderosa e corajosa, um espécime perfeito, se você perguntasse a ela (ou à maioria das pessoas que a conheciam — embora algumas fossem um pouco parciais). Mas ela tinha consciência de que ser uma dragão não significava ser A Dobradora de Fogo — aquela que superava todas as outras e era uma espécie de deus entre os homens. (Principalmente porque tais figuras não existiam; a maioria dos bons Dobradores de Fogo nem sequer adoecia com facilidade). No entanto, ela ainda era uma criatura mitológica com uma afinidade tão natural pela Dobra de Fogo que eles eram considerados os Dobradores de Fogo originais. O que significava que ela não deveria ficar doente. Nunca.
Ela era uma dragão — no sentido de que realmente se transformava em um lagarto gigantesco, com chifres, escamas e asas. No sentido de que seu fogo não era laranja-avermelhado como o das pessoas comuns. No sentido de que conseguia manter conversas completas com o dragão branco que, segundo diziam, a visitava quando ela era criança — algo em que as pessoas não acreditavam. (Aquele amigo significava tudo para ela: seu primeiro amigo e ainda o mais importante, mesmo com uma nova família, mesmo tendo mais de uma pessoa importante em sua vida.)
Além disso, ela era, objetivamente, uma excelente Dobradora de Fogo, até mesmo para os padrões dos dragões!
Azula não ficava doente. Seu corpo era naturalmente muito resistente às enfermidades que acometiam os humanos comuns. Sua temperatura corporal era sempre mais elevada e, pelo que ela deduzia, esses níveis térmicos pareciam eliminar qualquer coisa que causasse doenças em humanos normais. Até mesmo outros Dobradores de Fogo adoeciam com muito mais frequência do que ela — basta olhar para Zuko. O garoto ficava doente toda vez que os visitava no Polo Sul.
A dor de cabeça latejante, a sensação de que cada músculo do corpo havia levado uma surra, o nariz entupido e a tosse, como se algo estivesse preso na garganta... nada disso importava. Nada! Ela era Azula, a Princesa Herdeira, a filhote de dragão favorita de Ran e Shaw, a dragão azul, o terror dos exércitos de Ozai.
Ela não ficava doente.
Katara não pareceu muito feliz quando chamas azuis irromperam da boca dela e quase chamuscaram o jantar. Era só uma tosse leve; Algo estava incomodando sua garganta; provavelmente uma lasca de peixe ou algo do tipo.
Ela aguentaria firme. Claro que conseguiria; sobreviveu anos na forma de dragão sem perder a sanidade. Sobreviveu a experiências que deixaram cicatrizes para a vida toda. Podia muito bem lidar com uma gripezinha de vez em quando!
…
Atualização: ela não aguentaria firme.
Pelo visto, não conseguiria, pois já era meio-dia e ela não queria levantar. Azula jamais havia deixado de acordar com o sol em toda a sua vida. Nem mesmo quando preferia ficar dormindo, encolhida na cama da Mãe, a exibir sua maestria na dobra para pessoas de quem não gostava muito. Um instinto que existia antes mesmo de ela começar a dominar o fogo. (Mais uma vez: dragão.)
Katara apenas suspirou ao ver sua namorada — da realeza da Nação do Fogo, mas agora agitada, com o nariz escorrendo e muito, muito rabugenta — praticamente fazendo um ninho na cama. Era um pouco ridículo, mas Azula teve a sorte de Katara ser uma curandeira; e, como curandeira, ela optava pela paz e não zombaria de sua namorada estúpida. (Porque Azula se sentia muito estúpida naquele momento — e decidiu disfarçar isso elevando sua rabugice ao nível máximo).
“A famosa sopa da Vovó”, disse Katara, entregando-lhe uma tigela fumegante depois de ajudá-la a se sentar (mais ou menos; Azula era muito mais pesada do que aparentava). “Não, sem pimenta. Você já está fervendo de febre.”
“Dominadora de fogo”, murmurou Azula entre uma colherada e outra daquela maravilha em forma de sopa.
“Uma dominadora de fogo doente e provavelmente febril.”
“Hm” — o som pareceu mais um gemido baixo; ela parou apenas para verificar se havia chifres. Bufou ao confirmar que estavam lá.
“Você sabe que eles são fofos.”
“É ridículo.”
“Achei que você tivesse orgulho de ser um dragão” — ela exibia um sorriso provocador.
Se não estivesse doente, Azula provavelmente a derrubaria no chão pela audácia. Mas, como estava, não o fez. Terminou a sopa, aceitou a derrota e deixou que Katara tirasse os cobertores e cuidasse de baixar sua febre. Pelo menos a recompensa era um aconchego (e ela vai negar o quanto gosta disso).
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