nomes ocultos
6 Vazio racional
Notas iniciais
Quem saberia dizer o que Isanael busca, ao tratar todo ser pensante como brinquedo, pode-se imaginar que sua natureza seja o caos, a depravação e a morte.
Na busca do demônio e sua possível salvação para Capriccio, a Morte se surpreendeu ao descobrir que ele estava junto dela há todo instante, apenas oculto em um plano espiritual próprio, emergindo do nada um tecido pesado e negro, se ergueu e deu lugar a uma face feliz.
— Desde seu primeiro suspiro, Capriccio existiu por eu estar destinado a existir. — dizia a face que continuou a provocar a Morte — E o sacrifício dela é necessário para o que está por vir, e todos deverão amaldiçoar o nome dela.
Uma situação como essa causa um determinado impacto, Isanael é teatral por natureza, suas palavras são moldadas para entrar na cabeça de quem escuta, e a Morte sem saber o que esperar, continuou a ouvir.
— Ela fará nascer a nova ira, dentro de você. Aquilo que todos temem que você seja.
Sua face se transformou e uma aparente assustada surgiu.
— Eles caçarão você e seu coração sabe que gostará de destruí-los.
Emergindo do pano, estavam as quatro faces de Isanael.
— Eles vão atacar Capriccio e machuca-la — dizia o rosto paranoico.
— Você vai ser esquecida e sua personalidade obliterada — dizia o rosto infeliz.
— Você não pode fazer nada! — gritava o rosto enraivecido.
— Você vai vinga-la. — dizia o rosto feliz.
A morte olhou fixamente para a forma esquisita, invocou sua foice e a partiu no meio como se fosse um boneco de pano, a simplicidade do fim daquele corpo a fez saber que aquilo não morreu e nem se enfraqueceu.
Talvez não houvesse salvação, as palavras de isanael pareceram não ter causado efeito, porém ela não foi capaz de suprimir a necessidade de ir ao encontro da garota que ela sabe que não reconhecerá.
— Pavão, me leve para o ponto onde encontramos o paradeiro de capriccio, iremos trazer ela de volta.
O animal se deitou e após sua mestra subir em suas costas alçou voo e de longe era perceptível as chamas que tomaram metade da floresta, uma silhueta estranha espalhava suas chamas por entre folhas e galhos secos, às vezes se ouvia animais da floresta gritando, para Tod, queimar a floresta era uma provocação para seu inimigo, guardião dos espíritos da floresta.

— Pavão, eu desço aqui, abata o Calamaro para mim, mais tarde nos encontraremos e levaremos Capriccio conosco.
A Morte já não pensava em o que fazia, sua existência e sua honra, no final, não poderiam se tornar mais detestáveis, ela apenas queria que se Capriccio chegasse ao fim, não estivesse só, e se houvesse salvação, então estaria tudo bem.
Segurando sua foice, a Morte se levantou nas costas do pavão e pulou da altura absurda, ela caiu relativamente longe do palácio. Enquanto andava em direção ao seu objetivo, matava os corpos que atuavam programados como guardas, ao ver as criações de Tod, a Morte sentia pena e dor em seu coração, pisava sobre cadáveres de animais que circundavam todo o perímetro, a morte deles não lhe causava dor, mas a carnificina e a maldade que geraram tal cenário, sim.
— Talvez ela já esteja perdida dentro de si, afinal — dizia a morte apertando suas mãos. — Se for o caso, matarei a bruxa que se apossou de seu corpo.
Andando nas cinzas, encontrando corpos esfolados, ouvindo o grito e sentindo o calor, um vazio parecia estar crescendo dentro da Morte. O silencio do barulhento sofrimento da floresta foi abafado por uma agonia ainda maior, era novamente Isanael.
— Ela está perdida. — dizia a voz infeliz
Na situação como um geral, a Morte não tinha tempo para dar atenção ao demônio, mas era impossível não ouvir sua voz, ela gritava dentro de sua cabeça e se entranhava repetindo em seus pensamentos, desespero se aflorou e quebrava o interior degradado da deusa da Morte.
Se encontrando de frente para uma clareira, lá estava o palácio imponente, a depravação e a devastação de uma humana cujos prazeres se tornaram o propósito de sua vida.
Como que se já esperasse a visita, haviam empregados recepcionando a Morte, como uma importante visita, diziam que estavam ansiosos por sua chegada e a guiaram pelos corredores até que encontrou Tod apossada em Capriccio, numa luxuosa sala de jantar. Importante definir que em todo seu percurso, a realidade parecia estar separada da Morte, ela apenas andava sem nenhum propósito, não olhou para qualquer detalhe que pudesse lhe responder algo, no fundo não se importava com isso.
— Você chegou, sente-se e vamos dividir esse banquete. — dizia Tod.
— Claro, Capri.
— Esse não é meu nome mais.
Um pouco de confusão mental, falta de coerência em seu discurso e risos como os de quem não possui nada a perder, e nunca mais fossem se ver, conversaram sobre assuntos usuais e após terminarem seu jantar, a Morte saiu sem nenhuma resposta, como que se estivesse anestesiada, nem era capaz de se lembrar sobre o que foi a conversa, mas o que realmente marcou essa noite foi algo um pouco mais cruel.
— Passe a noite aqui, Morte, sua existência possibilita um dos meus maiores prazeres, nada mais justo do que aproveitar o luxo que a vida nunca lhe forneceu. — implorava Tod.
— Claro, não vejo por que não.
Tod segurou a mão de sua amiga e andou desbravando os corredores de piso de madeira nobre, suas paredes enfeitadas com obras de arte e peças de gesso que a emolduravam, chegaram em um quarto cujas proporções eram espantosas, decorado morbidamente com o corpo de pessoas, seus ossos e seu couro.
Ao ver aquilo, a Morte sorriu e sabia que toda a sua esperança já havia se perdido, uma casca vazia que possui enorme poder.
— Você não existe mais.
Ao ouvir essa frase, Tod pareceu confusa, empolgada, mostrou como haviam sido feitos cada um dos móveis e parecia se divertir com todo o conjunto de loucuras violentas e dolorosas, a Morte se preparava para mandar a alma de volta para o mundo dos que não vivem, mas no fim, não havia força para ela por um fim em tudo, então apenas chorava por dentro, enquanto se afundava em um ótimo colchão e seus travesseiros preenchidos com cabelo.
— Dessa vez não seremos separadas pela superiora. — disse a Morte
— Eu nunca estive tão feliz, Morte.
Se abraçaram e antes que pudessem conversar, ouviram o som do rugido do Calamaro.
— Você precisa conhecer ele.
— Ele está vivo?
Nesse instante a Morte pareceu ter despertado de sua completa falta de raciocínio, o Calamaro vivo significa que o pavão está morto ou ferido em algum lugar, também se lembrou das consequências de manter Tod viva, para salvar todos, Capriccio deve morrer.
— Acho que preciso voltar para o meu mundo, boa noite. — Disse a Morte sorrindo enquanto atravessava seu portal rapidamente, sem que Tod pudesse dizer qualquer coisa, deixando-a só. Naquela noite, ninguém além da bruxa pôde dormir, frustrada, Tod escolheu a dedo quem seria executado para seu divertimento, escutando gritos, descansou pacificamente para mais uma turbulenta noite de sofrimento e arrependimento.
A Morte encontrou seu pavão intacto, como que se nenhum mal tivesse acontecido, ele simplesmente parecia mais forte, ela então iniciou sua meditação para se preparar para executar o mal, enquanto questionava à si mesma e como foi fraca por não ter tentado colocar juízo na cabeça da garota possessa.
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