nomes ocultos

4 Transformações terríveis


Notas iniciais
Sobre doer escrever a história mas eu marquei drama por um motivo sincero -qq

Evoltron pensou e pensou até que seu corpo apagasse e sua alma estivesse focada em uma maneira de abrir uma fenda que permitisse a ela uma maneira de conquistar seu objetivo, colonizar novos universos, uma fronteira que ela sabe que é proibida de ultrapassar, porém se ela conseguir, ela acredita que ninguém seria capaz de se opor.

Enquanto a burra, porém genial, deusa vegetava no chão, Capriccio viu seu Calamaro, que nas circunstâncias atuais significa que ele foi criado e gerado ali, não perdendo seu tempo, riu da babada face da deusa por um tempo considerável e partiu para a floresta, lógico que para isso o Calamaro quebrou diversas lajes e ultrapassou o teto, voando nas costas da sua besta de seis asas, ela só queria ficar o mais longe possível de tudo para pensar e ela sempre sonhou em ver a floresta além da amostra grátis do seu quarto.

Enquanto estava no ar, notou que alguns pássaros estranhos começaram a surgir e ela se lembrou que não deveria ir muito longe, para evitar gerar mais transformações indesejadas.

— Calamaro, você já pode responder minhas perguntas agora, certo?

— Mais ou menos minha rainha, você ainda não acordou completamente.— Acordar completamente?

Estavam chegando perto da floresta e então Calamaro iniciou sua decida.

— Inicialmente eu queria lhe avisar que as pessoas notaram a besta verde cruzando o céu.

— Eu imagino.

— Eles vão nos caçar então eu preciso lhe trazer de volta a sí o mais rápido possível, é o meu dever de sangue lhe despertar e fazê-la grande como deveria.

Capriccio sentia paz e honestidade vindo daquela criatura, pousaram na copa de várias árvores e Calamaro usou suas seis patas para descer com segurança, chegando no chão da floresta, cheio folhas mortas, Capriccio fez com sua presença diversas plantas crescerem, flores lilás e brilhosas e vário estilos de cogumelos, as arvores também foram alteradas e ao redor dela copas coloridas e vibrantes de folhagens azuis e lilás.

— O que eu devo fazer?— Garotinha, olhe para minha carapaça, olhe fundo e tente enxergar atrás dela.

Capriccio prendeu seu olhar e notou algo que nunca tinha visto antes ali, uma brecha brilhante de um vermelho vivo, ela parecia se incendiar e iluminar a negra carapaça por dentro, e quando notou, uma flor incandescente queimou suas roupas hospitalares, um vestido vitoriano negro e vermelho junto de uma tiara de ferro com um véu negro cobrindo sua cabeça por trás.

— Você até já se parece com ela, você está quase lá, Tod.

— Quem é Tod?

— Você, acho que a sua transição mental está iniciando agora, logo você vai lembrar.

Capriccio se sentiu incomodada com a forma que ele se referia a ela.

— Transição mental? Está dizendo que eu vou abrir lugar pra outra pessoa viver em mim?

— Não, você já é ela, porém não se lembra, devia ter lido o livro, nele explica-se quem você é.

Ruídos são ouvidos e o canto de animais estranhos enchem a floresta, sufocando o canto dos grilos. Calamaro girou ao redor de Capriccio e com seu peludo corpo esguio escondeu ela como se ele fosse uma serpente.

— Eles querem você, você me invocou para se proteger deles.

— O que eu fiz para eles me odiarem?

Nesse instante ela se lembrou das memórias de Tod. Havia um tirano ditador que regia a floresta, o titã da floresta um dia enfrentou um reino implacável que no seio do nada iniciou seu reino, após instaurada a cidadela, o titã travou uma guerra usando seus animas contra os magos do reino, acabaram por fazer um trato, eles não aumentariam seu reino e a guerra acabava. Tod, a rainha e bruxa, por conta do povo e um pouco de sua própria vaidade, expandiu novamente, quebrou o tratado.

— Então foi isso.— E como eu cheguei até aqui?

— Para tudo há um tempo. O canto dos animais, que pareciam urros de guerra, chegaram até Capriccio e o Calamaro rapidamente os encerrou, sem sequer mexer um músculo.

— O que você fez? — Perguntou Capriccio abrigada ali.

— Ah, Tod, você não se lembra ainda do que sou capaz.

O animal então começou a se vangloriar, ele respirava dentro e fora da água, podia voar e nadar, andava lento, mas andava, da fenda no interior de seus olhos saia energia destrutiva, sua mente era capaz de telecinese fraca e seu corpo era forte para combate, um tanque de guerra anfíbio biológico.

— Isso tudo é muito interessante, mas eu estou interessada em alguma coisa um pouco mais confortável que grama no chão e seu corpo envolto em cima de mim.

A fera então se desenrolou e Capriccio viu diversos animais atravessados pelas árvores.

— Eles iam lhe matar.

— Eu posso me defender sozinha e de maneira menos cruel.

— Se você pudesse não teria me chamado agora e muito menos feito um pacto comigo naquele dia.

Capriccio percebeu que fazia sentido, pediu pro Calamaro derrubar as arvores próximas, na clareira ela levantou um chalé e selou o lugar para sua própria segurança.

— Somente uma deusa pode entrar aqui, você não atacará elas nem eu, então poderemos resolver esse problema, sem sangue derramar.

— Você é a senhora de um castelo, notou que você tem transformado volumes cada vez maiores? Seu poder está aumentando, seu povo inteiro está vivo dentro de você e você precisa traze-los de volta a vida.

Capriccio pensou, alguns valores seus estavam mudados, foi quando ela destruiu seu chalé e levantou algo um pouco mais luxuoso, e criou sete serventes humanos.

— Obrigada Calamaro, se for de seu gosto, cace algumas pestes para nos alimentar.

Calamaro sentiu na voz um leve ar de desprezo, a transição estava funcionando e ele percebeu que a floresta estava sendo transformada com o passar do tempo em que Capriccio estava ali.

Dentro de sua média e luxuosa casa, com características barrocas, Capriccio estava notando algumas chamadas imperfeições em seu rosto, afinal, Tod não se parece com isso, e ela alterou seu próprio rosto para se parecer mais com Tod.

— Vossa excelência, gostaria que nós maquiássemos você? — Perguntou uma das servas enquanto penteava os cabelos ruivos de Capriccio.

— Quem sabe algo vermelho para meus lábios.

— Eu irei pegar morangos.

— Não quero morangos. — Disse Capriccio. — Quero o seu sangue. — Continuou Tod.

— Senhora?

— Da ponta do seu dedo, uma serva morta não serve para nada.

Valores cada vez mais corrompidos, um grau clínico decadente e um tipo de magia demoníaca que não existia até a loucura se juntar ao poder divino. Capriccio estava esquecendo de seu próprio nome, se lembrou de memórias que nunca aconteceram mas ela as ouviu do livro que a superiora leu para ela, estava tudo sendo apodrecido, ela até mesmo criou humanos visualmente perfeitos, porém eram como maquinas que obedeciam às vontades de Tod, que passou a dominar Capriccio, um corpo orgânico que apenas pronuncia e se move pelo que seu mestre quer, não havia alma ou mesmo vontade própria dentro deles, o único ser com alma criado era Calamaro.

— Esqueça o que eu disse sobre servos mortos serem inúteis, eu estou com fome, me sirvam a mais gorda dentre vocês.

Tod era sádica em sua história, matou sua família inteira e usou do sangue deles para invocar o demônio Calamaro, ela possuía a necessidade de causar o terror, e como ela queria terror, suas marionetes atuaram e quase mataram uma delas.

— Estou brincando, podem parar, mas você que foi poupada, quero que raspe seu cabelo e você o jantará hoje, as demais não irão comer nada.

Os valores de Capriccio foram completamente substituídos por ideais e propósitos de uma bruxa de um conto de terror, adormecida numa ilusão e sem o tratamento, Capriccio se tornou Tod, esqueceu quem ela já foi um dia e iniciou uma tormenta que somente a própria Morte era capaz de acabar, pois ninguém mais conseguiria enfrenta-la.

Mais tarde, de noite, o Calamaro voltou e encheu a fachada da casa com cervos mortos, iluminada pela luz da lua, Tod abaixou o selo colocado por Capriccio e criou seu exército de maquinas humanas, derrubou sua casa, matando as sete servas, e levantou um palacete eclético, aliando o gótico ao barroco, criou mais uma legião de maquinas que trabalhariam limpando, cozinhando, arrumando, costurando e tratando-a com todo o luxo e prazer que ela acreditava merecer.

— A vida é feita da carne, e a carne portanto merece ser exposta e vislumbrada como a poesia que ela carrega em cada prazer que eu alcanço, esfolem as sete servas que morreram e coloquem para demarcar o meu território de prazer, eu colocarei um selo nelas e afastará as pestes da floresta, darei descanso ao meu Calamaro — Dizia Tod à governanta. — Expandiremos amanhã, no momento eu estou sonolenta.

Se dirigiu ao seu quarto onde ao dormir em sua luxuosa cama, sonhou de volta como Capriccio, se lembrou de suas ações enquanto acordada e desesperada implorava por perdão, queria morrer, mas como ela poderia se ao acordar ela não seria ela mesma novamente, uma noite de grande aflição, Tod a filha da carne, roubando o corpo de Capriccio e destruindo tudo aquilo que ela acreditou, alcançou o prazer supremo de sua mente doentia.