nomes ocultos

3 Revelação de urros


Notas iniciais
eu gostaria muito que os leitores se manifestassem, por favor, agradecido desde já kk

Os dias foram monótonos, como de costume na organização de um evento, mas enfim havia chegado o dia, cada uma das selecionadas sacerdotisas iria fazer a sua apresentação e antes delas, a grã sacerdotisa.

O local do desfile consistia numa grande área que podia ser explorada para realizar suas façanhas, um retângulo comprido e largo relativo ao tamanho humano, arquibancadas simétricas, na extremidade, onde começava, havia uma decoração em ouro, era um espaço ornamentado com estatuas e peças esculpidas, junto de uma área especial destinada ao corpo físico das deusas, que se faziam presentes no grande dia.

O piso da área de desfile era de cimento polido e costumava ser refeito a cada desfile, bem como as ornamentações.

Capriccio estava se preparando psicologicamente para o que seria o evento mais importante da sua vida, seu vestido era exatamente como ela queria, verde água, volumoso, uma faixa rosa e camadas de tecido branco, aparentemente tudo ia perfeitamente bem.

— Eu preciso mesmo atravessar a avenida inteira?

— Vai ser rápido e também, você possui a maior variedade de possibilidades de o que fazer — Respondeu a Morte.

— Mas você sabe que o povo vai esperar demais de mim, e se eu não for suficiente?

— Você vai ser a maior autoridade religiosa humana, eles não vão ter nem coragem de reclamar.

— Se eles vaiarem eu mando cortar as suas pirocas — Falou Capriccio forçando a voz enquanto brincava.

— Se for necessário, apenas faça.

— Acho que estou sendo contaminada pelo espirito da superiora. — disse Capriccio que andava até a porta, se dirigindo para o corredor onde iniciaria o desfile.

Ao abrir a porta, uma figura peculiar estava lá, uma criança de loiros cabelos deu a ela o livro da noite das luzes que ela havia deixado em baixo da cama e então desapareceu, ela levou até a Morte e falou pra ela guardar, que mais tarde juntas elas iam ler.

Capriccio então voltou a ir até onde estavam as demais sacerdotisas, que agora falavam com ela, mas eram apenas títulos sem nome.

— Guarde o público pra gente — Dizia a sacerdotisa do destino — Até por que não há nada muito impressionante que algumas de nós possam fazer.

— Que isso? projeção astral é interessante, você pode se focar nela. — Respondeu Capriccio.

Ela então sorriu e recebeu sorrisos de volta, virou-se para frente e viu o inicio do corredor que leva à avenida, um corredor de pé direito alto, apresentava-se em formato de arco e no seu fim duas estátuas humanas, uma sorria e a outra chorava, sentiu uma coisa sinistra vindo delas, porém ignorou.

Ela andou e chegou até o fim do corredor, os refletores e holofotes acenderam e ouviu-se uma multidão fascinada, ela então levantou seus braços e os gritos aumentaram e ela foi cercada de aplausos, cada uma das oito deusas deu a ela o poder total, que então permite que as sacerdotisas façam coisas grandiosas.

— É agora... — Disse Capriccio suspirando.

Ao dar seu primeiro passo, musica surgiu do além, utilizando suas habilidades divinas, Capriccio invocou uma orquestra, começou lenta porém a velocidade e força utilizada nos instrumentos de corda aumentaram e iniciou-se um belo som, porém ao iniciar os instrumentos de sopro, um sufocante zunido destruiu a harmonia, quebrou-se o chão de concreto e ele se transformou ao redor de Capriccio em terra, brotaram gramas coloridas no chão e surgiram animais estranhos que até então, somente Capriccio havia visto.

— O que é isso? Eu não estou fazendo isso! — Gritava Capriccio assustada.

As criaturas subiram para as arquibancadas e mataram vários que assistiam à performance, o terror se instalou e todos os bichos foram mortos pela Morte de uma só vez. Capriccio estava no chão e sentia-se culpada, ela então se levantou novamente e correu de volta para o corredor e notou que enquanto corria, o espaço ao seu redor era destruído e recriado, todas as sacerdotisas correram para longe e a chamaram de espirito maligno, ela então em desespero total suplicou por ajuda e Evoltron, zangada e assustada por ter visto pela primeira vez algo que não era de seu conhecimento, apareceu e ordenou que ela fosse levada para longe dali, desacordaram Capriccio e a levaram a um dos laboratórios imperiais.

A nação de Evoltron é um lugar especialmente peculiar, ao mesmo tempo que é cheia de tradições e hierarquias políticas e arquitetura semelhantes visualmente e ideologicamente ao do retrógrado país vizinho, Evoltron possui um evoluído conhecimento científico, dado pela deusa de mesmo nome como uma benção, iniciaram inúmeros testes em Capriccio, nenhum resultou em nada, portanto ela foi isolada novamente dentro de uma grande sala, e dessa vez a Morte não poderia a acompanhar.

— Isso é absurdo, vocês não podem dopar ela até descobrirem uma razão para o que está acontecendo!

— Morte, Morte, Morte... — Falava Evoltron em desdém — Você acha que sabe mais sobre as coisas do que eu?

— Você não sabe nada sobre ela e está com raiva por que não quer admitir.

— A subdeusa está banida desse mundo, seu único refúgio é dentro dos domínios da igreja, onde você não está, quer mesmo iniciar um conflito agora e aqui?

— Ao menos me deixe ver ela.

— Ela está sendo analisada, portanto, não.

— Por favor ela não merece isso! Evoltron percebeu que haviam sentimentos e emoções verdadeiras ali, a Morte e seus olhos molhados foram suficientes para diminuir um pouco do orgulho da deusa do conhecimento.

— Vamos parar de drogar ela, é possível que exista um motivo psicológico que tenha causado isso, então precisaremos dela acordada para verificar, agora vá.

Arrasada, Morte voltou para a igreja e esperou seja lá qualquer notícia sobre ela, mas a realidade muitas vezes não segue o caminho que desejamos.

Capriccio estava com um aparelho em sua cabeça para examinar seu cérebro quando retornou à sua consciência, no, a parte da parede onde ela estava encostada foi transformada em troncos de arvores cercados por heras e orquídeas, ela não queria se levantar e permaneceu ali, começou a ouvir 4 vozes.

— Essa é a sua tão sonhada revelação, a dor e as cólicas do seu verdadeiro eu.

— Você possui poder total para fazer o que quiser

— Eles querem matar você

— Mate-os!

Capriccio se encolheu e olhou ao redor, nada estava lá, as vozes voltaram a ecoar e repetir as mesmas frases, conforme as horas passavam, as palavras pareciam cada vez mais com a verdade e a sua lucidez começava a esvair sobre o encanto das quatro vozes.

Existem dois planos, o espiritual só é visível a deuses e entidades espirituais, já o plano secular é o qual todos podem ver. Evoltron foi verificar os resultados dos testes realizados e Capriccio se encaixou no perfil do surto de loucura que o governo trabalhava para esconder do povo. Os poderes divinos poderosos que ela recebeu, permitiram a transformação e criação de vida baseadas nas alucinações, ela então decidiu que a eutanásia era a única solução, porém ao olhar para capriccio uma última vez, notou que havia um corpo espiritual negro com quatro mascaras, uma sorria, outra chorava, outra gritava e outra estava com medo.

— O que são esses demônios ! — Gritou Evoltron invocando suas armas sagradas.

Evoltron correu para dentro da grande e branca sala onde estava Capriccio e estava armada de suas armas divinas: o escudo com espinho e a espada longa, claymore.

— Abandone o corpo dela!

As quatro máscaras se viraram para Evoltron lentamente, observaram sua pele azul e rosada em certos pontos, olharam dentro de seus brancos olhos e viram a aflição íntima da deusa.

— Uma pena que seu conhecimento é limitado aos limites desse universo. — Dizia a face triste.

— Você pode ir além quebrando essa fronteira. — Dizia a face feliz.

— Se eles descobrirem suas limitações, será abandonada como Nerym — dizia a face assustada.

— Subjulgue-os e mostre o seu poder! — Dizia a face irada.

Evoltron sentiu algo corroer seu coração, havia uma vontade sem medidas de conquistar novos reinos, sua cobiça cresceu e enquanto sonhava com a glória e tentava projetar com sua poderosa mente algo que tornasse possível esse sonho, Capriccio criou fisicamente Calamaro e fugiu.

Aquele era Isanael, demônio da loucura, seu único propósito é gerar o caos através da loucura, um ser que enganou a deusa do conhecimento e quebrou a mente de uma grã sacerdotisa, cada uma das faces sussurra palavras que atingem o íntimo de quem escuta e então, quebra o seu raciocínio. Da mente esquizofrênica de Capriccio, surgia o sangue e a dor, de seus pés vinha a transformação do mundo e das garras de sua besta Calamaro, todos que a impediam deviam perecer, ela que foi traída pela humanidade, escureceu seu coração e se perdeu num personagem que criaram para ela.