“ – mãe eu sou gay! ’’
8 Capitulo 7 O fardo de ser mãe II Thyesley
Notas iniciais
Meu telefone não para de tocar, resolvo atender.
—Alô?
—Ah é você— digo baixinho.
—Não, não posso, Cristopher está em casa, se eu sair ele vai desconfiar.
—Ok amanhã pode ser, tudo bem combinado, bjos até.- desligo e volto a preparar a janta.
Olhei ao redor me certificando de que ninguém estava escutando.
Já era 23:30 meu filho ainda não tinha chegado da casa de Ming, seu melhor amigo, não que eu estivesse preocupada, ele era muito responsável, mas Cristopher não gosta que as crianças passem a noite fora de casa.
[...Cristopher...]
Sai do banho, depois de me vestir, desci as escadas, Thiesley não estava na sala, então fui em direção a cozinha, quando estou chegando perto ouço uma conversa muito estranha dela.
—Não, não posso— Diz ela-, Cristopher está em casa, se eu sair ele vai desconfiar.
Fico paralisado, ela não pode estar me traindo, não depois de 18 anos de casados. Ela fica mais um tempo ao telefone, ela desliga e age normalmente, como se nada estivesse acontecido.
Entro na cozinha, com uma vontade louca de bater nela, mas não faço, não posso, nunca levantaria a mão pra uma mulher, ela olha para mim, com aqueles olhos que nem o gato de botas sorri pra mim e diz:
—Oi amor, a janta tá quase pronta- diz dando-me um beijo
Como posso sentir raiva de uma mulher assim? — a minha vida gira em torno da minha família.
—Tudo bem- Digo retribuindo o beijo— e nossos filhos onde estão?- pergunto tentando disfarçar meu desconforto.
—Ah! mandei Elena ir buscar o Rafa na casa do Ming, esses dois não se desgrudam parecem um casal de namorados- Diz rindo para mim— Aconteceu algo você parece tenso.!?
Depois de um tempo, nossos filho chegam, estou tão irritado, tão frustrado que acabo descontando nos dois.
— De castigo os dois, sem academia e sem violino!- Digo a ponto de explodir.
Logo jantamos, demos boa noite aos nossos filhos e fomos para o quarto, assim que fechei a porta cheguei perto de minha mulher e comecei a beija-la.
—A-amor não!, amor para!- ela praticamente gritou- o que há com você?, está diferente hoje, o que ouve?!, vamos deitar não estou com vontade hoje.
Ela trocou de roupa, deitou e em seguida dormiu, fiquei um bom tempo de pé, observando-a, lembrando de como nos conhecemos, do que vivemos até hoje, dos momentos alegres e tristes.
Resolvi sair pra esfriar a cabeça, peguei as chaves do carro e fui pra academia, precisa descontar minha raiva.
Tirei minha camiseta, botei minhas luvas e comecei a socar o saco de areia, cada soco que eu dava, uma lágrima descia, por deus, eu estava tão frustrado comigo mesmo, pensei que fosse suficiente pra ela, só parei de socar quando já estava amanhecendo, estava exausto, sem forças pra nada.
Tomei um banho rápido no vestiário, me vesti u fui pra casa, já era 6:49 da manhã quando cheguei em casa, subi as escadas, fui dar uma olhada nos meus filhos, eles ainda dormiam.
Cheguei na porta do nosso quarto, fiquei parado de pé, criei coragem e entrei, ela estava parada em frente a janela, de costas pra mim.
—Onde você estava?
—Fui esfriar a cabeça, porque— a raiva já estava me dominando de novo.
—Corta essa! Em 18 anos de casados você nunca passou a noite fora de casa!
— Tive meus motivos você não acha?- pergunto olhando fundo em seus olhos.
— Você é um idiota!, um estupido!,- diz indo em direção ao banheiro, ou vi o som do trinc da porta do banheiro, ela se trancou lá.
Cheguei e apoiei minha cabeça na porta do banheiro, ela estava chorando, meu coração se despedaçou, queria entrar lá abraça-la, dizer que tudo vai ficar bem, mas não consegui dizer.
Depois de um tempo ela saiu do banheiro, vestiu-se sem olhar pra mim uma única vez e desceu, fiquei sentado na cama um bom tempo refletindo sobre esses fatos, resolvi descer, ela estava pondo a mesa do café, nossos filhos desceram logo em seguida.
— Bom dia pai, mãe— disseram os dois ao mesmo tempo.
— Bom dia— digo sentando a mesa.
— Bom dia meu amores— diz ela dando um beijo em cada um.
Tomamos café em silêncio, nossos filhos perceberam a tensão que havia entre nós dois.
— Aconteceu alguma coisa?- Pergunta Elena.
— Foi porque eu cheguei tarde ontem?- Diz Rafael
Não foi nada disso, é um assunto nosso, não se preocupem ok?!- Thiesley
Nossos filhos subiram, se arrumaram e foram pra escola, Thiesley tirou a mesa do café, lavou a louça, subiu e depois desceu arrumada.
—Vou sair!- Anunciou ela.
[......Thiesley...]
Saí de casa pensando no rumo que tomou nossa discussão, precisa esfriar a cabeça, Cristopher passou a noite fora de casa, fiquei acordada a noite inteira o esperando, será que estava me traindo?, perguntei- me isso a noite toda.
Assim que fechei a porta de casa liguei pra Akame.
—Tudo bem eu ir aí agora?, quero ter certeza., ok tudo bem, daqui a pouco to chegando.
Desliguei o telefone, entrei no carro e fui ao meu encontro, chegando lá desci do carro, entrei no local, Akame já me espera.
—Oi meu amor, que carinha é essa andou chorando? O que aconteceu?
Desabei nesse momento, chorei abraçando forte seu corpo.
— Cristopher passou a noite fora de casa!
—Tudo bem me conte tudo o que aconteceu, contei tudo, desde o momento da janta até hoje de manha.
— Vocês tem que conversar, tentar se resolverem como uma casal, vamos mudar essa carinha de choro né!
—Vamos lá fazer?- perguntou- me rindo, assenti.
— E então? – pergunto nervosa- É certo?
—Parabéns você será mamãe de novo!!!- dizia ela rindo e me abraçando.
—Eu já imaginava, grávida de novo, como vou criar esse bebê brigada com meu marido?- pergunto com os olhos cheio de lágrimas.
— Prepare um jantar bem gostoso, pede pras crianças dormirem fora de casa hoje, esclareça as coisas com Cristopher, seja franca com ele e se aquele idiota não agir de acordo me fale que eu mesma arranco o que ele tem no meio das pernas, ok?- pergunta ela.
Assenti, me despedi dela, cheguei em casa, meu marido não estava, pedi pras crianças dormirem fora de casa, depois que eles foram comecei a aprontar uma janta especial para nos dois, depois de pronto tomei um banho, me arrumei, desci para a cozinha peguei duas taças e pus vinho, terminei de fazer o suflê e aguardei Cristopher.
20:06 Ele chega em casa, vou cumprimenta-lo mas ele passa direto por mim, sem levantar os olho pra me ver.
—Como foi o dia hoje?- pergunto tentado acabar com esse clima ruim entre nós.
—Foi bom.- diz ele subindo as escadas.
Depois de um tempo ele desce de banho tomado, passa por mim novamente e vai em direção a sala, liga a tv e fica assistindo sem me dirigir a palavra.
— Amor precisamos conversa— digo tentando chamar sua atenção.
Ele pega o controle, desliga a tv olha pra mim.
—Você quer conversar!, então vamos conversa!!- diz ele aumentando a voz.
— Comece falando do seu amante!!- diz ele
— O que? Que idiotice é essa!- pergunto exasperada.
—Não se faça de louca eu ouvi sua conversa no celular ontem a noite!,
Não sabia o que pensar, como ele pode achar que eu tenho um amante,
—Ah é assim então me diga onde você passou anoite?!!-
—Não desconverse, responda Thiesley você tá me traindo?
Virei e fui em direção a cozinha, Cristopher vinha logo atrás, peguei as taças e joguei na pia, nesse meio tempo já estava chorando, virei de volta pra ele.
— Ontem a noite a ligação era da Akame- notei que ele relaxou os músculos.
—A médica?- pergunta me olhando nos olhos- assinto.
—Esses dias estava me sentindo enjoada , ontem ela me ligou e disse que tinha um horário pra mim.
—Você tá doente?- vi que ele já estava calmo e com olhar preocupado.
—Eu tô gravida!- digo chorando mais ainda- queria confirmar pra fazer uma surpresa pra vocês.
— É por isso que a casa tá toda arrumada, você tá vestida assim, v-você....
—Por que você tá me traindo Cristopher?- interrompi-o.
—Não estou, por deus nunca faria isso com você!
— Não? Onde você passou a noite?
—Ontem depois que eu ouvi a sua conversa, eu estava com tanta raiva, passei a madrugada na academia, precisava descontar minha angústia em algo.
Ficamos um tempo nos encarando, então Cristopher chegou mais perto e me abraçou.
—Amor me perdoe— disse ele – nunca mais desconfio de você... só a ideia de perde-la pra alguém, me deixou louco. — pude sentir suas lagrimas caindo em meus rosto, ficamos um bom tempo assim, aproveitando nossa reconciliação.
—Eu sei que fui muito estúpido, é que tive tanto medo de perdê-la....
— Jamais me perderá... Sabe por quê?
— Não,- disse ele me apertando mais ao seu corpo.
—Porque jamais irei deixá-lo, mesmo que eu morra, voltarei para você, não importa o que aconteça.
— Eu te amo, muito- diz ele .- amo tanto que meu coração chega a doer.
Ali neste exato momento tive a certeza que ele era minha vida, minha outra metade.
—Amor – digo a ele- vamos transar?
—Por deus mulher- responde ele rindo- só se for agora paixão,
Cristopher me pegou no colo, subiu as escadas, abriu a porta e me botou na cama com cuidado.
Começamos a nos beijar, ele se inclinava cada vez mais em minha direção, passamos a noite nos curtindo....
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