medo
6 possessão
Notas iniciais
Passaram-se aproximadamente 4 minutos. Joana continuava em estado de choque, sem poder se mover, o medo tinha a consumido completamente por dentro.
Como isso acontecera? Como uma noite que tinha tudo pra ser cheia de diversão e normalidades, acabou se tornando um pesadelo? Agora, tudo que restara era sua amiga, desmaiada. Ela sequer sabia o que havia acontecido com ela. Talvez ela estivesse morta.
A garota desmaiada piscou. Estava horrível, seu corpo parecia fraco e doente. Parecia o corpo de uma pessoa cancerígena em fase terminal. Joana ainda assustada abaixou-se para ajudar a amiga.
— Anne, meu Deus, você tá bem? — Ela falava em um tom nervoso.
Os olhos de Anne eram tão horripilantes, Joana preferia não olhar para eles, eles lhe passavam coisas ruins, medo. A garota colocou as mãos no ombro da amiga para ajuda-la a se levantar. O medo era tão forte que ela se sentia fraca sequer pra levantar uma pena, mas era sua amiga — ou pelo menos, achava que era — e ela tinha que tomar providências.
De repente, os olhos apavorantes de Anne fitaram Joana. Toda a raiva que ela subitamente sentiu da garota apareceu em suas feições, que já eram assustadoras normalmente, agora, faziam Joana querer fugir. Ela cravou suas unhas que pareciam muito mais afiadas que o normal no braço da “amiga”, e começou a falar uma língua complicada, parecia um idioma extinto, algo do passado. Joana se apavorou.
— Anne, para de me segurar, tá machucando! — Ela falou, aterrorizada, tentando afastar as mãos da garota de seu braço.
Mas a garota — ? — não parava, cravava suas unhas cada vez mais fundo. De repente, Joana puxou seu braço fortemente. Não deveria fazer isso. No seu braço, cinco cortes finos e longos surgiram, fazendo-a sangrar bastante.
— ANNE, OLHA O QUE VOCÊ FEZ! — Gritou a garota, histérica. — AMIGA, SE VOCÊ ESTIVER ME OUVINDO... SOU EU, A JOANA! — Agora ela desabara em choro, mostrando toda sua fragilidade para aquilo que estava na sua frente.
De repente, Anne se levantou, cambaleou por uns segundos e, agressivamente, puxou Joana com suas mãos sangrentas e atirou contra a cerca da sacada interna. A força fora tanta que a garota quase tinha se inclinado para cair. Talvez fosse essa a intenção.
— Meu Deus... ANNE! SOU EU, JOANA! ALGUÉM ME AJUDA, POR FAVOR! — Agora ela estava realmente com medo.
Sua mão tremia tanto que mal ela podia se segurar na cerca. Ela percebera como Anne se tornara forte a partir do ocorrido. Ela gritava na esperança que alguém ouvisse e fosse ajuda-la, mas aquela era uma hora onde todas as pessoas do bairro dela — a maioria idosos religiosos — estavam no 5º sono. Não havia outra forma. Ela disparou correndo escada a baixo.
A menina sabia que Anne estava correndo atrás dela, sentiu o toque de sua mão gelada e viu a marca do sangue que ela deixara em sua camisola, mas, desta vez, ela conseguiu de libertar sem machucados. Seu braço ardia muito, ela achava uma das piores dores que já sentiu na vida. Talvez fosse o medo, que só aumentava a dor.
De repente, Anne passou flutuando, quase se encostando a ela, mas ela não flutuava muito mais rápido que corria. As duas chegaram à cozinha.
Joana tratou logo de pegar uma faca na gaveta, sabia de cor qual ela pegaria: o facão que seus tios usavam para cortar carne de churrasco quando havia na casa dela. Ela foi correndo em direção à Anne e, com muito pena — pois, apesar de tudo, era sua amiga — ela começou a esfaquear o “animal” — as feições da garota tinham piorado, ela ficava parecendo pior a cada minuto.
Então, Anne levantou o rosto e deu um sorriso debochado. De repente, todos os cortes que a faca tinha feito em sua barriga, sumiram e o sangue secou. Joana ficou atordoada. O que ela poderia fazer agora?
Ela saiu correndo o mais rápido que pode em direção à porta de entrada/saída. Ela nem pensou que, certamente, a porta estaria trancada. Anne estava flutuando bem ao seu lado, deixando-a apreensiva. Quando chegou, a porta estava trancada.
As chaves ficavam logo ao lado da porta, mas eram muitas. Ela se apressou para pegar pelo menos um molho, mas quando foi introduzir uma chave na fechadura, sentiu uma mão gelada pega-la pelo cangote e suspende-la no ar, machucando-a. Ela começou a gritar tão alto quando podia e nada aconteceu. Gritou, gritou e nada.
Anne levou-a apenas com uma mão — sua força era incrível — para o andar de cima e suspendeu-a na sacada interna, deixando-a a, aproximadamente, 5 metros de distância do chão, onde havia uma mesinha de vidro com um vaso de vidro em cima, na frente do sofá.
Joana não conseguia mais gritar, estava sem ar. Então, se sentiu caindo, lentamente. Levantou os braços, procurando algo para se segurar, mas não encontrou nada. Agora, conseguia gritar, gritou tão alto que as janelas tremeram. De repente, pousou bruscamente, quebrando tudo que havia em baixo e batendo a cabeça fortemente. O estrondo fora tão forte que os sofás se moveram quase 10 centímetros.
Ela caiu desmaiada ou, de repente, já estava morta.
Anne derramou uma lágrima. Essa era Anne lutando para o espírito sair de dentro de si. Então, ela começou a flutuar, tão alto que sua cabeça ficou a menos de um centímetro do teto. Ela flutuou no sentido reto por alguns segundos, até chegar à, aproximadamente, um metro de distância de uma cruz enorme, de uns dois metros contando desde os pés de Jesus Cristo, parecia uma cruz de igreja — na verdade, a casa toda parecia uma igreja. Era como se fosse uma “cruz central”. Ela não havia notado isso, mas o espírito certamente sim.
De repente, seu corpo começou a ser forçado. Sua cabeça fora jogada para trás, como se algo a empurrasse. Seus braços se abriram para os lados, como se algo os forçasse. Seu peito fora colocado para frente, tornando seu perfil muito saliente naquele local. De repente, ela se sentiu caindo. Acordada e tonta, ela viu o espírito — um animal mais horrível do que o que vira no quarto da mãe de Joana — se juntar ao vento e sumir.
Ela caiu por cima de nada, apenas do chão. Mas caiu com violência, sentiu dores, mas não conseguiu enxergar nada, estava muito fraca. Então, ela apagou.
De repente, um estrondo. Alguém arrombara a porta.
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