man D' cine

4 Telefone e Cobertas


Notas iniciais
Nem todos os dias temos tanta criatividade assim... Então, aproveitem por que está chegando ao fim. ^^

Danilo está muito mal e eu aqui, na casa dele, sem saber o que fazer. Isso vai dar merda.
– João, relaxa. Eu não vou morrer, só preciso ficar na cama.
– Verdade, verdade... Eu tenho que me acalmar. Mas ainda acho que a culpa é minha.
– Porque?
– Por causa de ontem a noite. Forcei muito e tal.
– Claro que não. O que eu fiz foi porque eu quis e eu já estava querendo adoecer.
– Mesmo assim, vou ficar cuidando de ti.

Ia ser um dia meloso... Com muito "vem cá meu lindo" e "mimimi", mas eu não sou esse tipo de pessoa. Liguei a TV e fiquei do lado dele no sofá.
– Tu ainda tá muito quente. Porque tu não toma um banho?
– Tu acha que eu quero levantar daqui?
– Então tá...
– Hey João.
– Hum?
– Vem cá. Me dá carinho.
– Nem vem.
– Tá, então me dá comida que eu to com fome.
– Se latir você vira cachorro, já é gordo e peludo.
– Au au.

A minha cara de desgosto e contentamento forçados no meu rosto. Ele não liga nem um pouco e fica sorrindo pra mim balançando a cabeça. É, ele não tá bem.
– Eu não sei cozinhar, só pra você saber.
– Bem, eu já esperava isso de você. — Mas como assim? Ele ta pedindo pra eu socar ele... Só acho. — O telefone tá ali em cima da bancada. Tem uma caderneta com vários números, pode pedir que eu pago.
– Beleza.

O telefone toca antes deu pegar ele. E olho estranho e o atendo sem falar nada.
– Alô. Danilo? Cara, eu fiquei sabendo que tu ta querendo ficar doente esses dias. Mandei várias mensagens e tu não me respondeu, fiquei na merda. Eu apareço na tua casa hoje de noite. Falou.

*Piiii* Então... Só pode ser brincadeira né... Já da pra ver que merda eu tô fazendo me apaixonando por um cara que nem me considera. Se acalma, pode ser apenas algum amigo dele. Estou equivocado, apenas. Ele não é tão cara de pau de fazer isso com alguém... Comigo... Não creio que vou entrar em "nisso" de novo.
– João? Já ligou? Tá aí parado porque?

O que eu tenho na cabeça? Me deixo levar por um cara de boa aparência e ele me leva pra casa dele só porque disse que gostava de mim. Eu sou muito infantil. Eu nem o conheço direito, não sei o que ele faz, não sei com quem ele anda, não conheço a família dele. Eu não sei de nada.
– Não, eu vou fazer isso agora.

Eu pego o telefone e ligo pra primeira pizzaria que eu vi. faço o pedido e desligo. Volto pra sala com nó na garganta.
– João.
– Oi?
– Fica mais perto de mim.
– Eu to bem aqui.
– João.
– Diga.
– João.
– Hum.
– João. Jão, Jão, Jão, Jão, Jão.
– Meu deus. Que foi?
– Você bravo é lindo.
– Legal.
– Mas me ignorando é deprimente, dá pra parar já. O que foi?
– Nada. É que eu não sei nada sobre ti e eu penso: Ah, como você gosta de alguém se nem o conhece. E essas coisas...
– Você tem razão. Eu ainda não posso dizer: Eu te amo, João. Mas eu quero, muito, chegar o dia que eu não precise dizer, apenas olhar pra tua cara e já saber.
– Oh deus. Ele está delirando mesmo. — Coloco a mão na cabeça dele enquanto ironizo. — Coitadinho, está com tanta febre que começou a falar bonito.
– Haha. Vem cá.

Ele me puxa e me dá um beijo e as minhas frustrações deixam meu corpo por um instante, isso é muito bom, mas não é o suficiente.
– Sim. Eu tenho que ti falar. Alguém ligou e disse que ia vir hoje a noite aqui na tua casa.
– Quem era?
– Não deu pra saber. Falou rápido e desligou, não deixou nem eu falar.
– Hum... Bem, se vier, aqui estou eu.
– A única coisa que realmente me deixou intrigado é a voz dele... É "familiar".

Aquilo me deu alivio emocional de eras. Cheguei mais perto daquele ursinho pra fazer carinho nele e ele enrolado nessas cobertas. Mais fofo, impossível. O telefone toca.
– AH. Sério? Eu não quero sair daqui não. Atende, por favor.
– Eu já ia fazer isso.

Novamente, até a bancada. Atendo o telefone e:
– Alô. — É a voz da minha mãe.
– Oi mãe.
– Filho, eu vou lhe buscar daqui a pouco tá? Como você tá.
– Eu tô bem mãe. Não precisa se preocupar comigo, pode vir mais tarde.
– Já já eu apareço aí. Tchau.

Que saco. Agora tem a minha mãe pra me perturbar... Vou ter que dar qualquer desculpa pra ela mais tarde.
– Sua mãe?
– Sim.
– O que ela queria?
– Me tirar de você.
– Own. Quem tá todo melosinho agora?
– Cala a boca se não eu paro.
– Não, vem cá.

Beijar ele era demais. Querendo ou não, esse dia ficou "mimizado", mas eu estou adorando. Vou pra debaixo das cobertas com ele. Aquele calor dele não era só da febre. Coloco as minhas mãos dentro do calção dele.
– Tá fazendo o que?
– To vendo se aqui tá quente também.
– E tá?
– Não.
– Espera... E agora?
– ... Pervertido.
– Ah, até porque sou eu que estou colocando a mão na tua cueca né.
– Quieto.
– Hehe.

Brincadeiras pra lá e pra cá. Já estava escurecendo e eu sabia que a minha mãe e a "desconhecida" visita tava pra chegar, só não sei em qual ordem. E a porta bate.

– Eu vou atender. Fica aí.

Caminho rapidamente até a porta enquanto alguém a bate. Eu a abro.
– João?

Notas finais
Bem... A historia vai ter um desenrolar bem estranho e confuso... Mas vai se explicar aos poucos. E ainda cogito um possível CrossOver entre Fic's. Bem... Isso vai ficar bem mais pra frente. Pelo menos já dei um pequeno spoiler :3 Até a próxima.