“ – mãe eu sou gay! ’’
9 Capitulo 7 O fardo de ser mãe III
Notas iniciais
23:00
Eu não costumo chegar tão tarde em casa, mas hoje foi inevitável. Não consegui escapar daquela sala cheia de cientistas discutindo para ver quem era mais superior, “isso aqui não era para ser uma equipe?”, pensei, mas que se explodam! Tem coisas que é melhor nem se meter.
Quando cheguei em casa meu marido estava na sala assistindo Tv.
—Bia! Fiz a janta.—diz ele.
—Não quero janta quero doce. —digo indo até o armário da cozinha e pegando um pacote de bolachas.
— Mas eu fiz lasanha de frango!
—Devia ter me contado isso antes. — digo sentando-me ao seu lado. Ele passa um braço em minha volta, acariciando meus cabelos, com o outro massageia minha barriga e beija minha bochecha.
—Não gosto quando você fica mexendo no meu cabelo, tudo o que faz é deixa-lo mais enredado. —pus uma bolacha em sua boca e ele engole tudo de uma vez. — Porque você esta acariciando minha barriga deste jeito?— disse pondo minha mão sobre a dele.
— Estou acariciando nosso filho. — disse ele sorrindo maliciosamente.
— Mas eu não estou grávida. — digo ríspida.
— Ainda. — diz ele divertido.
— Já disse que não quero outro filho. — Homens! Se fosse eles a ter a genital arreganhada duvido que iriam querer outro filho.
— Porque? Não gosta de ser mãe? — diz Kilik com expressão triste.
— Gosto e sou, não entendo porque quer outro? Só o Addae não basta? — Kilik repousava a cabeça em meu peito.
— Não quando eu posso ter mais. Eu não quero ter outro filho porque não gosto mais do Addae, quero outro porque sinto falta da infância de uma criança, de tocar na sua barriga e sentir o nosso filho se mexendo.
— Você deveria trabalhar na maternidade de um hospital ao invés de uma loja de armas... — não pude evitar de sorrir, só de lembrar como foi quando o Addae nasceu realmente dá saudades. — Também sinto falta Kilik, mas eu trabalho e não tenho tempo para uma criança.
— Largue o trabalho. Você não precisa dele pra viver, eu posso sustentar minha própria família sem minha mulher ter que trabalhar.
Empurro Kilik para o lado e me sento na poltrona de frente para ele. Largar o trabalho!? É muito fácil falar, só pra começar, rodei em cinco vestibulares até conseguir passar e entrar na faculdade, rodei um ano em química e levei mais dois anos até conseguir um serviço na minha área, então “largar o trabalho” não é uma opção!
— Você sabe muito bem o que eu passei pra conseguir um emprego fixo na minha área então não me venha com esse papo egoísta, machista, de marido possessivo!— falo me levantando, fico andando de um lado para outro na frente dele.
— Pelo tom da sua voz vamos começar uma discussão, na qual você me acusa de querer te prender em casa, te rebaixando a uma mulher de lar qualquer cheia de filhos e anormalmente grande por causa do décimo segundo filho que espera.
— Isso é tudo o que você sempre quis! Eu tenho uma carreira! Não sou importante se comparada a muitos, mas sirvo pra alguma coisa e gosto disso, sinceramente eu não sei do que você reclama, eu fui uma mãe presente, abri mão de participar de pesquisas importantes pra que o Addae tivesse uma mãe de verdade ao seu lado ao invés de um desenho ou uma babá... Eu consigo cuidar da casa também! Sempre fiz isso, aposto que se eu ficar uma semana fora esse lugar vira uma bagunça!
— Eu fui general, organização é o meu lema e nosso filho também é bem organizado, além do mais somos homens, vamos sentar, conversar civilizadamente e distribuir as tarefas. Sem estresse.
Vai pro inferno! Levanto as mãos e respiro fundo, é óbvio que essa discussão não vai levar, já tivemos ela antes e nada mudou. Tudo o que eu vou fazer é continuar a tomar os meus anticoncepcionais e garantir que calças tamanho 38 continuem a caber em mim.
— Chega dessa discussão! Porque ela não vai levar a nada... Nunca levou.
Dito isso subo as escadas com raiva, entro no quarto e fecho a porta com força.
— Beatriz! Isso ainda não acabou!— diz Kilik, posso ouvir o som de seus passos, ele estava se aproximando. — Aposto que se eu fosse o Sam você me escutaria!
— Ah! Hã?! Então o problema é o Sam?— grito do quarto.
Eu já havia posto meu pijama, uma camiseta social enorme que ia até os joelhos. Kilik entra e tranca a porta. Se aproxima e me puxa pela cintura.
— Não...— a voz dele se tornou um sussurro gentil.— O problema é que desde que minha esposa começou a trabalhar, ela vem me ignorando e nem lembro mais qual foi a última vez em que ela repousou a cabeça no meu peito e disse que me amava....— ele começou a beijar o meu pescoço.— ou a última vez em que a vi nua.
Ele continuou a distribuir os beijos novamente, eles subiram até minha boca e a deixaram vermelha, depois desceram e foram até meus seios, soltei um gemido.
— Eu te amo... — sussurro. Ele me pegou no colo e me botou deitada na cama. Ficou em cima de mim continuando com os beijos e me tocando em lugares vergonhosos, com muito esforço consegui empurra-lo, sentei-me na beirada da cama, abotoei a camisa e escondi meu rosto com os cabelos, tenho certeza de que minha face estava totalmente corada. — Poderia não fazer isso? Sabe como me sinto com relação ao meu corpo.
— Eu adoro ele. — diz ele sorrindo e me abraçando por trás.
— Esta tentando me engravidar?
— Na verdade estou só me divertindo, mas se você engravidar eu é que não vou ficar bravo.
— Então não vai se importar se eu tomar meu remédio?
— Não. — disse ele.
Me levantei e fui até o banheiro do nosso quarto, vasculhei as gavetas do banheiro, o armário, meu bidê, meu roupeiro, minha bolsa, fui até procurar nas coisas dele e não achei. Ele sempre deixava a 38 dele na gaveta de remédios do nosso banheiro, fui até lá, tirei as balas da arma, eu ia dar um susto nele. Voltei para o quarto com a arma descarregada escondida atrás das costas.
— Você! Eu não acredito que deu um fim nos meus remédios!— disse furiosa.
— Pois então não acredite, volte aqui e vamos terminar o que começamos. — disse ele me oferendo um lado na cama e sorrindo.
— Não esta arrependido?— pergunto.
— Não. — diz Kilik com aquele sorriso malicioso, ele sempre dava esse sorriso quando fazia coisas erradas... e em outras ocasiões, mas eu sempre odiei quando ele fazia isso justo quando estava zangada.
— Então farei com que se arrependa.— apontei a arma para ele, mas Kilik nada fez apenas ficou ali, deitado com aquele sorriso.— Peça desculpas! Sinceras!
— Desculpe.
— Isso não foi sincero. — disse a ele.
— Não, mas eu fiz o que você queria então porque não larga essa arma descarregada e volta pra cama.
— Como sabe que esta descarregada?— disse abaixando a arma.
Ele nada disse então tratei de coloca-la no lugar. Voltei para cama e me aconcheguei perto dele. Deitei minha cabeça em seu peito e sorri. Comecei a acariciar seu abdômen definido, só pra acrescentar ele já estava sem camisa quando voltei, soltei um longo suspiro.
— Como sabia?— voltei a perguntar.
— Você jamais atiraria em mim por uma coisa dessas e não adianta negar ou tentar disfarçar, você não esta zangada comigo.
— Verdade sua montanha ambulante.
Ele acariciava meu rosto e minhas costas, Kilik tinha razão, qual foi a ultima vez em que estivemos assim? Nem consigo me lembrar. Deve ter sido a muito tempo.
— Vamos?— perguntou ele.
— O que?— me fiz de desentendida.
— Ter outro filho?— disse ele meio acanhado.
Fiquei um momento em silêncio.
— Vamos.
— Posso te perguntar uma coisa?— a voz dele estava tremula.
— Pode.
— Com todo esse boom! Que os gays tem hoje em dia eu pensei... e se o nosso filho fosse?—sentei na cama e o olhei nos olhos.
— Eu mato esse garoto se ele fizer isso comigo!
— Calma.— diz ele me puxando para si.— Acho que isso não é uma coisa que ele possa escolher.
— Esta querendo me dizer alguma coisa Kilik?— agora eu estava ficando nervosa.
— Não.— ele solta um riso de descontração.— É só uma suposição...Uma brincadeira.
— Não gosto de suposições ruins.
— Não é.
Voltei para perto dele. Não me pareceu uma suposição.
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