le velo pour deux.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Abro os olhos, e a primeira coisa que eu vejo é a claridade invadindo meu quarto. Não fazia ideia de como tinha subido as escadas para chegar no meu aposento. Tento me lembrar de algumas coisas da noite passada, mas todo esforço foi em vão, pois tudo o que vem a minha cabeça são uns momentos, como eu sentado em um bar, bebendo uma cerveja qualquer; e eu sendo posto dentro de um taxi por um menino deveras gentil, que mais cedo me amaparou na rua, quando eu estava chorando num banco no meio da rua.
Tonto e morrendo de dor de cabeça, junto minhas forças pra levantar da cama e descer a escada sem que eu a role, chegando na sala são e salvo. Ao me levantar, me olho no espelho e vejo que ainda estou com a roupa da noite passada, minha cara demonstrava um mau-humor matutino pior do que o normal. “Ok, eu devo ser a pessoa mais inapresentável do mundo nesse exato momento. Se eu estivesse sentado na calçada, provavlemente alguém me jogaria uma moeda.”, pensei. Nesse exato momento, minha mãe me grita.
— Ryan, já acordou?
— Sim. O que foi? – eu respondi, sem pensar que a melhor resposta seria ter ficado calado.
— Voce tem uma visita. Desce.
-Quem é? – E há um pequeno silencio. Provavelmente, minha mãe não conhecia minha visita, o que era estranho.
-Um amigo seu... Brendon.
Nesse momento me bateu um insight. Brendon, era esse o nome do rapaz gentil que me acolheu noite passada.
-Ok, estou descendo. – disse, pouco ligando pro estado em que eu ne encontrava.
Dentre as coisas que eu não lembrava da última noite, uma era que Brendon era incrivelmente lindo. E a outra, era que Brendon é um artista sensacional. E eu ainda penso em voltar com a banda, e agora eu tinha a chance de unir o útil ao agradável, tendo Bren por perto sem esforço e fazendo o que eu amo.
A cara de espanto da minha mãe ao me ver era impagável, e era visível que Brendon segurava o riso. Eu ri da situação, apenas para que Bren risse também.
- Vamos Brendon, vou te mostrar a nossa casa.
Eu, sempre oportunista, mostrei meu quarto por último, sabendo que ficaríamos por ali por um bom tempo.
Brendon se acomodou em minha cama e achou meu caderno de composiçoes embaixo do meu travesseiro. Enquanto isso, eu fui trocar de roupa e lavar meu rosto. Quando me dei conta, Brendon tinha criado uma melodia pra algumas músicas e estava cantarolando elas. Tenho certeza que fiquei corado.
-Isso é composição sua? Elas são incríveis, cara. Sério mesmo.
— Ah, nem acho isso tudo, mas obrigada mesmo assim. Sabe... eu tinha uma banda com meus amigos de Palo Verde, mas fomos obrigados a termina-la, mas eu to querendo voltar com ela. Eu realmente tenho pensado muito nisso, e o meu coração diz que eu tinha que fazer isso. Enfim... Ontem você tocou só violão, né... mas o que mais voce sabe tocar?
-Hm, algumas coisas. Guitarra, baixo, bateria, piano, trompete...
-Nossa! – Não sei porque me espantei se eu toco todos esses instrumentos também.- Eu também toco tudo isso. E canto.
Nessa hora, me bateu um surto de coragem.
-Voce não quer se juntar a nossa banda?
-Isso é sério? Claro que sim.
Ótimo. Meu cérebro me traindo mais uma vez. Nós nem tinhamos acertado a volta da banda, mas eu confirmei isso. Agora precisava ligar para Spencer e Brent.
-Huh, Bren... me dá um minuto? Vou ligar para os meninos da banda.
Foi o que eu fiz. Com o coração na boca, disquei os números de Spencer.
-Spen, sou eu. Tenho ótimas novidades. Nós VAMOS voltar a banda, com força total. Eu não parei de compor, e sei que você ainda pratica a bateria. Eu escrevo as partes do baixo com o Brent, nós podemos começar a montar o conceito, e pod...
-Oi pra você também, Ross. Comigo tá tudo uma maravilha, obrigado por perguntar. Olha, eu acho ótima a ideia de voltarmos com a banda, mas não sei se Brent vai gostar. Mas vem cá... Essa empolgação toda é por causa disso?
-Empolgação? Que empolgação?
-AH, PARA! Hoje é dia 27/12. Você ODEIA essa época de fim de ano, fica com um mau humor tenebroso.
-Hm, deve ser. – Eu sabia o motivo, mas relutava aceitá-lo. – Escuta o que tô te falando, 2005 vai ser o melhor ano de nossas vidas.
-Ok, vou anotar isso. Precisamos nos juntar o quanto antes pra ver por onde começamos, não?
-AH! Esqueci de algo bastante importante.
-Aí vem. O que foi dessa vez, Ryan?
-Resolvi nosso problema de termos 3 membros, em vez de 4. Conheci um menino sensacional, multi-instrumentista, que tem uma voz incrível. Ele vai na nossa reunião amanhã. Mas então... na sua casa, as 17?
-Ah, acho que tá bom. Deixa que eu ligo pro Brent.
-Valeu. Te vejo amanhã, buddy.
— Até.
Voltei pro quarto pra falar com Brendon com um sorriso maior do que o habitual. Avisei-o que ensaiaríamos amanhã, e else se mostrou bem empolgado. Eu sabia que não era bem um ensaio, mas tanto faz.
-Ei, você ainda não me disse o que veio fazer aqui.
-Só vim te ver, saber como estava. – Droga. Meu coração diz estar apaixonado. Mas como não estar com um cara assim? Minha cabeça reluta, mas não sei por quanto tempo isso vai durar.
-Mas... como você soube meu enderço?
-Nossa, sua ressaca deve estar brava mesmo. Você nõ lembra? Cê gritou o endereço pro taxista no estilo patricinha. Foi ridículo, a ponto de eu correr de vergonha!- Brendon disse, rindo.
Que maravilha, eu não poderia parecer mais gay.
-Ei, porque não descemos pra conversar com sua mãe? Ela parece ser legal.
-Acredite, legal é a última coisa que ela é. – disse, me jogando na cama.
-Ahhhh, vamos! Por favooooooooooooooooor! – Brendon fez uma cara irresistível. Não pude resistir.
Descemos as escadas e achamos minha mãe sentada no sofá, vendo TV. Ela parecia pressentir que algo não muito legal aconteceria. Eu até pensei em contar pra ela que eu e os meninos estávamos voltando, mas com aquele rosto da minha mãe... eu recuei.
-Oi, Sra. Ross. Desculpe não ter me apresentado antes. Eu conheci seu filho ontem, ele assistiu meus show em um pub. Acabou que conversamos bastante e descobrimos muito em comum. Eu estudo em Palo Verde, esse próximo ano é meu último. E agora, que a banda voltou, estaremos juntos por um bom tempo!
Ah, droga. Droga. Droga.
-Banda? BANDA? GEORGE RYAN ROSS, VOCÊ REALMENTE ACHA QUE EU VOU DEIXAR ISSO ACONTECER MAIS UMA VEZ? VOCÊ TÁ FICANDO MALUCO?
-Mãe... Esse ;e o meu sonho, me deixe vivê-lo. Isso vai me fazer feliz. As vezes eu acho que você tem prazer em me ver triste e derrotado.
-Não! Eu só quero o seu bem, meu filho. Para com essa loucura.
Brendon assistia a cena, atônito. Eu, chorando, lembrei da situação em que o conheci. Porque que todo dia tem que ter um inferno diferente?
-Só quero que você saiba que eu NÃO vou desistir da banda! Você não vai me atrapalhar dessa vez. – eu disse berrando, aos prantos.
-Ah, não? Tem certeza?
-Nunca tive tanta certeza.
-É mesmo? Então você pode pegar suas coisas, porque nessa casa, VOCÊ NÃO MORA MAIS. – disse minha mãe, dando o veredito final.
-Ótimo! Só não me procure mais. NUNCA MAIS.
Corri escadas acima para arrumar minhas malas. Olhei pela janela – haviam nuvens carregadas vindo. Ouço batidas na porta, eu sabia que era Brendon. Ele entra, e não tive outra reação a não ser abraçá-lo e chorar em seu ombro.
-Me desculpe. – ele disse, sussurando em meu ouvido, me fazendo arrepiar.
Não conseguia respondê-lo, estava soluçando de tanto chorar. Eu só queria que ele nunca mais me soltasse.
Nunca mais.
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