iLost

4 Capítulo 4


Notas iniciais
E aqui estamos para deixar o último capítulo da fanfic. Agradeço as reviews que muito me incentivaram, fiquei muito feliz por saber que a história caiu no agrado de vocês. Vou fuçar nos meus arquivos antigos e logo mais trago alguma outra fanfic de iCarly pra cá. Muito obrigada e boa leitura! Espero que gostem do final de iLost =)

Freddie abriu os olhos devagar, sentindo a claridade por trás das pálpebras. Assim que focalizou o entorno, deu de cara com cachos loiros. Ele piscou, confuso por alguns segundos.

Então, a realidade o despertou por completo: tinha se perdido com Sam na trilha do Parque Estadual. Os dois tinham brigado, depois se beijado, brigado de novo e quase se beijado outra vez, e, por fim, a chuva, e então a caverna, a fogueira e os biscoitos.

Esfregando os olhos, ele percebeu que seu outro braço estava ocupado. Olhando para baixo, entendeu o porquê. Sam estava deitada em cima dele. Pensou em puxá-lo, mas, por um instante, deixou-se observá-la enquanto dormia.

Sam parecia tão indefesa dormindo. Mas que ninguém se enganasse. A loira era uma fera quando estava acordada. Um diabo loiro, como ele gostava de dizer. O pensamento o fez rir sem querer, o que despertou a bela ferinha adormecida.

Sam abriu os olhos e piscou algumas vezes, tentando se acostumar à claridade. Esticou os braços, espreguiçando e bocejando com gosto até que…

“Aiiii!”

A voz do nerd a fez congelar os movimentos por um segundo. Olhando para baixo, ela viu onde estava — deitada em cima de Freddie Benson. Com o rosto ardendo, ela percebeu que sua espreguiçada tinha atingido o garoto bem no maxilar que ele esfregava com cara de dor.

“Foi mal aí, Fredonho” ela murmurou, sem jeito.

Mas, então, a garota se deu conta de que ainda estava deitada em cima dele. E, quando o garoto olhou para ela, se deu conta de que nenhum dos dois tinha feito qualquer movimento para se afastar.

Estavam próximos. Seus rostos quase colados. Sam conseguia ver o castanho-chocolate dos olhos de Freddie sobre o rosto dela. Conseguia sentir as batidas rápidas no peito dele, vibrando contra o dela. E suas respirações começando a se misturar…

Nenhum dos dois soube quem fez o primeiro movimento, mas ambos sentiram quando seus lábios se tocaram. Foi como uma espécie de choque gostoso a princípio, ficando mais suave em seguida, quando suas bocas foram se abrindo lentamente e suas línguas atrevendo-se a uma visita mútua.

Aquele, sem dúvida, era o melhor jeito de despertar em anos, Samantha Puckett concluiu. E Freddie Benson tinha certeza de que não se importaria em levar um soco no queixo cada manhã se a recompensa seguinte fosse aquela.

Logo não apenas as bocas, mas os braços dos dois decidiram se misturar. Tocando, apalpando, sentindo, o que começou sem a menor intenção, acabou se transformando numa deliciosa exploração.

Mas, além dos sentidos e dos hormônios deles, algo mais pareceu despertar no fundo da caverna e um ruído baixo e grave fez os dois jovens romperem o beijo.

Ofegando, Freddie olhou para o rosto vermelho de Sam. “Você… ouviu isso?”

A garota apurou os ouvidos enquanto recuperava o fôlego, tentando escutar algo acima da própria pulsação. Mas nem foi preciso muito esforço, no instante seguinte, o som reverberou pelas paredes do lugar, muito parecido com um rugido.

Sem esperar nem mais um segundo, Sam e Freddie se levantaram de um salto, correndo para fora, sem querer esperar para verem quem era o dono da caverna.

De mãos dadas, os dois correram por bons metros, parando apenas quando não restava mais fôlego e nem conseguiam mais ouvir qualquer som ameaçador. Apoiando as mãos nos joelhos, Freddie ofegou. Sam apoiou o braço em uma árvore próxima, igualmente ofegante.

Como de comum acordo, assim que o ritmo de suas respirações e corações aproximou-se do normal, os dois começaram a andar sem rumo. Mas o silêncio não durou muito.

Sam, ouvindo o estômago roncar, balançou a cabeça diante da ironia da situação. “Eu morrendo de fome e por pouco nós não viramos comida de animal selvagem. ”

“Ainda bem que corremos a tempo.”

“Corremos, mas não o suficiente pra voltar para a maldita trilha que leva pra fora desta maldita floresta!” a loira vociferou, frustrada.

“Se ao menos eu tivesse o meu GPS…” Freddie lamentou.

O comentário, porém, ativou a irritação de Sam. “Está me culpando de novo por estarmos perdidos?”

Freddie olhou para ela de soslaio. “Eu não estou culpando ninguém, mas se a carapuça serviu…”

“Escuta aqui, Benson” a garota lançou um olhar fulminante para o acompanhante. “A ideia de buscar abrigo naquela caverna foi sua, e graças a você quase fomos comidos vivos por alguma fera da floresta.”

“Que exagero!” ele riu, debochado. “Até parece que ficamos cara a cara com algum monstro.”

“Ah, ficamos quase!”

“Se eu não tivesse achado aquele abrigo, dona Puckett, saiba que teria sido bem pior.”

“Pior como? Eu não vejo como isso podia ser pior” ela se exaltou, erguendo os braços para o alto e deixando-os caírem, pesados, ao lado do corpo.

“Teríamos passado a noite no relento, muito mais expostos às criaturas noturnas da floresta, sem falar que podíamos ter congelado de frio.”

“Agora quem é que tá exagerando?” ela retrucou, embora, no fundo, soubesse que a razão estava mais do lado do nerd do que dela. Mas Sam não daria o braço a torcer, especialmente porque seu estômago estava roncando alto de novo, e quando estava com fome, tudo em que conseguia pensar era em comida.

“Você não admite, não é? Não consegue admitir que eu estou certo em alguma coisa.”

“Ah, cala a boca, Benson!” ela chiou. “Sua voz tá me irritando!”

“Vem calar” ele a desafiou, erguendo as sobrancelhas em provocação.

Sam viu o brilho de divertimento nos olhos castanhos e imediatamente sua mente rememorou a imagem dos dois se beijando naquela caverna…

“Você não tem medo do perigo, Frediota?” ela tentou soar ameaçadora, como a velha Sam de sempre, mas, ao ouvir o leve tremor na própria voz, sentiu o rosto corar por falhar miseravelmente.

Se ela já não conseguia nem assustar Freddie Benson, o que seria dela? Tratando de ignorar a expressão dele de quem estava se divertindo com a situação, Sam tratou de aumentar o ritmo dos passos, passando a frente dele.

“Com medo de ficar perto de mim, Puckett?” Freddie sorriu, querendo atiçá-la — e quem podia culpá-lo? Era sua única forma de distração na atual circunstância.

“Medo de você?” a garota deu uma fingida risada de escárnio. “Se enxerga, garoto!”

“Pois é o que parece” Freddie mordou o lábio, atiçando a loira um pouco mais. “Que está com medo de andar perto de mim.”

“Eu estou querendo distância de você e da sua voz irritante, Benson, isso sim” Sam apressou mais ainda o passo, disparando na frente dele.

O tiro, no entanto, saiu pela culatra quando ela pisou de mau jeito num graveto e foi com tudo ao chão.

“Aaaaii!” Sam gemeu, levando a mão ao tornozelo.

Freddie correu até ela, todo o tom de provocação esquecido.

“Sam, você tá bem?” ele se abaixou ao lado dela, preocupado.

Ela apertava os olhos fechados e segurava o tornozelo esquerdo. Estava nitidamente curtindo dor.

“Sam!” Freddie a chamou novamente.

Escutando a voz dele, ela abriu os olhos e deu de cara com o rosto do nerd. Ofegando, lutou alguns segundos para recuperar a voz antes de responder.

“Meu pé… acho que eu torci.”

“Deixe eu ver” Freddie tocou com cuidado a mão dela, afastando-a do tornozelo. Em seguida, inspecionou com suas duas mãos o local, mexendo com jeito no pé da garota, que gemeu de dor.

“Aaaau!!”

“Deve ter sido uma entorse” ele diagnosticou.

“Nessas horas era bom ter uma mãe enfermeira” Sam murmurou, invejando Freddie pela primeira vez na vida.

“Você deve estar com muita dor mesmo pra dizer isso” ele ergueu os olhos do tornozelo machucado dela e percebeu como seus rostos estavam próximos.

A corrida e a discussão tinham deixado ambos ofegantes. E agora, tão perto, com as respirações pesadas tocando o rosto um do outro, nem foi possível evitar a lembrança dos beijos que haviam trocado desde que tinham se perdido naquela floresta.

Apesar da dor que sentia na perna, a vontade de beijar Freddie novamente falava mais alto na mente de Sam, que, por um instante, ao vê-lo começar a fechar a distância ínfima entre seus rostos, chegou mesmo a esquecer do machucado.

Quando os lábios de Freddie estavam quase tocando os de Sam, ele parou. Congelou. A frustração dela, porém, durou menos que um segundo ao perceber o mesmo que ele tinha acabado de perceber. Eram vozes. Ao longe.

Freddie a segurou e, colocando-a recostada a uma grande pedra que havia por ali, levantou-se e pôs-se a gritar. “Ei! Aqui!”

“Acha que são eles?” Sam perguntou, ansiosa, massageando o tornozelo que tinha voltado a doer com tudo.

“Pode ser. Pena que eu não tenho mais o sinalizador.”

Dessa vez Sam se culpou. Se não tivesse jogado a mochila de Freddie fora, teriam mais chances de serem encontrados ou de acharem sozinhos o caminho de volta. Agora ela estava com fome, com dor e com frio. E com vontade de chorar. Mas ela respirou fundo e começou a gritar junto com Freddie.

“Eeeeiiiiii! Aquiiiiiiiiiii! Ajudem a gente!”

Nada.

Rendida, Sam deixou o corpo deslizar contra a pedra em que estava recostada. Freddie, já rouco, aproximou-se e agachou-se ao lado dela. Quando ele começou a passar um braço em torno do pescoço dela e outro por baixo das pernas, Sam protestou.

“O que é isso, Freddinerd? Ficou maluco?”

“Vamos andando, se dermos sorte encontramos alguém no meio do caminho.”

“Eu posso andar” ela insistiu, mas, ao tentar firmar o pé, quase caiu.

Freddie a amparou, erguendo as sobrancelhas para ela sem precisar dizer mais nada.

Sam rendeu-se . “Tá certo. Vira de costas” ela ordenou.

Ele obedeceu e ela se colocou de cavalinho nas costas dele e assim foram andando. Depois de quase meia hora, ambos estavam cansados. Freddie parou e a sentou no chão, sentando-se ao lado dela, ofegante.

“Nossa, estou impressionada” Sam comentou.

“Com o quê?” Freddie questionou, tentando resistir à vontade de molhar o rosto com o pouco de água que lhe restava.

“Não achava que você conseguisse me carregar nem por meio minuto.”

Freddie olhou para ela de lado e sorriu. “Eu comecei a malhar, sabe?”

“Oh, nota-se!” ela deixou escapar, ruborizando logo em seguida.

Ele sorriu, satisfeito com o que considerou um elogio. “Na verdade eu tenho que te agradecer por isso.”

“A mim?” Sam perguntou, estranhando.

“Claro. Se não fosse você pegando no meu pé por anos, eu nunca teria me interessado em ficar mais forte.”

“Então você começou a malhar pra me encarar, é? “

“Não. Para me defender” ele justificou.

“Espertinho” ela sorriu.

De repente, algo chamou a atenção dos olhos de Freddie. Ele se levantou e andou alguns passos, distanciando-se de Sam.

“Ei! Aonde pensa que vai?! Não vai me deixar aqui sozinha, vai?” Sam gritou.

Por alguns minutos, Freddie despareceu do campo de visão dela ficando atrás de uma árvore. Quando a loira já estava começando a se preocupar, o garoto reapareceu com um sorriso no rosto e as mãos cheias de umas bolinhas amarelas.

“Achei comida” ele mostrou as mãos para Sam, tornando a sentar-se no chão ao lado dela.

“Isso é comestível, é?” ela perguntou, desconfiada. Por mais que seu estômago estivesse gritando de fome, ainda lhe restava um pouco de sensatez, por incrível que parecesse.

“Sim, eu aprendi a reconhecer esse fruto no acampamento de sobrevivência e...”

“Ah, deixa pra lá! Coisa de nerd” Sam avançou para pegar um punhado das frutinhas amarelas, levando-as à boca.

Freddie balançou a cabeça, rindo sozinho. Ele dividiu o resto da colheita, dando a maior quantidade para Sam.

“Não. Vamos dividir meio a meio. É justo” ela disse, empurrando de volta para a mão dele um punhado das frutinhas.

Freddie olhou para ela, surpreso. Sam generosa com comida era algo extraordinário. Especialmente com ele. Sorriu.

Os dois comeram em confortável silêncio. Logicamente aquelas frutinhas estavam longe de um banquete, mas, na situação em que se encontravam, jamais seriam desperdiçadas.

Quando terminaram a ‘refeição’, Sam surpreendeu Freddie, mais uma vez.

“Até que essa experiência não foi tão ruim.”

“Como é?” ele ergueu a sobrancelha.

“Claro. Se eu tivesse que ficar perdida com alguém de novo, eu escolheria você.”

Freddie sorriu, se achando. “Sério?”

“Claro! A Carly não duraria nem uma hora, com o Gibby eu teria que disputar comida e o Spencer é magro demais.” Ela olhou interessada para Freddie. “Já você, deu uma boa encorpada com a malhação...”

Freddie, então, percebeu a insinuação dela. “Haha, nem vem, Puckett. Eu jamais serviria de alimento pra você. Teríamos que disputar no braço quem alimentaria quem.”

“Ah é? Já que você se garante todo agora só porque está levantando uns pesinhos, eu aceito o desafio.”

“O quê?” Freddie riu. “Eu não vou fazer queda de braço com você.”

“Porque sabe que vai perder” ela cantou vitória.

“Não. Porque é besteira. Ninguém aqui vai se alimentar de ninguém. Logo vamos ser encontrados e…”

“Tá com medinho! Fredderela tá com medinho!” Sam cantarolou para provocá-lo.

E conseguiu. Apertando o maxilar, Freddie puxou a manga da camisa para cima.

“Certo. Já que insiste…”

Ao ver o bíceps dele, o rosto e o pescoço de Sam arderam. Constrangida, ela fechou a expressão.

“Pensando bem, deixa pra lá.”

“Deixa pra lá, não. Como assim? Agora que eu aceitei você vai dar pra trás?”

“Eu ia ganhar de qualquer jeito.”

“Ah, não ia mesmo!”

“Deixa quieto, nerd. Eu não quero disputar.”

“Depois eu que tô com medinho” ele tentou provocá-la.

“Não adianta, Benson. Não vou disputar com você.”

Ele emburrou. Ela ainda devia achá-lo um fracote.

Ambos ficaram em silêncio por uns minutos. Até que Sam cansou-se e voltou a falar.

“Você acha que eles estão procurando pela gente?”

Freddie olhou pra ela. “Acho. Claro.”

“Então por que eles demoram tanto?” ela jogou um pedaço de graveto longe.

“Esta floresta é muito grande, Sam. Eles não fazem ideia de onde estamos.”

“Mas nem fomos tão longe assim! Desde que nos separamos deles na trilha não devemos ter andado nem dois quilômetros.”

“Ah, já andamos, sim. De qualquer forma, o lance é que eles não sabem pra que direção nós fomos. Devem ter ido procurar do lado oposto.”

“Que ótimo” Sam bufou, frustrada.

“Talvez seja melhor ficarmos aqui mesmo. Assim vai ser mais fácil de nos encontrarem. Quanto mais andamos, mais nos afastamos e sem ter ideia pra onde.”

Sam começou a choramingar. Freddie escutou umas fungadas e viu os ombros dela tremendo.

“Sam?” ele a chamou, preocupado. “Você tá chorando…” não era uma pergunta, mas uma constatação.

Era a primeira vez que Freddie via Sam chorando. Realmente. E ele não sabia direito como lidar.

A garota não o respondeu — ou estava ignorando de propósito ou sequer prestou atenção nele.

Incerto, Freddie esticou as mãos sem saber se devia ou não tocá-la. Mas a preocupação falou mais alto quando ele a escutou soluçar. Ele envolveu os ombros dela com um dos braços e, para sua total surpresa, a garota se jogou contra seu peito, chorando livremente.

Freddie sentiu o coração apertar. “Sam, seu tornozelo está doendo? É isso?”

Mais uma vez ela não respondeu, apenas se agarrou com uma das mãos à camisa dele, os soluços balançando o corpo dela.

Sem saber o que fazer, Freddie seguiu o instinto de abraçá-la. E os dois ficaram assim por algum tempo, até que os soluços de Sam foram diminuindo. Quando ela ficou completamente quieta em seus braços, ele baixou os olhos para observá-la.

Freddie nunca tinha visto Sam… frágil. Nem tinha a noção de quão pequena ela era, na verdade, até tê-la assim, em seus braços, como naquele momento.

Ele conhecia a Sam valentona, a Sam durona. Mas ainda não tinha conhecido a Sam vulnerável. E isso era surpreendente e, ao mesmo tempo, assustador.

“Eles vão nos encontrar, Sam” Freddie murmurou, tentando confortar a ambos.

Ela ergueu a cabeça para olhar para ele e secou de qualquer jeito o rosto molhado. Freddie viu o azul dos olhos dela ainda mais azuis. Os cílios longos e molhados. Os lábios macios e rosados entreabertos. Ele não resistiu — abaixou o rosto e fechou a pequena distância entre eles. Um novo beijo. Desta vez, mas calmo e suave.

“Freddie! Sam!”

Ao ouvirem seus nomes, o beijo foi interrompido.

“Você ouviu isso?” Freddie murmurou, com medo de que se falasse mais alto não ouviria mais.

Sam meneou a cabeça. “São eles! Estão procurando por nós.”

Eles se entreolharam, o sorriso de um refletindo o do outro.

Freddie se levantou e começou a gritar com as mãos sobre a boca. “AQUI!”

Sam, mesmo sentada, o ajudou fazendo o mesmo.

“Estamos aquiiiiiii!”

Dessa vez não era alarme falso, eram os amigos deles mesmo. A voz de Spencer se fez ouvir a uma certa distância. “Saaaam? Feddieeeeee?”

“Estamos aquiiiiiiiiiii” Sam tornou a gritar.

“Aquiiii!” Freddie repetiu.

Os dois continuaram gritando a fim de que os outros pudessem localizá-los mais facilmente. Em poucos minutos, Sam e Freddie avistaram uma comitiva de salvamento encabeçada por Gibby e Spencer.

“São eles! Ali!” Gibby exclamou, apontando na direção em que Freddie e Sam estavam.

O alívio se derramou sobre Freddie e ele riu, aproximando-se de Sam novamente. “Estamos salvos!”

“Finalmente!” a loira exclamou entre risadas.

Freddie, então, viu que os olhos dela estavam marejados, possivelmente por ela estar experimentando o mesmo alívio que ele. Ciente de que essa Sam emotiva não era a que ela queria que os amigos encontrassem, ele se agachou e colocou os braços, um por baixo das pernas dela, outro logo abaixo dos ombros, erguendo-a no colo.

“O que está fazendo, Freddenstein?” ela perguntou, disfarçando uma fungada.

Ele nem se deu o trabalho de retrucar, sabendo perfeitamente que ela estava retomando os apelidos como forma de disfarçar a fragilidade exposta.

“Estou carregando você, Princesa Puckett” ele também sabia usar velhos apelidos de infância. “Com o pé machucado não acha que vai muito longe, não é?”

Dessa vez Sam não discutiu, simplesmente aceitou de bom grado a rendição. Antes que os oturos se aproximassem o suficiente para ouvir, ela encarou Freddie e murmurou, “Desculpa. Por ter jogado sua mochila fora.”

Um sorriso despontou no canto dos lábios de Freddie e ele sentiu a ligeira tentação de dizer que bem que avisou, que, afinal, a culpa era mesmo dela por terem se perdido sem sequer um GPS ou walkie talkie a mão… mas ele percebeu que, se não fosse por isso, ele não teria descoberto uma Sam Puckett até então desconhecida — frágil e de lábios extremamente macios. E que pedia desculpas. Ah, não. Ele não trocaria isso por nenhuma mochila equipada com kit de sobrevivência. E, olhando para ela agora, tão dócil em seus braços, os olhos azuis brilhando enquanto caíam sem conseguir disfarçar para sua boca, ele pensou: Não mesmo!

– iFinis –

Notas finais
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