iDon't Want To Marry
15 Fim : - Parte 1
Notas iniciais
O mesmo que conhecia antes. Os mesmos cabelos dourados, e com a camisa branca propositalmente aberta exibindo o porte fisico avantajado. Mas a ferida... Uma cicatriz cortava do lado esquerdo superior da cabeça, passando pelo olho direito com orbita branca e terminando no queixo reto e definido. Não tirara toda a beleza, se não fosse pelo olhar maníaco que carregava agora.
–Olá Nicholas — Sam falou em um tom que demonstrava desprezo. Passou as mãos protetoramente envolvendo o ventre. Nicholas percebeu o gesto.
–Vejo que andou ocupada — aproximou-se mas um pouco. As mãos estavam cruzadas atrás das costas.
– Se você está se referindo a meu filho, permita-me lhe dizer que já estava mas do que na hora de dar á luz a um herdeiro de Freddie. Meu marido e eu nos ocupamos bastante.
– Um herdeiro! — bufou, erguendo as mãos e dando as costas, furioso. Virou-se e apontou um dedo acusador a Sam — Era meu filho que você deveria estar carregando e comigo que você deveria deitar-se todas as noites!
– Diga isto ao meu esposo. Creio que ele irá amar saber que ainda sonhas em deitar-se com sua mulher. — Sam ainda observava atentamente a todos os sinais de Nicholas. Temia estar passando da linha.
– Você pode parar de chama-lo assim?
– Só se você disser as palavras mágicas — zombou.
– Você o chama de amor, Sam? Do mesmo jeito que fazia quando estavamos entre beijos? — Nicholas tocara na ferida errada. As lembranças dos beijos apenas repugnavam Sam de uma maneira a provocar ânsias.
– O que aconteceu com seu rosto? — Sam mudou de tópico, deixando claro o quanto a cicatriz lhe incomodava.
– Isto aqui? — Nicholas apontou para a ferida. — Vejamos... — Ele deu uma volta e pôs a andar em circulos — Lembra quando você me deixou?
– Lembra quando você trocou seu "amor" por uma ruiva qualquer? — Sam rebateu
– Continuando, — Nicholas começou a dar pequenos passos novamente — Bem, eu pensei que fosse apenas uma brincadeira, mas quando eu vi você indo embora naquela carruagem, me deixando sem ao menos uma explicação... Eu perdi a cabeça. Você é minha.
–Era.
– Eu quis ter sua cópia. — Nicholas ignorou. — Sua irmão gêmea, a Melanie.
–Eu sei quem minha irmã é.
–Você quer fazer o favor de calar a boca e parar de interromper? — Nicholas alterou-se. Sam achou melhor fazer o que lhe era ordenado, mas não sem antes ter a última palavra.
– Só se você fizer o favor de parar de contar-me meu parentesco. Achas que não sei quem é minha irmã? E para você é Vsa. Majestade. Quero lembrar-lhe que casei-me com um rei.
– Ao inferno com Vsa. Majestade! Quer saber como eu ganhei isso aqui? Foi um presentinho do noivo dela. Ele soube o que eu tinha feito. Então o quê? Não foi nada demais, eu nem incostei nela. Ela continuava gritando e gritando, eu só apaquei ela. Um olho rocho e alguns ematomas não se comparam ao que eu ganhei. Eles me acharam e me torturam. Perdi um olho mas ganhei duas cabeças. Pena que não foi a do"noivinho dela. Adoraria tê-la pendurada em minha parede.
Sam ajeitou-se na cama. As costas doíam devido a posição na qual ficara por tanto tempo. De relance, percebeu algo cintilar na fraca luz da lua.
Uma espada.
Sam sentiu o coração acelerar, fazendo o sangue pulsar nos ouvidos, quase abafando o som de suas próprias palavras.
– O que você quer, Nicholas? — perguntou num sussuro, mais para si mesma do que para fazer-se ouvir.
–Eu quero você. Quero construir a vida que deveríamos ter tido desde sempre.
–E se eu não quiser?- desafiou, torcendo para que a voz não falhasse naquele momento — Sabes que já não mais te amo.
– Pois então re-aprenda. Amou-me uma vez, podes amar-me denovo.
– Traístes-me uma vez e trair-me-a de novo.
– Aquilo? Sam, aquilo não foi nada. Estavamos namorando a meses e você não me deixava te tocar. Como homem eu precisava saciar as minhas vontades.
– Sacie-se com outra. Em mim, você não toca.
– Sam, — Nicholas sentou-se perigosamente próximo a ela. Desembainhou a espada e pôs a ponta na barriga esticada de Sam. Seu coração faltou uma batida. Enquanto falava começou a subir lentamente a espada, rasgando o tecido fino da camisola e libertando a a grande barriga tão pálida quanto a própria lua — Você pode escolher. Por bem ou por mal. — Sam engoliu em seco. -Porém, — ele a encarou, mas ela desviou o olhar. Então segurara seu rosto com firmeza e a obrigara a encarar sua face deformada — Eu não posso deixar que você carregue o filho de outro. Não, isso não seria justo.
Perderia tudo que conquistara em um piscar de olhos, quando mal tivera chance de usurfruir de seu amado marido e seu filho que ainda nem tivera nos braços. Queria ser forte, mas as lágrimas foram maiores. Fechou os olhos e esperou o pior, enquanto clamava por Freddie em pensamentos.
– Tire suas mãos de minha mulher.
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