[hiatus] O começo do fim
8 Primeiro: Capítulo 8 - Apostas na mesa
Notas iniciais
Vocês têm o direito de permanecerem calados.
Seria mais fácil se estivesse em uma prisão, não que soubesse muito mais sobre elas, não sabia. Mas essa fora claramente a ordem expressada por Neville Longbottom, enquanto os conduzia entre um corredor e outro. Não fazia a mínima idéia de onde estaria sendo levada, mas o caminho agora já guardado em sua mente, quando o professor finalmente atravessa a frente uma porta com aparência envelhecida, revelando Cavendish, um pequeno sorriso coloria seus lábios.
– Estavam demorando demais ... – Sibila ele, conduzindo os garotos até o final do aposento onde um aglomerado de velhos bancos se encontrava. A luz da lua, que penetrava pelas vidraças, não diminuía em nada o ar assustador do aposento. – Tenho quase certeza de que não vão conseguir terminar os de hoje, Professor. Uma pena, não poder levá-los a floresta, fariam o trabalho com mais pressa se estivessem amedrontados. Mas se o senhor insiste. – continua ele fechando a porta com um movimento da varinha. Seu pai lhe contava que outrora em Hogwarts, permitiam trouxas para realizar o trabalho. James até mesmo admitiu que ficara tudo muito mais difícil com um bruxo exercendo o cargo de zelador.
– Então até mais, Cavendish. Lembre-se de deixá-los sair quando terminarem a remessa de hoje, não terá problema algum deixar um ou dois bancos para limparem amanhã junto com os outros .
–Outros!? Quer dizer então que têm mais ? – Intervêm Will, recebendo uma cotovelada por parte de Lily, mas como resposta limita-se apenas a mostrar a língua para a garota.
– Temos muitos bancos sujos em Hogwarts, Sr. Harrison. O suficiente para cada dia dessa semana se estou certo.
–Mas...
–Já está decidido Srta. Potter – Fala o professor, agora se dirigindo a Lily, a autora da reclamação.
– E os treinos de Quadribol !? Você não gostaria que perdêssemos o primeiro jogo, não é mesmo , Professor ... – Continua Will, seus olhos brilhando de malícia, recendo um grande apoio de Lily que fitava o professor como se fosse chorar a qualquer instante.
– Já cuidei disso, não haverá treino algum a noite. Por isso o horário. – Responde prontamente dando uma pequena piscadela antes de sair porta afora, deixando-os apenas com a companhia de Cavendish, que sorria com ar de riso para os materiais de limpeza que materializara durante a acirrada discução.
– Quanto mais rápido começarem, mais cedo podem terminar. Acho que se esqueceram de um detalhe... – Fala o zelador, balançando a cabeça negativamente para os garotos, que tinham as varinhas á mão, ignorando totalmente os diversos panos aos seus pés. – Vão limpá-los como trouxas, ou seja, sem o uso de magia.
– Você só pode estar brincando!?
– Felizmente não Srta. Potter. – Seu sorriso se alargava mais a cada palavra, como se aquela fosse uma grande peça, da qual estava louco para assistir – Está esperando o quê !? Vamos... – Continua, sentando-se em uma escrivaninha, fazendo milhares de pequenos flocos de poeira subirem ao ar.
–Idiota. – Cochicha Lily baixinho, talvez, o suficiente para não ser notada enquanto Cavendish passava seus olhos acusadores sobre os garotos, trancando a porta com um movimento brusco com a varinha. Se suas expectativas de sair eram mínimas, agora se resumiam a nada. Se conseguisse se lembrar do feitiço que Addison fizera aquele dia no trem, talvez pudesse sair quando o velho adormecesse, mas agora ele se encontrava bastante acordado. Agora o que restara apenas a fazer era seguir o mandado, limpando os inúmeros bancos a sua frente, e é exatamente isso que faz. Seguindo prontamente o exemplo de Will ao seu lado, que possuía um pedaço de pano nas mãos, xingando baixinho enquanto tirava a poeira de um dos bancos.
– Tome cuidado Harrison – sussurra a ruiva urgentemente, quando já se passava da meia-noite o garoto decidira derrubar alguns baldes cheios de velhos panos, fazendo um pequeno estardalhaço. – Cavendish está dormindo, nem quero saber o que você vai fazer se ele acordar. Não quero ficar ouvindo mais palestras de como é o ‘’jeito certo de limpar bancos’’. – Diz a garota, fazendo uma perfeita imitação da voz do zelador, após lançar um olhar irritado para o garoto, que dá de ombros ao arrumar os mesmo com um gesto de varinha. Já se passara algumas horas deste o momento em que decidiram abandonar o método trouxa e começar a usar a magia, um jeito muito mais rápido e fácil, usando um feitiço do qual Will se lembrara de ver o irmão usando.
– Cale a boca. Afinal de contas nós já vamos embora mesmo. – Fala, ao limpar com um gesto de varinha o único banco restante. – Não sei de deveríamos acordá-lo.
– Acho melhor sim.
– Então está bem... – Concorda o garoto, olhando para a porta — Acordamos e então corremos.
– Para onde? – pergunta a garota encabulada.
– Qualquer lugar que seja longe daqui. A sala comunal não, ele vai saber que vamos para lá.
– As masmorras então, e depois a sala comunal. Assim podemos enganar eles. – Fala a garota decidindo-se por fim, ao pegar um dos baldes cheios de água. Cavendish iria os matar.
– Isso não quer dizer que quero que você seja minha amiga. – Fala o garoto inesperadamente, no momento em que a ruiva erguia o balde ao ar com um feitiço, decidindo-se por fim á ficar o mais longe possível do homem adormecido.
–Você não é minha amiga.
– Você não é meu amigo. – Responde a garota prontamente, ao jogar não só a água, mas o balde inteiro na cabeça de Cavendish, fazendo-o acordar com um berro estrangulado, antes de correrem porta afora, rumo às masmorras.
– Vamos logo, Potter. – Reclama o garoto, ao virar a terceira curva, um comentário um pouco inapropriado, já que a garota se encontrava ao seu lado.
Quando finalmente chegam ao lugar desejado, após uma longa discussão aos sussurros, finalmente decidiram esperar mais um momento, se escondendo atrás de uma armadura.
– Você acha que ele está mesmo nos seguindo... – Pergunta a garota, parando abruptamente aos sons de passos ao longe no corredor. Por um momento, passa em sua mente a ideia de correr, mas logo é descartada. A ideia de se esconder ali, antes se parecendo muito inteligente agora lhe parecia idiota, não haveria lugar nenhum para correr, se necessário. Apenas esperar em silêncio, que Cavendish os passasse despercebidos.
– Para de se mexer, assim você vai acordar o castelo inteiro. – Reclama Will, quando o som de vozes se faz ouvir, o que se mostrara ser apenas uma pessoa, era na realidade duas.
– Acho que devemos fazer isso outras vezes. A Potter ficou uma fera.
– Da próxima vai ser bem pior, ela ainda está achando que foi o Harrison, qualquer um veria por aquele olhar de quem diz que quer matar a primeira pessoa a lhe aparecer na frente. — Responde a voz.
A curiosidade dos garotos venceu por vez, fazendo-os olhar rapidamente a menção de seus nomes. Separados apenas por uma armadura enferrujada, a garota ainda podia notar o olhar superior de Charlotte, ao olhar para as vestes amassadas da garota ao seu lado.
– O que você está fazendo, Cassey ? – Pergunta a loira, a repentina parada da outra.
– Melhor voltarmos. – Completa após um pequeno momento de silêncio. – Alguém está descendo. – Puxando a loira com um ar de impaciência, apenas desfeito quando desaparecem ao final do corredor, sendo seguidas por um Cavendish molhado, Lily até soltaria boa gargalhadas se não estivesse em tal situação. Após alguns minutos de um silêncio avassalador, resolvem finalmente voltar, entrando sem nenhuma cerimônia na sala comunal deserta.
Talvez, a ruiva não devesse ter pensado aquilo, colocado a culpa na pessoa errada. Mas não era de sua natureza pedir desculpas, de modo que apenas deixa o garoto subir, desaparecendo de vista após entrar em seu dormitório. Sua vingança não seria cancelada, ao menos adiada, ela poderia ser dividida. Uma boa parte para cada. Os dados foram lançados, apostas foram colocadas sobre a mesa. Lily Potter nunca perdera um jogo, aquela não seria justamente sua primeira vez.
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