esse é o problema de amar seu melhor amigo
1 para sempre melhores amigos
Makoto amou, durante anos, Nanase Haruka.
Desde que se conheceram na natação havia aquele sentimento morno que se enraizava pouco a pouco em seu peito, espalhando ramificações desde o cabelo até as pontas dos dedos.
Na alma.
E então ele viu Haruka quebrar.
Não havia entendido direito, em verdade. Sabia apenas que, um dia, Haru não era mais Haru, mas sim alguém dependente que chorava pelos cantos — ele não se orgulhava de saber essa informação por ter seguido o amigo.
No Segundo Fundamental, eles — Rin e Haruka — surgiram. Ou melhor, resurgiram.
Rin estava diferente, não exatamente crescido. Claro que ele havia crescido, todos eles haviam. Mas não era o mesmo ruivo, aquele de sorriso fácil que nada por diversão.
E Haru também estava diferente. Com a volta de Rin, os olhos do Nanase voltaram a brilhar com vida, esperança.
Makoto nunca o havia feito sentir algo parecido, sabia bem, mas saber que justo o ruivo, com toda sua grosseria e prepotência, fazia com que Haruka quisesse nadar novamente — não apenas por nadar, mas por tudo que aquela ação significava para ele — o castanho simplesmente... não sabia.
Makoto não fazia ideia do que sentir.
Mas ele descobriu o que sentir, não de modo romântico, mas como um intruso
Rei havia sumido, e Rin assumiu seu lugar. A escola foi desclassificada, mas nada, repito, nada poderia se equiparar a sensação de nadarem juntos novamente. Nenhum troféu, nenhum nada.
Naquela noite, Makoto decidiu que o melhor amigo merecia saber sobre o que sentia. Colocou um casaco, calças e saiu noite a dentro.
Havia mais alguém na casa.
Havia barulho de passos, muito mais do que dois pés conseguiriam fazer. Makoto abriu a porta com cuidado — destrancada, como sempre — e andou às cegas seguindo os barulhos. Se Haruka estivesse ferido ele...
Haruka estava no chão, mas não sozinho. Rin estava sobre ele, com pernas e braços embolados, um beijo tão sem cuidado que, mesmo no escuro, o castanho podia ver as sombras das línguas enroscadas.
E Makoto foi embora.
Ele pensa que preferia ter continuado com aquelas borboletas esquizofrênicas na barriga do que com o buraco que até hoje, quase dez anos depois, está em seu coração.
(mas ele sorriu quando entrou na igreja como padrinho do casal)
Fale com o autor