em dois anos
1 ponto de encontro
Notas iniciais

“Você tem certeza de que quer passar a virada do ano de preto?”, Natasha perguntou enquanto terminava de colocar seus pertences na bolsa dourada que fazia um belo contraste com seu vestido branco de tubo.
Sam se olhou no espelho uma última vez e se preparou para responder a amiga pela milionésima:
“Sim, eu li em algum lugar que pode trazer boas surpresas para o ano seguinte”, respondeu enquanto guardava o celular e carteira nos bolsos da calça. “Não que eu seja supersticioso, mas toda sorte é bem-vinda”, explicou, por fim.
Sentia que Natasha o observava e sabia o motivo. Aquele era o último dia, sua última gota de esperança estava depositada naquelas últimas horas que indicavam o final do prazo prometido. Dois anos de espera que iriam chegar ao fim. Que precisavam chegar ao fim.
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O tempo estava ótimo naquela noite, próprio para aproveitar a brisa no barco, sob o céu estrelado e tomando algumas cervejas. Então, quando Bucky sugeriu deles passarem a virada no “The Paul & Darlene”, o barco da família, Sam achou uma ótima ideia. O grande problema é que ultimamente Sam não sabia com agir perto de Bucky. Alguma coisa tinha mudado, e ele sabia o que era, mas ainda não tinha certeza se estava pronto para dizer.
A medida que a noite foi passando e a bebida foi realizando seu efeito, Sam foi ficando menos tenso e notou que Bucky estava ficando cada vez mais próximo. Seu coração palpitava só de pensar no que aquilo poderia significar. Faltavam poucos minutos para à meia-noite e Sam não fazia ideia do que o próximo ano reservaria.
“Faltam exatos 5 minutos para o novo ano começar”, Bucky anunciou. A voz dele estava um pouco embargada por conta da bebida. Eles estavam sentados um ao lado do outro na proa no barco, ambos encostados na parte de fora da cabine. O perfume de Bucky parecia dominar tudo, Sam não conseguia encontrar palavras para contribuir ao diálogo. Tudo o que ele queria era que aquele momento durasse por mais algum tempo, só os dois sozinhos, contemplando as estrelas.
“Sam”, Bucky chamou sua atenção, agora ele estava consideravelmente próximo, Sam podia sentir a respiração dele em seu rosto e podia ver o brilho de seus olhos azuis, por mais escuro que a noite tivesse. Bucky agora encarava seus lábios e Sam mal conseguia acreditar que aquele momento era real.
Sam quase quebrou a distância entre eles a ponto de seus lábios roçarem um no outro, Bucky ainda hesitava e Sam estava morrendo para saber o porquê. “Sam…”, Bucky ainda permanecia de olhos fechados, suas respirações se confundindo com a proximidade. “Eu preciso te dizer algo”.
“Você pode me dizer qualquer coisa”, Sam sussurrou.
Bucky abriu os olhos e o encarou.
“Eu estou partindo em uma missão com os Thunderbolts”, ele sussurrou de volta. “Nós partimos amanhã”.
O primeiro fogos de artifício explodiu no céu e logo esvaneceu em milhões de luzes. O novo ano havia chegado.
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“Sam?”, Natasha o chamou de volta à realidade. “Você está bem?”, ela lhe encarava ao longe, ao lado da porta. Sam a olhou e até tentou disfarçar sua tristeza, mas sabia que ela era esperta demais para não perceber seus olhos marejados.
“Ei, Sam”, Natasha se aproximou e colocou as mãos em seus ombros tentando acalmá-lo. “Tenha um pouco de fé. Ele te fez uma promessa.”
Sam tentou esboçar um sorriso, não foi muito, mas foi o melhor que ele pôde fazer no momento. Natasha o puxou em direção a porta e apagou as luzes do apartamento. “Agora nós precisamos ir, todo mundo já deve estar esperando.” Eles saíram e antes de Natasha trancar a porta, ela prometeu: “E assim que chegarmos ao bar você vai tomar uma dose por minha conta para liberar a tensão.”
O bar estava lotado e extremamente barulhento, mesas apinhadas de grupos de amigos e familiares prontos para se despedirem do ano que estava chegando ao fim. Sam acompanhou Natasha até uma mesa grande e um pouco afastada das outras, no fundo do bar, onde estavam seus amigos.
“Finalmente! Achei que vocês só iam chegar no ano que vem”, Thor os saudou abraçando ambos pelos ombros.
Bruce, Tony e Steve também estavam lá e Sam cumprimentou a todos forçando um sorriso. Ele precisa relaxar um pouco, Natasha estava certa, ele tinha ter fé na promessa de Bucky.
O barulho do bar estava quase ensurdecedor, então Sam se aproximou de Natasha e disse próximo de sua orelha:
“Estou indo ao bar buscar aquela bebida que você me prometeu.”
Natasha se virou para ele e lhe entregou seu cartão para que pagasse pela bebida e lhe sussurrou de volta:
“É só aproximar.”
“Você vai confiar seu cartão a mim?”, ele brincou.
Natasha o encarou com as duas sobrancelhas levantadas e respondeu:
“Pelo amor de Deus, você é o Capitão América.”, e deu uma piscada antes de se virar para falar com Tony.
Então, Sam se dirigiu ao bar na esperança de aliviar um pouco a tensão de seu coração. Mas alguém o impediu de continuar seu caminho.
“Wilson!”
Seu coração paralisou por um momento e se encheu de esperança logo em seguida. Mas a decepção veio no instante em que o dono da voz se colocou em sua frente, um homem alto, com cabelo cortado em estilo militar e olhos castanhos. Nada parecido com Bucky.
“É você mesmo! Eu não acredito!”, o desconhecido berrou e foi chegando cada vez mais perto de Sam, claramente sem noção de espaço.
Sam tentou se desvencilhar e continuou rumo ao bar.
“Vou te pagar uma bebida, com certeza.”, o estranho anunciou alcançando a mão de Sam e lhe devorando com os olhos.
Sam não tinha paciência para lidar com nada que não fosse Bucky Barnes naquele momento, então se afastou mais uma vez do homem e pontuou firmemente, com a intenção de não restar dúvidas de que ele não queria companhia.
“Não, você não vai.”, enfatizou encarando o homem e lhe dando as costas em seguida e, dessa vez, seguindo em paz para o bar.
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Sam encarava sem expressão as luzes que explodiam no céu. Tentava processar o que Bucky acabara de lhe dizer.
“A missão irá durar dois anos.”, Sam podia sentir Bucky lhe encarando enquanto falava. “E eu não vou pedir para você me esperar, porque seria muito egoísta da minha parte, Sam. Mas eu vou voltar pra você assim que a missão chegar ao fim. É uma promessa.”
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Sam voltou para a mesa dos amigos com algumas bebidas extras para todos e Natasha lhe encarou com seu melhor olhar de assassina.
“Eu posso ser o Capitão América, mas antes de tudo sou seu amigo em posse do seu cartão de crédito. Então, você não deveria confiar tanto assim em mim.”, sussurrou em sua orelha enquanto sorria com todos os dentes e lhe devolvia o cartão.
Natasha revirou os olhos e aceitou a bebida que ele lhe dava.
“Ei, Sam!”, Steve lhe chamou do outro lado da mesa. “Eu sei que hoje não está sendo como você esperava, mas fico feliz que tenha vindo comemorar a virada de ano com a gente.”
Sam concordou com um aceno de cabeça. Mas Steve deu a volta e lhe abraçou pegando-o de surpresa.
“Ele vai voltar, Sam. Confia em mim.”, murmurou perto de seu ouvido.
Tentando segurar as lágrimas, Sam lhe encarou e agradeceu:
“Obrigado, Steve.”
Mas apesar da segurança de Steve e de Sam se esforçar para tentar aproveitar a noite, seus olhos se perdiam no meio da multidão. Mantendo, assim, a esperança de que Bucky fosse aparecer a qualquer momento. Mas, ao mesmo tempo, cada vez que Sam escaneava o lugar e não o encontrava, seu coração parecia escapar uma batida.
Seu celular vibrou no bolso e ao olhar o visor Sam viu que era uma mensagem de Sarah.
“Ele já apareceu?”
Respirou fundo por um minuto e em agonia respondeu:
“Ainda não.”
E pra não sucumbir ao desespero, acrescentou:
“Ainda.”
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“Eu acho que você deveria ir.”, Sarah sugeriu enquanto passava um café. “Vai te fazer bem, Sam. Rever seus amigos.”
Sam não conseguia responder, só encarava sua própria xícara em silêncio. Percebendo que Sam não diria nada, sua irmã continuou:
“Espero que você não me leve a mal, mas no último ano você passou a virada do ano de forma miserável.”, dessa vez ele conseguiu ao menos olha-la, apesar de sua expressão não ser das melhores. “Eu não quero te ver assim de novo, é só isso.”
No fundo ele sabia que ela estava certa, mas ele estava com receio.
“Você sabe que ele te encontraria em qualquer lugar que você estivesse, não sabe?”
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O resto da noite passou como um borrão, o dono do bar anunciou que faltava apenas 1 minuto para o ano novo e enquanto todos se voltaram para a TV onde a contagem regressiva na Times Square começaria em pouco tempo, Sam só consegui olhar para a porta do bar. Seu coração como um tambor no peito.
Então, a contagem se iniciou e o otimismo de Sam chegou ao fim, a cada segundo anunciado sua confiança se esvaia um pouco mais. Enfim, quando o repórter da TV anunciou a chegada do novo ano e todos comemoraram confiantes a respeito do futuro, o rosto de Sam não transparecia nada mais do que decepção.
“Feliz ano novo, pessoal.”, ele desejou com a voz embargada e sem ousar encarar seus amigos, porque não suportaria a expressão de pena em seus rostos.
“Sam…”, Natasha começou.
“Eu vou voltar para o hotel, vejo vocês amanhã.”, ele cortou e saiu em direção à porta sem olhar para trás.
Natasha o deixou ir sem mais protestos e ele agradeceu a ela, internamente, por isso.
Algo deve ter acontecido, certo? Ele não deixaria de aparecer. Era uma missão ultra secreta, então de qualquer forma ele não teria como avisar caso não conseguisse chegar à tempo. A mente de Sam estava uma bagunça. Ele sentia raiva, frustração, mas acima de tudo isso, medo. Medo de que algo muito ruim tivesse acontecido. Ele teria que dar um jeito de encontrar Bucky, saber o motivo dele não ter aparecido.
Mas, antes que seu cérebro conseguisse processar o que seus olhos viam, um homem de cabelos longos e barba encostado em uma moto lhe chamou a atenção. Ele estava estacionado ao lado da caminhonete de Sam. Bucky Barnes. Envolto em uma nuvem de fumaça, com um cigarro na boca e sorrindo em direção a Sam.
Extasiado e mal acreditando que aquilo era real Sam caminhou em direção a ele.
“Feliz ano novo, Sam.”, Bucky soltou simplesmente, mantendo seu sorriso de orelha a orelha intacto.
Sam ainda o encarava.
“Por um momento achei que você não fosse aparecer.”, Sam confessou, sem conseguir pensar em mais nada para dizer.
Bucky o encarou, seu sorriso diminuindo um pouco.
“Achei que algo tivesse acontecido.”, tentou concertar.
Bucky assentiu. Por um momento Sam achou que ele ia se aproximar, mas Bucky se manteve onde estava.
“Eu cheguei um pouco antes da meia-noite, mas preferi esperar por você aqui fora.”, revelou antes de tragar o cigarro e soltar a fumaça na direção contrária onde Sam estava.
Sam ficou apenas observando enquanto a fumaça se dissipava e a expressão de Bucky se suavizava conforme a dopamina ia sendo liberada em seu cérebro.
“Desde quando você fuma?”
Bucky o encarou antes de responder com calma e sinceridade:
“Esse foi o único vício que encontrei para me manter são enquanto estive longe de casa.”, explicou sem que seus olhos deixassem o de Sam. O momento pareceu durar por alguns minutos, fazendo com que Sam tivesse que desviar o olhar.
Depois de mais alguns minutos em silêncio, Sam tentou quebrar a tensão do ar.
“Como você está? Como foi a missão?”
“A missão em si foi razoável.”, e dessa vez encarou o chão antes de continuar. “Nada comparado a ficar longe por tanto tempo.”, disse apagando o cigarro logo em seguida.
Ainda indeciso de como prosseguir, Sam maneou a cabeça em direção ao bar e perguntou:
“Você quer entrar? Natasha e Steve vão gostar de ter ver.”
Bucky negou o convite com a cabeça e deu um passo em direção a Sam, lhe encarando com a mesma intensidade de antes.
“Na verdade, eu estava com a esperança de conversar com você em algum lugar mais reservado.”
Sam concordou.
“Meu hotel não fica longe.”
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Assim que passaram pela porta do quarto de hotel de Sam, ele perguntou, legitimamente curioso:
“Como você sabia onde eu estava?”
“Você sabe que ele te encontraria em qualquer lugar que você estivesse, não sabe?”, a voz de Sarah ecoou em sua mente antes de Bucky responder sua pergunta.
“Eu te encontraria onde quer que você estivesse, Sam.”, Bucky confessou.
Era isso, o stopim. Sam não conseguiu mais se segurar. Sem hesitar, puxou Bucky pela nuca e lhe beijou como queria ter feito naquela noite há dois anos atrás. E Bucky não agiu diferente, retribuiu o beijo com o mesmo ímpeto, com a urgência de quem realmente havia esperado anos por esse momento.
Sam foi pego de surpresa quando Bucky o pegou no colo e colocou na cama enquanto depositava vários beijos em seu pescoço.
“Não teve um dia no qual eu não tenha pensado em você, Sammy.”, Bucky sussurrou em seu ouvido.
Sem confiar na sua voz naquele momento, Sam se limitou a fechar os olhos, sorrir e deixar que Bucky explorasse seu corpo com a boca.
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A primeira coisa que sentiu quando despertou foi o perfume inconfundível dele, a segunda foi seu toque, já que Bucky o abraçava como se Sam planejasse fugir a qualquer momento. A terceira foi seu próprio coração, que estava, enfim, em paz.
Bucky dormia suavemente e Sam o observou abrir os olhos aos poucos enquanto lhe fazia cafuné.
“Você estava me observando dormir?”, Bucky perguntou em tom de acusação.
Sam soltou um risada fraca e respondeu:
“Não, eu estava te observando babar enquanto dormia.”
Bucky riu e puxou Sam para mais perto, beijando sua testa.
“Sabe, eu estava pensando.”, Sam começou, enquanto acariciava o braço de Bucky com as pontas dos dedos. “Acho que posso me acostumar com o seu novo hábito.”, finalizou apontando para o maço de cigarro sobre a cômoda.
Bucky balançou a cabeça em negação.
“Aquilo?”, perguntou enquanto beijava Sam. “Eu não preciso mais, Sammy. Tudo o que eu mais queria está em meus braços agora.”
Naquele momento Sam soube sem dúvida alguma que toda a espera havia valido à pena.
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