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1 Capítulo 1
“Talvez isso sempre aconteceu eu só não tinha noção do quanto poderia afetar minha vida, ou de fato nunca notei a reação que causava a minha volta. Nunca fui boa com datas, axeto essa data.”
Meu corpo parecia cair em um abismo sem fim...
Foi quando estava na casa do lago de meus avos com minha mãe, estávamos sentadas no jardim, tomando chá e comendo bolo, abaixo da gigantesca macieira na qual um dia eu resolvi construir minha primeira casa da arvore.
Peguei um pedaço de bolo e me esquivei deles, resolvi caminhar pelos arredores, era um lugar distante, a tranquilidade era indescritível, ficara a uma hora da cidade onde eu morava com minha mãe, meus avos sempre tentaram fugir da cidade, e quando encontraram essa casa do lago, foi a deixa para a vida que sempre sonharam, talvez eu herdei esse dom deles, passava mais tempo no lago do que na cidade, Não havia vizinhança próxima, somente a floresta, a estrada e o gigantesco lago que eu costumava nadar todo verão, porem de uns anos para cá estão vendendo alguns empreendimentos imobiliários, do outro lado do lago, algumas casas já estão terminadas, outras ainda estão sendo levantadas, tirando o fato de terem derrubado algumas arvores o que me deixou muito irritada, não prejudicou outra das coisas que eu temia, a tranquilidade, ela não veio a baixo como algumas arvores a mesma permanecia como sempre foi e deve ser, e eu por toda via era grata por isso. Caminhei um pouco pela floresta ate chegar ao cais, e andei ate o final e me sentei na beira dele com as perna suspensas na água olhando para o lago observando o por do sol, era de um laranja avermelhado grande, como uma bola de fogo.
Foi então que começou o meu desvaneio da realidade, analisar coisas e compara-las a vida, talvez isso fosse um carma. Notei que o sol só nos deixa enxergá-lo como ele é de verdade sem que nos faça arder os olhos quando esta no seu ciclo, nascente e poente, percebi que é como algumas pessoas, é fascinante quando chega, trazendo toda a tranquilidade para sua vida, depois de um tempo você não a nota mais, porque ela te cega, te cega de tal forma que você não enxerga o que esta bem diante de seus olhos, ate que um dia ela se vai, e logo tudo é escuridão, e você só enxergara dor e saudades por não estar iluminado e aquecido por tal fenômeno.
Me deitei no cais e fitei o Céu azul coral, radiante sem nenhuma nuvem a espreita, tudo era azul, fui tomada por uma gigante dor de cabeça, minha cabeça ia estourar a qualquer momento, e como se não fosse ruim o bastante houve uma forte e constante corrente de estática, como se a televisão estivesse no máximo volume e o canal não estivesse no ar. Tudo se acalmou, ainda estava deitada, abri os olhos lentamente, conforme as nuvens desciam sobre o lago tudo ficou negro estava escuro o sol não estava mais ali, tudo estava como eu sempre gostei, meu céu preferido, nuvens escuras e carregadas, como se um temporal estivesse a caminho, mas dessa vez era diferente o mundo era quase negro, não como um dia de tempestade, mas como se o sol ou a lua não fossem aparecer nunca mais. Me sentei lentamente quando ouvi um barulho de motor, ao longe, no lago havia um jet ski e um garoto, me veio que provavelmente era um dos novos moradores, o observei de longe usando um shorts de banha sem camisa, um tanto magro e branco mas um corpo bonito e bem definido, pelo que pude ver ao longe ele era atraente a sua maneira e eu poderia me sentir atraída por ele.
Minha visão voltou ao garoto, curtindo seu passeio distraidamente, e logo diante dele havia uma placa, com letras brancas e grandes.
“NÃO ULTRAPASSE”.
Estava escrito ali.
Realmente não enxergarmos um palmo diante dos nossos olhos, eu longe o bastante pude não só notar como ler perfeitamente a placa, que boiava junto a um tambor amarelo, já o garoto mesmo se desse de cara com ela no a notaria, então ele a ultrapassou. Não que eu estivesse preocupada com ele, afinal estava sob um jet ski, pelo menos ele não morreria afogado.
As coisas estavam um tanto estranhas, estava frio, estava escuro, o segui após ele ter ignorado o aviso, sobre e água, havia algo, meu coração foi a mil quando me concentrei na tal figura, aquilo era um crocodilo? um jacaré? havia um clarão a distancia a imagem se embaralhou ficando confuso sem foco, então esfreguei os olhos para enxergar melhor a distancia, aquilo era um lago, como um animal desse porte foi parar ali, a imagem criou forma, e tudo não passou de uma miragem, era um simples tronco de arvore, não dava para saber de onde veio se nasceu onde hoje é o lago, ou flutuava sobre o lago. O garoto ia em direção a ele, distraído novamente, com a cabeça inclinada para o alto os cabelos negros voavam com o vento, sem olhar para a frente... Fiquei com raiva dele momentaneamente por achar que o mundo é seguro. Nem minha própria casa é segura, que bom que tenho conhecimento disso, já ele parece não ter.
Em um misto de raiva e vontade de alerta-lo gritei o mais alto possível...
HEEEY, olhe para a frente, CUIDADO!
Logo ele era susto e espanto, olhou para os lados procurando de onde veio o grito e quando me encontrou ao cais fazendo gestos indicando a sua frente ele apenas me observou confuso quando olhou diante de si, viu o tronco, tentou desvia-lo em uma manobra rápida e desesperada, em vão, bateu na lateral e o jet ski capotou voando cada uma para um lado a distância na água, ouvi um grito antes de ele cair na água e desapareceu por alguns segundos, logo estava a superfície gritando por ajuda, e se debatendo na água.
Apesar de estar a uma distância razoavelmente longe, não pensei duas vezes e me joguei na água, tentei gritar entre a água batendo em meu rosto para ele se acalmar, apenas nadei, um momento depois meus braços começaram a doer, talvez as aulas de natação não estavam causando o efeito esperado, parecia ter nadado o suficiente para ganhar uma maratona e não havia chegava nem perto de onde ele estava, meus braços já doíam, meu peito estava sendo esmagado pelo impacto da água, e tudo se descreveu em, um garoto se debatendo na água, eu nadando desesperadamente por querer ajuda-lo e não saindo do lugar e a água se chocando contra meu peito, um movimento muito estranha, não era eu me chocando contra água e sim ela se chocando contra min, parecia me afastar do meu destino, parei por um segundo e fui lançada para trás pela correnteza, ou ondas, algo estava errado ou tudo era errado. Era um lago, e não podia haver ondas, não em lagos, mas ali havia, então fiz o que tinha que fazer retomei folego e continuei a nadar o mais rápido que pude, precisava fazer algo para ajuda-lo, logo as coisas ficaram mais confusas, estava próxima a ele e em questão de segundo as ondas começaram a girar lentamente a minha frente chocando se umas contra as outras e um redemoinho se formou entre nos, então pensei novamente que aquilo erra errado isso é um lago, isso não pode ser real, não na minha realidade. Estava exausta por tudo que nadei, um pensamento inoportuno em um momento inoportuno atingiu meus pensamentos “Cancelar Aula de Natação”.
Queria salva-lo, parecia o certo a fazer, ele parecia não saber nadar, parecia perdido, por um momento me virei em direção ao cais onde eu estava, e ele não estava mais lá, e só havia água, parecia não ter ido muito longe mas a casa de meus avos não estava mais lá também.
Só havia água, o garoto o redemoinho e eu, e quando observei atras de onde ele estava havia uma ilha ao longe, então gritei e acenei para que ele fosse naquela direção, ele pareceu não me ouvir, debatia na água loucamente, e eu logo entrei em desespero tanto por ele e pelo redemoinho
que parecia aumentar e chegar mais perto de onde ele estava, e por ser um lago ate momentos atras e em logos não há, ondas, nem redemoinhos
como aquele, e de fato acordei para a realidade, aquilo estava distante de ser um lago como antes foi, nesse momento pude ter certeza que estava em um mar, um oceano, talvez. Depois de muito nadar, o corpo dolorido, cheguei próximo do garoto, não consegui ver seu rosto havia água por toda parte, batendo contra meu rosto, e havia o redemoinha
entre nos, quando tentei contorna-lo e chegar perto dele, ele tentou em desespero nadar para a ilha que eu indicara, uma tentativa frustada e insignificativa, ele foi sendo sugado lentamente para dentro do redemoinho,
e o mundo parecia girar, tudo era um borrão, exceto nos, ele estava sendo sugado para dentro da água, e eu permanecia girando, na mesma sintonia que ele, vendo a cena como uma espectadora, em movimentos confusos tentei segura-lo, mas nada parecia ajudar, em seguida ele esticou a mãe, eu a seguirei por mais que a água estivesse extremamente fria, e eu estivesse tonta girando como se tivesse tomado uma garrafa e Vodka, tudo ficou quente, e como se meu coração já não estivesse acelerado o suficiente pelo desespero de tudo isso, ele acelerou como se fosse pular para dentro do redemoinho,
nos olhamos pela primeira vez e por um momento a cena foi acorrendo lentamente e confusa, fiquei embasbacada com a cor de seus olhos,castanhos, firmes, apaixonantes, pude observar seus cabelos negros, seu rosto magro e atraente com uma barba leve e os lábios grandes e roxos talvez pela água gélida, é incrível as mudanças que a água pode fazer em questão a muitas coisas... Me senti inútil naquele momento, sabia que não podia fazer nada, e que seriamos lendo para o fim daquele redemoinho, ou talvez ele fosse, o estranho é que eu estava a margem daquilo, e o que consegui pensar em meio aquele turbilhão de acontecimentos e desespero, tentei conforta-lo. E gritei junto ao barulho da água, quebrando nosso momento de flerte..
- Perdão, eu, tentei....
- Sim, tentou, Eu Amo você Emma.... — Foi o que ele conseguiu respondeu antes de sumir, para o fundo da água.
O mundo era escuro, só havia o castanho e o sorriso do garoto do lago...
Minha cabeça doía talvez eu pudesse movimentar uma casa com o poder da mente.
O ceu estava Azul novamente, o sol ainda estava se pondo, eu ainda estava ali, estava deitada no cais, quando tentei pensar que foi um sonho, notei a dor agonizante em minha cabeça e em meus braços, meus cabelos e minha roupa ambos molhados, talvez eu mergulhei e não me lembro, olhei entre os ombos, meus pais e meus avos ainda estavam lá, conversando pareciam se divertir, tudo parecia normal o mundo estava em ordem exceto o meu mundo, tudo estava confuso, a dor era real, a dor por nadar talvez, fitei o lago, não havia nada, placa, tronco, garoto. Só havia, agua e o lago, apenas o antigo lago.
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